Quarta-feira, 30 de Maio de 2012

Os Mercados, esses Malvados!

Certamente já ouviu falar nos Mercados. Recentemente, o Ministro das Finanças definiu Setembro de 2013 como a altura do regresso aos Mercados. Mas quem são então os Mercados? Onde estão? Para que servem? Como funcionam? 

 

A dívida pública é a base do sistema monetarista em que assenta o capitalismo. A FED (Reserva Federal Americana) e a sua política de reservas fraccionadas é a principal responsável pela  existência de dívida. Basicamente começou-se a criar dívida a partir do… nada! O que está subjacente à criação da FED é tema que daria “pano para mangas”. O anterior PM referiu as dívidas como eternas.

 

Segundo ele, estas não são para pagar mas sim para gerir. Isto é verdade dentro de certos limites até porque praticamente todos os países têm dívida pública, mesmo os mais ricos. A questão é que quando se ultrapassam esses limites (normalmente acima de 60% do PIB) essa gestão torna-se inviável. Entra-se numa situação em que só se consegue satisfazer o serviço da dívida contraindo ainda mais dívida.

 

E assim entra-se numa espiral que aniquila qualquer crescimento económico, induzindo recessão e consequentemente mais desemprego e miséria por largos e vários anos. O país contrai dívida para… empobrecer! Esta é a razão pela qual Portugal não conseguirá regressar aos Mercados em 2013. Estes, cientes dessa realidade, não acreditam que o país tenha crescimento económico suficiente para cumprir com as suas obrigações. O pior é que a dívida externa de Portugal não se resume só à parte pública. Se lhe somarmos a parte privada esta então é das maiores do Mundo. Não há economia que resista a isso até porque há limites para a própria austeridade. 

 

Então para que serve esta austeridade? Para que Portugal possa continuar a sua escalada de endividamento? A resposta é simples: Portugal na altura em que solicitou ajuda à Troika não dispunha de qualquer outra alternativa. Entretanto o que irá suceder nos próximos tempos será algo do género: Antes de Setembro de 2013 Portugal vai negociar um novo resgate senão entrará em incumprimento. Em paralelo ou quiçá um pouco mais tarde, à semelhança do que aconteceu na Grécia, terá de haver uma renegociação da dívida que passará por um perdão parcial desta na ordem dos 50% (o chamado “hair-cut” correspondente à dívida que poderá ser classificada de odiosa), por um alargamento dos prazos de pagamento e pela descida das taxas de juro da dívida remanescente. Só assim é que Portugal se tornará viável dentro do Euro. A vantagem é que com isto Portugal será “obrigado”, por muito que isso custe à classe política, a efectuar todas as reformas estruturais de que carece. Para o bem ou para o mal, Portugal terá de passar a viver apenas de acordo com as suas possibilidades porque dificilmente, tal como a Grécia, terá condições para voltar aos Mercados em condições vantajosas, especialmente nas obrigações a 10 anos.

 

Os Mercados são todas as entidades que negoceiam no sistema financeiro e no mercado de capitais, sejam estas Bancos, Fundos Soberanos ou de Investimento e até investidores particulares. Os juros da dívida pública de um país são tanto mais altos quanto o seu risco de incumprimento (default). Mas por vezes esse risco é de tal ordem elevado que nem a ganância dos Mercados está disposta a correr. Excepto em certas situações nas quais algumas dessas entidades que compõem os Mercados se sentem “protegidas”. Estas ao verem que são “imunes” ao risco, graças ao caso BPN, passaram a ser destemidas para não dizer irresponsáveis na sua gula pelo lucro fácil. Os famigerados e malvados Mercados no caso grego incluem a banca… portuguesa! Segundo os dados da imprensa económica, em termos de peso no PIB, o sistema financeiro português é recordista em exposição à dívida grega – sete mil milhões de euros ou 4,2% do PIB (em segundo lugar nesta escala está a França com 2,1% do PIB (Francês) com 40 mil milhões de euros). 

 

Já ouviu falar num esquema Ponzi mais conhecido por esquema em pirâmide? Um esquema Ponzi é uma operação fraudulenta de investimento que envolve o pagamento de altos rendimentos aos investidores à custa do dinheiro pago pelos investidores que chegarem posteriormente, em vez da receita gerada por qualquer negócio real. O nome do esquema refere-se ao criminoso financeiro italo-americano Charles Ponzi (ou Carlo Ponzi).

 

Mas o que é que isso tem a ver com a nossa situação? Bem, qualquer crise tem a sua origem. O facto de muitos países terem ultrapassado o seu limite razoável de endividamento não aconteceu por acaso. O que aconteceu? Numa palavra: subprime. Consiste no crédito hipotecário concedido em condições de risco muito elevado, maximizado, multiplicado por mil e uma bolhas de especulação. Começou nos Estados Unidos em 2003, levou a uma  espectacular subida do preço das casas e foi até 2006, viajando numa tão intensa velocidade de novas e tão complexas aplicações financeiras que só mesmo os grandes especialistas as entendiam - com os reguladores atrás, muito atrás dessa “inovação” financeira. Com essa expansão global, e o seu excesso, percebeu-se que tudo estava assente numa coisa que não existia: o dinheiro não existia; o hipotecado não tinha dinheiro para pagar a hipoteca. A partir daí a enorme “bolha” rebentou e gerou-se um efeito dominó sobre a depreciação do valor das casas. 

 

Mas como é que tudo isto é global? Como é possível que o gesto de permitir o acesso a habitação a quem, noutras condições, nunca poderia ter casa própria se pode transformar neste monstro total? Foi um brasileiro, autor anónimo, a encontrar a melhor das explicações, num exemplo prosaico de linguagem rasa, recta e real. A história chama-se "O Boteco do Seu Biu" e reza assim: 

 

"O Seu Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça fiada aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados. Porque decide vender fiado, pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o valor extra que os clientes pagam pelo crédito).

 

O gerente do banco do Seu Biu, um ousado administrador, decide que as cadernetas de  calotes do bar constituem, afinal, um activo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento, tendo o fiado dos bêbados sempre como garantia.

 

Uns seis executivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e transformam-nos em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrónimo financeiro que ninguém sabe exactamente o que quer dizer.

 

Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros), cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas de calotes dos clientes do Seu Biu). Esses  derivativos são negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.

 

Até que alguém descobre o inevitável: que a garrafa tem fundo e que os bêbados da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas.

 

A descoberta do vazio arrasta consigo os mercados de 73 países, a bolsa de mercados e futuros, todos os bancos, o ousado administrador e o pobre do Seu Biu, o primeiro a ir à falência".

 

Conclusão brasileira de humor crocante: "O que aconteceu? Toda a cadeia se f…".

 

Nada melhor para encerrar este tema dos Mercados do que um vídeo em que 2 humoristas britânicos explicam como estes funcionam com o bom humor que os caracteriza.

 

 

in Blog "Bicadinhas"

 

Só consegui encontrar a versão do vídeo legendado em Espanhol, mas, se forem ao blog Bicadinhas tem a versão legendada em Português.

O autor do Blog refere no fim que autoriza a divulgação ("Se o leitor gosta do blogue ou de algum texto em particular, não hesite em tomá-lo como seu e eventualmente até partilhá-lo. Este só fará sentido se chegar às pessoas.") mas depois, trancou a origem do vídeo, por isso não me foi possível reproduzir aqui.

publicado por portuga-coruche às 07:00
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Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011

A especulação financeira «vai arrasar tudo»

Louçã defende que dívidas públicas devem ser retiradas «das garras do capital financeiro»

 

 

O líder do Bloco de Esquerda defendeu este domingo em Santarém que as dívidas públicas sejam retiradas «das garras do capital financeiro», passando o Banco Central Europeu a financiar os Estados, «exactamente como acontece nos Estados Unidos e em Inglaterra».

Francisco Louçã referia-se às notícias que dão conta de um «gigantesco plano de resgate» da Itália por parte do FMI, da ordem dos 600.000 milhões de euros, para frisar que «é toda a Europa, todo o euro, todos os europeus que estão a ser atingidos pelo capital financeiro».

No seu entender, se não for o BCE a financiar os Estados, «o euro será destroçado por esta via gananciosa, liberal, agressiva» que, afirmou, tem vindo a ser imposta pela chanceler alemã, Angela Merkel.

Para o coordenador do BE, a especulação financeira «vai arrasar tudo», considerando que a decisão da Alemanha que esta semana retirou emissão de dívida pública prova que a pressão financeira já se faz sentir «no centro dos mais ricos, dos mais poderosos».

Segundo Louçã, «a ser verdade o que diz imprensa italiana, de que vai ser necessário um plano de resgate para Itália, para o qual não há dinheiro, ou então Espanha, para o qual também não há dinheiro, é porque o plano do FMI e da Comissão Europeia destruiu de tal modo a economia europeia que não há alternativa».

Francisco Louçã defendeu a existência de «um plano B», que deve passar pela emissão de eurobonds, de políticas europeias para o emprego e por mais cooperação económica.

«É decisivo saber se vai haver ou não intervenção do BCE para retirar a dívida pública dos mercados financeiro. Se o fizer, o euro salva-se, se não, o euro entra em colapso em pouco tempo», advertiu.

Para o líder bloquista, a saída de Portugal do euro «não é uma boa alternativa», já que uma nova moeda seria de imediato desvalorizada, com todo o impacto nos salários, nos impostos, nos preços.

 

in Agência Financeira

 

 

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Segunda-feira, 14 de Novembro de 2011

O Povo versus a Polícia

No pior incidente até agora registado, centenas de polícias, munidos de capacetes, máscaras e escudos, cercaram o acampamento Occupy Oakland e dispararam balas de borracha (que podem ser fatais), granadas flash, e latas de gás lacrimogéneo – com alguns agentes a apontar diretamente para os manifestantes. Na página do Twitter do movimento Occupy Oakland, pode ler-se um género de relatório feito na praça central do Cairo, Tahier Square: "eles estão a cercar-nos"; "centenas e centenas de polícias"; "há veículos blindados e Hummers". Houve 170 detenções.

A minha recente detenção, enquanto obedecia às condições de uma manifestação autorizada, calma e pacífica, numa das ruas da baixa de Manhattan, revelou a realidade desta repressão perto de casa. A América está a despertar para o que foi construído enquanto dormia: empresas privadas contrataram a polícia (JPMorgan Chase deu $4,6 milhões à Fundação New York City Police); o Departamento Federal de Segurança Interna deu pequenos sistemas de armas de nível militar às polícias municipais; os direitos dos cidadãos à liberdade de expressão e à reunião foram sorrateiramente enfraquecidos por requisitos de autorização muito pouco transparentes.

De repente, a América assemelha-se ao resto do mundo furioso, que protesta e que não é totalmente livre. Na verdade, a maioria dos comentadores ainda não se apercebeu que está a ocorrer uma guerra mundial. Mas não é comparável a nenhuma outra guerra passada na história da humanidade: pela primeira vez, os povos de todo o mundo não se identificam ou organizam por motivos nacionais ou religiosos, mas sim por uma consciência global e pela procura de uma vida pacífica, um futuro sustentável, uma justiça económica, e uma democracia de base. O seu inimigo é uma "corporocracia" global que comprou governos e legislaturas, criou os seus próprios agentes armados, está envolvida numa sistémica fraude económica, e espolia tesouros e ecossistemas.

Em todo o mundo, manifestantes pacíficos estão a ser demonizados por estarem a perturbar. Mas a democracia é perturbadora. Martin Luther King, Jr., argumentou que a perturbação pacífica do "como se nada fosse" é saudável, porque expõe a injustiça enterrada, que pode assim ser resolvida. Os manifestantes devem, preferencialmente, dedicar-se à perturbação disciplinada e sem violência neste espírito - sobretudo na perturbação do trânsito. Isto serve para evitar os provocadores, ao mesmo tempo que se destaca a injusta militarização da resposta policial.

Além do mais, os movimentos de protesto não têm sucesso em horas ou dias; eles normalmente envolvem permanência ou "ocupação" em áreas, durante longas jornadas. Essa é uma razão pela qual os manifestantes devem angariar o seu próprio dinheiro e contratar os seus próprios advogados. A "corporocracia" está aterrorizada com a possibilidade de os cidadãos virem a reclamar o Estado de direito. Em cada país, os manifestantes devem colocar em campo um exército de advogados.

Os manifestantes devem também encarregar-se pessoalmente da cobertura das suas notícias, ao invés de recorrerem aos principais meios de comunicação para o fazer. Eles devem escrever em blogues, twittar, escrever editoriais e comunicados de imprensa, assim como também documentar casos de abuso de autoridade policial (e os abusadores).

Há, infelizmente, muitos casos documentados sobre demonstrações violentas de provocadores infiltrados em lugares como Toronto, Pittsburgh, Londres, e Atenas – pessoas que são, como um Grego me de descreveu, "desconhecidos conhecidos". Os provocadores, também, precisam de ser fotografados e registados, daí ser tão importante não tapar o rosto enquanto se manifesta.

Os manifestantes, em regimes democráticos, devem criar localmente listas de endereços eletrónicos, fundir as listas a nível nacional, e começar a registar os eleitores. Devem comunicar aos seus representantes o número de eleitores que registaram em cada distrito – e devem destituir os políticos que são brutos ou repressivos. E devem apoiar aqueles – como, por exemplo, na Albânia e em Nova Iorque, onde a polícia e o procurador local recusaram reprimir os manifestantes – que respeitam os direitos à liberdade de expressão e à reunião.Muitos manifestantes insistem em permanecer sem um líder, o que é um erro. Um líder não tem que se sentar no topo de uma hierarquia: um líder pode ser um simples representante. Os manifestantes devem eleger representantes por um período finito, como em qualquer democracia, e formá-los para saberem falar com a imprensa e para negociarem com os políticos.

Os protestos devem modelizar o tipo de sociedade civil que os manifestantes pretendem criar. Na zona baixa do parque Manhattan Zuccotti Park, por exemplo, há uma biblioteca e uma cozinha; a comida é doada; as crianças são convidadas a dormir; e organizam-se conferências. Os músicos devem trazer instrumentos, e o ambiente deve ser alegre e positivo. Os manifestantes devem limpar a área onde decorreu o protesto. A ideia é construir uma nova cidade dentro da cidade corrupta, e demonstrar que a nova cidade reflete a maioria da sociedade, e não a pequena franja destrutiva e marginal.

Afinal de contas, o que é mais profundo nestes movimentos não são as suas demandas, mas sim a infra-estrutura emergente de uma humanidade comum. Durante décadas, os cidadãos foram induzidos a manterem-se cabisbaixos – fosse num mundo consumista de fantasia, ou com pobreza e trabalhos forçados – e a entregarem a liderança às elites. O protesto é transformador exatamente porque as pessoas emergem, encontram-se cara a cara, e, reaprendem os hábitos de liberdade, constroem novas instituições, relacionamentos, e organizações.

Nada disto pode acontecer num ambiente de violência política e policial contra os manifestantes democráticos e pacíficos. Recordando a famosa pergunta feita por Bertolt Brecht, ao acompanhar as brutais repressões nos trabalhadores que protestavam em junho de 1953, "Não seria mais fácil...para o governo dissolver o povo e eleger outro?". Em toda a América, e em muitos outros países, supostos líderes democráticos parecem ter levado a pergunta irónica de Brecht muito a sério.

 

 

Por Naomi Wolf (Activista política, crítica social e defensora destacada da “terceira via” no feminismo)

 

in Público

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Alguns comentários que considero interessantes:

 


Cidadão indignado c esta pseudo-democracia , Lisboa. 12.11.2011 12:02
Também cá há nas manifs polícias infiltrados (2)
Na assembleia popular de 15 Out. frente à assembleia da república apareceram 3 homens,um de cada vez,claramente a fingir-se de bêbados,bastante agressivos,a gritar e aos pontapés a caixotes do lixo,p a polícia em frente (c escudos e cacetetes) expulsar por excesso de ruído à noite os indignados q debatiam fazer acampada frente ao parlamento.Isso quebrou o ritmo das discussões e houve gente q foi embora c receio. Antes já a polícia havia empurrado à força os manifestantes pelas escadarias públicas frente ao parlamento a baixo.Sempre votei e acreditei no sistema democrático,mas isto é um simulacro de democracia onde polícia (a mando dos políticos q servem interesses financeiros internacionais mais importantes q os do seu povo) oprime protestos populares.


Cidadão desiludido , Lixboa. 12.11.2011 11:05
Também cá há nas manifs polícias infiltrados
para boicotarem os protestos. Acreditava q vivia numa democracia até dia 15 de Out. em q fui à noite ver a assembleia popular dos indignados frente à assembleia da república. Vários manifestantes q já tinham estado em acampada do Rossio diziam p ter cuidado c destabilizadores infiltrados da polícia. Achei um disparate na onda "teoria da conspiração". Mas q vi? Um homem não identificado (q inicialmente mostrou um falso press card da SIC e q depois afinal já dizia q não era jornalista) a filmar as caras de todas as pessoas que estavam naquela noite juntas na rua a debater alternativas políticas a este sistema e formas de protesto.

 

Vítor Vieira , Porto. 10.11.2011 09:13
Lá como cá
Como se vê, as preocupações em defesa da Democracia e contra o poder do grande capital são iguais dos dois lados do Atlântico. E as infiltrações policiais nas manifs também. Por isso, nas manifestações dos próximos tempos tratarei qualquer manifestamente que apareça encapuzado como se se tratasse de um agente provocador: detenho-o e entrego-o à polícia para identificação. Ou à ASAE, se estiver em mau estado ;)

publicado por portuga-coruche às 07:07
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Quinta-feira, 10 de Novembro de 2011

Gerald Celente: Acabemos com esta farsa de demoracia

 

 

 

 O drama da Grécia continua.
O resgate grego proposto pela Zona Euro traz a possibilidade de colocar a economia mundial de joelhos. Tem sido proposto para afastar a Grécia da Zona Euro.
Muitos dizem que esta é uma tentativa desesperada para ajudar a salvar a moeda em colapso e outros tantos acreditam que a Grécia é o bode expiatório para um problema muito maior.
Gerald Celente, editor do The Trends Journal, dá-nos a sua opinião acerca do tema.

 

publicado por portuga-coruche às 07:10
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Sexta-feira, 5 de Novembro de 2010

Mercados apostam na falência "quase certa" de Portugal

(Em actualização) - Os mercados europeus afiam o dente a Portugal. Indiferentes à aprovação do Orçamento do Estado, continuam a especular com uma falência provável do Estado, lucrando milhões com isso. O Fundo Monetário Internacional lamenta a falência "quase certa", mas há vozes que sustentam que se está perante uma "farsa".

A pressão dos mercados intensifica-se, com os juros da dívida pública portuguesa a atingirem os 6,6%, um máximo histórico próximo do tecto máximo suportável de 7% estabelecido, há dias, pelo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, em entrevista ao jornal "Expresso".

Perante este cenário, o Fundo Monetário Internacional (FMI) já prevê, e lamenta, a falência de Portugal, aposta forte dos mercados financeiros, que têm "quase certa" a bancarrota nacional.

A confirmar-se esta previsão do FMI, o próprio FMI já se prepara para entrar em Portugal, apesar de notar "que as melhorias previstas nas contas públicas até são significativas (e não conta ainda com as medidas do Orçamento aprovado esta semana) e que em condições normais estas dariam resultados positivos no alívio dos estrangulamentos no crédito", conta o jornal "i", que olhou para o "Fiscal Monitor", de Novembro de 2010, emitido ontem.

No estudo, o FMI constata que "a ocorrência de eventos de crédito em algumas economias avançadas é quase certa" aos olhos dos mercados. Perante um cenário de falência ou falhas graves no pagamento das prestações devidas aos credores internacionais, o FMI prepara-se para salvar o país.

"Uma farsa", diz Miguel Portas

"Uma farsa", segundo Miguel Portas, dirigente do Bloco de Esquerda, esta manhã, em declarações à rádio Antena 1. "Estão a agitar o papão para que os portugueses aceitem o assalto que estão a fazer às suas algibeiras", disse, alundindo a um Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) IV. "O FMI já cá está, como ficou patente com as medidas do PEC I, II e III", acrescentou.

"Não há nada na economia portuguesa que justifique a necessidade de recorrer à ajuda do FMI", disse o dirigente do Bloco de Esquerda, em linha com o que defende o Governo português, com o ministro Silva Pereira a sustentar, ontem, quinta-feira, que Portugal está a fazer o que é preciso para combater a crise.

Ao falar no comentário semanal para a rubrica "Conselho Superior", Miguel Portas sustentou que é "a banca privada que não consegue financiar-se e não o Estado português". O dirigente do Bloco diz que é difícil entender as dificuldades de obter crédito por parte de instituições que "lucram milhões por dia".

Miguel Portas sustentou que se o Banco Central Europeu (BCE), que "empresta dinheiro aos privados a 1%"  emprestasse dinheiro aos países, "nem que fosse a 2%", estes problemas não existiam. "Mas, isto é assim porque há gente a ganhar milhões com esta situação", acrescentou.

Nicolau Santos considerou ministro das Finanças "imprudente"

O director do jornal "Expresso", Nicolau Santos, considerou "imprudente" o tecto de 7% para os juros da dívida pública definido por Teixeira dos Santos como "o máximo suportável" para a economia portuguesa.

Comentador e especialista em assuntos económicos da Antena 1, Nicolau Santos disse, à rádio nacional, que a instabilidade dos mercados não vai acabar tão cedo  e que Portugal não conseguirá resolver os seus problemas sozinho, pelo que poderá ter de recorrer ao FMI.

 

 

Por Augusto Correia

in Jornal de Notícias

 

 

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Quarta-feira, 21 de Abril de 2010

Mercados duplicam apostas a favor da falência de Portugal

por Luís Reis Ribeiro

 

Apostas contra a dívida portuguesa valem 45 mil milhões de euros. Valor subiu 105% em um ano
 
 
Em apenas um ano, os investidores internacionais duplicaram o valor das apostas a favor de uma falência de Portugal. Trata-se de o maior aumento num conjunto de dez países, sendo até superior ao da Grécia.

De acordo com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), ontem divulgados no relatório sobre a Estabilidade Financeira Global, o valor contratado em seguros de crédito (CDS) sobre a dívida pública portuguesa aumentou cerca de 105% até ao dia 5 de Fevereiro em apenas um ano, atingindo um total de 60,1 mil milhões de dólares (quase 45 mil milhões de euros a preços de ontem). Se o período considerado for de Outubro de 2009 a Fevereiro de 2010, então o valor contratado em CDS da dívida pública nacional quase quadruplica.

Na prática, estes CDS cobrem o risco de incumprimento ou mesmo de falência das nações. O problema (para os contribuintes portugueses, por exemplo) é que, em muitos casos, quanto maior o risco e quanto pior estiver o país, mais ganham os investidores em CDS (pois compram esses seguros baratos para os vender mais caros já o seu valor acompanha as taxas de juro). Assim, admitem vários especialistas, existem incentivos em agravar ou em aproveitar as avaliações negativas que se fazem das contas públicas e das respectivas situações económicas internas. Portugal e Grécia, devido aos seus problemas estruturais graves, como o excesso de endividamento do Estado, empresas e particulares acumulados ao longo dos últimos anos e agravados com a crise financeira, tornaram-se agora alvos fáceis dos operadores de mercado.

O resultado está à vista. Os grandes bancos internacionais admitem estar a lucrar bastante com operações nos mercados obrigacionistas (ver pág. 24 e 25) e até a Comissão Europeia aponta o dedo a estas instituições e aos fundos de investimento de alto risco (hedge funds) que acusa de serem co-responsáveis pelo agravamento dos spreads (prémios de risco da dívida pública, que agravam a taxa de juro cobrada por emprestar aos governos) e de, assim, colocarem os países mais perto do precipício Isto é, de uma situação de pré-falência. A Grécia já lá está. Portugal ainda não, mas não tem sido poupado na praça pública internacional - já se diz que o país é "o próximo problema global".

No documento ontem divulgado, o FMI analisa os efeitos desta turbulência nas dívidas públicas de dez países do euro (e na zona euro como um todo) e percebe-se que, nesta fase da crise, Portugal e Grécia são os que mais podem contribuir para um cenário de "perigo total" sobre a estabilidade do euro. A instabilidade da dívida de Portugal é a segunda mais alta a seguir à da Grécia, sendo que os mais prejudicados são a Áustria e logo a seguir a Holanda e Espanha.

De forma inversa, a dívida soberana que mais pode prejudicar Portugal é a grega e a espanhola.

O FMI analisa o papel dos CDS e das actividades de cobertura de risco e questiona se estas podem ser consideradas especulação ou não. O documento é inconclusivo: por um lado, o Fundo admite (tal como Bruxelas) que os mercados de produtos derivados podem contribuir para o descarrilamento das dívidas públicas, sobretudo as dos países mais debilitados; por outros, recusa fechar esses mercados: pede antes uma maior "transparência".
 
 
 
Alguns comentários que aparecem na notícia:
 
Miguel Queirós Há 1 horas
O mais preocupante é perceber que, afinal, as grandes verdades que têm sido reveladas pelas sumidades do FMI têm como objectivo minar o euro e as economias europeias. Mais do que alertar para perigos de derrocada financeira na zona Euro, as declarações divulgadas nos últimos dias por essas altas patentes funcionaram como um alerta para bons negócios especulativos. Os agiotas imperialistas e liberais de Wall Street encontraram, primeiro na Grécia uma brecha, para onde despejaram todo o lixo tóxico nos últimos anos, e agora vêem em Portugal um segundo ponto de ataque. É imperativo que se tomem, urgentemente, medidas drásticas contra a especulação financeira, a nível europeu. As manobras com os seguros são uma situação de ganha-ganha para os especuladores liberais. Começo a acreditar que o venezuelano Chavez tem razão. O liberalismo imperialista dos USA é perigoso para todo o globo!!! Ninguém está seguro!!!
 
Armindo Bento Há 3 horas
Como é possível a “aceitação de normalidade”, que estas empresas apresentem resultados líquidos negativos que ultrapassem mais de 800 milhões de euros, anualmente?Como é possível que o endividamento destas empresas (sete), em 31 de Dezembro de 2008, tivesse atingido mais de 14,2 mil milhões de euros, ( )não tendo sido ao longo destes últimos 8 anos, tomada qualquer medida estratégica para corrigir esta grave situação de “clara delapidação de dinheiros públicos” – a má gestão pública, a delapidação do património público, a delapidação dos recursos humanos e financeiros é financiada e suportada com o esforço de todos. ( )
 
Armindo Bento Há 3 horas
O que é que o I pretende com esta noticia? Todos sabemos que são especuladores, que estão por detrás disto ou será que o senhor jornalista, se posso qualificá-lo assim, ignora que o nosso País é um dos poucos que detém reservas em ouro das maiores do Mundo. Salvo erro está em terceiro lugar! O que tinha de perguntar é como esses senhores do FMI, que como se sabem sempre foram contra o euro, mas são a favor da industria da guerra e da droga, vão buscar esses dados?
 
Jose Martins Há 2 horas
Como existem dados demasiado dispersos e outdated, creio que seria de evidente interesse público que o TdC auditasse e publicasse todos os movimentos das reservas de ouro de Portugal dos últimos 40 anos. Movimentos de compra e venda mas também os movimentos físicos (estão em Portugal?) Diria mesmo que é imperativo que tal se faça ou, estando feito, se certifique e publique neste preciso momento.Se há desinformação, então combata-se com informação, transparência e rigor.Ou preferiremos, um dia destes, que alguém nos venha dizer que entregámos o ouro ao bandido e que agora já nem reservas de ouro temos?
 
Eduardo Vilas Boas Há 4 horas
É tudo uma grande manipulação e especulação... eu acredito numa grande recuperação do nosso país! Mercados? O que são os mercados? Em grande parte alimentam-se puramente de especulação e outros lixos tóxicos...
 
 
publicado por portuga-coruche às 08:00
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