Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

Casamento gay sem adopção

Várias manifestações a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo têm sido realizadas.Várias manifestações a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo têm sido realizadas.17 Dezembro 2009 - 02h00
 

Governo: Proposta de lei hoje em análise

Casamento gay sem adopção

A legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo é hoje debatida em Conselho de Ministros, numa reunião em que a adopção de crianças por casais homossexuais ficará de fora. A proposta – que prevê a alteração de pelo menos três artigos do Código Civil (ver apoios) – não estava ontem totalmente fechada, uma vez que o impedimento para a adopção deverá gerar polémica tanto à esquerda como à direita e colocar dúvidas legais e constitucionais.

 

"O que acontece é que o casamento entre homossexuais é por si só inconstitucional porque a Constituição fala em casamento entre homem e mulher", começou por dizer ao CM Jorge Miranda. "Prova evidente disso é não estar prevista a adopção. É um sinal de que esse não é um verdadeiro casamento", acrescentou o constitucionalista. Outros especialistas ouvidos pelo CM levantam dúvidas constitucionais quanto à diferenciação que estas alterações colocam na adopção consoante o casamento: heterossexual ou homossexual.

O Governo insistiu ontem na ideia de que não há "mandato democrático" dos socialistas para se mexer na adopção, mas o PS espera ter esta questão resolvida até ao final de Janeiro de 2010. O BE, um dos partidos que podem ajudar os socialistas a viabilizar o texto, considera que "se o PS, para consagrar um direito, vai introduzir uma discriminação, tem de provar como é que liga o casamento à adopção", conforme disse a deputada Helena Pinto.

Na bancada do PS, os deputados do Movimento Humanismo e Democracia, Rosário Carneiro e Teresa Venda, que são contra o casamento gay, ainda não conseguem adiantar se terão uma proposta própria, próxima da União Civil Registada. Este é, contudo, um projecto que vai avançar no PSD. Falta saber se há condições para viabilizar um referendo.

114 DIVÓRCIOS EM ESPANHA

Espanha legalizou o casamento entre homossexuais em 2005. E permitiu a adopção de crianças. O tema foi motivo de muita polémica, mas actualmente já não oferece debate. Segundo o Instituto Nacional de Estatística espanhol, em 2008 registaram-se 114 divórcios entre pessoas do mesmo sexo. Foram realizados 3549 casamentos homossexuais, dos quais 2299 entre homens. Barcelona registou 704 casamentos gay. Em 2006 registaram-se 4300 casamentos: três mil de homens e 1300 de mulheres.

A ALTERAR

ARTIGO 1577.º

Casamento é um "contrato celebrado entre duas pessoas de sexo diferente que pretendem constituir família mediante uma plena comunhão de vida".

ARTIGO 1628.º

Este artigo considera "juridicamente inexistente", entre outros, o "casamento contraído por duas pessoas do mesmo sexo", de acordo com a alínea e).

ARTIGO 1979.º

"Podem adoptar plenamente duas pessoas casadas ou em união de facto há mais de quatro anos e não separadas judicialmente de pessoas e bens ou de facto, se ambas tiverem mais de 25 anos."




 

Cristina Rita/Janete Frazão
 
in Correio da Manhã

 

 

Quer dizer: "Ser gay não é doença, é normal, é uma tendência/orientação sexual", excepto se for para adoptar crianças, nesse caso já existem objecções .... Afinal onde ficamos ?! (ficamos .... quer dizer, onde ficam eles, porque no que me toca eu sou muito macho!)

Acho que esta matéria deveria ser debatida pela sociedade e os artigos a alterar justificam a sua existência. Uma coisa é o "Casamento" e "constituir família" outra é os direitos que tem as pessoas que habitam e adquirem bens em conjunto. Chamar casamento, especificamente casamento, eu não concordo, mas gostava que algum gay pudesse refutar esta minha "ideia" ou "doxa".

publicado por portuga-coruche às 10:29
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Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

Casamentos 'gay', o debate e a estupidez

Antes que venha a ILGA, ou outro qualquer lóbi "gay", acusar-me da costumeira homofobia ou coisas do estilo, permitam-me que diga o seguinte: sou, no geral, contra qualquer discriminação, nomeadamente contra a discriminação de homossexuais.

Isto passa por defender, como absolutamente legítimo e inquestionável, a possibilidade de os casais homossexuais terem mais ou menos o mesmos direitos do que os outros casais. E digo mais ou menos porque há um direito que eu sei que eles não devem ter: o de adoptar crianças. Reparem que eu jamais direi que um casal homossexual, só por o ser, não sabe tratar crianças com amor e com todos os requisitos de que elas necessitam. Mais: defendo - e defendi, numa crónica neste jornal quando a questão concreta se pôs - que um tribunal não pode tirar um filho ao seu pai ou mãe natural baseado no facto de ele (ou ela) ser homossexual.

Apenas digo que o Estado, ou quem guarda as crianças a adoptar, não deve discriminar nenhuma delas entregando-a a um casal que não está dentro da norma (no sentido em que a norma, encarada do ponto de vista meramente estatístico, é o casal heterossexual). Aliás, quando o primeiro-ministro, criticando Manuela Ferreira Leite, considerou 'pré-moderno' afirmar que o casamento se destina à procriação, eu permito-me discordar. Não é pré-moderno, é da condição humana.

Todos nós ao cimo da terra somos filhos de um pai e de uma mãe e não de dois pais ou de duas mães. O Estado pode legislar contra este facto da natureza, mas é arrogante pensar que pode alterá-lo na sua essência.

De resto, a discriminação que sofreria uma criança entregue a um casal homossexual é, a meu ver, muito mais condenável do que não chamar 'casamento' à união que consagra os direitos de dois homossexuais.

Acrescentaria, ainda, que uma lei de coabitação bem feita poderá perfeitamente servir. Com a vantagem de o Estado não necessitar de saber quem é homossexual e quem apenas vive junto por necessidade económica, amizade pura ou outro qualquer aspecto que só ao próprio diz respeito.

Resolver problemas na prática é a finalidade da política. Se permitir todos os direitos menos o da adopção (como parece ser a disposição do PS e do PSD), não se pode chamar a essa junção 'casamento', como pretendem certos políticos convencidos da sua modernidade. A insistência no nome apenas revela a agenda escondida, ou seja, a adopção de crianças por homossexuais. E isso seria de uma estupidez imperdoável.

 

Henrique Monteiro

 

in Expresso

 

Henrique, não poderia estar mais de acordo consigo. Gosto especialmente da última parte do seu texto que resume bem o dilema que esta questão vai levantar como também a meu ver apresenta a solução que me parece mais lógica:

 

"....uma lei de coabitação bem feita poderá perfeitamente servir. Com a vantagem de o Estado não necessitar de saber quem é homossexual e quem apenas vive junto por necessidade económica, amizade pura ou outro qualquer aspecto que só ao próprio diz respeito.

Resolver problemas na prática é a finalidade da política. Se permitir todos os direitos menos o da adopção (como parece ser a disposição do PS e do PSD), não se pode chamar a essa junção 'casamento', como pretendem certos políticos convencidos da sua modernidade. A insistência no nome apenas revela a agenda escondida, ou seja, a adopção de crianças por homossexuais. E isso seria de uma estupidez imperdoável."

 

 

publicado por portuga-coruche às 16:01
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Sexta-feira, 21 de Março de 2008

Apresentadora da SIC assume homossexualidade

 

Activistas gay dizem que revelação vai contribuir para melhorar situação dos jovens homossexuais portugueses

 

Solange F., de 31 anos, apresentadora do programa da SIC Radical ‘Curto-Circuito’, assumiu publicamente, no Expresso on-line, que é homossexual. "Sou lésbica, e então?", revela quem pretende, ao expor a sua orientação sexual, sair em defesa de raparigas lésbicas expulsas de casa pelos pais. A sua decisão, caso raro entre figuras públicas em Portugal, é encarada como um gesto de grande coragem entre os dirigentes de associações que lutam em defesa dos direitos dos homossexuais.

António Serzedelo, presidente da Opus Gay, confessa que 'é de se tirar o chapéu a esta mulher coragem'. As suas afirmações 'vêm romper com a pouca visibilidade que as lésbicas ainda possuem na sociedade portuguesa'.
Por sua vez, a dirigente da associação Tangas Lésbicas, Marita Ferreira, reconhece que as mulheres homossexuais não se expõem tanto como os homens, pelo que 'é muito positiva a atitude de Solange'. 'Por ser uma mulher bonita, vem também colocar em causa o preconceito de que as lésbicas são feias e gostam de mulheres porque os homens não as querem. É uma humilhação que nos tentam impor e que o rosto de Solange vem provar não ser verdade'.
Marita Ferreira sublinha que, por Solange F. apresentar um programa para jovens, as suas afirmações são mais relevantes. 'Fazer frente aos pais e família é sempre muito complicado, sobretudo numa fase da vida em que por serem menores não têm autonomia económica. Ao serem expulsos de casa, se não contarem com a solidariedade de amigos, correm o risco de viver na rua', disse.
A dirigente das Tangas Lésbicas critica o Estado por esses pais não serem penalizados ao tomarem esta atitude. 'Expulsar um filho de casa é um crime. E quantos são os pais que são penalizados por isso?', interroga. Sérgio Vitorino, porta-voz dos Panteras Rosa, adianta que 'este é também um problema de muitos rapazes, que por assumirem que são gays conhecem a rua como destino e vivem sem o apoio de ninguém, entregues à sua própria sorte'.
Solange F. sublinha que 'ninguém tem o direito de julgar seja quem for'. E, acrescenta, em entrevista ao semanário ‘Expresso’: 'Ainda assim, há muitas raparigas que conheço que foram expulsas de casa por dizerem que são homossexuais'. 'É de uma grande violência quando um pai perde o amor por um filho', diz.
A rede de apoio a jovens Ex Aequo confirmou aoCM casos de violência que atingem menores de 14 e 15 anos, por vezes vítimas de agressões físicas e que, contudo, preferem poupar os pais a uma denúncia na polícia. Um jovem que trabalha na associação, e que preferiu manter o anonimato, disse que numa primeira fase ajudam os menores a tentarem uma conciliação com os pais, mas em casos mais complicados aconselham a Linha de Emergência para a Criança (número 213 433 333).
A associação Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (LGBT) revela que a discriminação apresenta níveis muito elevados. No relatório ‘A Exclusão Social da Juventude Lésbica, Gay, Bissexual e Transexual na Europa’ da IGLYO/ILGA Europa – no qual participaram também jovens portugueses –, os números revelam a dimensão da discriminação. Em mais de 700 questionários respondidos em 37 países europeus, verificaram-se níveis muito elevados de discriminação e preconceito: 61,2 por cento enfrenta discriminação na escola, 51,2 na vida familiar e 29,8 no seu círculo de amigos. Por isto, Paulo Corte Real, da direcção da ILGA, concorda que a revelação de Solange F. ajuda a luta contínua contra discriminação.
SOLANGE F. ROMPEU COM UMA 'POSTURA DÚBIA'
'As pessoas têm de sorrir para a vida. Não têm de se preocupar com a discriminação, nem com o levantar o dedo', diz Solange F. quando confrontada com a possibilidade de ser discriminada na sua vida profissional e pessoal com a 'sua abertura ao Mundo', forma com classifica ter assumido a homossexualidade. Nascida a 28 de Dezembro de 1976, em Lisboa, e com o curso Superior de Actor, Solange confessa na sua página da internet www.solangef.next-designs.net que, embora seja actriz, entende que 'o seu currículo é demasiado ‘virgem’ para se proclamar actriz'. Conhecida do grande público como apresentadora de televisão, a jovem de 31 anos confessa que 'havia pessoas que desconfiavam que sim e outras achavam que não era lésbica. Isto por assumir uma postura que não era fechada mas dúbia'. Num conselho a outros homossexuais, diz que 'devem seguir o seu coração' e acredita que numa sociedade correcta não seria preciso falar da sexualidade de cada um.
PREPARADA PARA TUDO 
'Não sei a reacção que as pessoas irão ter. Possivelmente vão dizer: ‘Grande maluca!’ Não sei. Não estou à espera de nenhuma reacção positiva ou negativa. Simplesmente sei que vou lidar com as coisas de frente, quer se trate de uma reacção ou da outra', garante Solange F.
EXEMPLO CONTRA HOMOFOBIA
Luís Rodrigues, advogado de Teresa e Helena, duas mulheres que pretendem casar-se, diz que palavras de Solange F. vêm combater a homofobia.
REACÇÕES 
REVELAÇÃO AJUDA NA LUTA
Para Paulo Corte Real, da ILGA, revelação de Solange é muito positiva na luta contra discriminação sexual.
JOVENS CAEM NA RUA
Sérgio Vitorino, das Panteras Rosas, diz que muitos jovens são postos na rua pelos pais por assumirem ser gays.
ATITUDE DE GRANDE CORAGEM
António Serzedelo, da Opus Gay, entende que assumir ser lésbica é gesto de grande coragem.
GAYS COM MESMOS DIREITOS LABORAIS
Francisco Pinto Balsemão, presidente da Impresa, que detém, entre outros, a SIC e o semanário ‘Expresso’, ficou na história como o primeiro patrão de um grupo de média português a dar uma licença de casamento a um dos seus funcionários numa união homossexual, no caso Nuno Graça Dias, pivô da SIC Notícias. O gesto valeu ao empresário um prémio atribuída pela associação de gays e lésbicas ILGA.
Pinto Balsemão soube do casamento do jornalista, que se realizou em Toronto, Canadá, em Março de 2007, e intercedeu junto do departamento de Recursos Humanos da SIC para que o pivô gozasse da licença, apesar da legislação portuguesa não permitir a união entre pessoas do mesmo sexo.
Nuno Graça Dias usufruiu de 15 dias (11 dias úteis) de licença e, à semelhança do que acontece nos casamentos heterossexuais, não sofreu descontos no ordenado.
A atitude de Pinto Balsemão valeu ao empresário o prémio Arco-Íris, entregue pela ILGA Portugal em Novembro de 2007. A distinção foi atribuída pelos 'contributos para uma democracia mais aberta, inclusiva e verdadeira, baseada na valorização da diversidade e na igualdade de direitos', referiu na altura a associação.
A boa vontade de Pinto Balsemão não é comum à maior parte dos empresários. Há milhares de homossexuais que não têm idênticas regalias. António Serzedelo, da Opus Gay, estima em 5,5 por cento o total de trabalhadores portugueses que são homossexuais, baseando-se na percentagem verificada no Reino Unido.
FIGURAS DO ENTRETENIMENTO QUE ASSUMIRAM A HOMOSSEXUALIDADE


JODIE FOSTER

Famosa desde a pré-adolescência, a actriz foi apontada ao longo dos anos como uma das figuras gay de Hollywood mesmo tendo dois filhos. Só assumiu publicamente a orientação sexual em Dezembro de 2007. Após receber um prémio destinado às mulheres da indústria do entretenimento, fez um discurso emocionado onde agradeceu à companheira pelos 14 anos de vida em comum.

 

 

 

 

 

 

 

 

 


ADRIANA CALCANHOTTO
Menos interessada em revelar a intimidade, a cantora brasileira conta histórias cheias de sentido para as fãs homossexuais nos seus concertos. Já recordou quando ouvia a canção ‘Devolva-me’, mais tarde um dos seus êxitos, escondida do pai no quarto da empregada. 'Se ele implicava com a música, imagine então o que aconteceria se ele me pegasse com a empregada', gracejou.

 

 

 

 

 

 

 

 



ELLEN DEGENERES

 

A actriz norte-americana não fez por menos e 'saiu do armário', em Abril de 1997, numa célebre capa da revista, ‘Time’. 'Sim, sou gay', foi o título que pôs termo a qualquer dúvida. Exactamente ao mesmo tempo, a mulher que interpretava numa série assumiu ser lésbica, tornando-se a primeira personagem principal homossexual na televisão norte-americana.

João Saramago

 

 

in Correio da Manhã online

Inseri as últimas fotos para ilustrar melhor as referidas artistas.

publicado por portuga-coruche às 13:41
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