Quinta-feira, 20 de Maio de 2010

Deputados do MIC ainda dão que falar.....


Ímpio Serafim das Neves

 

Eu compreendo que os jovens deputados municipais de Coruche eleitos pelo movimento de independentes suspirem por Salazar. E aceito com bonomia que tenham elogiado o ilustre defunto no 25 de Abril, em vez de esperarem pelo dia de finados que é só em Novembro. São actos de rebeldia próprios da idade.

Há gente ilustre da nossa democracia que na adolescência suspirou por Estaline, Henver Hoxha e Mao Tsé-Tung ao mesmo tempo e não veio daí mal ao mundo. Cada um suspira pelo que quer e eu suspiro bem fundo cada vez que passo pela menina Xana que até já posou nua para a play-boy portuguesa. Além disso, como dizia a minha avó, cá se fazem, cá se pagam. É muito provável que os netos dos adoradores de Salazar venham a suspirar pelo Engº Sócrates daqui a umas décadas. É a lei da vida.

Esta semana, um senhor de Abrantes chamado João Batista Pico, que até foi candidato à Câmara de Abrantes nas últimas eleições conseguindo 752 votos, teve um momento de exaltação bíblica e saiu em cruzada contra a falta de ética e de vergonha dos jornalistas que contaram ao mundo que, em Fátima, à hora em que o Papa dizia missa, havia ímpios a comprar camisolas com a fotografia do Cristiano Ronaldo.

Exaltou-se ele e exalto-me eu. Aquelas coisas não se contam como tu também sabes. Guardam-se!! E ele não chegou a ler a outra reportagem sobre os varredores municipais que até preservativos usados encontraram nas imediações do santuário. Isso então dava-lhe uma fúria que subia ao céu mesmo sem asas.

Que se comprem camisolas do Ronaldo ainda vá que não vá. Que se dê uma rapidinha entre duas procissões, enfim…é pecado mas nada que não se possa lavar com uma sentida confissão seguida de penitência grossa. Afinal ver estrelas é contemplar a obra de Deus. Agora que se façam notícias daquelas porcarias…ai valha-nos Deus!!! Ainda por cima quando tais actos acontecem em Fátima e já não há mais segredos de pastorinhos para revelar. Onde anda a Comissão da Carteira Profissional de Jornalista que não suspende tamanhos pecadores? Onde está o senhor Azeredo Lopes da Entidade Reguladora para a Comunicação Social que não vem dar o Direito de Resposta a Nossa Senhora?

E o Papa?! E o Papa?! Não se pronuncia??!! Não diz nada??!! O Papa deveria abençoar o senhor Pico. Canonizá-lo. Beatificá-lo. Mudar-lhe o nome de família para…para…para Espinho, por exemplo, e dar-lhe um lugar na coroa do Cristo Crucificado…eu sei lá. O homem levou uma trepa nas eleições de Abrantes, terra de cafres, mas era bem capaz de ganhar as eleições para pároco de Fátima. Para reitor do Santuário. É uma pena desperdiçar-se assim tamanha reserva moral da nação num tempo de desmandos.

E termino com outro português exemplar. Chama-se Moreira tem rastas loiras e vive numa rua de Tomar. Trabalhar não é com ele, alimenta-se de leite e bananas, é simpático e não pede esmola, embora haja pessoas que insistam em dar-lhe moedas de cada vez que ele estende a mão para ver se está a chover. Apesar de jovem já tem uma reforma de duzentos euros e não quer mais. O Governo bem pode colocá-lo no cartaz de anúncio do Pec. Eu sugiro desde já o slogan. “Se ele consegue e é feliz porque não havemos todos de conseguir – Ajude-nos a equilibrar as finanças públicas!!”

 

Saudações milagrosas

Manuel Serra d’Aire

 

in "E-mails do outro mundo" em O Mirante

publicado por portuga-coruche às 08:08
link | comentar | ver comentários (3) | favorito
Sexta-feira, 14 de Maio de 2010

MIC diz que “democratas” tentaram silenciar quem tem opinião diferente

Comunicados ainda debatem discussão sobre o 25 de Abril na assembleia municipal de Coruche 
 

Os deputados do Movimento Independente de Cidadãos (MIC) por Coruche na assembleia municipal consideram que os “democratas” tentaram silenciar quem tem opiniões diferentes durante a sessão de dia 30 de Abril, na qual fizeram fortes críticas à revolução de 25 de Abril de 1974 e provocaram acesa discussão. Recorda o MIC em comunicado que os seus eleitos, Abel Matos Santos e Gonçalo Ramos Ferreira, apenas contestaram saudações feitas ao 25 de Abril por deputados de PS e CDU por estarem cheias de “inverdades e injustiças”.

Lembrando que um deputado da CDU chegou a dizer à mesa que se devia cortar a palavra aos deputados do MIC ou interromper a sessão, o movimento considera que o presidente da assembleia esteve bem, metendo ordem na sala, afirmando que todos têm o direito de exprimir opiniões, podendo sair da sala para não as ouvirem.

Para a concelhia de Coruche do PS, nada fazia prever que os representantes do MIC lessem textos, em tom provocatório, manifestando-se contrários ao golpe de Estado que tornou possível a alcançar a liberdade e defendendo ideais do Estado Novo, liderado por Salazar. Os socialistas consideram que as alegações foram apresentadas com extrema veemência, “fazendo lembrar radicalismos de direita, que todos querem esquecer”, pode ler-se em comunicado.

No mesmo dia, o PSD também se manifestou contra a postura dos deputados do único grupo municipal intitulado não partidário da assembleia que fez a apologia do Antigo Regime. A comissão política concelhia do PSD acredita que “a população do concelho de Coruche é defensora da liberdade e da democracia e não se revê nos ataques proferidos aos direitos conquistados em 25 de Abril de 1974”.

 

in O Mirante

publicado por portuga-coruche às 07:05
link | comentar | favorito
Terça-feira, 4 de Maio de 2010

Discurso salazarista inflama Assembleia de Coruche

 No dia 30 de Abril, o "verniz estalou" na Assembleia Municipal de Coruche.

 

Observem o vídeo na Mirante TV:

 
O que motivou esta reacção ? Bem ... Consultado o site do MIC, temos acesso aos seguintes discursos (link para PDF) que transcrevo na integra:

Assembleia Municipal de Abril de 2010

 

Declarações dos deputados municipais do MIC, na Assembleia Municipal de Coruche no passado dia 30 de Abril de 2010, no período de antes da ordem do dia, a propósito de uma saudação cheia de inverdades.

Depois de ler as declarações, oiça o áudio das intervenções e tire a sua opinião sobre aqueles que se dizem "democratas" e que querem silenciar opiniões distintas das suas. Veja ainda como a comunicação social "imparcial", apresenta os acontecimentos.

 

Declaração de Abel Matos Santos

 

Ao ouvir a saudação ao 25/4, pelo deputado Salgado, quando afirma que “Abril é fazer estradas e regularizar as margens do rio, construir acessos”, lembrei-me logo das 7 pontes que o injustiçado Major Luís Alberto de Oliveira conseguiu para Coruche, e que pela primeira vez ligaram as margens do Sorraia até ao Monte da Barca, e que são as únicas que ainda temos.
Quanto ao Sr. Deputado Aldeano do PCP, ao ouvi-lo fazer a sua descritiva alocução, só me veio à mente, Cuba, Coreia do Norte e a União Soviética, onde o fascismo vermelho produziu os campos de morte, Gulags, e milhares de extermínios, como o de Kattin, só agora oficialmente revelado pela Rússia, onde milhares de polacos foram fuzilados.

Gostava de dizer o seguinte;

Não posso votar favoravelmente uma moção que apoia um golpe de Estado, que por incompetência e leviandade acabou numa revolução, onde quem fez o golpe não ficou com o poder e o poder caiu na rua, dando azo a todo o tipo de anormalidades, que só não se tornou numa ditadura comunista devido ao contra golpe do 25 de Novembro.
E depois quem ficou com o poder não defendeu os interesses nacionais, foram assumidas as razões dos nossos inimigos, dos inimigos de Portugal, daqueles que mataram os nossos soldados e as nossas populações
A questão é: Era preciso uma Revolução? O País crescia mais de 6 pontos % por ano, a guerra do Ultramar estava ganha, havia emprego e estabilidade, Portugal era reconhecido internacionalmente, tudo estava calmo! Agora sim, temos tudo para que exista uma revolução, com o povo na rua, a contestação, a falência do País no horizonte… enfim, a resposta está dada.
Mas esse golpe corporativo dos oficiais do quadro permanente, consubstanciado depois no MFA e na fraca democracia ou ditadura dos partidos, não evitou a destruição do Pais e colocou Portugal no caminho da falência, como se podem ver nestes 2 gráficos, apresentados recentemente na SIC por José Gomes Ferreira.
 

Como se pode constatar, a 1.ª Republica e o pós 25/4 são descritos com aumentos brutais da Dívida Pública (deficit) e diminuição extrema do saldo orçamental, enquanto durante a 2.ª Republica ou Estado Novo, existiram superavits que diminuíram a dívida a níveis nunca antes alcançados e os saldos orçamentais eram positivos.
 
 
E sem dinheiro da UE, todas as obras eram feitas com dinheiros nossos. As mais de duas mil Escolas que Sócrates fechou e as dezenas de Maternidades, já para não falar na Ponte Salazar e outras grandes obras feitas nessa época, são apenas alguns, poucos exemplos do que foi realizado.
Até a respeitabilidade internacional que tínhamos, fruto da honestidade e da verdade, é hoje uma miragem. Veja-se o exemplo, ainda há dias publicado na imprensa, quando em 1962 a Embaixada de Portugal em Washington recebeu pela mala diplomática um cheque de 3 milhões de dólares (em termos actuais algo parecido com 50 milhões de euros) com instruções para o encaminhar ao State Department para pagamento da primeira tranche do empréstimo feito pelos EUA a Portugal, ao abrigo do Plano Marshall.
Fomos o único Pais do mundo a pagar o empréstimo causando embaraço mundial, dado que mais nenhum país o fez. Que diferença para os dias de hoje!

Hoje em dia, fazem-se obras com dinheiros que não são nossos e estamos mais do que endividados, com assessores e lugares de nomeação política, que no plano autárquico representam por exemplo, mais de 2 mil administradores só em empresas municipais que para nada servem, a receber ordenados inconcebíveis, com lugares de nomeação dados aos membros dos partidos, com vencimentos chorudos, obscenos, com as implicações publicas que se sabem e nada se faz!

Portugal está a bater no fundo! A pouca vergonha e a corrupção, os favores, e a descredibilidade invadiram a Nação!
Foi isto que Abril nos trouxe! Nada mais do que isto! Um golpe de Estado, um acto duvidoso de uns quantos oficiais do quadro permanente, por questões corporativas e salariais, apoiados por desertores no exterior(imagine-se que um deles pretende hoje, ser Presidente da República), que nos quiseram trazer os famosos 3 D's - Descolonização, Democracia e Desenvolvimento.

A Descolonização “exemplar” tão propalada, foi a maior das vergonhas, tendo vitimado milhões de Portugueses de Timor, Angola, Moçambique e Guiné. Até Mário Soares, disse há dias numa conferência que, por exemplo, Cabo Verde não devia ter sido independente, que o povo não queria e ele também não, mas que nada pôde fazer. Hoje também ele percebe que foi um erro enorme!
A verdade chega aos poucos com os remorsos que atormentam o Fundador do Partido com maioria nesta sala e nunca sendo tarde para admitir erros é pena que só agora estas verdades venham a lume. A Verdade chega, tarde mas chega... mas ficamos a saber que afinal os Povos das nossas províncias de além-mar, queriam continuar a ser portugueses, não queriam ser abandonados à mercê dos caprichos das potências estrangeiras.
 
A Democracia, simplesmente não existe! Vivemos numa Ditadura dos partidos, dos apparatchiks. O Povo para nada conta, somente para ser manipulado e usado! Esta é a realidade aos olhos de todos!
 
O Desenvolvimento - Onde está? O interior do Pais deserto, as escolas fechadas, os correios, as maternidades, os centros de saúde, com os Portugueses fronteiriços a terem de ir a Espanha para serem tratados! Que VERGONHA, Crimes de Lesa Pátria! Somos hoje um Pais em subdesenvolvimento, mas enganem-se aqueles que acham que a situação não vai piorar ainda mais.

Portanto, de facto o que sobra são os 3 D’s, é DÍVIDA, DÉFICIT e DESEMPREGO, e acrescento um 4.º que é a DESAVERGONHICE.
 
Tenho dito!
 
 
Abel Matos Santos

 

 

 

 

 

Declaração de Gonçalo Ramos Ferreira

Devo dizer que aquilo que espero desta Assembleia Municipal, é que façamos sempre por construir um Concelho melhor para os nossos concidadãos, no entanto ouvi atentamente, ser feita aqui a defesa de uma suposta comemoração, que nada tem que ver com a resolução de problemas da nossa Terra e que é para a grande maioria do Povo Português, sinónimo de alheamento, desilusão e mentira.

Podia perguntar o que continuam a comemorar os Senhores? Mas não o perguntarei, até porque cresci à sombra de muita da propaganda mitificada, que aqui ouvi hoje, que visa por um lado colmatar a necessidade de recordar os melhores tempos de uma vida que já não volta, expurgar os sentimentos de remorso e por outro lado, legitimar um poder a todo o custo, mesmo que esse custo seja a perda da comunidade que dizem servir.

Mas tudo isso se vai esboroar, pois o que é falso não é sentido e quem mente, jamais conquista o coração de quem o ouve.

Para além do retrocesso social e económico provocado pelo Golpe dos Espinhos e pela posterior desordem que tomou o País, não PODEMOS esquecer que esta data marca o abandono, por Portugal, de milhões de pessoas, que foram simplesmente entregues à morte, pessoas essas que acreditavam e lutavam por uma ideia, que teve eco durante 500 anos da nossa história.
Mortes, prisões políticas, censura, corrupção, tortura, ausência de liberdade, tudo isto Abril nos trouxe, não me é possível portanto, comemorar uma data responsável por tamanha injustiça e derramamento de sangue.

Não foi uma revolta do Povo, como aprendemos nos bancos da escola, surgiu sim de motivos pessoais de alguns, que se serviram do socialismo de sofá, para legitimarem uma estória, cheia de ingredientes demasiado repetidos e demasiadamente mal contados.

Hoje vivemos numa sociedade profundamente materialista, que nega o espírito, a vida humana como valor supremo, para ser praticamente amoral. A sua tendência para a exploração das massas sem benefício palpável para o Povo, para o igualitarismo por baixo, levou-nos ao ódio das coisas Portuguesas e a tudo o que é superior pela inteligência, pela virtude e pela beleza.

Tempos houve em que foram criadas as condições para se ter esperança numa vida melhor e hoje essa esperança já não existe. Somos o País mais pobre da Europa Ocidental e estamos irremediavelmente à margem da História, num obscuro canto da Europa.

É difícil comparar algo tão complexo como a qualidade de vida, mas podemos comparar a evolução portuguesa com as economias mais desenvolvidas da Europa, e o facto é que Portugal foi o país da Europa com maior crescimento do PIB per capita até 1974, quintuplicando o valor inicial de 1926.
 

Hoje, e como nunca antes, assistimos ao abandono do País, pelos Portugueses em busca de melhores condições de vida, estando em curso uma substituição demográfica, que só nos leva a um caminho, a perda da nossa ancestral Identidade.

O nosso país abriu falência, e é hoje uma colónia de Bruxelas, que nos vai dando esmolas para conseguirmos sobreviver, pois os tais capitães de Abril, reduziram Portugal a uma «pobreza franciscana», onde só houve liberdade para se hipotecar as futuras gerações e nos entregarmos à agenda de sociedades secretas como a Maçonaria.

A entrada de Portugal na Europa, que data do século XIX e não da entrada aos trambolhões na CEE, nunca beneficiou a generalidade do Povo Português. Beneficiou, sim, os interessados no carreirismo político e aqueles que estavam cansados do controlo que fora em tempos exercido sobre os negócios e fortunas e que se viram assim sem contas a prestar, aos Portugueses.

Hoje, temos o nosso interior votado ao abandono, as nossas aldeias a desaparecer, os nossos campos sem cultivos, a Europa paga-nos para não produzirmos, bastando os camiões pararem três semanas para os Portugueses saberem o que é não terem comida para colocar na mesa, é impensável como nos deixamos chegar conscientemente a esta situação.

Se Portugal tivesse sido governado por um Estadista nos últimos quinze anos, há muito que ele teria sido deposto. Tinham-se-lhe exigido responsabilidades pela estagnação económica, o desemprego galopante, o estado das contas públicas. Porém, como o país foi governado pela maioria, pedem-se responsabilidades a quem? Ninguém. É impossível, uma maioria não é uma pessoa, é uma entidade impessoal, logo ninguém é responsável por nada.
 
 

Tempos houve em que o Estado prestava contas, era sério, sem nunca recorrer à partidarização do serviço público.

Hoje o dinheiro, as possibilidades de ascensão e o apossamento de lugares a todos premeia, desde que embarquem na imoralidade do carreirismo político e na venda de convicções a troco de benesses, fechando-se uma porta para uma realização profissional discreta e honesta, para uma vida de dedicação sincera a valores e a pessoas, mas onde se abre uma janela, para o exibicionismo, para o servilismo de mão estendida.

O legado do 25 de Abril não gerou portugueses mais inteligentes, nem mais cultos, nem criou o capital necessário para fazer hospitais e maternidades. Antes pelo contrário. Criou a ilusão, de que o desenvolvimento não requer nem esforço, nem trabalho, nem estudo, nem poupança, criou a ilusão de que o desenvolvimento é um direito que os governos atribuem por decreto.

Depois do fracasso do socialismo, o capitalismo e a lei de mercado não são a única via possível, devemos caminhar para uma sociedade em que  vivamos em harmonia com a natureza, abolindo a submissão à economia, evitando as seitas políticas, fazendo a defesa do nosso interior, das nossas famílias, dos trabalhadores, contra a desumana capacidade do capitalismo e contra a usura.

Nada garante que o curso da governação seja corrigido e reorientado para o bem comum, quem dirige a nossa política externa, não sabe tirar partido das vantagens que a nossa situação geográfica nos garante. Devemos retomar uma política, que vire Portugal para o Atlântico.

Só podemos ser absolutamente livres de servidões e de interesses e só temos um partido, Portugal.

Gonçalo Ramos Ferreira
 
 
                   
Vamos fazer o seguinte: Colorir a verde tudo aquilo que concordo e a azul aquilo que não concordo!
Comentarei assim que consiga recuperar (!) e tenha tempo. Faço questão de o fazer, dado o teor dos discursos e reacções.
Os meus comentários ficarão a verde de modo a se destacarem do azul.
Eis as "frases mais quentes":
Discurso de Abel Matos Santos
1 - "Não posso votar favoravelmente uma moção que apoia um golpe de Estado, que por incompetência e leviandade acabou numa revolução, onde quem fez o golpe não ficou com o poder e o poder caiu na rua, dando azo a todo o tipo de anormalidades...." Se os militares tivessem mantido o poder passaríamos para uma ditadura militar? Estamos a falar de pessoas cultas que sabiam a liberdade que gozava um francês ou inglês! Estamos a falar de pessoas que sabiam que o futuro de Portugal não passava pela exploração e imposição de ideias mas pela liberdade e evolução do nosso país num quadro democrático, que eram onde se encontravam os restantes países europeus ou para lá caminhavam, como era o caso da Espanha e Itália 
2 - "A questão é: Era preciso uma Revolução? O País crescia mais de 6 pontos % por ano, a guerra do Ultramar estava ganha, havia emprego e estabilidade, Portugal era reconhecido internacionalmente, tudo estava calmo! Agora sim, temos tudo para que exista uma revolução, com o povo na rua, a contestação, a falência do País no horizonte… enfim, a resposta está dada. " Opsss Espera aí! Estamos a falar de Portugal? A guerra estava ganha?! A guerra estava perdida! Em terra, no mar e até no ar. O apoio internacional de que beneficiavam os grupos armados permitia-lhes possuir armamento mais moderno e poderoso. O emprego que existia era precário e a calma era de medo.
3 - "Mas esse golpe corporativo dos oficiais do quadro permanente, consubstanciado depois no MFA e na fraca democracia ou ditadura dos partidos, não evitou a destruição do Pais e colocou Portugal no caminho da falência". A revolução era inevitável, dado que o estado novo insistia a todo o custo continuar a perder homens e material numa guerra perdida (para não me repetir, noutros pontos destaco outras razões). O facto de Portugal estar numa situação difícil terá mesmo a ver com o fim do regime e com o "25 de Abril"? O facto de Portugal ter ficado com 50 anos de atraso, relativamente a outros países não conta? As escolhas, ou as más escolhas do povo não tem também a ver com o atraso que o país tem?
4 - "... Ponte Salazar ..." Que eu saiba agora chama-se "Ponte 25 de Abril" Conheço apenas uma razão para se continuar a insistir que a ponte tem o antigo nome, pode ser que alguém apareça e me diga que para além da apologia do estado novo existem outras razões para insistir em chamar o antigo e não o novo nome.  
5 - "Até a respeitabilidade internacional que tínhamos, fruto da honestidade e da verdade, é hoje uma miragem" A respeitabilidade não existia! Portugal não tinha nenhuma credibilidade internacional! Todos, de uma maneira ou de outra pressionavam Portugal para resolver a questão colonial. A questão da ditadura política, nomeadamente a manutenção de presos políticos a perseguição ideológica eram temas diários a nível internacional. O atraso industrial e o analfabetismo do nosso povo também eram tema de preocupação internacional. A tortura e monopolização da opinião pública através da censura também não abonavam nada a nosso favor. Portugal era visto como um país atrasado em todas essas vertentes e mais algumas.
6 - "Foi isto que Abril nos trouxe! Nada mais do que isto! Um golpe de Estado, um acto duvidoso de uns quantos oficiais do quadro permanente, por questões corporativas e salariais, apoiados por desertores no exterior" Acham pouco? Tenha sido por qualquer razão. Uma ditadura repressiva que perseguia quem não se dobrava, que mantinha asquerosos bufos denunciadores, que asfixiava o pensamento. 
7 - "A Descolonização “exemplar” tão propalada, foi a maior das vergonhas, tendo vitimado milhões de Portugueses de Timor, Angola, Moçambique e Guiné." Não duvido! Tudo poderia ter sido feito de outra maneira. Acredito que se Salazar tivesse ouvido Spínola e aceite a sugestão de atempadamente negociar autonomias este problema não teria surgido. A persistência em continuar a remar contra a vontade internacional enfraqueceu o regime.
8 - "ficamos a saber que afinal os Povos das nossas províncias de além-mar, queriam continuar a ser portugueses, não queriam ser abandonados à mercê dos caprichos das potências estrangeiras.Nunca foram os "povos" a escolher! Havia uma guerra fria entre duas grandes potências (URSS e EUA) e os lideres revolucionários africanos foram doutrinados directa ou indirectamente por elas, ou sob a sua influência. Eram por isso também apoiados monetariamente, com armamento e treino. Em Abril de 74, exceptuando Cabinda que insistimos em incluir no "Pack Angola", quais eram as colónias que queriam continuar a pertencer a Portugal? Timor? NÂO; Guiné? NÂO; Angola?NÂO; Moçambique?NÂO; Cabo Verde ou S.Tomé? NÂO, o que é que resta!?
Discurso de Gonçalo Ramos Ferreira
1 - "ouvi atentamente, ser feita aqui a defesa de uma suposta comemoração, que nada tem que ver com a resolução de problemas da nossa Terra e que é para a grande maioria do Povo Português, sinónimo de alheamento, desilusão e mentira." Discordo, principalmente porque como está comprovado se continua a ignorar a realidade. O 25 de Abril é e deverá ser uma comemoração. É um dia em que se deveria expor o que foi o Estado Novo, falar-se das torturas e prisões, da censura e daqueles que morreram a lutar. Muitos foram também aqueles que voltaram inválidos ou com traumas de guerra. Muitos são aqueles que ficaram sem um pai, um irmão ou um tio ou ainda o seu grande amigo de infância.
2 - "cresci à sombra de muita da propaganda mitificada, que aqui ouvi hoje, que visa por um lado colmatar a necessidade de recordar os melhores tempos de uma vida que já não volta, expurgar os sentimentos de remorso e por outro lado, legitimar um poder a todo o custo, mesmo que esse custo seja a perda da comunidade que dizem servir." Os problemas actuais, sejam de segurança, sejam morais ou ainda políticos ou sociais, não são causados pela revolução de 25 de Abril de 1974! Estamos em 2010! Não percebi a referência aos "...melhores tempos de uma vida que já não volta..." seria aos tempos em que uma sardinha era comida por seis pessoas? Em que se era preso por discordar da guerra ou por outra razão qualquer? Eu ainda sou do tempo em via em Coruche pessoas descalças. Ou ainda dos tempos em a maioria dos portugueses nem a 4.ª classe acabavam porque tinham de ajudar a família a sobreviver, enquanto na restante Europa os jovens estudavam línguas e história e viajavam livremente. Quantos intelectuais se perderam com o analfabetismo? Quantos poetas e escritores? Políticos ou cientistas? Pessoas que podiam ter contribuído para o nosso país e que agora nem cultura geral sabem discutir. Vê-se idosos ingleses e alemães, japoneses e americanos, assim como franceses por todo o lado! Viajam e conhecem, falam várias línguas e estudam e depois que quisermos ver os nossos, basta ir a um Centro de Saúde. É o mais longe que eles vão. Isto porque nasceram sem nada num país inculto e rural.
3 - "o que é falso não é sentido e quem mente, jamais conquista o coração de quem o ouve." Também não concordo! Os políticos prometem o que não tem, a quem nunca pretendem beneficiar pelo poder que querem conquistar. As pessoas acreditam e votam neles e o resultado é aquele que todos sabemos!
4 - "Para além do retrocesso social e económico provocado pelo Golpe dos Espinhos e pela posterior desordem que tomou o País, não PODEMOS esquecer que esta data marca o abandono, por Portugal, de milhões de pessoas, que foram simplesmente entregues à morte, pessoas essas que acreditavam e lutavam por uma ideia, que teve eco durante 500 anos da nossa história.
Mortes, prisões políticas, censura, corrupção, tortura, ausência de liberdade, tudo isto Abril nos trouxe, não me é possível portanto, comemorar uma data responsável por tamanha injustiça e derramamento de sangue." Realmente ...... Gonçalo, tem sentido febre? Acha que pondo as coisas desta maneira não é ser salazarista nem fazer a apologia do Estado Novo? Nesse caso o que será? Não me cabe a mim defender a descolonização e o modo como foi feita, mas, como já referi nos comentários que fiz, a principal razão que levou a semelhante desfecho foi o arrastar da situação. Imaginem um autocarro em crescente velocidade a dirigir-se para um penhasco, quanto mais tarde sairmos mais nos magoamos e se continuarmos morremos.  Houve quem dissesse atempadamente para se parar, enquanto era possível parar, mas quem mandava achava que não .... o resultado já todos sabemos qual foi.
5 - "A entrada de Portugal na Europa, que data do século XIX e não da entrada aos trambolhões na CEE, nunca beneficiou a generalidade do Povo Português. Beneficiou, sim, os interessados no carreirismo político e aqueles que estavam cansados do controlo que fora em tempos exercido sobre os negócios e fortunas e que se viram assim sem contas a prestar, aos Portugueses." Continuo a discordar. A nossa entrada na CCE foi a nossa única saída. Não ocupamos a posição que desejamos, mas estariamos sem dúvida muito pior se estivessemos sozinhos nesta pontinha da Peninsula Ibérica e com o Escudo.
6 - "Se Portugal tivesse sido governado por um Estadista nos últimos quinze anos, há muito que ele teria sido deposto. Tinham-se-lhe exigido responsabilidades pela estagnação económica, o desemprego galopante, o estado das contas públicas. Porém, como o país foi governado pela maioria, pedem-se responsabilidades a quem? Ninguém. É impossível, uma maioria não é uma pessoa, é uma entidade impessoal, logo ninguém é responsável por nada." Será que tinha sido deposto ou teria eliminado qualquer oposição? A responsabilidade, independentemente se um político é eleito por maioria ou minoria existe sempre. A grande diferença é que mesmo que mesmo que um político seja eleito por maioria e seja um crápula, foi o povo que lá o meteu.
7 - "O legado do 25 de Abril não gerou portugueses mais inteligentes, nem mais cultos, nem criou o capital necessário para fazer hospitais e maternidades. Antes pelo contrário. Criou a ilusão, de que o desenvolvimento não requer nem esforço, nem trabalho, nem estudo, nem poupança, criou a ilusão de que o desenvolvimento é um direito que os governos atribuem por decreto. " Novamente discordo! O país está hoje muito mais evoluido em todos os aspectos. Infelizmente temos muitos anos de atraso e ainda por cima entre os políticos não apareceu ainda um visionário, alguém carismático que nos possa orientar de modo a que possamos sair da lama, tipo Charles de Gaulle.
Digam o que acham nos comentários a este post ou enviando um e-mail para estes Coruchenses do MIC
publicado por portuga-coruche às 08:00
link | comentar | ver comentários (18) | favorito
Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

António de Oliveira Salazar

Segundo a Wikipedia:

 

"António de Oliveira Salazar (Vimieiro, Santa Comba Dão, 28 de Abril de 1889Lisboa, 27 de Julho de 1970) foi um estadista português, antigo professor da Universidade de Coimbra. Salazar notabilizou-se pela concepção e incremento durante a Segunda República portuguesa de um Estado Novo corporativo e autoritário, pelo exercício solitário e incontestado da sua autoridade em Portugal, em todos os sectores, durante perto de meio século.

Foi ministro das Finanças entre 1928 e 1932, saneando as Finanças públicas. Entre 1932 e 1968, foi o político que dirigiu os destinos de Portugal, como Presidente do Conselho de Ministros.[1]

Foi fundador e chefe da União Nacional - partido único durante o Estado Novo - a partir de 1931. Salazar foi o fundador e principal mentor do Estado Novo (1933-1974).

 

Alegando defender as doutrinas sociais da Igreja Católica, Salazar desviou-se para um corporativismo de Estado autoritário, com uma linha de acção económica nacionalista assente no ideal da autarcia. Esse seu nacionalismo económico levou-o a tomar medidas de proteccionismo e isolacionismo de natureza fiscal, tarifária, alfandegária, para Portugal e o seu Império, que tiveram maior impacto sobretudo até aos anos sessenta."

 

Visitando o site da Fundação Oliveira Salazar, deparamo-nos com um extenso estudo sobre Salazar. Embora a sua primeira página, tenha sido visitada por Hackers. Eis o que fizeram:

 

O que comprova que embora seja uma figura do passado continua bem vivo na memória de alguns portugueses.

 

Continuando a informação da Wikipedia.....

 

O caminho do poder

Em 1900, após de completar os seus estudos na escola primária, com 11 anos de idade, Oliveira Salazar ingressou no Seminário de Viseu, onde permaneceu por oito anos. Em 1908, o seu último ano lectivo no seminário, tomou finalmente contacto com toda a agitação que reinava em Viseu e também em todo o país. Surgiam artigos que atacavam o Governo, o Rei e a Igreja Católica. Foi também nesse ano que se deu o assassínio do Rei D. Carlos e do seu filho, o Príncipe D. Luís Filipe. Não ficando indiferente a esses acontecimentos, Salazar, católico praticante, começou a insurgir-se contra os republicanos jacobinos em defesa da Igreja, escrevendo vários artigos nos jornais. Depois de completar os estudos, permaneceu em Viseu por mais dois anos. Porém, em 1910, mudou-se para Coimbra para estudar Direito. Em 1914, concluiu o curso de Direito com a alta classificação de 19 valores e torna-se, dois anos depois, assistente de Ciências Económicas. Assumiu a regência da cadeira de Economia Política e Finanças em 1917 a convite do professor José Alberto dos Reis, antes de se doutorar em 1918.

Durante esse período em Coimbra, materializa o seu pendor para a política no Centro Académico da Democracia Cristã onde faz amigos como Mário de Figueiredo, José Nosolini, Juvenal de Araújo, os irmãos Dinis da Fonseca, Manuel Gonçalves Cerejeira, Bissaya Barreto, entre outros. Alguns haveriam de colaborar nos seus governos. Combate o anticlericalismo da Primeira República através de artigos de opinião que escreve para jornais católicos. Acompanha Cerejeira em palestras e debates. Enquanto estuda Maurras, Le Play e as encíclicas do Papa Leão XIII, vai consolidando o seu pensamento, explicitando-o em artigos e conferências, onde se revela que "Salazar nasceu para a política pugnando pelo acertar do passo com a Europa, e com a paixão pela Educação" [3].

As suas opiniões e ligações ao Centro Académico da Democracia Cristã levaram-no, em 1921, a concorrer por Guimarães como deputado ao Parlamento. Sendo eleito e não encontrando aí qualquer motivação, regressou à universidade passados três dias. Lá se manteve até 1926.

 

Da pasta das Finanças à Presidência do Conselho

António de Oliveira SalazarArte de André Koehne.
António de Oliveira Salazar
Arte de André Koehne.

Com a crise económica e a agitação política da 1ª República (que se prolongou inclusive após o Golpe militar de 28 de Maio de 1926), a Ditadura Militar chamou o Dr.Salazar em Junho de 1926 para a pasta das finanças; passados treze dias renuncia ao cargo e retorna a Coimbra por não lhe haverem satisfeitas as condições que achava indispensáveis ao seu exercício.

Em 27 de Abril de 1928, após a eleição do Marechal Carmona e na sequência do fracasso do seu antecessor em conseguir um avultado empréstimo externo com vista ao equilíbrio das contas públicas, reassumiu a pasta, mas exigindo o controlo sobre as despesas e receitas de todos ministérios. Satisfeita a exigência, impôs forte austeridade e rigoroso controlo de contas, conseguindo um superavit, um "milagre" nas finanças públicas logo no exercício económico de 1928-29.

Sei muito bem o que quero e para onde vou. - afirmara, denunciando o seu propósito na tomada de posse.

Na imprensa, que era controlada pela censura, Salazar seria muitas vezes retratado como salvador da pátria. O prestígio ganho, a propaganda, a habilidade política na manipulação das correntes da direita republicana, de alguns sectores monárquicos e dos católicos consolidavam o seu poder. A Ditadura dificilmente o podia dispensar e o Presidente da República consultava-o em cada remodelação ministerial. Enquanto a oposição democrática se desvanecia em sucessivas revoltas sem êxito, procurava-se dar rumo à Revolução Nacional imposta pela ditadura. Salazar, recusando o regresso ao parlamentarismo e à democracia da Primeira República, cria a União Nacional em 1930, visando o estabelecimento de um regime de partido único.

Em 1932 era publicado o projecto de uma nova Constituição que seria aprovada em 1933 através de um plebiscito. Com esta constituição, Salazar cria o Estado Novo, uma ditadura anti-liberal e anti-comunista, que se orienta segundo os princípios conservadores autoritários: Deus, Pátria e Familia. Toda a vida económica e social do país estava organizada em corporações de nomeação e direcção estatal - era também um Estado Corporativo. Mantendo as doutrinas coloniais que vingaram na Primeira República, Portugal afirmava-se como "um Estado pluricontinental e multirracial". Durante o Estado Novo, os Presidentes da República, que foram regularmente eleitos por sufrágio universal até 1958, tinham na prática funções meramente cerimoniais. O detentor real do poder era o Presidente do Conselho de Ministros e era ele que dirigia os destinos da Nação.

 

Salazar e Franco

Na Guerra Civil Espanhola, deflagrada em Julho de 1936, estava fundamentalmente em causa a opção por um regime comunista ou por um regime nacionalista, que poderia influenciar toda a Península Ibérica. Por esta razão, Salazar, alinhou-se com o General Francisco Franco, sendo discutido pelos historiadores se foram ou não enviadas forças militares portuguesas para Espanha (o que nunca foi reconhecido oficialmente). Neste mesmo ano, Salazar criou a Legião Portuguesa e a Mocidade Portuguesa.

Em 8 de Setembro de 1936, teve lugar em Lisboa a Revolta dos Marinheiros, também conhecida como Motim dos Barcos do Tejo, mais uma aparatosa acção levada a cabo durante a Guerra Civil Espanhola contra a ditadura portuguesa.

A acção foi desencadeada pela Organização Revolucionária da Armada (ORA), estrutura criada em 1932 para agrupar as células do Partido Comunista Português (PCP) da Marinha. A organização editava um mensário intitulado O Marinheiro Vermelho.

Os marinheiros comunistas sublevaram as tripulações dos navios de guerra Dão, Bartolomeu Dias e Afonso de Albuquerque, procurando sair com eles da Barra do Tejo. Após uma intensa troca de tiros travada entre estes e o Forte de São Julião, que causou a morte de 10 marinheiros, a revolta fracassou e os sublevados foram presos.

 

Salazar e os Monárquicos

Oliveira Salazar conseguiu alimentar durante muito tempo a lenda dos seus sentimentos monárquicos. O conhecimento que hoje temos dos seus escritos de juventude, a observação cuidada dos acontecimentos políticos da época e o conteúdo da correspondência entre Salazar e Caetano, revelam que o seu alegado "monarquismo" se inseriu num habilidoso jogo político através do qual Salazar conseguiu obter o apoio de alguns monárquicos para sustentar o seu "Estado Novo" [2] .

O seu anti-monarquismo começou a revelar-se dentro do Centro Católico, quando, no seu Congresso de 1922, vinga a tese de Salazar de que o Centro deveria aceitar o regime republicano "sem pensamento reservado". Monárquicos católicos, com destaque, entre outros, para Fernando de Sousa (Nemo), Alberto Pinheiro Torres, Pacheco de Amorim, abandonaram então o Centro Católico.

Ao chegar ao poder, no discurso que proferiu em 9 de Junho de 1928, a solução do "problema político" do regime (Monarquia ou República) surgia ainda em último lugar nas suas prioridades. Uma resolução tomada dois anos depois, porém, revelava a grande distância que ia entre as suas palavras e os seus actos. Após a falhada Monarquia do Norte, em 1919, umas centenas de oficiais do exército foram afastados do serviço ou demitidos, quando dominava a cena política o Partido Democrático de Afonso Costa. Mais tarde, o governo de António Maria da Silva, para amainar os animos já muito exaltados contra a 1ª República, apresentou no Parlamento e no Senado um projecto visando a reintegração no serviço activo daqueles oficiais. O golpe militar de 28 de Maio de 1926 interrompeu o processo, mas, em 1930, o tenente-coronel Adriano Strecht de Vasconcelos apresentou ao presidente Carmona um documento intitulado "A Situação Jurídica dos militares afastados do serviço do Exército em 1919", pedindo justiça. Oliveira Salazar reagiu impedindo a reintegração daqueles oficiais monárquicos.

Na sequência da morte de D. Manuel II, em 2 de Julho de 1932, a ilusão do "monarquismo" de Salazar caiu por completo quando o seu Governo se apropriou dos bens da Casa de Bragança instituindo a Fundação da Casa de Bragança. A derradeira prova de que Salazar não queria a Monarquia deu-se em 1951 no Congresso da União Nacional, em Coimbra. Em discurso encomendado por Salazar, Marcello Caetano vem a travar naquele congresso as teses da Restauração da Monarquia [3].

 

A concordata

A questão da indemnização da Igreja Católica pela nacionalização dos seus bens durante a 1ª República foi reivindicada e considerada. Salazar rejeita porém tal hipótese e adopta um regime de separação de poderes entre o Estado e a Igreja, que virá a ficar definido na Concordata entre a Santa Sé e Portugal, em 1940.

 

A Segunda Guerra Mundial

Oliveira Salazar assumira a pasta dos negócios estrangeiros desde a Guerra Civil Espanhola. Com a Segunda Guerra Mundial o imperativo do governo de Salazar é manter a neutralidade. Próximo ideologicamente do Eixo, o regime português escuda-se nisso e também na aliança com a Inglaterra para manter uma política de neutralidade. Esta assentava num esforço de não afrontamento a qualquer dos lados em beligerância.

Primeiramente, uma intensa actividade diplomática junto de Franco tenta evitar que a Espanha se alie à Alemanha e à Itália (caso em que previsivelmente os países do Eixo com a Espanha olhariam a ocupação de Portugal como meio de controlar o Atlântico e fechar o Mediterrâneo, o que desviaria o teatro da guerra para a Península Ibérica).

Com a Espanha fora da guerra, a estratégia de neutralidade é um imperativo da diplomacia por forma a não provocar a hostilidade nos beligerantes e Salazar não tolerou desvios dos diplomatas que arriscassem a sua política externa. Quando o cônsul português, Aristides de Sousa Mendes, em Bordéus concedeu vistos em grande quantidade a judeus em fuga aos nazis, ignorando instruções do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Salazar foi implacável com ele e demitiu-o. O escritor belga Maurice Maeterlinck, Prémio Nobel da Literatura, esteve em Portugual na vespera da II Guerra Mundial sob a protecção de Salazar, e em 1937 prefaciou a edição francesa do pensamento politico do estadista português intitulada "Une revolution dans la paix".

 

A exoneração de Aristides

Salazar deu instruções explícitas aos seus embaixadores para que limitassem a concessão de vistos a pessoas que pretendiam fugir da França, quando esta foi invadida pela Alemanha. No Verão de 1940, milhares de pessoas em fuga, muitas delas judeus que receavam pela sua vida caso caíssem nas mãos dos nazis, dirigem-se às embaixadas e postos consulares portugueses em França, suplicando pelo direito a um visto de entrada no país.

Contrariando as instruções de Salazar, Aristides de Sousa Mendes, cônsul português em Bordéus, concedeu esses vistos em grandes números. Salazar viria a demitir Aristides, retirando-lhe os direitos à totalidade da pensão de reforma, acabando o ex-cônsul por passar o final da sua vida na miséria em Portugal.

Da mesma forma viria Salazar a agir com o embaixador de Portugal em Londres, Armindo Monteiro, por haver manifestado publicamente uma posição anglófila.

 

Papel dos Açores

Em 1943 os Aliados procuram utilizar a Base das Lajes nos Açores, como base de apoio para as missões no Oceano Atlântico e no Teatro de Operações Europeu. O governo de Portugal, não evitando a pressão, cede. Mas Salazar negocia como contrapartida o fornecimento de armamento (poderia a Alemanha vir a atacar Portugal) e a garantia da restituição da soberania portuguesa a Timor no fim da Guerra.

 

Rescaldo da neutralidade portuguesa

A posição da neutralidade de Portugal e a consequente abertura dos canais diplomáticos e comerciais com ambas as partes beligerantes, a balança comercial portuguesa manteve saldo positivo durante boa parte do conflito, nomeadamente nos anos de 1941, 1942 e 1943. Nestes anos, as exportações ultrapassaram as importações, facto que não se verificava desde dezenas de anos, e que até à actualidade ainda não se verificou. Esta hábil gestão da neutralidade trouxe-lhe, no final da guerra, os benefícios da paz sem ter de pagar o preço da guerra. Portugal foi uma das poucas zonas de paz num mundo a "ferro e fogo", serviu de refúgio a muitas pessoas de várias proveniências. Um desses refugiados foi o arménio Calouste Gulbenkian, que permaneceu no país tendo legado uma das mais importantes instituições ao serviço da cultura em Portugal. Esta situação económica conseguiu também atenuar os problemas provocados pela Guerra Civil Espanhola (1936-1939) e pela própria Segunda Guerra Mundial, que trouxeram problemas de escassez de géneros (Portugal era deficitário quanto a alimentos) e a inflação que disparou.

Em Portugal, embora se reconhecesse o mérito da obra de Salazar no que respeita à reorganização financeira, à restauração económica e à defesa da paz, muitos entenderam que tinha chegado a oportunidade de mudança politica.

 

 

Guerra colonial portuguesa

Desde o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, que a comunidade internacional e a ONU vinham a defender a implementar um política de descolonização em todo o mundo. O Estado português recusou-se a conceder a autodeterminação aos povos das regiões colonizadas. Salazar, praticando uma política de isolacionismo internacional sob o lema Orgulhosamente sós, levou Portugal a sofrer consequências extremamente negativas a nível cultural e económico.

Em Março de 1961, no norte de Angola acaba por estalar uma sangrenta revolta, com o assassínio de colonos civis. A chacina merece de Salazar a resposta Para Angola rapidamente e em força. Defensor de uma política colonialista, Salazar alimenta as fileiras da guerra colonial, que se espalha à Guiné e a Moçambique, com o propósito de manter as chamadas províncias ultramarinas sob a bandeira portuguesa.

A Guerra Colonial teve como consequências milhares de vítimas entre os povos que acabariam por se tornar independentes e entre portugueses. Teve forte impacto económico em Portugal, e nas colónias, aonde o desenvolvimento económico foi muito acelerado em tempo da guerra; mas abalou as suas estruturas políticas e sociais o País, tendo sido uma das causas da queda do regime e da 25 de Abril.

 

Final

Foi afastado do Governo em 1968 após ser vitimado por um hematoma craneano, que lhe causou danos cerebrais graves, após uma queda a 7 de Setembro de 1968, quando passava férias no forte de S. António do Estoril. Segundo o seu barbeiro pessoal, Salazar costumava ser distraído e tinha o hábito de «saltar para as cadeiras». Nesse dia, preparando-se para ler o jornal, caiu onde habitualmente estava uma cadeira, mas que nesse dia tinha sido movida.[4] Américo Tomás então Presidente da República chamou, então, a 27 de Setembro de 1968, Marcello Caetano para substituir Salazar.[5] Até morrer, em 1970, continuou a receber visitas como se fosse ainda Presidente do Conselho, nunca manifestando sequer a suspeita de que já o não era - no que não era contrariado pelos que o rodeavam.[6]

 

Biografia cronológica

  • 1889: Nasce em Vimieiro, Santa Comba Dão.
  • 1914: Em Coimbra, conclui o curso de Direito.
  • 1918: Professor de Ciência Económica.
  • 1926: Após o golpe de 28 de Maio é convidado para Ministro das Finanças; ao fim de 13 dias renuncia ao cargo.
  • 1928: É novamente convidado para Ministro das Finanças; nunca mais abandonará o poder.
  • 1930: Nasce a União Nacional.
  • 1932: Presidente do Conselho de Ministros.
  • 1933: É plebiscitada uma nova constituição que dá inicio ao Estado Novo. Fim da ditadura militar.
  • 1936: Na Guerra Civil de Espanha apoia Franco; cria a Legião Portuguesa e a Mocidade Portuguesa; abre as colónias penais do Tarrafal e de Peniche - 1937: Escapa a um atentado dos comunistas.
  • 1939: Iniciada a Segunda Guerra Mundial, Salazar conseguirá manter a neutralidade do país.
  • 1940: Exposição do Mundo Português.
  • 1943: Cede aos Aliados uma base militar nos Açores.
  • 1945: A PIDE substitui a PVDE.
  • 1949: Contra Norton de Matos, Carmona é reeleito Presidente da República; Portugal é admitido como membro da NATO.
  • 1951: Contra Quintão Meireles, Craveiro Lopes é eleito Presidente da República.
  • 1958: Contra Humberto Delgado, Américo Tomás é eleito Presidente da República; o Bispo do Porto critica a política salazarista
  • 1961: 22/01, ataque ao navio Santa Maria por anti-salazaristas, que se asilam no Brasil logo após a posse de Janio Quadros; 04/02, assalto às prisões de Luanda; 11/03, tentativa de golpe de Botelho Moniz; 21/04, resolução da ONU condenando a política africana de Portugal; 19/12, a União Indiana invade Goa, Damão e Diu; 31/12/61 para 01/01/62, revolta de Beja.
  • 1963: O PAIGC abre nova frente de batalha na Guiné.
  • 1964: A FRELIMO inicia a luta pela independência, em Moçambique.
  • 1965: Crise académica; a PIDE assassina Humberto Delgado.
  • 1966: Salazar inaugura a ponte sobre o Tejo.
  • 1968: Salazar sofre um acidente e fica mentalmente desgastado.
  • 1970: Morte de Salazar.
  • 2007: Foi eleito o maior Português de todos os tempos, através de um concurso realizado na R.T.P. (Rádio e Televisão de Portugal)

 

Genealogia

                          Manuel Rebelo
                            |  
                         João da Fonseca   
                         |  | 
                         |  Catarina da Fonseca
                         |
                     António de Oliveira (1742-????)
                     |   |
                     |   |  Agostinho de Oliveira
                     |   |  |
                     |   Maria de Oliveira
                     |      |
                     |      Bárbara Dias
                     | 
                 Francisco de Oliveira (1771-????)
                 |   |
                 |   |   Pedro Faria
                 |   |   |   
                 |   Maria de Oliveira (1785)
                 |       |
                 |       Maria Josefa de Oliveira
                 |
         Manuel de Oliveira (1801-????)
         |       | 
         |       |          Manuel Ferreira
         |       |          | 
         |       |       Manuel Ferreira Coelho
         |       |       |  |   
         |       |       |  Ana da Cruz Coelho 
         |       |       |
         |       |    Manuel Ferreira (???)
         |       |    |  |
         |       |    |  |  Manuel Rodrigues de Brito
         |       |    |  |  |
         |       |    |  Maria de Almeida 
         |       |    |     |
         |       |    |     Antónia de Almeida
         |       |    |  
         |       Mariana Ferreira (ou Coelho)(????)
         |            |
         |            |
         |            |
         |           Luísa Coelho (????) 
         |
    António de Oliveira (1839-1932)
    |    |
    |    |
    |    |            José de Andrade (????)
    |    |            |                
    |    |       Manuel de Andrade (????-????)
    |    |       |    |
    |    |       |    Maria Marques (????) 
    |    |       |
    |    Teresa Pais (1809-????)
    |            |   
    |            |    Manuel de Abreu (????) 
    |            |    |  
    |            Maria Pais (????)  
    |                 |       
    |                 Isabel Castanheira (????)
    |
    |
    |           
ANTÓNIO DE OLIVEIRA SALAZAR 
(1889-1970)
    | 
    |
    |
    |                 João de Lemos Sauvage e Abreu 
    |                 |    
    |            Plácido Faria de Lemos (????-????)
    |            |    |                    
    |            |    Francisca Michaella de Abreu
    |            |
    |    José de Lemos Sauvage (1807-????)
    |    |       |      
    |    |       |    ´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´ Francisco Coimbra
    |    |       |    |
    |    |       Joaquina Maria do Espírito Santo    
    |    |            |
    |    |            Josefa Maria Coelho de Oliveira 
    |    |       
    Maria do Resgate Sauvage (1845-1926)
         |     
         |       (pai incógnito) 
         |       |
         Felicidade Violante da Trindade de Jesus (????-????)
                 |
                 Ana Rita da Trindade
 
O Site oliveirasalazar.org tem um abaixo assinado
para que a Ponte 25 de Abril volte a ser ponte Salazar
 
 
 
 
 
 
 
 
Volta a polémica........
publicado por portuga-coruche às 12:40
link | comentar | favorito

Aproxima-se o dia 25 de Abril

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por portuga-coruche às 09:50
link | comentar | favorito

.Janeiro 2016

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. Deputados do MIC ainda dã...

. MIC diz que “democratas” ...

. Discurso salazarista infl...

. António de Oliveira Salaz...

. Aproxima-se o dia 25 de A...

.últ. comentários

Sr José Sá, já confirmou a sua tese? Obrigado
Eu uso os produtos da HerbaLife há anos e são fant...
Tudo é muito aberta e muito clara explicação de qu...
Ė e nāo e pouco....
Subscrevo, já cá temos miséria que nos baste, e ge...
Por ser nutricionista e' que fala assim...
http://www.publico.pt/economia/noticia/herbalife-i...
essa empresa foi vendida a eden , que pelo visto a...
Estou para comprar um carro usado num stand de Sal...
VAI SE FERRAR. .INGERI OS COMPRIMIDOS DE MULTIVITA...

.arquivos

. Janeiro 2016

. Setembro 2015

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

.tags

. abel matos santos

. acidente

. água

. águas do ribatejo

. almeirim

. apanhados

. aquecimento global

. assalto

. autarquia

. benavente

. biscainho

. blogosfera

. bombeiros

. burla

. câmara municipal de coruche

. carina

. cdu

. china

. ciência

. cigana

. ciganos

. clima

. climategate

. cobre

. comboio

. copenhaga

. cortiça

. coruche

. couço

. cp

. crianças

. crime

. criminalidade

. crise

. dai

. david megre

. desaparecida

. desaparecidos

. desemprego

. desporto

. dionísio mendes

. dívida

. douro

. droga

. economia

. edp

. educação

. emigração

. emprego

. energia

. ensino

. escola

. espanha

. etnia

. fajarda

. faleceu

. fascismo

. festas

. finanças

. fmi

. fome

. gnr

. humor

. imperialismo

. impostos

. insólito

. internet

. ipcc

. justiça

. ladrões

. lamarosa

. meteorologia

. mic

. miccoruche

. morte

. música

. phil jones

. pobreza

. política

. pontes

. procura-se

. racismo

. roubo

. santarém

. saúde

. segurança

. sociedade

. sub

. tempo

. ticmais

. toiros

. tourada

. touros

. trabalho

. tráfico

. tribunais

. video

. videos

. violência

. xenofobia

. todas as tags

.links

.Enviem Notícias e Comentários

CONTACTO

greenbit@sapo.pt

.pesquisar

 
blogs SAPO

.subscrever feeds