Segunda-feira, 14 de Novembro de 2011

O Povo versus a Polícia

No pior incidente até agora registado, centenas de polícias, munidos de capacetes, máscaras e escudos, cercaram o acampamento Occupy Oakland e dispararam balas de borracha (que podem ser fatais), granadas flash, e latas de gás lacrimogéneo – com alguns agentes a apontar diretamente para os manifestantes. Na página do Twitter do movimento Occupy Oakland, pode ler-se um género de relatório feito na praça central do Cairo, Tahier Square: "eles estão a cercar-nos"; "centenas e centenas de polícias"; "há veículos blindados e Hummers". Houve 170 detenções.

A minha recente detenção, enquanto obedecia às condições de uma manifestação autorizada, calma e pacífica, numa das ruas da baixa de Manhattan, revelou a realidade desta repressão perto de casa. A América está a despertar para o que foi construído enquanto dormia: empresas privadas contrataram a polícia (JPMorgan Chase deu $4,6 milhões à Fundação New York City Police); o Departamento Federal de Segurança Interna deu pequenos sistemas de armas de nível militar às polícias municipais; os direitos dos cidadãos à liberdade de expressão e à reunião foram sorrateiramente enfraquecidos por requisitos de autorização muito pouco transparentes.

De repente, a América assemelha-se ao resto do mundo furioso, que protesta e que não é totalmente livre. Na verdade, a maioria dos comentadores ainda não se apercebeu que está a ocorrer uma guerra mundial. Mas não é comparável a nenhuma outra guerra passada na história da humanidade: pela primeira vez, os povos de todo o mundo não se identificam ou organizam por motivos nacionais ou religiosos, mas sim por uma consciência global e pela procura de uma vida pacífica, um futuro sustentável, uma justiça económica, e uma democracia de base. O seu inimigo é uma "corporocracia" global que comprou governos e legislaturas, criou os seus próprios agentes armados, está envolvida numa sistémica fraude económica, e espolia tesouros e ecossistemas.

Em todo o mundo, manifestantes pacíficos estão a ser demonizados por estarem a perturbar. Mas a democracia é perturbadora. Martin Luther King, Jr., argumentou que a perturbação pacífica do "como se nada fosse" é saudável, porque expõe a injustiça enterrada, que pode assim ser resolvida. Os manifestantes devem, preferencialmente, dedicar-se à perturbação disciplinada e sem violência neste espírito - sobretudo na perturbação do trânsito. Isto serve para evitar os provocadores, ao mesmo tempo que se destaca a injusta militarização da resposta policial.

Além do mais, os movimentos de protesto não têm sucesso em horas ou dias; eles normalmente envolvem permanência ou "ocupação" em áreas, durante longas jornadas. Essa é uma razão pela qual os manifestantes devem angariar o seu próprio dinheiro e contratar os seus próprios advogados. A "corporocracia" está aterrorizada com a possibilidade de os cidadãos virem a reclamar o Estado de direito. Em cada país, os manifestantes devem colocar em campo um exército de advogados.

Os manifestantes devem também encarregar-se pessoalmente da cobertura das suas notícias, ao invés de recorrerem aos principais meios de comunicação para o fazer. Eles devem escrever em blogues, twittar, escrever editoriais e comunicados de imprensa, assim como também documentar casos de abuso de autoridade policial (e os abusadores).

Há, infelizmente, muitos casos documentados sobre demonstrações violentas de provocadores infiltrados em lugares como Toronto, Pittsburgh, Londres, e Atenas – pessoas que são, como um Grego me de descreveu, "desconhecidos conhecidos". Os provocadores, também, precisam de ser fotografados e registados, daí ser tão importante não tapar o rosto enquanto se manifesta.

Os manifestantes, em regimes democráticos, devem criar localmente listas de endereços eletrónicos, fundir as listas a nível nacional, e começar a registar os eleitores. Devem comunicar aos seus representantes o número de eleitores que registaram em cada distrito – e devem destituir os políticos que são brutos ou repressivos. E devem apoiar aqueles – como, por exemplo, na Albânia e em Nova Iorque, onde a polícia e o procurador local recusaram reprimir os manifestantes – que respeitam os direitos à liberdade de expressão e à reunião.Muitos manifestantes insistem em permanecer sem um líder, o que é um erro. Um líder não tem que se sentar no topo de uma hierarquia: um líder pode ser um simples representante. Os manifestantes devem eleger representantes por um período finito, como em qualquer democracia, e formá-los para saberem falar com a imprensa e para negociarem com os políticos.

Os protestos devem modelizar o tipo de sociedade civil que os manifestantes pretendem criar. Na zona baixa do parque Manhattan Zuccotti Park, por exemplo, há uma biblioteca e uma cozinha; a comida é doada; as crianças são convidadas a dormir; e organizam-se conferências. Os músicos devem trazer instrumentos, e o ambiente deve ser alegre e positivo. Os manifestantes devem limpar a área onde decorreu o protesto. A ideia é construir uma nova cidade dentro da cidade corrupta, e demonstrar que a nova cidade reflete a maioria da sociedade, e não a pequena franja destrutiva e marginal.

Afinal de contas, o que é mais profundo nestes movimentos não são as suas demandas, mas sim a infra-estrutura emergente de uma humanidade comum. Durante décadas, os cidadãos foram induzidos a manterem-se cabisbaixos – fosse num mundo consumista de fantasia, ou com pobreza e trabalhos forçados – e a entregarem a liderança às elites. O protesto é transformador exatamente porque as pessoas emergem, encontram-se cara a cara, e, reaprendem os hábitos de liberdade, constroem novas instituições, relacionamentos, e organizações.

Nada disto pode acontecer num ambiente de violência política e policial contra os manifestantes democráticos e pacíficos. Recordando a famosa pergunta feita por Bertolt Brecht, ao acompanhar as brutais repressões nos trabalhadores que protestavam em junho de 1953, "Não seria mais fácil...para o governo dissolver o povo e eleger outro?". Em toda a América, e em muitos outros países, supostos líderes democráticos parecem ter levado a pergunta irónica de Brecht muito a sério.

 

 

Por Naomi Wolf (Activista política, crítica social e defensora destacada da “terceira via” no feminismo)

 

in Público

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Alguns comentários que considero interessantes:

 


Cidadão indignado c esta pseudo-democracia , Lisboa. 12.11.2011 12:02
Também cá há nas manifs polícias infiltrados (2)
Na assembleia popular de 15 Out. frente à assembleia da república apareceram 3 homens,um de cada vez,claramente a fingir-se de bêbados,bastante agressivos,a gritar e aos pontapés a caixotes do lixo,p a polícia em frente (c escudos e cacetetes) expulsar por excesso de ruído à noite os indignados q debatiam fazer acampada frente ao parlamento.Isso quebrou o ritmo das discussões e houve gente q foi embora c receio. Antes já a polícia havia empurrado à força os manifestantes pelas escadarias públicas frente ao parlamento a baixo.Sempre votei e acreditei no sistema democrático,mas isto é um simulacro de democracia onde polícia (a mando dos políticos q servem interesses financeiros internacionais mais importantes q os do seu povo) oprime protestos populares.


Cidadão desiludido , Lixboa. 12.11.2011 11:05
Também cá há nas manifs polícias infiltrados
para boicotarem os protestos. Acreditava q vivia numa democracia até dia 15 de Out. em q fui à noite ver a assembleia popular dos indignados frente à assembleia da república. Vários manifestantes q já tinham estado em acampada do Rossio diziam p ter cuidado c destabilizadores infiltrados da polícia. Achei um disparate na onda "teoria da conspiração". Mas q vi? Um homem não identificado (q inicialmente mostrou um falso press card da SIC e q depois afinal já dizia q não era jornalista) a filmar as caras de todas as pessoas que estavam naquela noite juntas na rua a debater alternativas políticas a este sistema e formas de protesto.

 

Vítor Vieira , Porto. 10.11.2011 09:13
Lá como cá
Como se vê, as preocupações em defesa da Democracia e contra o poder do grande capital são iguais dos dois lados do Atlântico. E as infiltrações policiais nas manifs também. Por isso, nas manifestações dos próximos tempos tratarei qualquer manifestamente que apareça encapuzado como se se tratasse de um agente provocador: detenho-o e entrego-o à polícia para identificação. Ou à ASAE, se estiver em mau estado ;)

publicado por portuga-coruche às 07:07
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Segunda-feira, 7 de Novembro de 2011

Michael Moore apoiando os protestos do Occupy Wall Street

 
 
Relatos dos manifestantes do Occupy Wall Street, e entrevista com o cineasta Michael Moore.

'CC' para legendas em português.

 

 

publicado por portuga-coruche às 07:05
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Terça-feira, 18 de Outubro de 2011

Militar americano revolta-se com acção da polícia

Movimento Occupy Wall Street

‘Indignados’: Militar americano revolta-se com acção da polícia (COM VÍDEO)

 
Querem lutar? Vão para o Iraque ou o Afeganistão!”, exclama furioso Shamar Thomas

Ainda no rescaldo do movimento Occupy Wall Street e das manifestações do passado domingo, um vídeo foi parar ao You Tube que está a dar que falar.

 

 

Nas imagens, o militar americano Shamar Thomas decidiu reagir à violência que a polícia exerceu sobre os ‘indgnados’: “Isto não é uma zona de guerra!”, grita o militar, sublinhando que os manifestantes estão desarmados.

“Querem lutar? Vão para o Iraque ou o Afeganistão!”, exclama furioso Shamar Thomas, que também serviu no Iraque.

 

 

in Correio da Manhã

 

 

 A polícia "carrega" sobre o povo que deveria proteger, sob ordens dos políticos eleitos pelo povo. Sou só eu ou está mesmo tudo ao contrário?!

 

 

 

Militar revolta-se e enfrenta 30 polícias

 

 

O movimento “Occupy Wall Street” teve um apoiante inesperado no protesto global de 15 de Outubro. Shomar Thomas estava numa rua de Nova Iorque quando viu a polícia bater em manifestantes, não gostou e puxou dos galões à frente de cerca de 30 agentes, gritando várias vezes: “Isto não é uma zona de guerra”. A cena ficou registada em vídeo e está a circular pela Internet nos últimos dias.


“Estas pessoas não estão armadas. Magoá-las não vos fará mais duros”, argumenta. “Se querem lutar, vão para o Iraque e para o Afeganistão. Deixam estas pessoas em paz. São cidadãos norte-americanos. Cidadãos norte-americanos! Cidadãos norte-americanos! Norte-americanos!”


“Parem de magoar estas pessoas. O que estão a fazer? Fui 14 meses para o Iraque pelo meu povo e vocês chegam aqui e magoam estas pessoas. Elas não têm armas. Elas não têm armas! Porque é que estão a magoá-las? Não faz sentido nenhum”, insurge-se. “Como é que dormem à noite? Não há honra nisto. Não há honra nisto!”


“É inacreditável que estejam a fazer isto às pessoas, que género de malucos magoam pessoas que não estão protegidas?” E acaba com mais uma pergunta antes de se afastar, desta vez lançada aos agentes vestidos com equipamento anti-motim: “Porque é que andam (equipados) como se fosse uma guerra? Ninguém tem armas”.

 


in Tá bonito

 

publicado por portuga-coruche às 07:30
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