Terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

Climategate: Instituto meteorológico britânico vai rever 150 anos de temperaturas

O instituto meteorológico britânico anunciou que vai rever 150 anos de dados sobre as temperaturas mundiais, depois de admitir que a confiança do público na Ciência foi abalada pelo caso Climategate. Clique para ler mais sobre a Cimeira de Copenhaga.

 

 
Virgílio Azevedo
 
 
O radar do Met Office e da Agência do Ambiente britânica em Sunderland, no Reino Unido, lê a pluviosidade e a queda de neve
O Met Office, o famoso instituto meteorológico britânico, anunciou que vai rever os dados das temperaturas globais dos últimos 150 anos recolhidos em cerca de mil estações em todo o Mundo.
Estas estações "foram escolhidas pela Organização Meteorológica Mundial para a monitorização do clima", explica a instituição, que tomou esta decisão depois de admitir que a confiança do público na Ciência ficou abalada com o caso Climategate.
Os dados recolhidos e tratados pelo Met Office são uma das três fontes usadas pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas da ONU (IPCC), nas negociações internacionais que começaram hoje em Copenhaga, para provar a gravidade do aquecimento global de origem humana.
Recorde-se que o Climategate é um caso de alegada manipulação de dados das temperaturas para exagerar o aquecimento global, e envolve cientistas britânicos e norte-americanos e a prestigiada Unidade de Investigação do Clima (CRU) da Universidade de East Anglia (Reino Unido).
A suposta manipulação foi descoberta há duas semanas por hackers que penetraram nas redes da CRU e vascularam milhares de mails trocados entre aqueles cientistas desde 1996, estando a causar grande polémica na comunidade científica mundial e nos bastidores das negociações climáticas.
O Met Offfice, que tem trabalhado de perto com o CRU, precisa de três anos para rever todos os dados, o que significa que só em 2012, quando terminar o Protocolo de Quioto, será possível saber com confiança absoluta qual o nível efectivo da tendência para o aquecimento global.
Segundo o diário britânico The Times, o governo de Gordon Brown está a pressionar o Met Office para não avançar com esta iniciativa, com o argumento de que seria aproveitada pelos cépticos do aquecimento global.
O presidente da instituição escreveu também aos institutos meteorológicos de 188 países a pedir os dados de base que estes recolheram em cerca de cinco mil estações meteorológicas.
 
In O Expresso
publicado por portuga-coruche às 22:40
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Domingo, 6 de Dezembro de 2009

Reacções desesperadas das "fontes fidedignas"

Europa mobilizada para Copenhaga

por LUÍS NAVES

 

A um dia do início da Cimeira de Copenhaga sobre o clima, a opinião pública europeia mobilizou- -se a favor de um acordo que permita reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, enquanto os dirigentes políticos criticavam as pressões vindas dos cépticos ambientais.

Pequenas manifestações ecologistas foram ontem organizadas em várias capitais europeias, nomeadamente em Londres e Paris. Em Bruxelas, um comboio baptizado "Expresso do Clima" saiu rumo a Copenhaga, transportando militantes. No plano político decorrem ainda negociações de última hora, mas os esforços dos dirigentes centram-se agora na tentativa de reduzir os efeitos negativos do chamado "Climategate", um caso em torno da divulgação de e-mails pirateados a um centro de investigação de clima e que, segundo os críticos do aquecimento global, provam a má-fé dos cientistas.

O organismo da ONU Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC, na sigla inglesa) divulgou ontem um comunicado em que reafirma a qualidade dos dados que apontam para alterações provocadas por gases com efeito de estufa. "O aquecimento do sistema climático é inequívoco. Baseia-se em medições feitas por instituições independentes de todo o mundo, que mostram mudanças significativas em terra, na atmosfera, nos oceanos e nas áreas do planeta cobertas por gelo."

Numa tentativa de apaziguar as críticas que surgiram após a divulgação dos mails, o serviço meteorológico britânico anunciou ontem que vai publicar os dados sobre temperaturas recolhidos nos últimos 150 anos por estações meteorológicas de todo o mundo (cerca de mil estações). A informação será divulgada na próxima semana no site da Internet do Met Office.

As autoridades científicas estão convencidas da fiabilidade destas séries longas e explicam que os valores mostram claramente um efeito de aumento de temperaturas globais durante o período, que é também caracterizado pelo aumento do teor de dióxido de carbono atmosférico.

Numa entrevista ao The Guardian, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, criticou em termos duros os que acreditam no Climategate. Na sua opinião, são flat- -earthers, ou seja, pessoas que acreditam que a Terra é plana. "A poucos dias de Copenhaga, não nos podemos deixar distrair por cépticos de outros tempos, anticiência", disse Brown. A divulgação dos mails (que os cientistas dizem estar descontextualizados) causou furor nos meios conservadores dos EUA e levou países como a Arábia Saudita a contestar as conclusões do IPCC.

 

in DN

 

ONU refuta teses cépticas do "Climategate"

por Sandra Pereira

 

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU refutou hoje todos os cépticos envolvidos no caso “Climategate”, que causou polémica ao sugerir que o aquecimento global e as alterações climáticas do planeta têm sido exageradas pela comunidade científica. Para as Nações Unidas, não existem dúvidas: o aquecimento do clima é “inequívoco”.

O caso surgiu no mês passado, quando centenas de e-mails entre cientistas britânicos e norte-americanos foram colocados na internet. O “Climagate” levou mesmo ao afastamento temporário de Phil Jones, director do centro de investigação para o clima  da Universidade de East Anglia, no Reino Unido.

Num comunicado, o vice-presidente do grupo 1 do IPCC explicou que “medições feitas por muitas instituições independentes em todo o mundo demonstram mudanças significativas na terra, atmosfera, oceanos e áreas cobertas de gelo do planeta”.

"Através do trabalho científico independente envolvendo métodos estatísticos e uma gama de diferentes modelos do clima, essas alterações têm sido detectadas como desvios significativos da variabilidade climática natural e tem sido atribuída ao aumento de gases de efeito estufa”, acrescentou Thomas Stocker.

"O corpo de prova é o resultado de um trabalho cuidadoso e minucioso de centenas de cientistas no mundo inteiro”, rematou o especialista da ONU, a um dia do arranque da cimeira mundial sobre as alterações climáticas, em Copenhaga.

 

in i

 

Tomem bem nota destes "jornalistas" (Luis Naves do DN e Sandra Pereira do i), depois de meterem a mão no fogo decerto vão jurar a pés juntos que não estão queimados! O que nós necessitavamos mesmo agora era de um "ilusionista" ou de alguêm que nos venha dizer que isto tudo não passa de um pesadelo! nada aconteeu é tudo imaginação nossa.......

publicado por portuga-coruche às 17:07
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Sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

Climategate: Nações Unidas investigam emails

 

 
As Nações Unidas decidiram investigar o caso Climategate, que está relacionado com a troca de emails durante treze anos por cientistas e especialistas em clima, e que colocam em causa a veracidade da questão do aquecimento global e das alterações climáticas.
Os responsáveis da ONU vão analisar as diversas versões da história. "Certamente não queremos empurrar nada para debaixo do tapete. É um assunto muito sério e temos de analisar cada detalhe", disse Rajendra Pachuari, responsável pela investigação.
O caso começou a 19 de Novembro, quando um site revelou o conteúdo de mais de mil emails trocados entre investigadores britânicos e americanos, o que levou esta semana ao afastamento de um dos responsáveis pelo centro de investigação para o clima - Phil Jones - da Universidade de East Anglia, no Reino Unido.
 

 

 
 

 Mariana de Araújo Barbosa

 
in i

 

 

Como são as NU a investigar, calhando, daqui a uns anos teremos o "Investigate". Despois não esqueçam de dizer: "O Portuga-Coruche bem avisou"

 

 

'Climagate' faz primeira baixa em vésperas da cimeira

por PATRÍCIA VIEGAS

 

Phil Jones, da Universidade de Anglia, demitiu-se depois de piratas divulgarem 'e-mails' seus insinuando que mentiu sobre as alterações climáticas e a subida de temperaturas.

A polémica estalou no mês passado e, em vésperas da Cimeira de Copenhaga, já é conhecida na blogosfera como Climagate. Phil Jones foi a sua primeira baixa. O director da Unidade de Investigação sobre o Clima da Universidade da Anglia Oriental demitiu-se ontem depois de ter sido acusado de manipular dados sobre as alterações climáticas. Isto porque piratas informáticos roubaram e-mails trocados entre si e outros cientistas e puseram partes a circular na Internet.

"O importante é que a unidade prossiga o seu trabalho, de alcance mundial, com as menores interrupções e distracções possíveis e, após pesar tudo, decidi que a melhor maneira de consegui-lo é demitindo-me do cargo de director enquanto for levada a cabo a investigação independente", declarou o cientista em comunicado citado pelos media internacionais.

Num dos mais de mil e-mails que foram roubados dos servidores da universidade, há um, de 1999, em que aquele cientista fala em fazer um trick, ou seja, um truque, para ocultar a queda de temperaturas. Ora, sendo a teoria prevalecente a de que as alterações climáticas causadas pela acção do homem farão subir as temperaturas, tais revelações causaram de imediato polémica entre os sectores mais cépticos.

No Congresso dos Estados Unidos, os republicanos começaram uma investigação ao trabalho dos cientistas envolvidos na troca de mensagens por e-mail, muitos dos quais conduziram investigações com o dinheiro do Governo americano. O senador James M. Inhofe, do Oklahoma, um dos maiores cépticos no Congresso em relação à questão das alterações climáticas, voltou ontem a exigir uma investigação.

Phil Jones admitiu que aquele e-mail era verdadeiro mas que as partes reproduzidas foram retiradas do contexto. E para comprová-lo divulgou toda a mensagem: "Acabo de completar o truque Nature de Mike para acrescentar tempos reais a cada série durante os últimos 20 anos (por exemplo, de 1981 em diante) e desde 1961 na de Keith para ocultar a queda."

O professor explicou que isto se refere a um diagrama e não a um estudo científico. E que a palavra truque é aí empregada de maneira coloquial para indicar um modo hábil de proceder, sendo, por isso, "ridículo" sugerir que se refere a algo reprovável. Além de Jones, também Kevin Trenberth, cientista norte-americano que participou no grupo do Painel Intergovernamental das Alterações Climáticas das Nações Unidas, no período entre 2001 e 2007, foi vítima de pirataria na Universidade de Anglia.

 

in i

 

Baixa ?! De baixa anda a minha carteira e a de muita gente, por causa de pessoas como ele que não tiveram qualquer respeito por nós nem pela ciência. Conheço pessoas que continuam a afirmar "a pés juntos" que existe "Aquecimento Global" e que Copenhaga irá mudar muita coisa para melhor.

Este senhor demitiu-se porque não lhe restou outra saída e lhe caiu a máscara.

publicado por portuga-coruche às 13:53
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Quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

Climategate. Quando a ciência não é transparente

 

Climategate. Quando a ciência não é transparente
 
O especialista em clima Filipe Duarte Santos diz que o caso Climategate está a mudar a forma como se faz ciência
 
 
 
Num só cenário, uma das fontes energéticas mais poluentes e uma das mais limpas do mundo. As chaminés fumegantes de Vattenfall?s Jaenschwalde, central a carvão no Leste da Alemanha, contrastam com as ventoinhas de Cottbus
PAWEL KOPCZYNSKI/Reuters
Passaram duas semanas desde que os emails roubados dos servidores da Unidade de Investigação Climática da Universidade (CRU) de East Anglia, no Reino Unido, foram divulgados na internet, mas estes continuam a alimentar uma polémica sem precedentes em torno das alterações climáticas.
A Conferência de Copenhaga, na próxima semana, não vai ser afectada, garantem diferentes especialistas ao i, mas a opinião pública já foi: o aquecimento global, provocado por emissões de gases de efeito de estufa cada vez mais intensas, foi posto em causa nos media, e as justificações dos investigadores envolvidos no caso não calaram os cépticos.

Filipe Duarte Santos, professor da Universidade de Lisboa e um dos maiores especialistas nacionais em clima, recusa que o caso venha a ter repercussões nas negociações de Copenhaga. "A ciência não é afectada", diz ao i. Porém, nas suas palavras, a situação em que se viram envolvidos investigadores de topo e um centro de investigação responsável pela grande maioria dos dados climáticos no Reino Unido, é "deplorável". "Os emails entre cientistas devem ser públicos. Deve haver uma transparência total." Filipe Duarte Santos diz que a principal consequência do caso, que recebeu o nome de Climategate depois de inicialmente ter sido omitido por órgãos de comunicação como o "The New York Times" ou a BBC, passa por uma mudança urgente na forma como se encara a ciência: "Os dados climáticos devem ser acessíveis. A ciência é algo repetível. Uma conclusão deve poder ser avaliada em qualquer centro de investigação, sem limitações", sublinha. Quanto à possibilidade de as alterações climáticas em curso serem provocadas pela acção humana, com o aumento das emissões de CO2, há muito mais dados para além da informação que poderá ou não ter sido manipulada no Reino Unido - as investigações ainda estão em curso. "Os sinais [do aquecimento global ] são claríssimos", sublinha o investigador português.

"Ciência imberbe" Sem desfecho à vista, o caso Climategate continua quente. Rui G. Moura, especialista em climatologia e autor do blogue mitos-climaticos.blogspot.com é uma das vozes críticas em Portugal. "Manipularam revistas científicas, ameaçaram directores e dirigentes de universidades. As temperaturas desde 1998 estacionaram ou têm vindo a diminuir. Isto não é explicado pela tese deles", acusa. "A única coisa de que se tem a certeza é que o dióxido de carbono é um gás com efeito de estufa. Esta mentira consegue sobreviver porque a climatologia é uma ciência imberbe", adianta. Defende que as alterações climáticas em curso fazem parte de uma variação natural do clima, que tem a ver com o facto de estarmos no fim de um período interglacial - eras regulares que duram 10 mil anos. "Não há nada a fazer. Devem tomar-se medidas de adaptação e não estar a gastar-se dinheiro inutilmente [em negociações]", diz.

A dúvida Mais de mil emails foram postos a circular na internet com conversas entre cientistas de renome, como Phil Jones, director da Unidade de Investigação Climática da Universidade de East Anglia ou Michael Mann, climatologista americano, autor de mais de 80 artigos científicos. Nos documentos lêem-se críticas a trabalhos de cientistas rotulados como "cépticos", que põem em causa a actual tese sobre as alterações climáticas. Os comentários sugerem que estes cientistas deviam ser afastados e que se intervenha na informação na comunicação social. Há, contudo, duas referências consideradas mais preocupantes pelos críticos. A primeira é que Phil Jones teria incentivado o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) a excluir do relatório de 2007 (que pedia metas de 50% a 85% na redução das emissões de gases com efeitos de estufa até 2050) artigos científicos que contrariavam a tese do aquecimento global. Pede-se ainda que sejam apagados emails relacionados com este pedido, para evitar a sua revelação de acordo com a legislação inglesa.

A segunda descreve uma manipulação num gráfico para "esconder o declínio" da temperatura do planeta desde o final da década de 90. Terão sido misturados dados reconstrutivos - obtidos, por exemplo, através de dendrologia, uma técnica que relaciona a largura dos anéis das árvores com o clima de um terminado ano - com temperaturas actuais

Rajendra Pachauri, director do IPCC, disse já que não existe qualquer possibilidade de um grupo de cientistas ter interferido no documento das Nações Unidas. "As pessoas devem ser discretas. Tudo o que escrevemos, mesmo em privado, pode tornar-se público", comentou. "Se alguém tentasse uma coisas destas num encontro do IPCC seria devorado." Phil Jones, o principal protagonista da polémica - que pediu a suspensão de funções enquanto o caso estiver a ser investigado - garante que nenhum email esconde qualquer tentativa de manipulação: "O mais importante é que a CRU continue a sua investigação de ponta com o menos interrupções e distracções possível", disse na terça-feira, quando se afastou do cargo.
"Devem tomar-se medidas de adaptação e não estar-se a gastar dinheiro inutilmente [em negociações]. A climatologia é uma ciência imberbe"

Rui G. Moura Especialista em climatologia
 
 
publicado por portuga-coruche às 12:57
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Quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

Climategate: Universidade suspende director de investigação do clima

Climategate: Universidade suspende director de investigação do clima

Phil Jones, director da Unidade de Investigação do Clima da Universidade de East Anglia, acaba de ser suspenso por causa da manipulação de dados climáticos
Virgílio Azevedo

 

 

 

Phil Jones, director da Unidade de Investigação do Clima (CRU) da Universidade de East Anglia, está no centro da polémica
Phil Jones, director da Unidade de Investigação do Clima (CRU) da Universidade de East Anglia, está no centro da polémica

A Universidade de East Anglia, no Reino Unido, acaba de anunciar a suspensão de Phil Jones, o cientista que dirige a prestigiada Unidade de Investigação do Clima (CRU), até à conclusão de uma investigação independente sobre a manipulação de dados das temperaturas para exagerar o aquecimento global.

O caso, conhecido por Climategate, envolve climatologistas britânicos e norte-americanos e foi descoberto por hackers que tiveram acesso a milhares de mails trocados entre aqueles cientistas desde 1996 até 2009, estando a causar grande polémica entre a comunidade científica mundial.

Muitos dos trabalhos de investigação do CRU foram usados pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) da ONU como suporte para as negociações internacionais sobre o clima.

O CRU é considerado um dos melhores centros de investigação do Mundo no campo do aquecimento global e os seus cientistas tiveram uma participação determinante no último relatório de avaliação do IPCC, que data de 2007.

Esta polémica estalou nas vésperas da Cimeira de Copenhaga, onde vai ser negociado um acordo político que possa estabelecer um novo regime climático para 2013, quando caducar o Protocolo de Quioto. A megaconferência começa a 7 de Dezembro. 

 

 

in O Expresso

publicado por portuga-coruche às 14:11
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O escândalo do 'Climategate' e a Conferência de Copenhaga

 Opinião

O escândalo do 'Climategate' e a Conferência de Copenhaga

O caso Climategate, onde se manipularam dados para provar o aquecimento global, é um dos maiores escândalos científicos da História, pelo modo como afecta a credibilidade pública da comunidade científica e sobretudo pelas suas implicações económicas e políticas.

José J. Delgado Domingos *

 

 

José Delgado Domingos: desde 1998 que a temperatura global não aumenta
Tiago Miranda
 Passaram há pouco 42 anos sobre um dos maiores desastres de origem climática em Portugal: as inundações de 1967 em Lisboa. Centenas de mortes e centenas de milhões de prejuízos materiais. Será que este desastre se deveu às emissões de CO2eq (CO2 equivalente) ou ao aquecimento global? Claro que não!
Aliás, na altura, a imprensa internacional explorava os receios de uma nova idade do gelo devido ao arrefecimento global que se verificava.
Em 1967, a probabilidade de ocorrência da precipitação que provocou o desastre em Lisboa era conhecida. Uma precipitação com características análogas pode repetir-se amanhã e as suas consequências só serão menores se as necessárias medidas de prevenção forem entretanto tomadas (e nem todas o foram!).
Catástrofe de Nova Orleães não foi causada pelo aquecimento global
O que se passou com a destruição de Nova Orleães pelo furacão Katrina foi análogo: as consequências de um furacão com aquelas características eram bem conhecidas, e as imprescindíveis obras de reparação e reforço das protecções foram insistentemente pedidas mas sistematicamente adiadas.
A catástrofe não teve nada que ver com emissões de CO2eq ou aquecimento global. As tragédias climáticas no Bangladesh, não são provocadas por emissões de CO2eq, aquecimento global ou subida do nível do mar mas sim pelas inundações resultantes do assoreamento dos rios originado pela erosão que as extensíssimas desflorestações a montante agravaram e pelo crescente aumento do número de habitantes e construções em leito de cheia.
Segundo a ONU, mais de mil milhões de pessoas estão actualmente ameaçadas pela fome ou subnutrição, e agita-se o fantasma do seu aumento ou das suas migrações massivas se não forem combatidas as emissões de CO2eq para reduzir o aquecimento global.
A situação dramática e escandalosa destes milhões de seres humanos não tem nada a ver com as emissões de CO2eq, nem com o aumento oficial de 0,8ºC na temperatura média global nos últimos 150 anos.
Temperaturas não aumentam desde 1998
Aliás, apesar de as emissões de CO2eq terem aumentado acima do cenário mais pessimista do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) da ONU, desde 1998 que a temperatura global não aumenta.
Os exemplos anteriores poderiam continuar mas a conclusão seria sempre a mesma: as consequências catastróficas de fenómenos climáticos são evidentes e têm aumentado devido a acções humanas.
O que sucedeu em 1967 em Lisboa e se repete cada vez mais agravado por esse mundo fora não é devido a emissões de CO2eq ou alegado aquecimento global.
É devido simplesmente ao facto de fenómenos climáticos naturais, que sempre existiram, terem efeitos cada vez mais catastróficos porque as acções humanas sobre o território criaram as condições para isso ao desflorestarem as cabeceiras de rios (que agravaram o seu assoreamento e as consequentes inundações), ao aumentarem os riscos de deslizamento das encostas (porque eliminaram a vegetação que as estabilizava), ao construírem cada vez mais em leitos de cheia, e ao provocarem alterações cada vez mais extensas e profundas no uso do solo.
Os efeitos das alterações no uso do solo são cada vez mais evidentes nas alterações climáticas locais e nos seus reflexos globais.
Sendo evidente que a variabilidade natural do clima sempre existiu e que as acções humanas têm vindo a agravar os seus efeitos, a subversão conceptual que a UE liderou, reduzindo tudo, ou quase tudo, às consequências do aquecimento global provocado por emissões de CO2eq é muito grave e, em última instância, contrária aos louváveis ideais que afirma defender e que suscitam o apoio das organizações ambientalistas e de multidões de bem intencionados.
Um dos maiores escândalos científicos da História
É neste contexto que rebenta o escândalo do chamado Climategate. Em termos da comunidade científica, o Climategate é um dos maiores escândalos científicos da História, não só pelo modo como afecta a credibilidade pública da comunidade científica mas sobretudo pelas implicações económicas e políticas de que se reveste.
De facto, nunca existiram tantas declarações, tantos tratados, tantos protocolos e tão gigantescos fluxos financeiros tendo como único fundamento a credibilidade e o suposto consenso da comunidade científica expresso nos Summary for Policy Makers (SPM) do IPCC.
Esse fundamento desapareceu, mas os interesses envolvidos (políticos, económicos, financeiros e industriais) são de tal monta e a percepção pública da fraude científica é tão lenta que a ficção criada pela UE ainda se irá manter durante muito tempo.
O Climagate consistiu na divulgação, através da Internet, de um conjunto de ficheiros, que incluem programas de computador e emails trocados entre alguns dos principais autores dos relatórios do IPCC, de entre os quais assumem particular relevo os de Phill Jones, director do Climate Research Unit (CRU) da Universidade de East Anglia e Hadley Centre (Reino Unido), de autores do notório hockeystick e instituições responsáveis pelas bases de dados climáticos, como o National Climate Data Center (NCDC) e o Goddard Institute for Space Studies (GISS) dos EUA, consideradas de referência pelo IPCC.
O hockeystick é o termo usado entre os cientistas para designar o gráfico (ver nesta página) em forma de stick de hóquei que representa a evolução das temperaturas do hemisfério norte nos últimos mil anos, e que foi criado por um grupo de cientistas norte-americanos em 1998.
Manipulação de dados
Os referidos ficheiros encontravam-se num servidor do CRU e a sua autenticidade não foi até agora contestada. Aliás, muitos deles apenas confirmam o que há muito se suspeitava acerca da manipulação/fabricação de dados pelo grupo.
Todavia, muito do que era suspeito e atribuível a erro humano surge agora como intencional e destinado a manter a "verdade" (do IPCC) de que houve um aquecimento anormal e acelerado desde o início da revolução industrial devido à emissões de CO2eq.
Esta "verdade" é incompatível com o Período Quente Medieval (em que as temperaturas foram iguais ou superiores às actuais apesar de não existirem emissões de CO2eq) e a Pequena Idade do Gelo que se seguiu. É também incompatível com o não aquecimento que se verifica desde 1998. Esconder ou suprimir estas constatações foram objectivos centrais da fraude científica agora conhecida.
Silenciar os cientistas críticos
Em termos científicos, o que os emails revelam são os esforços concertados dos seus autores, junto de editores de revistas prestigiadas, para não acolher publicações que pusessem em causa as suas teses ou os dados utilizados pelo grupo, recorrendo mesmo a ameaças de substituição de editores ou de boicote à revista que não se submetesse aos seus desígnios.
Propuseram-se mesmo alterar as regras de aceitação das publicações para consideração nos Relatórios do IPCC de modo a suprimir as críticas fundamentadas às suas conclusões. Em resumo, procuraram subverter, em seu benefício, toda a ética científica da prova, da contraprova e de replicação de resultados que está no cerne do método científico, controlando o próprio processo da revisão por pares.
Em conjunto, conseguiram impedir que fossem publicados a maioria dos dados e conclusões que pusessem em causa e com fundamento o seu dogma do aquecimento global devido às emissões de CO2eq.
O Climategate provocou já uma invulgar reacção internacional, como uma simples pesquisa no Google imediatamente revela (mais de 10.600.000 referências menos de uma semana depois da sua revelação).
No intenso debate internacional em curso e que irá certamente continuar por muitos meses/anos, surgiram já todos os habituais argumentos de ilegalidade no acesso aos documentos; de idiossincrasias próprias de cientistas-estrelas que se sentiram incomodados; citações fora de contexto, etc.
Em meu entender, o mais revelador e incontestável nos ficheiros divulgados nem são os emails, apesar do que mostram quanto ao carácter e a honestidade intelectual dos cientistas intervenientes, mas sim os programas de computador para tratar os registos climáticos que utilizaram para justificar as conclusões que defendem.
Diga-se o que se disser, os programas executaram o que está nas suas instruções e não o que os seus autores agora vêem dizer que fizeram ou queriam fazer.
Dados climáticos até 1960 destruídos
Antecipando porventura o que agora sucedeu, os responsáveis pelos dados climáticos de referência arquivados no CRU, vieram publicamente confirmar que destruíram os dados das observações instrumentais até 1960 e que apenas retiveram o resultado dos tratamentos correctivos e estatísticos a que os submeteram.
Ou seja, tornaram impossível verificar se tais dados foram ou não intencionalmente manipulados para fabricar conclusões. Neste momento há provas documentais indirectas de que o fizeram pelo menos nalguns casos.
Existe ainda um efeito perverso na referida manipulação que resulta de os modelos climáticos utilizados para a previsão do futuro terem parâmetros baseados nas observações climáticas passadas, que agora estão sob suspeita.
Afecta também todas as calibrações de observações indirectas relativas a situações passadas em que não existiam registos termométricos.
Independentemente de tudo isto, o mais perturbador para os alarmistas é o facto de, contrariamente ao que os modelos utilizados pelo IPCC previam, não existir aquecimento global desde 1998, apesar do crescimento das emissões de CO2eq.
E se alguma coisa os ficheiros do Climagate revelam são os esforços feitos para que este facto não fosse do conhecimento público.

 

Comportamento escandaloso e intolerável
O comportamento escandaloso e intolerável de um grupo restrito de cientistas que atraiçoaram o que de melhor a Ciência tem só foi possível porque um grupo de políticos, sobretudo europeus, criou as condições para o tornar possível.
Isso ficou claro desde a criação do IPCC e torna-se evidente para quem estuda os relatórios-base do IPCC (WG1-Physical Science Basis) e os confronta com os SPM.
Todavia, seria profundamente injusto meter todos os cientistas no mesmo saco, pelo que é oportuno lembrar que se deve a inúmeros cientistas sérios e intelectualmente rigorosos uma luta persistente e perigosa contra os poderes estabelecidos, para que a ciência do IPCC fosse verificável e responsável.
Foram vilipendiados e acusados de estar ao serviço dos mais torpes interesses. Os documentos agora revelados mostram que estavam apenas ao serviço da Ciência e do rigor e honestidade dos métodos que fizeram a sua invejável reputação.
Seria também irresponsável agir como se as consequências da variabilidade climática e da utilização desbragada de combustíveis fósseis tivesse desaparecido com a revelação do escândalo. Muito pelo contrário.
Problemas ambientais de fundo devem ser atacados
Chame-se variabilidade climática ou alteração climática, os problemas de fundo da sustentabilidade ambiental permanecem e agravam-se pelo que devem ser atacados com determinação e realismo.
Se os esforços internacionais mobilizados para a Cimeira de Copenhaga conseguirem ultrapassar a obsessão do aquecimento/emissões (liderado pela UE) para se concentrarem na eficiência energética, nas energias renováveis, na minimização dos efeitos das alterações nos usos do solo, no combate à desflorestação, à fome e aos efeitos da variabilidade climática, teremos uma grande vitória para o planeta se a equidade e a justiça social não forem esquecidas.
Ao que parece, as propostas da China e dos EUA vão neste sentido tendo a delicadeza suficiente para não humilhar a União Europeia. Esperemos que sim.
*Professor catedrático do Instituto Superior Técnico
 

in O Expresso

 

 Parabens ao Expresso e ao Professor Domingos pela coragem de "furar" esta "muralha de desinformação" que as agências de notícias tem criado.

 

 

publicado por portuga-coruche às 10:59
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