Segunda-feira, 8 de Agosto de 2011

Há alternativas a esta Europa austeritária?

 

O documento tem um título provocatório: “Manifesto dos Economistas Aterrados, crise e dívida na Europa, 10 falsas evidências para sair do impasse” (Actual Editora, 2011). Apresenta-se como um antídoto crítico face ao discurso prevalecente dos economistas convencionais, isto é, daqueles que repetem até à exaustão não haver alternativas à austeridade e por isso recomendam a erosão dos serviços públicos, a redução das prestações sociais e dos salários e uma maior indiferença pelos direitos laborais. É o manifesto em que se contesta esta centralidade do capitalismo financeiro nas economias e que levou à aliança entre accionistas e gestores de topo à custa de maiores sacrifícios para a generalidade dos trabalhadores. Escrevem as prefaciadoras: “Colocar os problemas da economia portuguesa no contexto de uma integração europeia disfuncional e de uma economia financeirizada é uma forma de indicar a urgência de abandonar o comportamento de bom aluno e de recusar as imposições do sistema financeiro e do governo alemão e a política de austeridade que lhe está associada. Uma auditoria à dívida pública do país seria um primeiro passo para saber quem detém os títulos nacionais e em que condições. Só assim se poderá saber quem está a ganhar com o processo de transferência de rendimentos das classes populares para o sistema financeiro”.

Vejamos com algum pormenor a contra-argumentação e as desmontagens das falácias destes “economistas aterrados”.

 

Primeiro, os mercados financeiros não são eficientes, muito ao contrário do que diz o G20. A crise encarregou-se de demonstrar a sua ineficiência. A teoria da eficiência assenta na ideia de que os investidores procuram (e encontram a informação mais fiável, a partir daí a concorrência estabelece preços justos. Na verdade, a concorrência financeira é muitas vezes desestabilizadora e conduz a evoluções de preços excessivas e irracionais. Sendo pois estes mercados ineficientes e instáveis, há que os enquadrar, proibir os bancos de especular por conta própria, limitar as transacções financeiras às necessidades da economia real.

 

Segundo, está longe de ser verdade que os mercados financeiros favorecem o crescimento económico. Assistimos a um poder desmesurado dos accionistas que impõem uma nova concepção da empresa e da sua gestão. Os dirigentes das empresas cotadas em Bolsa passaram a ter como missão primordial satisfazer o desejo de enriquecimento dos accionistas. O manifesto avança com medidas para superar os efeitos negativos que os mercados financeiros exercem sobre a actividade económica: por exemplo, aumentar fortemente os impostos sobre salários muito elevados, de modo a dissuadir a corrida a rendimentos insustentáveis.

 

Terceiro, está longe de ser verdade que as agências de notação financeira avaliem objectivamente as finanças públicas. Como escrevem os “economistas aterrados”, um título financeiro é um direito sobre rendimentos futuros: para o avaliar é necessário prever o que será o futuro. Nas salas de mercado, as coisas são o que os operadores imaginam o que venha a ser. O preço de um activo financeiro resulta de uma avaliação, nada assegura que a avaliação dos mercados tenha alguma espécie de superioridade sobre outras formas de avaliação”. Para contrariar este autoritarismo, as agências de notação financeira não devem estar autorizadas a influenciar, de forma arbitrária, as taxas de juro dos mercados de dívida pública.

 

Quarto, a subida das dívidas públicas não é só resultado de um excesso de despesas, depende da quebra das receitas públicas e esta decorre da falta de crescimento económico: com a contra-revolução fiscal iremos sempre de recessão em recessão. Importa instaurar um debate público, pelo que se propõe efectuar uma auditoria das dívidas soberanas, de modo a determinar a sua origem.

 

Quinto, é duvidoso que a redução das despesas diminua, por si só, a dívida pública. A dinâmica da dívida depende de vários factores como seja a diferença entre a taxa de juro e a taxa de crescimento nominal da economia. E para evitar que o reequilibro das finanças públicas provoque um desastre social e político, são propostas medidas de protecção social e de aumento do esforço orçamental em matéria de educação e até de investimento na reconversão ecológica e ambiental.

 

Sexto, é falacioso dizer-se que a dívida pública transfere o custo dos nossos excessos para as gerações futuras. O aumento da dívida pública na Europa é o resultado de uma política que favorece as camadas sociais privilegiadas. Para corrigir de forma equitativa as finanças públicas, propõe-se, entre outras medidas, que se atribua de novo um carácter fortemente redistributivo à fiscalidade directa sobre os rendimentos.

 

Sétimo, não é a estabilidade dos mercados financeiros que vai garantir o financiamento da dívida pública. O sector financeiro aumentou substancialmente a sua influência sobre a economia: as grandes empresas recorrem cada vez menos ao crédito bancário e cada vez mais aos mercados financeiros. Os bancos centrais já não podem financiar directamente os estados, devem encontrar quem lhes conceda empréstimos nos mercados financeiro. Para resolver o problema da dívida pública, os autores do manifesto sugerem que se autorize o Banco Central Europeu a financiar directamente os Estados e que se restruture a dívida pública, limitando, por exemplo, o seu peso a determinado valor percentual do PIB.

 

Oitavo, a União Europeia não tem primado pela defesa de um modelo social. A visão hoje dominante em Bruxelas é de uma Europa liberal assente na desregulação da economia e com mais concorrência nos mercados de bens e serviços e diminuição da importância dos serviços públicos. Por isso é sugerido como medida que se substitua a política de concorrência por uma política de “harmonização e prosperidade”, fundamentada em grandes orientações de política social.

 

Nono, é uma falsa evidência que o Euro seja um permanente escudo de protecção contra a crise. Depois da crise financeira que começou nos Estados Unidos, a Europa não soube empenhar-se numa política suficientemente reactiva. A Comissão Europeia aprovou procedimentos contra os países em défice excessivo, obrigando os Estados a regressarem, até 2013 e 2014, a valores percentuais de défice inferior a 3 %. A manterem-se políticas salariais restritivas, regressão sistemática dos sistemas públicos (com destaque para a saúde e educação) corre-se o risco da Europa mergulhar na depressão e ao agravamento de tensões entre os diferentes países. A medida que pode obviar esta situação passa por assegurar uma verdadeira coordenação das políticas macroeconómicas e à redução concertada dos desequilíbrios comerciais entre os países europeus.

 

Décimo, está por provar que a crise grega permita avançar para um governo económico de uma verdadeira solidariedade europeia. Acima de tudo, a crise grega ajudou a erguer uma cortina de fumo sobre as origens de crise financeira. Estamos a assistir a um endurecimento do PEC (pacto de estabilidade e crescimento), esta estratégia de choque traz imediatamente proveito aos apologistas da agenda neoliberal. Porém a diminuição das despesas públicas vai comprometer o esforço necessário para assegurar despesas futuras indispensáveis, como é o caso da investigação na economia verde. A medida mais consentânea será de desenvolver uma verdadeira fiscalidade europeia e um verdadeiro orçamento europeu.

 

É isto o que propõem os economistas aterrados, políticas económicas alternativas e uma refundação da construção europeia. Vamos ver até que ponto estas propostas serão tidas em conta para sairmos da recessão e do impasse actuais. Para já, vale a pena conhecer na íntegra este manifesto e discuti-lo em sede própria.

 

Por: Beja Santos

in O Ribatejo

publicado por portuga-coruche às 07:15
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João Duque: "A Europa vai-se desmoronar!"

Europeísta convicto, o presidente do ISEG não acredita na Europa com este modelo e com estes líderes

 

 

A entrevista foi concedida a meio das férias, entre a chegada do Norte de França e a partida próxima para a Europa Central, agora com as suas três filhas, num itinerário ainda a definir de acordo com as milhas acumuladas no cartão TAP. Os ténis brancos e a écharpe denunciam a chegada directa do aeroporto da Portela, com uma breve escala no ACP das Amoreiras, onde foi renovar a carta de condução. Mas o ar blasé de João Duque, professor de Finanças e presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), contrasta com as palavras duras sobre uma Europa à beira do colapso e sem gente capaz de a segurar.

O mundo não se compadece com férias e está em convulsão. Como olha para a Europa e para os seus líderes?

Com esta gente não tínhamos feito o euro. E com esta gente arriscamo-nos a desfazer o euro!

Voltamos para trás?

Ah, isso seria complicadíssimo. Isto vai ser um trinta e um. Sair do euro, sozinhos, nunca. Isso, para mim, seria um disparate, sair de livre vontade, não. Portugal não tem condições nenhumas, não tem crescimento económico, não tem equilíbrio na balança comercial, não tem meios de financiamento alternativos... Não tem nada! Por outro lado, se sair toda a gente, nós não somos o foco, não somos a ovelha ronhosa... Isto é como uma manada em andamento, de vez em quando larga uns que estão mais debilitados para os chacais. Já estamos cá atrás da manada, se nos largam, morremos!

De quem é a culpa?

Há aqui uma potência muito poderosa, que lidera, e que lidera mal. Lidera mal uma Europa... Lidera lá uns interesses, uma visão de interesses pessoais, que, se calhar, também estão um bocadinho errados. Se não, vamos lá a ver: a maior parte das exportações alemãs são para a Europa, para a União Europeia. E, portanto, se eles contam resolver o problema deles deixando os outros numa situação muito debilitada, isso significa que não estão a resolver nada. E deixa-se a Europa à mercê do abutre de maior dimensão.

A Europa seria diferente sem a chanceler alemã, Angela Merkel?

Sim, claro. Sem Merkel, sem Sarkozy... Podia e devia ser diferente! Eles têm que dar um passo à frente em termos de construção da Europa. A Europa deu passos significativos e o último grande passo foi a criação do euro. Depois disso, não se fez praticamente nada. E os passos que agora se estão a dar são passos que não vão no sentido da criação de uma Europa.

Em que sentido vão?

É engraçado. Há 20 anos, olhava-se para a criação da Europa e aquilo que se criticava era o esbatimento da noção de nação, de fronteiras, de identidade. E o que se está a fazer hoje é vincar fronteiras, diferenças, nações.

O que estes políticos estão a fazer é voltar a delinear uma linha grossa, dentro do envelope da Europa, a traço menos grosso mas marcado. Estão a marcar o que estava a ser esbatido.

O esbatimento maior foi quando se perderam as moedas. E atrás da moeda podia vir a dívida e os impostos associados à dívida, porque não há ninguém que vá comprar a dívida de alguém que não tem um poder directo sobre os activos, sejam existentes ou futuros, para entregar em colateral. Isso não existe.

Há o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira...

Mas o que temos neste momento é uma coisa vaga. Há uma emissão de dívida, para salvar uns quantos, mas não há o reconhecimento claro de que há activos por parte do fundo para agir de forma directa, sem passar por 27 parlamentos a aprovar não se sabe o quê. E se for só pelos parlamentos, boa! Porque pode ser ainda mais complicado, quando dos 27 dez ainda têm passar por referendos para permitir que determinado tipo de bens possam servir para pagar dívidas! Mas alguém vai pagar uma dívida destas?! Só se for louco! Portanto, o problema não está nada resolvido. Atamancaram aqui uma solução, não resolveram nada, e isso nota-se! Qualquer coisinha, lá vai o Sarkozy falar com a Merkel ao fim do dia, porque os mercados estão a tremer. É evidente que estão a tremer, os líderes são os primeiros a tremer!

Se falasse com Merkel, hoje, o que tinha vontade de lhe dizer?

Eu tinha vontade de fazer uma pergunta que acaba por ser comum a todos os outros, que é: como é que a senhora quer ficar conhecida para a História? Por aquela que destruiu ou por aquela que construiu a Europa?

Que passo devia ser dado agora, na construção da Europa?

Se querem construir uma Europa, têm que construir um governo europeu, com políticas económicas europeias e políticas de financiamento público europeias. Coisa que nunca houve.

E o que é que impede a constituição desse governo europeu?

Eu compreendo que seja preciso dar passos. Ninguém aceitaria a Europa se um dia se chegasse e dissesse: vamos aqui construir uma coisa e perdemos todos a identidade, perdemos os governos, faz--se um governo único que é quem vai mandar... Ninguém aceitaria isso. Para o aceitarem, as pessoas teriam de perceber que há passos que não nos levam a um terreno forte, que garanta um nível suficiente. O problema é que se esbarrou contra uma parede. Até aqui, houve a sorte de a Europa ter tido em determinada altura dois ou três líderes que tiveram essa visão e que deram um passo. Imagine a coragem e o poder do ex-chanceler alemão, Helmut Kohl, ao dizer à Alemanha: vamos acabar com o marco para aceitar uma coisa que é uma misturada de moedas...

Hoje não temos líderes, é isso?

Pois não temos! Não temos. A Merkel não tem visão, o Sarkozy não tem visão, não é com Berlusconi que vamos contar... Os próprios responsáveis pela manutenção dos sistemas não são capazes de os manter, estão a deixar colapsar a Europa. Isso, para mim, é muito perigoso.

E vê algum líder a caminho?

Pois não, não se vê nenhum a caminho. E isto é perigoso, do ponto de vista político.

Em que sentido?

No sentido que pode dar azo a oportunismos de movimentos de natureza duvidosa, de gente mal-intencionada que, depois, pode vir a liderar o descontentamento. E há muita gente que até está contente, porque, apesar de tudo, o sistema da Europa é um sistema que se baseia numa democracia em cima de uma economia de mercado. E há muita gente que acha que a economia de mercado é a pior coisa que pode haver e que gostaria de ver tudo isto implodir.

Fala de quem, concretamente?

Dos extremistas islâmicos, por exemplo, ou dos comunistas, que ainda os há.

No final da semana passada o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, veio pressionar os Estados- -membros para actuarem com maior rapidez...

O drama não é Durão Barroso fazer pressão. O drama é ele ser imediatamente desautorizado. Soube-se logo que a proposta não era aceite por todos, que não era bem-vinda... É a tal coisa, por uma triste conjugação de planetas, não temos estrelas!

Que atitude devia tomar Durão Barroso?

Nunca vi Durão Barroso como líder. Ele foi escolhido por características que são tudo menos aquilo que se pede a um líder europeu. Tem uma paciência infinita e uma grande capacidade de diplomacia, é um pacificador. E estava entre aqueles que não incomodavam.

Deitamos fora os líderes ou deitamos fora o modelo de Europa?

O que eu vejo é que esta gente é incapaz de manter o que lhes deram, quanto mais andar para a frente. Mas o modelo tem que ser outro.

É preciso reinventar a Europa?

Isto aconteceu em todas as fases da História: períodos bons e sucessores que não foram capazes de os aguentar e as coisas desmoronaram-se. E depois são maus!

E o que é que têm que ser capazes de fazer?

O que tem que haver é políticos candidatos à Europa. A organização política tem que ser diferente. Tem que haver eleições europeias. É preciso dar o salto.

Têm que dar passos significativos em frente. Têm que criar um governo europeu, têm que criar políticas europeias, têm que financiar a Europa do ponto de vista das finanças públicas de uma forma federal, têm que libertar para a Europa o poder de tributar e fazer uma política económica mais europeia.

E o que estão a fazer não é nada disso! Estão a dizer que o responsável de cada dívida é ele próprio, criam mecanismos de ajuda a uma região, mas a dívida é deles, eles é que têm que a pagar... Quanto muito, vá umas ajudazinhas, uma taxa um bocadito mais favorável... Mas atenção, isto não é um por todos e todos por um, é cada um por si!!!

E o aumento do fundo de resgate é mais uma medida avulsa?

É. Não resolve o problema de fundo e deixa mais a nu a necessidade de se darem passos significativos, porque, como se vê, isto não é suficiente para fazer coisa nenhuma. Mais, deixa de fora, por exemplo, dois que já estão a abanar, a Espanha e a Itália. Se o fundo já não chega, com estes então...

Os políticos europeus deviam perceber que, para salvar o sistema, têm que abdicar de algumas coisas e têm que ser corajosos. Mas estão sempre a jogar à defesa. A Europa, neste momento, parece um governo de Sócrates: sempre atrasado nas medidas, sempre a inventar desculpas e a fazer uma série de trapalhadas. Em vez de estar a liderar, a antecipar e a ir para a frente, está sempre a reagir.

Qual teria que ser o valor do fundo para ser considerado suficiente?

De, pelo menos, 60% do PIB europeu. E provavelmente não chegaria.

A solução não passa por aí?

Pois não. Isto é uma coisa que poderia resolver, em determinada altura, o problema de um ou dois... pequeninos. Mas não é a resolução do problema da Europa. Das duas uma: ou querem conceber a Europa ou não querem conceber a Europa. Eu entendia que algumas fases tivessem prazos e fossem necessários passos mais curtos para fazer as coisas. Aliás, deram-nos um calendário para aplicar milhões de medidas. À escala europeia, as medidas vão-se tomando com uma cadência trimestral, semestral, anual. Desde o momento em que se implementou o euro, passou uma década e não se fez mais nada. Isto não são calendários europeus. Já deviam estar com uma agenda muito mais europeísta, focada no problema de fundo.

E qual é o problema de fundo?

O problema é a Europa. É preciso esquecer os problemas nacionais e pensar na Europa. Neste momento, já se percebeu que com os habitantes, com os agentes, com os decisores económicos que temos hoje, ninguém acredita nesta solução. A partir daqui, é simples: isto vai-se desmoronar! Estas pessoas não são capazes de manter o sistema.

Porquê?

Porque não percebem que há mudanças que levam a que só para se manter o sistema seja preciso mudar esse mesmo sistema. E aquilo que se está a mudar não é suficiente para acompanhar as mudanças. E não há ninguém na Europa capaz de o fazer.

As pessoas estão na vida activa entre os 25 e os 65 anos, são quarenta anos. Em dez anos, um quarto das pessoas que estão activas a tomar decisões desapareceu e entraram novos. Nos últimos 20 anos, metade dos decisores já são completamente diferentes, aqueles que estavam no topo da pirâmide desapareceram todos.

Isso significa que não estamos a ser capazes de formar líderes?

Isso não se forma. Por muito que se lhes dê. Há os genes... Isto foi sempre assim ao longo da História.

O seu cenário é de colapso...

A Europa, assim, vai desaparecer. Fica a Europa geográfica, desde que os países não continuem a deriva das placas tectónicas.

Tem que se resolver o problema maior antes de todos os outros...

Claro. Churchill, quando estava a delinear o desembarque, não estava preocupado se os soldadinhos iam para aqui ou para acoli. Não! A questão é: onde vai ser o desembarque e porquê? Isso é que é decisivo, o resto são problemazinhos. E a Europa dos últimos 60 a 70 anos é o resultado daquela decisão, da influência que ele teve naquela decisão. Mais nada. O resto é conversa!

E hoje, não há essa visão?

Não, nem há quem tenha o poder para. A questão, é que na política internacional sentavam-se três ou quatro pessoas para tomar café ao fim da tarde e todos percebiam que tinham que abdicar de coisas para a construção de um projecto. Toda a gente tem que abdicar. O que está a acontecer é que os estadistas não estão a querer abdicar para construir. Estão a vincar fronteiras para definir limites de responsabilidade. Bom, e se é isto que os cidadãos querem, tudo bem. Agora, meus amigos, tenham cuidado...

Os alemães vão ficar orgulhosamente sós?

Os alemães qualquer dia não saem da Alemanha. Eles, que gostavam tanto de ir passar férias à Grécia, era só descer um bocadinho, já não podem lá pôr os pés. Arriscam a chegar lá e nada funcionar. Imagine que têm um azar, vão parar a um hospital e depois lhes dizem que não há soro - e nem dizem em alemão, que não sabem, dizem em inglês; olhe, soro, não há! O hospital não tem dinheiro para comprar soro. O senhor, trouxe soro de casa, da Alemanha? Não?! Azar. Vá lá mandar comprar. Depois, a seguir, já não vêm a Portugal, depois já não vão a Itália, nem a Espanha... Ficam a fazer férias debaixo do capacete. Se os cidadãos querem isso, é isso que vamos ter.

E voltamos ao mesmo, ninguém dá um murro na mesa...

Esta gente não tem força, não tem coragem. Eles podiam arriscar, mas não arriscam.

Não conseguimos continuar com esta Europa, não podemos sair do euro... Que solução?

Pois, isto é entre escolher morrer ou ficar sem pernas e sem braços.

Mas é aí mesmo que estamos.

É, estamos nessa fase. Portugal sem euro é de tal maneira dramático, que não sei.

Temos as dívidas em euros, mas só algumas, como é que se escolhe? Depois disso, alguém vai financiar Portugal? Portugal vai conseguir importar alguma coisa? Só em valores da balança comercial alimentar, nós exportamos 6 mil milhões de euros por ano e importamos 9 mil milhões de euros. Só aqui, o défice é de mais de 3 mil milhões de euros. Ou seja, vai haver fome. É demasiado grave. E energia? Que combustível é que se compra?

Dentro de Portugal há regiões mais fortes e mais fracas. Se partir e se disser aos fracos agora governem-se, percebe-se logo que estão condenados. Agora, imagine o que é dizer: vocês ficam com a lira transmontana... Quem é que aceita essa moeda?

Portanto, significa fome, mal-estar, doença, morte. É um cenário apocalíptico. E, se olharmos para a História, temos períodos de grande perda, de grande calamidade.

Agora, acho que é um disparate ter-se construído o que se construiu, do ponto de vista socioeconómico, e depois não se ser capaz de manter os sistemas a funcionar. Isto é ruinoso.

Sobre as dívidas soberanas e os Estados Unidos...

Os Estados Unidos estão na mesma jigajoga. Há aqui um fenómeno muito interessante, que é o crescimento do crédito, a nível internacional. O crédito permite uma coisa extraordinária, que é antecipar consumo. É muito saboroso, mas fica a dívida, que já não sabe tão bem. Estou convencido que o Homem é o único animal que concede crédito. Ora hoje, os agentes económicos sabem a mesma coisa ao mesmo tempo - que é no telemóvel - reagem todos da mesma maneira. Isto cria volatilidade nos mercados. Imagine o que é começar a gritar fogo só por causa do fumo de um cigarro.

Neste caso, acenderam os cigarros todos ao mesmo tempo...

Tudo mudava se, de um dia para o outro, disséssemos: o quê, mas isto só tem um endividamento de 100% do PIB, mas isso não é nada. Porque o standard é 200%, toda a gente leu nos livros que até 200% não há problema nenhum. E pronto, vamos crescer em dívida. Deixava da haver problema, tremores, sustos. As bolsas acalmavam, os estados desatavam a emitir dívida, toda a gente a comprar...

Era um pulinho até aos 200%...

Sim, mas acabava o problema agora. As leis económicas de valor e de percepção de valor estão dentro da cabeça das pessoas. A partir daí, nós estamos assustadas com aquilo que criámos. Como é que isso se resolve, como é que desinchamos o balão do crédito que deixámos crescer? Eu não estou a ver forma de o fazer sem perda de bem estar. Vamos ter que penar.

É cumprir os mandamentos da Troika, no caso português?

Sim. Em Portugal, só temos uma coisa a fazer: cumprir aquilo que se acordou com a Troika. Mais nada. Fazer aquilo e ainda melhor que aquilo, em qualidade de decisão e em tempo.

E acredita que vamos ser capazes?

Eu tenho até ficado surpreendido com este governo e com as decisões que tem vindo a tomar. A privatização do BPN, por exemplo.

E isso vai salvar Portugal?

Não, não vai. O problema é que depois tem que haver a alteração do paradigma económico. E essa alteração não vai estar nas mãos do governo, vai estar nas mãos do portugueses. O infante podia dizer vamos com as naus, podia até construir as naus. Mas quem entra nas naus tem que entrar de livre vontade. Nós, ou bem que estamos numa economia de mercado ou não estamos numa economia de mercado. O que o governo tem que fazer é ser o agente facilitador.

A nossa economia ainda está muito estatizada...

É preciso tirar esse peso, que é muito fácil ser burocratizante, à economia. Porque a administração pública, o Estado, não tem por função desenvolver a maioria das actividades económicas que por aí faz. Não tem. O Estado não deve ter aquilo que deve pertencer à iniciativa privada. E falta iniciativa privada, dos cidadãos. Ainda temos esta cultura, de achar que o Estado é que tem que resolver tudo. E depois, acham que dá segurança estar no Estado. Isto tem que se alterar. Não dá segurança nenhuma estar no Estado, o que dá segurança é estar numa actividade que é bem sucedida.

Portanto, acho que se deve repensar o poder do Estado e os deveres do Estado para depois desobrigar os cidadãos e dar-lhes mais possibilidade de escolha: façam o que entenderem.

Então não aprova o reforço orçamental de 12 mil milhões para a banca...

O sistema bancário ou é privado ou é público. Aquilo que se diz é o orçamento passa a prever a possibilidade de, de alguma forma, vir a suportar a solvabilidade dos bancos. Como é que o vai fazer? Se o capital for remunerado, não vejo problema nenhum. Se o Estado for accionista como os outros, entrando através de um aumento de capital, e tiver participação nos lucros, acho bem. Passado um tempo, pode vender a sua posição, de preferência por mais dinheiro do que a comprou.

Mas é importante sublinhar que deve jogar sempre pelas mesmas regras, ou não deve?

Isso leva-me a outra questão. A Europa, tal como está também não se safa, por outros motivos. Tem uma população envelhecida e um problema de concorrência com os asiáticos, que dificilmente supera... Para pôr as coisas no sítio certo, a Europa tem que passar a exigir um comportamento da contraparte com quem se relaciona semelhante àquele que tem com os seus. Não pode estar a competir no mercado com regras diferentes. Não podemos negociar com quem não pratica internamente o mesmo tipo de regras que nós praticamos. Caso contrário, está a haver competição desleal. Não é justo estar a fechar fábricas e punir os portugueses que têm a trabalhar miúdos com doze anos, quando os outros países fazem isso.

E como é que isso se garante?

Têm que ter vistos. Carimbos de qualidade, se não, não entram. Tem selo de compliance entra, não tem fica fora. Isto disciplina a contraparte. Não pode importar coisas que danificam a estrutura produtiva interna à custa de um liberalismo total. Isto é ridículo. A concorrência interna não se pode beliscar e depois é queimada pela concorrência externa. E depois, há dois indivíduos a digladiarem-se no tribunal europeu, porque este fez aqui e o outro fez não sei o quê. E vem um de fora da Europa e os dois de dentro ficam insolventes... Mas que ridículo é este? O que quero é que o que vem jogue com as mesmas regras dos de dentro. E isso, é o Estado que tem que impor.

Falou em terrorismo. O terrorismo, hoje, não precisa fazer sangue...

Os mercados financeiros permitem conquistar território financeiro sem invasão. Compra um activo, tem a influência, o poder. Hoje não se espicha sangue, mas podem fazer-se muitas maldades dentro da lei. São outras invasões.

E adivinha-se já quem vai ganhar esta guerra?

Não tenho assim uma visão estruturante. Mas há grupos económicos que conseguem entrar em Portugal, ganhar posição, ter imenso poder, e que estão claramente a ganhar. Têm poder aquisitivo. Eu vejo isso com bons olhos. São essas as regras que estão estabelecidas, não tem problema, pelo contrário. Sinto-me mais próximo de decisores angolanos do que decisores chineses, até do ponto de vista cultural.

E que é que está no início e no fim da "cadeia alimentar"?

Os EUA são a baleia ferida. Muita força, mas muito ferida. Por outro lado, tem um animal extraordinário que é a China, mas que precisa da baleia para alimentar essa pujança. O curioso é que criou uma interdependência no Mundo que desagrada a todos. E é por isso que o equilíbrio está agora em risco.

Estamos a tomar consciência dos limites da democracia?

Sim. Mas isso não é mau, é até bom. Apercebemo-nos de que há coisas que, em determinadas fases, não podem ser votadas.

Como é que vê o próximo ano?

Pior que este. Isto é como o parafuso, aperta sempre para o mesmo lado e, em cima de um aperto, é preciso outro e mais outro. Montámos, agora temos que pagar as contas! Mas sabe, tenho feito imensas palestras, imensas conferências e, quando acabo, fico um bocado desanimado, porque a expectativa é sempre muito negra. Eu tenho a expectativa de acabar a minha carreira já não em Portugal, mas a fazer conferências internacionais a explicar como é que Portugal foi capaz de sair desta situação. Ainda não sei bem a história que vou contar...

 

por Isabel Tavares

in iOnline

 

 

 

publicado por portuga-coruche às 07:10
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Sexta-feira, 8 de Julho de 2011

Quem anda a ganhar com a ruina de Portugal

Moodys Citigroup JP.Morgan Windsor Warburgs Lazards Lehmans Chase Wells-Fargo Federal-Reserve Cartel: As oito famílias

 

 

Os Quatro Cavaleiros da banca (Bank of America, JP Morgan Chase, Citigroup e Wells Fargo) são os donos dos Quatro Cavaleiros do Petróleo (Exxon Mobil, Royal Dutch/Shell, BP e Chevron Texaco); em sintonia com o Deutsche Bank, o BNP, o Barclays e outros monstros europeus das velhas fortunas. Mas o seu monopólio sobre a economia global não se esgota no xadrez do petróleo.
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De quem é a Moody's?
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A Casa de Morgan era íntima da Casa Britânica de Windsor e da Casa Italiana de Sabóia. Os Kuhn Loebs, os Warburgs, os Lehmans, os Lazards, os Israel Moses Seifs e os Goldman Sachs também tinham ligações estreitas com a realeza européia. Em 1895 Morgan controlava o fluxo do ouro dentro e fora dos EUA. A primeira vaga de fusões americanas estava na sua infância e estava a ser promovida pelos banqueiros. Em 1897 houve sessenta e nove fusões industriais. Em 1899 houve mil e duzentas. Em 1904, John Moody - fundador do Moody's Investor Services - disse que era impossível falar dos interesses de Rockefeller e Morgan em separado. [10]
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De acordo com o relatório 10-K para a SEC, os Quatro Cavaleiros da Banca estão entre os dez maiores acionistas de praticamente todas as empresas da Fortune 500. [1]


[NT 1]

Então quem são os acionistas destes centros bancários de dinheiro?

Esta informação é um segredo muito bem guardado. As minhas indagações junto das agências reguladoras da banca, no que se refere aos proprietários das ações dos 25 maiores bancos norte-americanos que possuem companhias, foram respondidas ao abrigo da Lei da Liberdade de Informação, antes de serem recusadas com base na "segurança nacional". O que é bastante ridículo, na medida em que muitos dos acionistas da banca residem na Europa.

Um importante repositório da riqueza da oligarquia global que é dona destas companhias na posse da banca é a US Trust Corporation - fundada em 1853 e atualmente propriedade do Bank of America. Um recente diretor e curador honorário da US Trust Corporate foi Walter Rothschild. Outros diretores incluíram Daniel Davison do JP Morgan Chase, Richard Tucker da Exxon Mobil, Daniel Roberts do Citigroup e Marshall Schwartz do Morgan Stanley. [2]

J. W. McCallister, da indústria petrolífera com ligações à Casa de Saud, escreveu no The Grim Reaper que informações que obteve de banqueiros sauditas referiam que 80% do Federal Reserve Bank de Nova Iorque - de longe o ramo mais poderoso do Fed - estavam na posse de apenas oito famílias, quatro das quais residem nos EUA. São elas os Goldman Sachs, os Rockefellers, os Lehmans e os Kuhn Loebs de Nova Iorque; os Rothschilds de Paris e de Londres; os Warburgs de Hamburgo; os Lazards de Paris; e os Israel Moses Seifs de Roma.

O CPA Thomas D. Schauf confirma as afirmações de McCallister, acrescentando que dez bancos controlam todos os doze ramos do Federal Reserve Bank. Menciona o N.M. Rothschild de Londres, o Rothschild Bank de Berlim, o Warburg Bank de Hamburgo, o Warburg Bank de Amsterdã, o Lehman Brothers de Nova Iorque, o Lazard Brothers de Paris, o Kuhn Loeb Bank de Nova Iorque, o Israel Moses Seif Bank de Itália, o Goldman Sachs de Nova Iorque e o JP Morgan Chase Bank de Nova Iorque. Schauf lista William Rockefeller, Paul Warburg, Jacob Schiff e James Stillman como indivíduos que possuem grande quantidade de ações do Fed. [3] Os Schiffs são preponderantes no Kuhn Loeb. Os Stillmans no Citigroup, casaram-se no clã Rockfeller no início do século.

Eustace Mullins chegou às mesmas conclusões no seu livro ' The Secrets of the Federal Reserve', em que exibe gráficos ligando o Fed e os bancos seus membros às famílias Rothschild, Warburg, Rockfeller e outras. [4]

O controlo que estas famílias de banqueiros exercem sobre a economia global não pode ser sobrestimada e é intencionalmente um segredo bem guardado. O seu braço nos media empresariais é rápido a desacreditar qualquer informação que divulgue este cartel privado de banqueiros centrais como uma 'teoria da conspiração'. Mas os fatos subsistem.

A Casa de Morgan

O Federal Reserve Bank nasceu em 1913, no mesmo ano em que morreu J. Pierpoint Morgan, descendente de banqueiro, e em que se formou a Fundação Rockfeller. A Casa de Morgan presidiu a finança americana a partir da esquina de Wall Street e Broad Street, praticamente como o banco central dos EUA desde 1838, quando George Peabody a fundou em Londres.

Peabody era sócio de negócios dos Rothschilds. Em 1952, o investigador do Fed, Eustace Mullins, avançou com a suposição de que os Morgans não eram mais do que agentes dos Rothschilds. Mullins escreveu que os Rothschilds "... preferiam operar anonimamente nos EUA por detrás da fachada de J.P. Morgan & Company". [5]

O autor Gabriel Kolko afirmou, "as atividades de Morgan em 1895-1896 na venda de títulos do Tesouro dos EUA na Europa basearam-se numa aliança com a Casa de Rothschild." [6]

Os tentáculos do polvo financeiro de Morgan envolveram rapidamente todo o globo. Morgan Grenfell operava em Londres. Morgan et Ce dominava Paris. Os primos Lambert de Rothschild criaram a Drexel & Company na Filadélfia.

A Casa de Morgan assistia aos Astors, aos DuPonts, aos Guggenheims, aos Vanderbilts e aos Rockefellers. Financiou o lançamento da AT&T, da General Motors, da General Electric e da DuPont. Tal como os bancos Rothschild e Barings com sede em Londres, o Morgan tornou-se parte da estrutura do poder em muitos países.

Em 1890, a Casa de Morgan emprestava dinheiro ao banco central do Egito, financiava ferrovias russas, títulos do governo provincial brasileiro e projetos de obras públicas argentinas. Uma recessão em 1893 reforçou o poder de Morgan. Nesse ano Morgan salvou o governo dos EUA de um pânico bancário, formando uma união para escorar as reservas governamentais com uma injeção de 62 milhões de dólares em ouro Rothschild. [7]

Morgan foi a força motriz por detrás da expansão para oeste nos EUA, financiando e controlando as vias-férreas para oeste por intermédio de fundos fiduciários. Em 1879 a Ferrovia Central de Nova Iorque, de Cornelius Vanderbilt, financiada por Morgan, concedeu taxas preferenciais ao monopólio nascente da Standard Oil, de John D. Rockefeller, cimentando a relação Rockefeller/Morgan.

A Casa Morgan passou depois para o controlo da família Rothschild e Rockefeller. Um título do New York Herald dizia, "Reis do caminho-de-ferro formam monopólio gigantesco". J. Pierpont Morgan, que em tempos afirmara, "A competição é um pecado", passou a opinar alegremente, "Pensem nisso. Toda a concorrência do tráfego ferroviário a oeste de St. Louis colocada sob o controlo de cerca de trinta homens". [8]

Morgan e o banqueiro Kuhn Loeb de Edward Harriman detinham o monopólio sobre os caminhos-de-ferro, enquanto as dinastias banqueiras Lehman, Goldman Sachs e Lazard se juntaram aos Rockefellers para controlarem a base industrial dos EUA. [9]

Em 1903, as Oito Famílias fundaram o Banker's Trust. Benjamin Strong do Banker's Trust foi o primeiro governador do Federal Reserve Bank de Nova Iorque. A criação do Fed em 1913 fundiu o poder das Oito Famílias com o poder militar e diplomático do governo dos EUA. Se os seus empréstimos no estrangeiro não fossem pagos, os oligarcas podiam contar com os Marines dos EUA para cobrar as dívidas. O Morgan, o Chase e o Citibank formaram uma união de empréstimos internacionais.

A Casa de Morgan era íntima da Casa Britânica de Windsor e da Casa Italiana de Sabóia. Os Kuhn Loebs, os Warburgs, os Lehmans, os Lazards, os Israel Moses Seifs e os Goldman Sachs também tinham ligações estreitas com a realeza européia. Em 1895 Morgan controlava o fluxo do ouro dentro e fora dos EUA. A primeira vaga de fusões americanas estava na sua infância e estava a ser promovida pelos banqueiros. Em 1897 houve sessenta e nove fusões industriais. Em 1899 houve mil e duzentas. Em 1904, John Moody - fundador do Moody's Investor Services - disse que era impossível falar dos interesses de Rockefeller e Morgan em separado. [10]

Surgiu a desconfiança do público em relação a este conluio. Muita gente considerava-os como traidores a trabalhar para as antigas fortunas da Europa. A Standard Oil de Rockefeller, a US Steel de Andrew Carnegie e os caminhos-de-ferro de Edward Harriman foram todos financiados pelo banqueiro Jacob Schiff do Kuhn Loeb, que trabalhava em estreita colaboração com os Rothschilds europeus.

Vários estados do oeste proibiram a entrada dos banqueiros. O pregador populista William Jennings Bryan foi por três vezes o candidato Democrata para presidente entre 1896 e 1908. O tema central da sua campanha anti-imperialista era que a América estava a cair numa ratoeira de "servidão financeira para com o capital britânico". Teddy Roosevelt derrotou Bryan em 1908 mas, por causa deste incêndio populista que se ia alastrando, foi forçado a promulgar a Lei Sherman Anti-Monopólio. Depois, perseguiu o Monopólio da Standard Oil.

Em 1912, realizaram-se as audições Pujo, que trataram da concentração do poder em Wall Street. Nesse mesmo ano, Mrs. Edward Harriman vendeu as suas substanciais ações do Guaranty Trust Bank de Nova Iorque a J.P. Morgan, criando o Morgan Guaranty Trust. O juiz Louis Brandeis convenceu o presidente Woodrow Wilson a tentar pôr fim aos diretorados interligados. Em 1914 foi aprovada a Lei Clayton Anti-Monopólio.

Jack Morgan - filho e sucessor de J. Pierpont - reagiu convidando os seus clientes Remington e Winchester a aumentar a produção de armas. Argumentou que os EUA precisavam de entrar na I Guerra Mundial. Incitado pela Fundação Carnegie e por outras frentes oligárquicas, Wilson cedeu. Como escreveu Charles Tansill em 'America Goes to War', "Ainda antes do início do conflito, a firma francesa Rothschild Frères enviou um telegrama a Morgan & Company de Nova Iorque sugerindo o financiamento de um empréstimo de 100 milhões de dólares, grande parte do qual ficaria nos EUA para pagar as compras francesas dos produtos americanos".

A Casa Morgan financiou metade do esforço de guerra dos EUA, enquanto recebia comissões para contratar fornecedores como a GE, a DuPont, a US Steel, a Kennecott e a ASARCO. Todos eles eram clientes Morgan. A Morgan também financiou a Guerra britânica dos Bóeres na África do Sul e a Guerra Franco-Prussiana. A Conferência de Paz de Paris, em 1919, foi presidida por Morgan, que liderou os esforços de reconstrução tanto dos alemães como dos aliados. [11]

Na década de 1930 reapareceu o populismo na América depois de o Goldman Sachs, o Lehman Bank e outros terem beneficiado da Queda da Bolsa de 1929. [12] O presidente da Comissão Bancária do Congresso, Louis McFadden (D-NY) disse sobre a Grande Depressão, "Não foi um acidente. Foi uma ocorrência cuidadosamente planeada... Os banqueiros internacionais pensaram criar uma situação de desespero aqui para poderem surgir como dominadores de todos nós".

O senador Gerald Nye (D-ND), em 1936, presidiu a uma investigação sobre munições. Nye concluiu que a Casa de Morgan tinha feito os EUA mergulharem na I Guerra Mundial para proteger empréstimos e criar uma explosão na indústria de armamento. Nye produziu mais tarde um documento intitulado The Next War, que se referia cinicamente à "fraude contra a velha deusa da democracia", através da qual o Japão podia ser utilizado para atrair os EUA para a II Guerra Mundial.

Em 1937, o secretário do Interior, Harold Ickes, alertou para a influência das "60 Famílias da América". O historiador Ferdinand Lundberg posteriormente escreveu um livro exatamente com o mesmo título. O juiz do Supremo Tribunal, William O. Douglas, condenou, "a influência de Morgan... a mais perniciosa na indústria e na finança de hoje".

Jack Morgan respondeu empurrando os EUA para a II Guerra Mundial. Morgan tinha estreitas relações com as famílias Iwasaki e Dan - dois dos clãs mais ricos do Japão - que são donos da Mitsubishi e da Mitsui, respectivamente, visto que estas empresas saíram dos xogunatos do século XVII. Quando o Japão invadiu a Manchúria, chacinando camponeses chineses em Nanking, Morgan minimizou o incidente. Morgan também tinha relações estreitas com o fascista italiano Benito Mussolini, enquanto que o nazista alemão Dr. Hjalmer Schacht foi uma ligação do Morgan Bank durante a II Guerra Mundial. Depois da guerra, representantes do Morgan encontraram-se com Schacht no Banco de Compensações Internacionais (BIS) em Basileia, na Suíça. [13]

A Casa de Rockefeller

O BIS é o banco mais poderoso do mundo, um banco central global das Oito Famílias que controlam os bancos centrais privados de quase todos os países ocidentais e em desenvolvimento. O primeiro presidente do BIS foi o banqueiro Gates McGarrah de Rockefeller - funcionário do Chase Manhattan e do Federal Reserve. McGarrah era avô do antigo diretor da CIA, Richard Helms. Os Rockefellers - tal como os Morgans - tinham estreitas ligações a Londres. David Icke escreve em ' Children of the Matrix' , que os Rockefellers e os Morgans eram apenas 'mandaretes' dos Rothschilds europeus. [14]

O BIS é propriedade do Federal Reserve, do Banco de Inglaterra, do Banco da Itália, do Banco do Canadá, do Banco Nacional Suíço, do Banco da Holanda, do Bundesbank e do Banco da França.

O historiador Carroll Quigley escreveu no seu livro épico ' Tragedy and Hope' que o BIS foi produto de um plano, "para criar um sistema mundial de controlo financeiro em mãos privadas capaz de dominar o sistema político de cada país e a economia do mundo no seu todo... para ser controlado de modo feudal pelos bancos centrais mundiais, atuando concertadamente através de acordos secretos".

O governo dos EUA tinha uma desconfiança histórica do BIS, e esforçou-se em vão pela sua destruição na Conferência Bretton Woods em 1944, após a II Guerra Mundial. Pelo contrário, o poder das Oito Famílias saiu reforçado, com a criação em Bretton Woods do FMI e do Banco Mundial. O Federal Reserve dos EUA só adquiriu acções no BIS em Setembro de 1994. [15]

O BIS detém pelo menos 10% das reservas monetárias de pelo menos 80 bancos centrais mundiais, do FMI e de outras instituições multilaterais. Funciona como agente financeiro de acordos internacionais, reúne informações sobre a economia global e serve de prestamista de último recurso para impedir um colapso financeiro global.

O BIS promove um programa capitalista fascista de monopólio. Concedeu um empréstimo a curto prazo à Hungria nos anos 90 para garantir a privatização da economia daquele país. Serviu de canal para as Oito Famílias financiarem Adolf Hitler - dirigido por J. Henry Schroeder dos Warburgs e pelo Banco Mendelsohn de Amesterdã. Muitos investigadores afirmam que o BIS está no nadir da lavagem de dinheiro da droga global. [16]

Não é por acaso que o BIS tem a sua sede na Suíça, esconderijo preferido para a riqueza da aristocracia global e sede da Loja Alpina P-2 da Maçonaria italiana e da Internacional Nazi. Outras instituições que as Oito Famílias controlam incluem o Fórum Económico Mundial, a Conferência Monetária Internacional e a Organização Mundial do Comércio.

Bretton Woods foi uma bênção para as Oito Famílias. O FMI e o Banco Mundial foram fundamentais para esta "nova ordem mundial". Em 1944, as primeiras ações do Banco Mundial foram lançadas por Morgan Stanley e First Boston. A família francesa Lazard passou a estar mais envolvida nos interesses da Casa de Morgan. Os Lazard Frères - o maior banco de investimentos da França - é propriedade das famílias Lazard e David-Weil - descendentes dos antigos banqueiros genoveses representados por Michelle Davive. Um recente presidente e director executivo do Citigroup foi Sanford Weill.

Em 1968 a Morgan Guaranty lançou o Euro-Clear, um banco de compensação com sede em Bruxelas, para valores em eurodólares. Foi a primeira experiência automatizada do gênero. Houve quem chamasse ao Euro-Clear de "A Besta". Bruxelas é a sede do novo Banco Central Europeu e da NATO. Em 1973, funcionários da Morgan reuniram-se secretamente nas Bermudas para ressuscitar ilegalmente a velha Casa de Morgan, vinte anos antes da revogação da Lei Glass Steagal. Morgan e os Rockefellers apoiaram financeiramente a Merrill Lynch, atirando-a para o grupo dos 5 Grandes da banca de investimentos norte-americana. Merrill faz atualmente parte do Bank of America.

John D. Rockefeller utilizou a sua riqueza petrolífera para comprar a Equitable Trust, que tinha absorvido vários grandes bancos e empresas nos anos 20. A Grande Depressão ajudou a consolidar o poder de Rockefeller. O seu Chase Bank fundiu-se com o Manhattan Bank de Kuhn Loeb para formar o Chase Manhattan, consolidando uma antiga relação familiar. Os Kuhn-Loebs tinham financiado - juntamente com os Rothschilds - a tentativa de Rockefeller para ser o rei do petróleo. O National City Bank de Cleveland forneceu a John D. o dinheiro necessário para entrar nesta monopolização da indústria petrolífera dos EUA. O banco foi identificado nas audições do Congresso como um dos três bancos de propriedade dos Rothschilds nos EUA durante a década de 1870, quando Rockefeller começou por incorporar a Standard Oil de Ohio. [17]

Um dos sócios de Rockefeller da Standard Oil era Edward Harkness, cuja família veio a controlar o Chemical Bank. Um outro era James Stillman, cuja família controlava o Manufacturers Hanover Trust. Estes dois bancos fundiram-se sob a égide de JP Morgan Chase. Duas das filhas de James Stillman casaram-se com dois dos filhos de William Rockefeller. As duas famílias também controlam uma enorme fatia do Citigroup. [18]

Na área dos seguros, os Rockefellers controlam o Metropolitan Life, a Equitable Life, a Prudential e a New York Life. Os bancos Rockefeller controlam 25% do ativo dos 50 maiores bancos comerciais norte-americanos e 30% do activo das 50 maiores companhias de seguros. [19] As companhias de seguros - a primeira nos EUA foi fundada por mações através da Woodman's of America - desempenham um papel chave na lavagem do dinheiro da droga nas Bermudas.

As empresas sob o controlo de Rockefeller incluem a Exxon Mobil, a Chevron Texaco, a BP Amoco, a Marathon Oil, a Freeport McMoran, a Quaker Oats, a ASARCO, a United, a Delta, a Northwest, a ITT, a International Harvester, a Xerox, a Boeing, a Westinghouse, a Hewlett-Packard, a Honeywell, a International Paper, a Pfizer, a Motorola, a Monsanto, a Union Carbide e a General Foods.

A Fundação Rockefeller tem ligações financeiras estreitas com as Fundações Ford e Carnegie. Outras iniciativas filantrópicas da família incluem o Rockefeller Brothers Fund, o Instituto Rockefeller de Pesquisa Médica, o Conselho Geral da Educação, a Universidade Rockefeller e a Universidade de Chicago - que tem preparado um fluxo permanente de economistas de extrema direita como defensores do capital internacional, incluindo Milton Friedman.

A família possui o edifício Rockefeller Plaza, 30, onde todos os anos se ilumina a árvore de Natal nacional e o Rockefeller Center. David Rockefeller foi fundamental na construção das torres do World Trade Center. A principal casa da família Rockefeller é um deselegante complexo a norte do estado de Nova Iorque, conhecido por Pocantico Hills. Também possuem um duplex de 32 quartos na 5ª Avenida em Manhattan, uma mansão em Washington, DC, o Rancho Monte Sacro na Venezuela, plantações de café no Equador, várias fazendas no Brasil, uma propriedade em Seal Harbour, no Maine e casas de férias nas Caraíbas, no Havai e em Porto Rico. [20]

As famílias Dulles e Rockefeller são primos. Allen Dulles criou a CIA, deu assistência aos nazis, encobriu o assassínio de Kennedy à Comissão Warren e fechou um acordo com a Irmandade Muçulmana para criar assassinos controlados psicologicamente. [21]

O irmão John Foster Dulles presidiu às garantias falsificadas da Goldman Sachs antes da queda da bolsa de 1929 e ajudou o irmão a derrubar governos no Irão e na Guatemala. Eram ambos membros da Skull & Bones, do Council on Foreign Relations (CFR) e mações do 33º grau. [22]

Os Rockefellers foram decisivos na formação do Clube de Roma, orientado para a redução da população, na propriedade da família em Bellagio, Itália. Criaram a Comissão Trilateral na sua propriedade Pocantico Hills. A família é um dos principais financiadores do movimento eugénico que gerou Hitler, a clonagem humana e a actual obsessão pelo ADN na comunidade científica norte-americana.

John Rockefeller Jr. chefiou o Conselho da População até à sua morte. [23] O seu filho homônimo é senador pela Virginia Ocidental. O irmão Winthrop Rockefeller foi vice-governador do Arkansas e continua a ser o homem mais poderoso daquele estado. Numa entrevista em Outubro de 1975 à revista Playboy, o vice-presidente Nelson Rockefeller - que também foi governador de Nova Iorque - articulou a perspectiva paternalista da sua família, "Acredito plenamente no planejamento - no campo econômico, social, político, militar, no mundo inteiro".

Mas de todos os irmãos Rockefeller, foi David, o fundador da Comissão Trilateral (TC) e presidente do Chase Manhattan, quem levou a agenda fascista da família a uma escala global. Defendeu o Xá do Irão, o regime apartheid da África do Sul e a junta chilena de Pinochet. Foi o maior financiador do CFR, do TC e (durante a Guerra do Vietnan) da Comissão para uma Paz Efetiva e Duradoura na Ásia - um contrato de bonança para os que não estavam envolvidos no conflito.

Nixon convidou-o para secretário do Tesouro, mas Rockefeller recusou o cargo, sabendo que o seu poder era muito maior ao leme do Chase. O autor Gary Allen escreve em ' The Rockefeller File' que, em 1973, "David Rockefeller reuniu-se com 27 chefes de estado, incluindo os governantes da Rússia e da China Vermelha".

Após o golpe do Nugan Hand Bank e da CIA, de 1975, contra o primeiro-ministro australiano Gough Whitlam, o seu sucessor designado pela Coroa britânica, Malcolm Fraser, correu aos EUA, onde se encontrou com o presidente Gerald Ford depois de ter conferenciado com David Rockefeller. [24]

01/Junho/2011

A seguir, parte II da série The Federal Reserve Cartel: The Freemason BUS & The House of Rothschild

Notas

[1] 10K Filings of Fortune 500 Corporations to SEC. 3-91

[2] 10K Filing of US Trust Corporation to SEC. 6-28-95

[3] "The Federal Reserve 'Fed Up'. Thomas Schauf. www.davidicke.com 1-02

[4] The Secrets of the Federal Reserve. Eustace Mullins. Bankers Research Institute. Staunton, VA. 1983. p.179

[5] Ibid. p.53

[6] The Triumph of Conservatism. Gabriel Kolko. MacMillan and Company New York. 1963. p.142

[7] Rule by Secrecy: The Hidden History that Connects the Trilateral Commission, the Freemasons and the Great Pyramids. Jim Marrs. HarperCollins Publishers. New York. 2000. p.57

[8] The House of Morgan. Ron Chernow. Atlantic Monthly Press NewYork 1990

[9] Marrs. p.57

[10] Democracy for the Few. Michael Parenti. St. Martin's Press. New York. 1977. p.178

[11] Chernow

[12] The Great Crash of 1929. John Kenneth Galbraith. Houghton, Mifflin Company. Boston. 1979. p.148

[13] Chernow

[14] Children of the Matrix. David Icke. Bridge of Love. Scottsdale, AZ. 2000

[15] The Confidence Game: How Un-Elected Central Bankers are Governing the Changed World Economy. Steven Solomon. Simon & Schuster. New York. 1995. p.112

[16] Marrs. p.180

[17] Ibid. p.45

[18] The Money Lenders: The People and Politics of the World Banking Crisis. Anthony Sampson. Penguin Books. New York. 1981

[19] The Rockefeller File. Gary Allen. '76 Press. Seal Beach, CA. 1977

[20] Ibid

[21] Dope Inc.: The Book That Drove Kissinger Crazy. Editors of Executive Intelligence Review. Washington, DC. 1992

[22] Marrs.

[23] The Rockefeller Syndrome. Ferdinand Lundberg. Lyle Stuart Inc. Secaucus, NJ. 1975. p.296

[24] Marrs. p.53

[NT 1] Relatório 10-K : É o relatório anual exigido pela Comissão de Garantias e Câmbios (SEC) dos EUA que dá um resumo abrangente da atividade duma empresa com um patrimônio superior a 10 milhões de dólares. A Fortune 500 é uma lista anual publicada pela revista Fortune que lista as maiores 500 empresas norte-americanas.

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[*] Autor de Big Oil & Their Bankers in the Persian Gulf ; Four Horsemen, Eight Families & Their Global Intelligence, Narcotics & Terror Network e The Grateful Unrich: Revolution in 50 Countries . Seu blog: http://deanhenderson.wordpress.com/

O original encontra-se em
 
http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=25080

Tradução de Margarida Ferreira.

Este artigo encontra-se em
 
http://resistir.info/

http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=486c0401c56bf7ec2daa9eba58907da9&cod=8200
 
http://port.pravda.ru/busines/16-06-2011/31741-cartel_fed_reserve-0/
 
http://revoltatotalglobal.blogspot.com/2011/07/moodys-citigroup-jpmorgan-windsor.html
 
 
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Quinta-feira, 7 de Julho de 2011

Pier Carlo Padoan - OCDE: Agências de 'rating' "agravam a crise"

 

"É como empurrar alguém que está à beira do precipício. [As agências de 'rating'] Agravam a crise".

O secretário-geral adjunto da OCDE acusa as agências de 'rating' de "empurrar alguém que está à beira do precipício".

"Nos últimos tempos, as agências de 'rating' confirmaram que são fortemente 'pró-cíclicas'. Produzem profecias que se auto-realizam", declarou Pier Carlo Padoan numa entrevista ao jornal italiano La Stampa.

"Não é verdade que transmitam informações: exprimem opiniões, acelerando tendências já em curso. É como empurrar alguém que está à beira do precipício. Agravam a crise", acrescentou.

As agências de 'rating' foram alvo de duras críticas na quarta-feira depois da Moody's ter baixado em vários graus e classificado como 'lixo' a notação da dívida soberana portuguesa, agravando a crise da dívida na zona euro.

A Moody's considerou que Portugal, tal como a Grécia, pode vir a precisar de um segundo empréstimo antes de regressar aos mercados, o que fez disparar os juros da dívida portuguesa que ultrapassaram, pela primeira vez, os 13 por cento, a dez anos.

Questionado sobre a possibilidade de ser necessário um segundo pacote de ajuda para Portugal, Padan respondeu que "é muito cedo para dizer".

"Os países precisam de tempo para que os seus planos de consolidação (das contas públicas) produzam efeitos, para que as economias recomecem a crescer e que para que os juros baixem. Os mercados reagem no dia-a-dia, têm um horizonte de curto prazo e não parecem acreditar nestas políticas", sublinhou.

O responsável da OCDE assegurou, por outro lado, que "o euro não está em perigo", mostrando-se "convicto que a crise se resolverá com um reforço das instituições europeias".

 

Económico com Lusa  

in Económico

 

Comentários interessantes:

 

Português , Portugal | 07/07/11 11:58
A vontade dos especuladores da Moody's fez subir num só dia o juro a pagar por Portugal em 200 pontos base +2,00%. ((2% x170 mil milhões de divida (só a publica)) = a 3,4 mil milhões que aumentou a nossa divia só em juros!!! de um dia para o outro com a decisão destes americanos especuladores!
isto é, aproximadamente CINCO vezes MAIS o valor do do imposto a cobrar com a retenção de 50% do subsidio de natal a todos os portugueses!
EM RESUMO! Por MAIS IMPOSTOS QUE COBREM NUNCA VÃO CONSEGUIR GANHAR DINHEIRO PARA MATAR A FOMME E A CEDE DE SANGUE DESTES ABUTRES!
Por isso ou Portugal e a Europa reage a esta especulação de mercado, ou os paises vão cair um atrás do outro, acaba o projecto europeu, e os povos morrem à fome!
É URGENTE DECIDIR e REAGIR!
REVOLTEM-SE POR FAVOR! Temos o direito à indignação!

 

 

Noutra Notícia sobre a mesma temática:  Uma agência de lixo cortou o rating a Portugal

LM , LX | 07/07/11 14:03
OS economistas e os políticos da TRETA Portugueses e Europeus não sabem fazer as contas de matemática. A dívida pública Americana atingiu os 14,3 biliões de dólares ( 14 300 mil milhões de dólares ou seja 14 300 000 000 000) ou seja 100% do PIB Americano . Cada cidadão americano nasce com 143 mil dólares de dívida ao pescoço, os Portugueses só tem cerca de 18 mil euros ( são 25 mil dolares) de divida ao pescoço.
Há muitos economistas que dizem provavelmente que o DÉFICE ESCONDIDO AMERICANO é cerca de DEZ VEZES MAIOR que o declarado.
Agora digam que é que está FALIDO se é Portugal ou os Estados Unidos ?
É por isso que na realidade o Dólar vale menos 30% que o euro e com tendência a VALER LIXO.
Metam no LIXO essas AGENCIAS DE RATING CRIMINOSAS que só servem para enganar PARVOS.
Dou um conselho ao povos Europeu, vão para a escola primária para aprender a tabuada e a fazer contas para não continuarem a serem enganados.

 

 

publicado por portuga-coruche às 07:10
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Moody´s baixou rating da CGD, BES, BCP e Banif

Nota da dívida garantida pelo Estado em causa

 

 

A agência internacional Moody´s baixou o rating da dívida com garantia estatal emitida pela Caixa Geral de Depósitos (CGD), Banco Espírito Santo (BES), Banco Comercial Português (BCP) e Banco Internacional do Funchal (Banif), para níveis também designados no meio financeiro como “lixo”.

 

 
<p>AA Caixa e o BES têm nota melhor que a do Estado</p>

AA Caixa e o BES têm nota melhor que a do Estado

 (Foto: Mafalda Melo/arquivo)

De acordo com a nota divulgada pela Moody’s no seu site, o BES e a CGD desceram três níveis, de Baa1 para Ba1, um nível acima do atribuído da dívida do país, enquanto o rating do BCP e do Banif desceram quatro níveis, de Baa1 para Ba2.

A Moody´s tinha descido na terça-feira a nota de dívida soberana portugueses em quatro níveis, de Baa1 para Ba2, mantendo a perspectiva negativa quanto à sua evolução, o que indica que se deverá seguir uma nova descida.

A agência explica que a descida hoje da nota destes quatro bancos se segue à descida da nota da dívida pública, como sucede habitualmente nestas situações, e mantém também perspectiva negativa sobre a sua evolução, indiciando mais descidas no futuro.

O facto de a CGD e o BES terem uma nota da dívida garantida pelo Estado superior à do país é explicada pela agência por dar aos bancos, nestes casos, a nota da República ou a sua nota individual, consoante a que seja mais elevada.

A nota da dívida de longo prazo atribuída pela Moody´s a estes bancos é mais elevada, mas também está em revisão para baixa.

Por sua vez, a agência norte-americana de rating Fitch cortou a classificação do crédito do Banco Popular Portugal de “A” para “A-” no longo prazo, avançando com uma perspectiva de evolução negativa, anunciou hoje a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários portuguesa.

Segundo a Fitch, o corte no Banco Popular Portugal é justificado pela revisão em baixa do rating da “casa-mãe”, em Espanha, e “a elevada probabilidade” de apoio desta em caso de necessidade da instituição que opera em Portugal

 

Por Paulo Miguel Madeira

in Público

 

 

Comentários a destacar:

 

 

Luis Nobre Lucas . 07.07.2011 10:28 Via Facebook

Fernando Nobre

"Portugal está a ser alvo de um ataque violentíssimo dos especuladores. É urgente a criação de uma agência de rating europeia" - Fernando Nobre, 30/04/2010

 

A. , Seixal. 07.07.2011 10:44

Novidade??? Para quem?

O que é estranho é ver tanta gente do nosso meio político a fingir surpresa. Toda a esquerda alternativa já tinha previsto, descrito, informado e prevenido sobre as verdadeiras intenções das agências de rating. Já meio mundo sabe o modo como elas funcionam, já o outro meio mundo sabe quais os interesses que fingem não defender. Ninguém os quis ouvir, votam à direita. Agora aguentem. Os nossos políticos estão surpreendidos ? Eu é que não estou surpreendido com os políticos que temos….

 

Jaime Mourão , Portugal. 07.07.2011 09:45

Situação Caricata!!!

Estamos perante uma situação caricata, ou seja, o aluno que fez bem o seu exame da quarta classe e que apresenta boas notas, o seu professor ao avaliá-lo vai ter em conta o futuro e vai-lhe dar nota negativa com o argumento de que realmente tiveste boa nota mas eu prevejo que no futuro tu não vais conseguir passar o 12° ano, logo é melhor dar-te já uma nota negativa! É isto que as agências de ranting estão a fazer com Portugal e agora com a banca portuguesa. Portugal apresentou um plano de recuperação largamente superior ao exigido pela Europa pelo FMI, este mesmo plano é aceite por estas entidades, todo o país apoia este plano, não existem manifestações na sociedade como existem na Grécia, todas as instituições politicas europeias salutaram o plano reactivo de Portugal e agora as ...

 

joaquim horácio serra leitao , coimbra. 07.07.2011 10:21

pois

porque é que o público e a c. social em geral não diz o que são, quem são essas agências ratazanas"? e onsw têma sua sede, quem são os sesu proprietários, sim porque têm donos e nãop o sidentificam? e se têm ligações á alta finança e quais são? e os governos porque não se opôem a elas? afinal onde está a democracia? como se entende que umas agências é que decidam sobre os empréstimos, a situação de um país? onde vão buscar os elementos? piois é não interessa não é? curioso que só de há pouco se começou a falar das tais " agencias" ou serão antes mafias de miseráv eis agitas especuladores da alta finança cujo fim pode um dia vir a ser a forca.?eu por mim, embora não concordasse, não não me opunha.

 

 

publicado por portuga-coruche às 07:05
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Quem manda nas Agências de Rating?

A Capital Group É Accionista da Standard & Poors e Moodys e tem participações em 36 países

 

É accionista de referência da S&P e da Moody’s e tem participações de relevo em 36 países.

É considerada a entidade mais poderosa do mundo a actuar nos mercados financeiros e talvez seja uma das mais discretas. A Capital Group é, através de uma das suas empresas, a Capital World Investors, a maior accionista da entidade que detém a agência de ‘rating' Standard & Poor's e tem uma participação de mais de 10% na Moody's. Além disto, através de fundos de investimento, a Capital World Investors detém ainda milhões em dívida soberana, onde se incluíam no final de 2010, pelo menos, 370 milhões de euros em dívida da Irlanda, Portugal, Espanha e Grécia. Este valor pode ser superior, já que diz respeito apenas a dois fundos direccionados para o retalho de uma das cinco entidades do Capital Group.

A reputação do Capital Group é de discrição quase absoluta. Raramente aparece na imprensa e nem sequer faz publicidade aos seus produtos e serviços. Uma das poucas vezes que a entidade financeira deu que falar aos jornalistas foi quando um dos seus analistas criticou, em 2003, o presidente da Time Warner. Meses depois, este foi demitido. O mesmo analista do Capital Group voltou ao ataque, criticando em 2008 o presidente-executivo da Yahoo por este ter rejeitado uma OPA lançada pela Microsoft. O guião repetiu-se e, meses depois, o homem forte da tecnológica foi forçado a sair do comando.

 

in Blog Revolta Total Global

 

Notícia parcial do Jornal Económico, leia em baixo o artigo completo. O Jornal Económico já é uma jornal de referência, leia a notícia em baixo e depois dê uma vista de olhos pelo jornal (link no fim da notícia) vale a pena e irá permitir que continuem a fornecer gratuitamente conteúdos de qualidade.

 

Dívida

Quem manda nas agências de 'rating'?

 

Capital Group é accionista de referência da Standard & Poor's.
Capital Group é accionista de referência da Standard & Poor's.

É accionista de referência da S&P e da Moody’s e tem participações de relevo em 36 países.

 

É considerada a entidade mais poderosa do mundo a actuar nos mercados financeiros e talvez seja uma das mais discretas. A Capital Group é, através de uma das suas empresas, a Capital World Investors, a maior accionista da entidade que detém a agência de ‘rating' Standard & Poor's e tem uma participação de mais de 10% na Moody's. Além disto, através de fundos de investimento, a Capital World Investors detém ainda milhões em dívida soberana, onde se incluíam no final de 2010, pelo menos, 370 milhões de euros em dívida da Irlanda, Portugal, Espanha e Grécia. Este valor pode ser superior, já que diz respeito apenas a dois fundos direccionados para o retalho de uma das cinco entidades do Capital Group.

A reputação do Capital Group é de discrição quase absoluta. Raramente aparece na imprensa e nem sequer faz publicidade aos seus produtos e serviços. Uma das poucas vezes que a entidade financeira deu que falar aos jornalistas foi quando um dos seus analistas criticou, em 2003, o presidente da Time Warner. Meses depois, este foi demitido. O mesmo analista do Capital Group voltou ao ataque, criticando em 2008 o presidente-executivo da Yahoo por este ter rejeitado uma OPA lançada pela Microsoft. O guião repetiu-se e, meses depois, o homem forte da tecnológica foi forçado a sair do comando.

A Bloomberg refere que a Capital Group opera com "luva de veludo" no controlo e influência das empresas onde está investida. Já o britânico "Independent" refere que a instituição "é quase patologicamente receosa dos media". Mas a sua influência é inversamente proporcional ao seu ‘modus operandi' recatado.

Um estudo publicado no ano passado por dois investigadores do Swiss Federal Institute of Technology concluiu que o Capital Group era a instituição financeira com maior poder nos mercados globais. A investigação incluiu 48 mercados, concluindo que o grupo é "uma accionista proeminente do controlo simultaneamente em vários países", concluem Glattfelder e Battiston. O ‘ranking' feito pelos investigadores pode ser encarado como "uma medida de controlo e de poder potencial (nomeadamente, a probabilidade de determinada entidade conseguir atingir os seus próprios interesses em oposição a outros actores). Dadas estas premissas, não podemos excluir que os maiores accionistas com vasto poder potencial global não exerçam esse poder".

Capital Group tem mais de 10% da Portugal Telecom

O montante canalizado para dívida nacional por dois dos veículos geridos pela Capital World Investors, o American Capital World Bond Fund e o American Funds Insurance - Global Bond Fund, ficava-se pelos 19,5 milhões de euros no final de 2010, aplicados em Obrigações do Tesouro que vencem em 2020, segundo a Bloomberg.

No entanto, os investimentos do Capital Group em Portugal não se ficam pela dívida. Uma outra empresa pertencente ao universo da sociedade de investimento mais influente do mundo, a Capital Research & Management, detém 10,09% da Portugal Telecom, posição avaliada em perto de 600 milhões de euros aos preços actuais da operadora liderada por Zeinal Bava transacciona em bolsa. É mesmo o maior accionista da operadora portuguesa.

Os fundos geridos pela Capital Research & Management construíram uma participação qualificada na PT, isto é, acima de 2%, a 12 de Agosto, já depois da empresa nacional ter decidido vender a posição que detinha na brasileira Vivo à Telefónica. No final desse mês, a Capital Research reforçou a posição 5,07% e a última posição conhecida era de 10,09%, podendo ser superior sem que tenha de ser comunicada.

Poder de fogo do Capital Group é igual ao do mega-fundo da UE

Em Maio, a União Europeia, em conjunto com o FMI, tentou impressionar o mercado, com a criação do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira com um poder de fogo de 750 mil milhões de euros. Mas o arsenal financeiro do Capital Group não fica atrás do valor astronómico colocado à disposição por Bruxelas. As estimativas apontam que a sociedade financeira sediada na Califórnia tenha activos sob gestão superiores a um bilião de dólares (mais de 743 mil milhões de euros). O número é quase cinco vezes superior à riqueza produzida anualmente em Portugal.

 

Por Rui Barroso

in Económico

 

Comentário que achei interessante:

 

Esta MOODY'S e o especulador financeiro internacional WARREN BUFFETT estão ligados, nos seus interesses mutuos, por uma correia de transmissão, a gigante BERKSHIRE HATHAWAY, cujo accionista principal é precisamente WARREN BUFFETT , | 07/07/11 09:02

A questão do que se passa em volta e no interior das Agencias de Rating é, não só muito profunda, mas de contornos que não deixam quaisquer dúvidas, quanto a que AS AGENCIAS DE RATING NÃO SÃO ISENTAS, de todo !

Olhemos, por agora, apenas para o caso da MOODY'S.

Esta Agencia de Rating tem como accionista maioritário quem ?

A gigante BERKSHIRE HATHAWAY.

Por sua vez, quem é o principal accionista desta empresa ?

O maior senão, um dos maiores especuladores mundiais, WARREN BUFFETT.

Como se processa a ligação de interesses entre WARREN BUFFETT ( através da BERKSHIRE HATHAWAY ) e a MOODY'S ?

A MOODY'S começa por baixar de um modo drástico - EMBORA SEM QUALQUER CRITERIO RACIONAL E OBJECTIVO - o rating de um Pais fragilizado económica e financeiramente.

O Pais vai ao mercado exterior vender divida soberana, de "corda na garganta" e extremamente condicionado pelo Rating muito baixo que lhe foi atribuido pela Agencia de Rating e os juros que terá de pagar sobem exponencialmente, sendo que nao tem alternativa nem escolha e terámesmo de aceitar essas condições muito onerosas de juros altíssimos.

No dito leilão da divida estarápresente um representante de WARREN BUFFETT, especulador a quem não falta liquidez financeira, que conseguira fazer um negocio extremamente chorudo, tendo tido como comparsa a dita MOODY'S.

Tão simples como isto.
Funciona e de que maneira !

Tudo se passa de um modo em que a sabujice e a palavra de ordem, tendo como base a actuaçãoo e a nula isenção daquela Agencia de Rating.

Não obstante, este cavalheiro WARREN BUFFETT e descrito na sua biografia do Wikipedia como um "FILANTROPO", palavra de origem grega que, à letra, significa "amante do Homem, da Humanidade".

Ele poderá gostar, sim, mas da sua fortuna cada vez maior, sendo que não recua a lançar mão aos métodos mais vis, mais rasteiros, mais abjectos e mais sórdidos para o conseguir !

Por tudo isso, este WARREN BUFFETT mais não édo que um GANGSTER financeiro e esta MOODY'S um elemento do GANG que se presta ao jogo, visto que também "come".

Que credibilidade pode, pois, ter esta AGENCIA MOODY'S nas suas decisões sobre os Estados soberanos e as grandes empresas que avalia ?

Nenhuma, obviamente !

 

 

 

 

publicado por portuga-coruche às 07:00
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Quarta-feira, 6 de Julho de 2011

A revolução está a começar na Europa

 
Isto é um despertar!
As elites monetárias e os políticos corruptos já não conseguem esconder os seus propósitos.
Não vamos deixar que nos escravizem.....
 
 

 

publicado por portuga-coruche às 07:00
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Terça-feira, 28 de Junho de 2011

Petição contra o "assalto" a Portugal

Petição A Relevância das Agências de Rating e o Risco de Abuso de Posição Dominante

 

Para:Poderes Públicos e Media

 

Apresentamos o texto da denúncia facultativa contra três agências de rating, entregue na Procuradoria-Geral da República.

Se concorda pode tornar-se signatário a partir deste momento.

DENÚNCIA FACULTATIVA


1. INTRODUÇÃO

A complexidade do sector em que se insere a actividade das Denunciadas, assim como a dimensão das consequências dela emergentes, requerem explicações prévias à exposição dos factos que indiciam comportamentos presumivelmente criminais e que são objecto da presente denúncia.
Estamos hoje confrontados com uma crise económica e financeira global, que afecta com particular incidência alguns países e os seus povos. Designadamente a Grécia, Irlanda, Espanha e Portugal têm sido submetidos a planos de austeridade no contexto da crise financeira e que importam custos sociais da perda ou redução de direitos fundamentais como o do trabalho, da habitação e até de recursos para a própria sobrevivência.
Ora, o desencadear destas crises decorre de uma responsabilidade concreta, imputável a pessoas e instituições determinadas, nomeadamente aquelas que têm contribuído e beneficiado com os excessos do mercado financeiro.
E, se há que admitir que há graus distintos de gravidade na actuação dos prevaricadores, é inaceitável que continue a prolongar-se a impunidade existente até aqui.
Neste momento, as três mais importantes agências de notação financeira, precisamente as aqui denunciadas, noticiam e divulgam, diariamente, classificações de rating que, com manifesto exagero e sem bases rigorosamente objectivas, penalizam os interesses portugueses, originando uma subida constante, dos juros da dívida soberana.
Esta situação já provocou reacções como a do Presidente da República de Portugal que, como foi amplamente noticiado no dia 1 de Abril último, se manifestou publicamente contra a classificação anunciada para Portugal, e declarou que a situação portuguesa não a justificava de maneira nenhuma, considerando-a um “exagero muito grande”.

1.1. A relevância das agências de notação e o perigo de abuso de posição dominante

As agências de notação financeira são entidades que avaliam os riscos financeiros, classificando os instrumentos financeiros de países, empresas ou bancos, atribuindo notações (rating) que indiciam, nomeadamente, o grau de risco de que os classificados não paguem atempadamente as suas dívidas. Para tal, classificam o rating que lhes atribuem, recorrendo ao uso de uma escala formada por letras, números e símbolos matemáticos, recorrendo à identificação de certos factores de risco, com o fim de fazer uma previsão sobre a sua capacidade de pagamento pontual, operando a solicitação de Estados ou empresas por quem são remunerados, devendo, em teoria e por obrigação, operar com inteira independência.
Quanto maior for o risco inerente a uma emissão de dívida, maior será o retorno exigido pelos investidores, ou seja, maiores serão os juros por eles impostos. Compreende-se assim a grande importância que revestem as classificações feitas por estas agências: elas servem de referência aos investidores, emissores e administradores públicos para as suas decisões de investimento e financiamento.
Sendo este o papel que reconhecidamente tem sido atribuído no mercado a estas agências, não pode permitir-se que ajam por forma a alterar o preço dos juros, direccionando o mercado para situações em que elas próprias ou os seus clientes tenham interesse e retirem benefícios.
Para mais, as três agências de notação financeira aqui denunciadas contam com 90% de participação no mercado das classificações creditícias, e o FMI reconhece-as como sendo as que maior influência têm a nível global. Por isso mesmo, o FMI tem alertado, como por exemplo na sua informação de 2010 sobre a “Estabilidade Financeira Mundial”, que “estas agências usam e abusam do poder que têm” e “ necessitam de uma supervisão mais estreita porque as suas actividades têm um impacto significativo nos custos de endividamento dos países, podendo afectar a sua estabilidade financeira”. Concluindo, considera o FMI que as decisões das agências podem alterar a estabilidade financeira dos mercados, alterando os preços do financiamento em termos que suscitam problemas jurídico-penais (em http://www.imf.org/external/pubs/ft/gfsr/2010/02/pdf/chap3.pdf).
A idêntica conclusão chegou a investigação realizada pelo Comittee on Homeland Security and Governmental Affairs do Senado dos Estados Unidos sobre o papel das agências de classificação de crédito centradas nas duas agências aqui denunciadas, Moody’s e Standard & Poor’s. (http://hsgac.senate.gov/public/_files/Finantial_Crisis/042310Exhibits.pdf). Precisamente pelos mesmos motivos, estão agora em curso, nos Estados Unidos da América, diversos processos penais, um no Tribunal Superior da Califórnia contra a MOODY’S e a FITCH, outro no Tribunal Distrital de Ohio contra a STANDARD & POOR’S e no Tribunal Superior de Connecticut contra as referidas três agências de notação financeira.
Em Espanha, o Observatório para o Cumprimento dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais apresentou recentemente uma querela criminal contra as mesmas agências, com o fundamento de terem lesado interesses do Estado Espanhol, por divulgarem classificações financeiras de risco baseadas em critérios errados, carecidos de objectividade e motivados por interesses próprios ou de clientes seus.

1.2. A protecção dos interesses da transparência nos mercados financeiros

A protecção dos interesses de transparência nos mercados financeiros obriga as agências de notação a deveres de informação e de responsabilidade. Ora, a actuação destas agências de notação financeira tem configurado violações ao dever de apresentação objectiva e imparcial de recomendações de investimento a que estão obrigadas.
Por isso mesmo, o Foro de Estabilidade Financeira (FSF), na sua informação publicada em 7 de Abril de 2008, registava as deficiências dos modelos e metodologias de classificação destas agências, a inadequada diligência na verificação da qualidade do conjunto de activos em que assentam os valores sobre que se emitiu uma classificação, a pouca transparência sobre os pressupostos, os critérios e as metodologias utilizadas para classificar, a difusão insuficiente sobre o significado e características do risco das classificações e ainda para a insuficiente atenção para o conflito de interesses subjacente ao processo de classificação.
É do conhecimento público, por exemplo, que uma empresa do Grupo Capital Group, a Capital World Investors, é a maior accionista da Standard & Poor’s, além de ter uma das maiores participações na Moody’s, de 11,02%, detendo agora um investimento significativo em títulos de dívidas soberanas dos quais, pelo menos, 370 milhões de euros em dívida da Irlanda, Portugal, Espanha e Grécia. Ou seja, um dos maiores accionistas de duas das três maiores agências de notação do mundo age e beneficia directamente do mercado cuja evolução é condicionada pelas suas próprias agências de notação, intervindo nomeadamente no mercado português.
Daí que haja um conflito de interesses na actividade destas agências de notação financeira, em particular quando baixam os ratings a estes países, fazendo aumentar os juros das suas dívidas.
Entende-se assim que tenham vindo a aumentar as críticas dirigidas às agências e que se questionem os métodos usados e o seu modelo de funcionamento.
Três exemplos, em casos que despoletaram a actual crise, evidenciam a pouca fiabilidade dos instrumentos usados para aferir das classificações que atribuem. A empresa financeira de Bernard Madoff, que se notabilizou pela dimensão da hecatombe financeira que provocou, tinha até então uma classificação das melhores, em AAA, concedida pela STANDARD & POOR’S. O banco Lehman Brothers obteve a classificação máxima até à sua falência. No caso da Enron, uma das maiores empresas mundiais de energia, as três agências apenas baixaram o respectivo rating quatro dias antes da sua falência.
O colapso dos mercados europeus, de que se ressentiu especialmente o sistema financeiro, foi muito influenciada pelas advertências lançadas pelas agências de rating que argumentaram que havia perigo de os riscos dos bancos gregos contagiarem as entidades financeiras de Portugal, Espanha, Itália, Irlanda e Reino Unido.
Acresce que a vertiginosa e constante subida dos juros, acentuada por este procedimento especulativo e em vantagem própria, tem direccionado o mercado para situações em que elas próprias têm interesse e de que retiram benefícios, como adiante se dirá. Contudo, essas agências têm-se abstido de fazer declarações de interesses que tornem claro e transparente o seu trabalho, como lhes cumpria e a que estavam obrigadas pelos requisitos impostos para a sua inscrição no Security Exchange Comittee (SEC).
Ocultando os interesses dos seus clientes, que as suportam financeiramente, e os seus próprios, estas agências de notação financeira ignoram as recomendações constantes da Directiva nº 2003/125/CE, que lhes são dirigidas para que adoptem políticas e procedimentos internos que revelem adequadamente os interesses e conflitos de interesses importantes relacionados com os instrumentos financeiros ou com os emitentes a que se referem as suas notações de risco.
Determina ainda a mesma Directiva que os Estados-Membros assegurem a existência de uma regulamentação adequada para garantir a divulgação de interesses e de conflitos de interesses.
Embora essas agências não pertençam à Comunidade Europeia, enquanto aqui exercem a sua actividade, não poderão eximir-se às suas regras no que respeita ao seu exercício em território comunitário
Para responder a este risco de manipulação, o Fiscal General do Estado Espanhol, Conde-Pompido, advogou, em Maio do ano passado, que fosse criada uma instituição para fiscalizar e combater a criminalidade económica derivada dos ataques especulativos contra a moeda europeia.
Ora, não existindo essa entidade, cabe aos tribunais nacionais de cada país lesado proceder contra os prevaricadores, tanto as pessoas colectivas como as pessoas concretas que actuam violando regras e normas existentes, à falta de outras mais adequadas à dimensão dos ataques e suas consequências altamente lesivas para os interesses dos países atingidos.
Assim como diversos estados dos EUA e a Espanha intervêm, através dos seus aparelhos judiciários, procurando punir os culpados dos crimes económicos que temos vindo a referir, as autoridades portuguesas também podem e devem recorrer aos meios de que dispõem para agir criminalmente a qualquer violação da lei.
Assim, consideramos que os Tribunais portugueses são competentes, por aplicação do artigo 21º do Código Processo Penal, para julgar este tipo de crimes cometidos simultaneamente em diversos lugares e difundidos ao mesmo tempo, por via de formas de comunicação global. É a estes tribunais que compete defender os interesses portugueses violados e punir os ofensores.

2. RELAÇÃO DOS FACTOS OBJECTO DA PARTICIPAÇÃO

I. MOODY’S. 5 DE MAIO 2010: ANUNCIA ALERTA PARA DESCIDA DO RATING DA DIVIDA

No dia 5 de Maio de 2010, Moody’s Investor Service colocou a divida Portuguesa classificada como Aa2 em review para um futuro corte no rating. Segundo a agência, em caso de corte, este poderia ser de dois níveis, a acontecer num horizonte temporal de três meses.
A Moody’s justifica a decisão com a debilidade das contas públicas portuguesas, que reflecte a incapacidade de sucessivos governos para limitar os défices orçamentais, e com o fraco crescimento da economia que, acrescenta, “está mais relacionado com a baixa produtividade do que com os elevados custos de financiamento per se” (nota de imprensa, Moody’s). Admite, no entanto, o objectivo reiterado pelo Governo de cumprir ou mesmo ultrapassar os critérios do défice constantes no Pacto de Estabilidade e Crescimento, que a divida governamental não é insustentável e que o perfil da divida portuguesa implica riscos modestos de financiamento.
Apesar de o outlook da Agência ser já negativo, o anúncio teve como consequência imediata o aumento dos juros e do risco da dívida soberana para níveis máximos. Os juros que os investidores internacionais passaram a exigir para adquirir obrigações portuguesas a 10 anos alcançou os 6.21%, e o spread face às bunds alemãs (a margem face às obrigações da Alemanha) atingiu os 329.7 pontos, o valor mais elevado desde que Portugal aderiu ao euro.
Também o preço dos Credit Default Swap (CDS), os seguros de cobertura do risco de incumprimento da divida portuguesa, subiram para máximos históricos, atingindo os 360.7 pontos base. Nas bolsas, o alerta da Moody’s contribuiu para o aumento da volatilidade. A Bolsa de Lisboa abriu negativa, mas depois do anúncio das perspectivas de crescimento para a zona euro passou para terreno positivo, tendo voltado a cair com o alerta da Moody’s e encerrou com perdas de 1.52% nesse dia.
A espiral de pânico em relação à divida portuguesa prolongou-se depois durante dias, em larga medida devido ao anuncio da Moody’s relativamente ao rating português e também a declarações semelhantes sobre o risco de contágio aos sistemas financeiros de outros países.
No dia 7 de Maio, dois dias depois do alerta, os juros das Obrigações Portuguesas estavam a negociar acima dos 6%, tendo atingido no dia anterior 6.127%, o máximo histórico desde 1997. O ‘spread’ da divida portuguesa face às obrigações alemãs também atingiu um novo máximo, ao superar a barreira dos 300 pontos base, colocando-se nos 343p.b, e o preço dos CDS subiu para um novo máximo de sempre, 443p.b.
O efeito do aumento dos juros da dívida soberana portuguesa no mercado secundário ainda se fez sentir no dia 12 de Maio, embora com menor intensidade, quando o IGCP colocou no mercado mil milhões de Obrigações do Tesouro a uma taxa média ponderada de 4.52%, a mais elevada de 2010.
O caso acima descrito é representativo das graves consequências de um simples aviso de uma Agência de Notação para as condições de financiamento e estabilidade dos mercados financeiros de uma economia.
É de reforçar o facto de este aviso ter sido justificado com base no enfraquecimento das contas públicas e das condições de crescimento do país. Este argumento torna-se pouco robusto na medida em que a própria agência de rating admite que as debilidades do país ao nível do crescimento não se devem ao estado das contas públicas, mas sim a dificuldades relacionadas com a produtividade. Relembre-se, no entanto, que os problemas estruturais da economia portuguesa, como a incapacidade de manter uma taxa de crescimento razoável ou a fraca competitividade externa, não surgiram em Maio de 2010 e lhe são anteriores e constantes.
O tempo do anúncio da Moody’s é também incompreensível se se tiver em consideração as declarações do Ministro das Finanças, em 30 de Abril de 2010, quando afirmava que “faremos tudo o que for preciso para cumprir os nossos objectivos [para o défice]” e anunciava a aceleração da execução do PEC para garantir o cumprimento das metas do défice. A própria agência admitiu este facto, ao afirmar na sua nota explicativa que considerava a divida portuguesa sustentável e o comprometimento do Governo credível.
O que se verificou, no entanto, foi a degradação das condições de financiamento do país, exclusivamente por via do anúncio e não com base em indicadores económicos relevantes, situação que se repetiu quando, em Julho de 2010, a agência Moody’s concretizou a descida do rating da divida portuguesa.

II. MOODY’S. 15 DE MARÇO 2011. REDUÇÃO DO RATING EM DOIS NÍVEIS, DE A1 PARA A3.

No dia 15 de Março de 2011, a Moody’s Investor Service cortou o rating das obrigações portuguesas de longo prazo de A1 para A3 e atribuiu um Outlook negativo. Os motivos que justificam a decisão da agência prenderam-se, mais uma vez, com as perspectivas de crescimento e fraca produtividade do país, com a potencial dificuldade por parte do governo de cumprir as metas do défice e ainda com as “condições de mercado” que conduziram ao aumento dos custos de financiamento do Estado.
O anúncio da Moody’s surgiu na noite anterior ao regresso de Portugal aos mercados financeiros para emitir mil milhões de euros de Bilhetes do Tesouro com a maturidade de 12 meses. Após o corte, os juros exigidos no mercado secundário pelas obrigações a 5 anos subiram para os 7.762% (face aos 7.731 na sessão anterior) e os juros das obrigações a 10 anos avançaram para os 7.546% (face aos 7.411% anteriores). A cotação dos CDS, os seguros dobre a divida portuguesa, avançou também para os 508 pontos base.
Também o leilão de divida ocorrido no dia 16 foi penalizado pelo anúncio. Apesar de ter colocado os 1000 milhões previstos, os juros sobre as obrigações avançaram para os 4.3% (face aos 4% anteriores), e a procura diminuiu em relação à emissão anterior.
O corte de rating a Portugal foi ainda responsável pela inversão da tendência positiva do câmbio da moeda única europeia, que recuava 0.53% para 1.3924 dólares no dia 16 de Março.
A decisão da Moody’s surge na sequência imediata das declarações do Ministro das Finanças, no dia 12 de Março, em que admitia “reforçar as medidas de contenção da despesa que estão a ser implementadas em 2001, no sentido de nos proporcionar uma margem de segurança adicional” e da garantia do Primeiro-ministro à chanceler Alemã “que os primeiros dados da execução orçamental apontavam para um resultado da consolidação deste ano melhor do que os 4,6% previstos” (Público, 12-03-2011).
Perante a recuperação dos valores do défice face a 2009 e a manutenção, por parte do Governo, das metas do défice, que apontam para 2% em 2013, a justificação apresentada para o corte parece perder alguma razoabilidade.
Relativamente ao primeiro argumento apresentado, que referia o fraco crescimento económico, recorde-se, tal como já acima referido, que as condições estruturais que determinam a produtividade e competitividade da economia portuguesa não sofreram uma alteração substancial entre 13 de Julho de 2010, data do anterior downgrading da Moody’s, e 15 de Março de 2011. Não é possível deixar de referir que a possibilidade de recessão, admitida pelo Governo em Março de 2011 e referida também pela agência, é consequência das medidas de austeridade recomendadas pela própria agência Moody’s e outras nos seus vários comunicados sobre a situação económica do país.
Finalmente, no que diz respeito ao terceiro argumento apresentado para o corte, referente à deterioração das condições de financiamento dos mercados, importa frisar que estas não são independentes das acções das agências de rating, pelo contrário. Tal como já aqui foi provado, recorrendo a factos concretos sobre o preço das obrigações soberanas, a escalada dos custos de financiamento do Estado português deve-se, em larga medida, aos alertas e comunicados das agências, que lançam um sentimento de pânico e desconfiança nos mercados financeiros. A utilização deste mesmo argumento para cortes do rating revela uma clara lógica em espiral, em que menores rating conduzem a juros mais elevados, que por sua vez justificam novos cortes do rating.

III. STANDARD & POOR’S E FITCH. 24 MARÇO 2011. REDUÇÃO DO RATING DE A- PARA BBB, E DE A+ PARA A-.

No dia 24 de Março de 2011, a Standard & Poor’s e a Fitch reduziram o rating da divida soberana portuguesa de A- para BBB e de A+ para A-, respectivamente.
A justificação da decisão tomada prende-se, segundo as próprias agências, com a incerteza política que se verificava no país, na sequência da não aprovação do ultimo pacote de austeridade e resignação do Primeiro-Ministro.
O analista de crédito da Standard & Poor’s Eileen Zhang chegou mesmo a referir, relativamente à possibilidade de novas eleições em Portugal, que esperam “que o governo sucessor não tenha escolha a não ser a de adoptar uma versão destas propostas de reforma [PEC], dado o interesse aparentemente reduzido dos investidores pela divida portuguesa (…)”.
Na sequência do corte, os juros das obrigações a 10 anos atingiram um novo máximo histórico nos 7.858 %, em comparação com a taxa dos títulos de divida alemã para o mesmo prazo de 3.249%.
Os juros exigidos no mercado secundário pelas obrigações soberanas portuguesas de curto prazo superaram aqueles exigidos pelas obrigações de longo prazo, o que reflecte o receio dos mercados de que o país possa entrar em default. Desta forma, o preço das obrigações a 5 anos ultrapassou os 8% no dia 25 de Março, ficando nesse momento o juro das obrigações a 3 anos também acima dos 7%. O risco de crédito das Obrigações do Tesouro a 5 anos, aferido pelos CDS atingiu o custo mais elevado de sempre, nos 460.355 pontos base.
A decisão de cortar o rating da divida portuguesa não esteve desta vez directamente relacionada com a necessidade de consolidação das contas públicas, uma vez que as previsões apresentadas mostram uma clara diminuição dos valores do défice em 2011, mas com a situação politica do país.
Desta forma, o corte anunciado representa não apenas uma sanção pela realização de novas eleições como também um “aviso”, bem expresso pelo analista da S&P acima citado, para que Portugal mantenha as orientações de austeridade até aqui apresentadas.
Facilmente se compreende que tal atitude, com graves consequências ao nível da solvabilidade financeira do país, desrespeita os princípios mais básicos de soberania e democracia. Como é amplamente reconhecido, as agências de rating são empresas privadas, com interesses próprios, que não são sujeitas a qualquer tipo de sufrágio ou controlo, não sendo por isso legítima a imposição de modelos de austeridade ou as pressões para um determinado contexto político.
De referir ainda a incoerência verificada entre a decisão tomada pela Fitch a 24 de Março e o seu anúncio, a 22 de Março em como não iria proceder a uma alteração do rating devido à crise politica em Portugal.

IV. FITCH. 1 DE ABRIL DE 2011. CORTE DO RATING EM 2 NÍVEIS, DE A- PARA BBB-

No dia 1 de Abril de 2011, a Fitch cortou o rating da divida soberana portuguesa em três níveis, de A- para BBB-, e manteve as perspectivas negativas para o rating da dívida, o que significa que admite um novo corte no curto prazo. Esta decisão foi classificada pelo Presidente da República como “um exagero muito grande”.
Segundo a agência Fitch, o corte no rating deve-se, em primeiro lugar, à demora em pedir ajuda externa, agravada pela marcação de eleições antecipadas. Ainda segundo a Fitch, a intervenção externa seria a única forma de enfrentar a escalada insustentável dos juros da divida. Em segundo lugar, o corte deve-se aos novos valores avançados para o défice e divida pública, que antecipam uma derrapagem na consolidação esperada.
Na sequência da decisão da Fitch, agravaram-se as condições de financiamento nos mercados, que já se encontrava numa espiral de pânico causada pelo corte da agência Standard & Poor’s. O juro das obrigações a 5 anos aumentou 6 pontos base para 9,68%, o valor mais elevado desde a entrada de Portugal no euro. Os juros das obrigações do Tesouro a 10 anos avançavam também para os 8.47%, tendo fixado um máximo de sempre nos 8.49%.
Para além de colocar os juros da dívida portuguesa em níveis absolutamente incomportáveis, a queda dos ratings da República dificulta em larga medida o acesso dos bancos privados aos empréstimos do BCE, uma vez que ameaça a utilização dos títulos da dívida nacional como garantia no acesso aos empréstimos do Banco Central Europeu.
Uma vez mais, os argumentos utilizados para as decisões de rating prendem-se com questões de ordem política, já acima comentadas, e também com a dificuldade de acesso ao financiamento e de consolidação das contas públicas.
Recorde-se, uma vez mais, que o aumento dos custos do financiamento do Estado português não é independente das notações de rating, muito pelo contrário. A relação circular criada entre a avaliação por parte das agências de rating e os seus efeitos nos juros exigidos pelo mercado tem sido uma das principais responsáveis pelo aumento dos custos de financiamento, que por sua vez têm um impacto ao nível do aumento da dívida pública. É hoje claro, e foi já admitido por vários responsáveis políticos e analistas, que um dos principais problemas da economia portuguesa no curto e médio prazo, mais que as debilidades estruturais, encontra-se precisamente no serviço futuro de divida pública, muito elevado pela escalada dos juros.
Os casos acima apresentados representam um número seleccionado de exemplos concretos dos impactos das decisões, frequentemente injustificadas, das agências de rating nas condições económicas e financeiras do país.
Os factos permitem comprovar que a evolução destes rating, bem como o seu momento de apresentação, não acompanha de forma alguma a realidade das contas públicas e da economia portuguesa. A título de exemplo refira-se ainda a decisão da Standard & Poor’s de reduzir o rating de Portugal em quatro níveis em apenas vinte dias, sem que isso correspondesse de forma alguma a transformações nas previsões da evolução do défice ou das previsões de crescimento económico.


3. FUNDAMENTOS JURÍDICOS

No sistema penal português, o crime de manipulação do mercado vem previsto e punido no nº 1 do artigo 379º do Decreto-Lei nº 486/99, na versão alterada pela Lei nº 28/ 2009.
Dispõe aquela norma que
“Quem divulgue informações falsas, incompletas, exageradas ou tendenciosas, realize operações de natureza fictícia ou execute outras práticas fraudulentas que sejam idóneas para alterar o regular funcionamentos do mercado de valores mobiliários ou de outros instrumentos financeiros é punido com pena de prisão até 5 anos ou com pena de multa”.
Segundo o nº 2 do mesmo artigo,
“Consideram-se idóneos para alterar artificialmente o regular funcionamento do mercado, nomeadamente, os actos que sejam susceptíveis de modificar as condições de formação dos preços, as condições normais da oferta ou da procura de valores mobiliários ou de outros instrumentos financeiros ou as condições normais de lançamento e de aceitação de uma oferta pública”.

O crime de manipulação do mercado tem como pressupostos a divulgação de informações falsas ou inexactas que conduzam ao engano e tem por objectivo alterar artificialmente o regular financiamento dos mercados. Trata-se de um crime material de resultado, praticado com o fim de obter um benefício ou causa um dano a terceiro.
Na actividade das agências denunciadas encontramos indiciariamente todos estes requisitos.

4. DILIGÊNCIAS COM INTERESSE

Justifica-se, assim, a abertura dum inquérito para descobrir e recolher provas, que, além do mais que doutamente for considerado relevante, se sugerem para apurar:
a) a prática dos actos abusivos que são imputados às Denunciadas;
b) a existência de graves prejuízos produzidos nos interesses do Estado e do povo Português;
c) a identificação dos quadros directivos das ditas agências e os autores dos actos objecto desta denúncia, além das pessoas já indicadas;
d) se os benefícios obtidos pelas agências denunciadas e seus clientes foram de notória importância;
e) quais os contratos celebrados a partir de 1 de Janeiro de 2010 com as entidades participantes no mercado da dívida pública portuguesa;
f) todas as comunicações internas respeitantes às classificações referentes a Portugal, a partir de 1 de Janeiro de 2010.

Lisboa, 7 de Abril de 2011.


Os signatários

 

in Petição Pública  <------- Se queres assinar segue o link

 

Esta petição encontra-se alojada na internet no site Petição Publica que disponibiliza um serviço público gratuito para petições online.
Caso tenha alguma questão para o autor da Petição poderá enviar através desta página: Contactar Autor

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Quinta-feira, 2 de Junho de 2011

A lição islandesa

” (…) O segundo caso é mais recente e mais próximo de nós. É o caso da Islândia onde está a ocorrer uma revolução até há pouco silenciada pelos media europeus. Em 2009 faliram os principais bancos privados islandeses, todos altamente envolvidos na especulação financeira. Como o Estado não assumiu a dívida, os países dos principais credores, Inglaterra e Holanda, pagaram um montante de 3.9 mil milhões de euros aos credores e pediram reembolso à Islândia. O parlamento, dominado por sociais -democratas, acedeu pagar mas o presidente vetou a lei. Entretanto, os cidadãos, inconformados com o sequestro da democracia e a pilhagem do país por parte do capital financeiro, tomaram a iniciativa de organizar um referendo. 93% dos cidadãos votaram contra o pagamento da dívida, ou seja, contra a transformação da dívida de bancos privados em dívida soberana (o que aconteceu entre nós com o escandaloso resgate do BPN). Exigiram também a convocação de uma Assembleia Constituinte para dar ao país uma nova Constituição provida de instrumentos que defendam os cidadãos do aventureirismo e da pilhagem financeira nacional e internacional O parlamento procurou retomar a iniciativa política, adoçando as condições de pagamento (os juros baixaram de 5.5% para 3% e o prazo de pagamento passou de 8 para 30 anos) mas os cidadãos resolveram voltar a organizar novo referendo. Para forçar os islandeses a desistir da recusa em pagar a dívida dos bancos privados, as agências de rating usaram contra eles as mesmas técnicas de terror que têm usado contra os portugueses. Em 9 de Abril voltaram a recusar o pagamento por uma maioria de 60%. Graças à vontade organizada dos islandeses e a uma sábia articulação entre vias institucionais e vias extra-institucionais, a lógica de ferro do capital financeiro – a sua capacidade de impor soluções e as transformar em consensuais por serem supostamente únicas – foi abalada. Segue-se agora o longo caminho dos tribunais e das arbitragens internacionais, e, enquanto o pau vai e vem, folgam as costas dos islandeses.”

 

Boaventura de  Sousa Santos, Ensaio Contra a Autoflagelação.

 

por Bruno Sena Martins

 

Retirado do Arrastão.

 

Os Islandeses são realmente um grande povo! Em contraste, os portugueses vão novamente ou eleger o Passos ou o Socrates.O que é o mesmo que dizer: Vão entregar novamente o poder às máquinas partidárias e clientelas que levaram o país ao abismo em que estamos. Que depois de "secar" o país tem a lata de dizer que não somos produtivos e que temos de fazer ainda mais sacrifícios para pagar a dívida que eles fizerem com os seus "boys".

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Segunda-feira, 9 de Maio de 2011

DCIAP vai investigar três agências de rating

Após queixa de economistas portugueses

 

 
A Standard & Poor's é uma das agências rating que vai ser investigada

O Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) decidiu abrir um inquérito contra três agências de rating internacionais, depois das queixas apresentadas por quatro economistas, confirmou esta segunda-feira à Lusa a Procuradoria-Geral da República (PGR).

 

No início de Abril, os economistas José Reis e José Manuel Pureza, da  Universidade de Coimbra, e Manuel Brandão e Maria Manuela Silva, do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), pediram a abertura de um inquérito contra as agências, alegando que estão a cometer crime de manipulação do mercado.  

O DCIAP analisou os argumentos expostos nas queixas e considerou haver  elementos suficientes para abrir um inquérito-crime às agências de rating  Moody's, Standard & Poor's e Fitch.   

A agência Lusa contactou o DCIAP que confirmou a "abertura do inquérito  instaurado com base na queixa de quatro economistas contra agências de rating, mas recusou dar mais pormenores sobre o mesmo, alegando segredo de justiça. 

Na altura da entrega da queixa na Procuradoria-Geral da República, José  Reis afirmou que as agências que "intervêm no mercado português dominam  mais de 90 por cento do mercado" internacional, pelo que "é preciso saber  se as leis da concorrência são respeitadas".  

Duas dessas agências têm inclusive um "mesmo fundo de investimento como  proprietário", advertiu o economista, e as decisões que tomam, que "influenciam as taxas de juro", têm um impacto significativo no endividamento dos países, "podendo afectar a sua estabilidade" financeira e económica.   

Os subscritores do documento querem que o inquérito apure a "prática dos actos abusivos que são imputados" às três agências, a "existência de graves prejuízos produzidos nos interesses do Estado e do povo português" e a "identificação dos quadros directivos das ditas agências e os autores dos actos" da denúncia.  

Os economistas querem também saber se os "benefícios obtidos pelas agências" e os seus clientes "foram de notória importância", para além de quererem ter acesso a "todas as comunicações internas das agências de notação respeitantes às classificações referentes a Portugal" desde o ano de 2010.

 

in Correio da Manhã

 

 

publicado por portuga-coruche às 08:00
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