Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2010

Cronologia do nascimento de um tornado

Eram 10h30 de 7 de Dezembro quando Paulo Pinto, da Divisão de Observação Remota do Instituto de Meteorologia (IM), detectou nas imagens do radar meteorológico no Algarve o início de um fenómeno anómalo. Ainda não sabia – nem podia saber só por essas imagens – que via a semente do que, quatro horas depois, seria um tornado que afectou Tomar, Ferreira do Zêzere e Sertã.

Uma coisa, pelo menos, o meteorologista suspeitava: o radar na serra do Caldeirão, perto de Loulé, estava a detectar um fenómeno que podia vir a ser perigoso. Estava no mar, a 180 quilómetros a sudoeste de Lisboa e a 220 do radar. Um dos parâmetros obtidos pelo radar é a reflectividade, que é mais elevada quanto maior for o diâmetro das partículas na atmosfera (o granizo reflecte mais que as gotas de chuva, e estas que o chuvisco). Ora o fenómeno tinha valores de reflectividade muito elevados, o que fazia supor que podiam estar a formar-se condições meteorológicas severas.
Na imagem das 10h30 foi quando surgiu a semente do tornado, um ponto a amarelo ao largo de Sines (e não a mancha vermelha mais acima). De dez em dez minutos, iam chegando imagens do radar do Algarve, o único a funcionar agora em Portugal continental. Essa sequência de imagens ia dando ideia da evolução do fenómeno. A mancha inicialmente mais encarnada acabou por se desvanecer. E aquela que agora se sabe ser a génese do tornado ficou maior e foi-se deslocando para terra.
Pelas 12h50, essa mancha vermelha entrava em terra sobre a zona do cabo da Roca. Só a partir desta altura foi possível dizer que aquela estrutura era uma supercélula – nuvens em rotação, que podem originar precipitação intensa, granizo, um tornado ou outro fenómeno severo. Foi então que o IM contactou a Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), como é costume quando se detectam estas estruturas e quando a sua progressão vai fazer-se sobre o território português. "Neste caso, a ANPC recebeu o aviso por parte do IM com cerca de uma hora de antecedência do tornado", conta Sérgio Barbosa, o coordenador da Divisão de Observação Remota do IM.
"Ainda que a previsão de tornados não seja possível, sabe-se que as supercélulas são sempre responsáveis por mau tempo, mesmo que não tenham associada a ocorrência de qualquer tornado, produzindo chuva forte, granizo ou saraiva, trovoada e vento forte horizontal", explica Paulo Pinto. "Olhando só para as imagens de radar, não podemos dizer que é um tornado. Podemos dizer que é um fenómeno meteorológico perigoso que vai afectar uma região e que justifica a intervenção de mecanismos de protecção civil. Mas dizer que é um tornado, com base nesta informação, é quase impossível", acrescenta Sérgio Barbosa.
 
Podia ter havido informação sobre a velocidade dos ventos se o radar de Coruche, mais perto do fenómeno, não estivesse avariado há duas semanas (o alcance para os ventos só vai até aos 100 quilómetros).
 
Mesmo assim, não poderia garantir-se que se desenvolveria um tornado, diz Barbosa.
Já sobre terra, a supercélula continuou a mover-se para nordeste e às 13h30 passava sobre a região de Torres Vedras. Ainda não era um tornado, o que quer dizer que o turbilhão de vento não tinha atingido o solo. Foi antes de Tomar que o fenómeno se tornou um tornado. E houve um pouco de tudo: chuva intensa e granizo, além dos ventos fortes. Pelas 14h30, o tornado chegou a Tomar. Passou ainda por Ferreira do Zêzere e Sertã e, pelas 15h30, saía do alcance do radar do Algarve, a 300 quilómetros. Atrás de si, deixava 50 quilómetros de rasto.
Entre 1927 e 2009, há o registo de 55 tornados em Portugal, segundo dados do IM. Um deles, em 1954, em Castelo Branco, fez cinco mortos e 220 feridos e nos outros houve um morto e 50 feridos. "As varandas ficaram torcidas", alguém disse do tornado de 1954. Ou, em 1995, na Ribeira da Ladeira, Estarreja: "As vacas apareceram embrulhadas nas silvas."
Teresa Firmino
* * * * * * * * * * * * *
Fonte: PÚBLICO
 
in Blog Gerotempo
 
Está explicada a situação do Radar de Coruche....
 
publicado por portuga-coruche às 07:20
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Sexta-feira, 11 de Abril de 2008

Instituto Meteorologia confirma existência de tornado com ventos de 200 quilómetros

A ocorrência de um tornado quarta-feira em algumas aldeias do concelho de Santarém foi esta quinta-feira confirmada à agência Lusa por um especialista do Instituto de Meteorologia (IM), durante uma visita às localidades afectadas.

"Confirmo que se tratou de um tornado, cuja intensidade dos ventos poderá ter atingido ou excedido ligeiramente os 200 quilómetros por hora", disse à agência Lusa Paulo Pinto, um dos dois meteorologistas da área de radares meteorológicos que se encontra no terreno para avaliar os impactos do incidente.

Paulo Pinto sublinhou que o valor para a intensidade dos ventos é um estimado "a partir da intensidade e da natureza dos danos causados e não pela medição directa da intensidade dos ventos no interior do tornado".

Explicou que a classificação para determinar a intensidade dos ventos é a escala de Fujita, que vai de F0 (intensidade mínima) a F5/F6 (intensidade máxima), e que "pela intensidade dos danos verificados nos locais atingidos se pode concluir que ocorreu um tornado de, pelo menos, intensidade F1, mas que poderá ter chegado a F2".

"Ainda é, contudo, cedo para concluir a intensidade dos ventos do tornado, uma vez que não visitámos todos os locais atingidos", enfatizou.

Sublinhou que a avaliação do fenómeno "não resulta da medição da intensidade dos ventos, mas de estimativas a partir dos danos causados nos locais que ainda estão a ser avaliados" pela equipa de meteorologistas.

Os primeiros locais visitados pela equipa de meteorologistas foi a freguesia de Abrã e a localidade de Canal (na mesma freguesia) e Amiais de Baixo, onde avaliaram os danos causados numa fábrica "cuja estrutura de 16 ou 17 toneladas ficou completamente destruída", disse.

A visita da equipa do IM vai prolongar-se durante a tarde, seguindo o trajecto da "nuvem mãe a que o tornado esteve associado, num percurso de Sudoeste para Nordeste, num total de entre 10 a 15 quilómetros".

Alcanena, Amiais de Baixo, Amiais de Cima e Vila Moreira são algumas das localidades que os técnicos irão visitar durante a tarde, disse Paulo Pinto.

A visita termina em Zibreira, por, até ao momento, ser o último local de que a equipa do IM tem conhecimento da existência de danos, concluiu.

O tornado ocorrido cerca das 09:00 de quarta-feira percorreu perto de 15 quilómetros dos concelhos de Santarém, Alcanena e Torres Novas, provocando desalojados e danos materiais que o presidente da Câmara de Santarém estimou hoje cifrarem-se entre cinco e sete milhões de euros.

in O MIrante online

publicado por portuga-coruche às 13:57
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