Quinta-feira, 6 de Setembro de 2012

Wikileaks: assessor de Relvas foi informador da "CIA privada"

O esquerda.net teve acesso aos emails revelados pela Wikileaks sobre a empresa de espionagem Stratfor. Um dos informadores é português e foi parar ao Governo pela mão de Miguel Relvas. Quando o assessor informou a Stratfor da sua nomeação e se disse disponível para a ajudar no que fosse preciso, a "CIA privada" promoveu-o no ranking de confiabilidade.

 

Há poucas semanas, a organização de Julian Assange disponibilizou ao esquerda.net o acesso ao motor de pesquisa dos emails da Stratfor. Eles revelam a troca de correspondência entre um alto responsável da empresa e um assessor do ministro Miguel Relvas. Trata-se de Diogo Noivo, que antes de entrar no círculo governamental era investigador do Instituto Português de Relações Internacionais e Segurança (IPRIS). O IPRIS é dirigido por Paulo Gorjão, um dos apoiantes de Passos Coelho à presidência do PSD logo em 2008, quando perdeu a eleição para Manuela Ferreira Leite.

 

 

Assessor do Governo continuou disponível para a Stratfor


Aos 28 anos de idade, Diogo Noivo foi nomeado assessor de Miguel Relvas logo após a vitória do PSD nas eleições de junho de 2011. O despacho de nomeação publicado em Diário da República diz que o jovem investigador iria "realizar estudos e prestar apoio técnico no âmbito da respectiva especialidade, com um vencimento bruto de 3.069,33 euros, acrescido de despesas de representação", com efeito a partir do dia 22 de junho.

A entrada para o gabinete de Relvas aconteceu três meses depois de ter sido diretamente contactado pela Stratfor, por iniciativa do seu diretor para a África Subsariana, Mark Schroeder. A 23 de agosto, já com Noivo instalado no Governo, Mark Schroeder retomou o contacto com a sua fonte portuguesa para o correio eletrónico do IPRIS, desta vez agradecendo a ajuda de Noivo ao seu relatório sobre a Al-Quaeda do Magrebe (AQIM) e pretendendo recolher informações sobre os protestos dos jovens em Angola contra Eduardo dos Santos. Segundo as informações já recolhidas pela Stratfor, os protestos estariam a ser empolados a partir de Portugal, através da internet.

Na resposta, Noivo indicou o contacto de um investigador especialista em Angola, que ainda hoje pertence aos quadros do Instituto dirigido por Paulo Gorjão. Após informar Schroeder das suas novas "responsabilidades governamentais", o assessor de Relvas colocou-se ao dispor da Stratfor para futuros contactos. "Caso eu possa ajudar nalguma coisa, não hesite em contactar-me", rematou Diogo Noivo no email enviado ao responsável da Stratfor pela região da África Subsariana a 24 de agosto, dois meses depois de nomeado para o gabinete do ministro.

Na lista de fontes atualizada a 21 julho de 2011, Diogo Noivo era identificado como o informador PT050 e tinha o estatuto de "activo" e o grau C de confiabilidade. Na lista atualizada em Setembro, duas semanas após ter informado o seu contacto na Stratfor da presença no gabinete do Governo, foi promovido ao grau B. No ranking interno com que a Stratfor avalia a "confiabilidade" dos seus informadores, a escala vai de A (mais confiável) a F (nada confiável).

 

 

O que é a Stratfor?

 

No fim de fevereiro, a Wikileaks revelou mais de cinco milhões de emails da empresa de "inteligência global" Stratfor, com sede no Texas, produzidos entre julho de 2004 e dezembro de 2011. Entre os clientes desta empresa estão o Departamento de Segurança Interna dos EUA, a Agência de Inteligência de Defesa e a Marinha norte-americana, fabricantes de armamento e grandes multinacionais como a Dow Chemical, Lockheed Martin ou a Coca Cola, que recorreram aos serviços da Stratfor para vigiar ONG's e grupos críticos dessas empresas.

Mas nem só de serviços de vigilância para clientes especiais vive esta empresa do Texas. Os boletins mensais que a empresa produz são enviados a clientes assinantes do serviço, onde se incluem os principais grupos de comunicação social em todo o mundo, incluindo Portugal. Mas não só: por exemplo, o Instituto de Estudos Superiores Militares do exército português é um dos assinantes deste serviço, pelo qual pagou 2.500 dólares por uma assinatura anual que expira no fim de novembro.

 

Apesar da forte procura, a qualidade do serviço prestado é questionada entre os jornalistas. "A Stratfor é como a Economist, mas chega uma semana mais tarde e é centenas de vezes mais cara", brincava Max Fischer, editor da revista norte-americana Atlantic, em fevereiro, quando os emails foram divulgados pela Wikileaks, considerando a empresa "uma anedota". Nem de propósito, quinze dias depois a Stratfor anunciou a contratação de Robert D. Kaplan, um dos jornalistas históricos da Atlantic e considerado um dos escribas mais influentes do planeta sobre política internacional, para seu Analista-Chefe de Geopolítica.

 

 

Emails continuam a dar que falar


Apesar da projeção mediática do lançamento dos Global Intelligence Files - o nome que a Wikileaks deu aos emails da Stratfor a que o grupo de hackers Anonymous teve acesso - ter sido menor que os emails das embaixadas norte-americanas, eles são vistos como estando na origem dos ataques aos servidores da Wikileaks nas últimas semanas, reivindicados por um grupo autointitulado Antileaks.

Em causa podem estar emails que falam acerca de um sistema de videovigilância que está a ser posto em marcha em várias cidades norte-americanas e é considerado muito mais eficaz que os sistemas de reconhecimento facial existentes. Trata-se do programa "Trapwire", levado a cabo pela empresa Arbaxas, que conta nos seus quadros com antigas figuras de topo do Pentágono e da CIA. Segundo os criadores deste programa, o sistema detecta padrões de comportamento utilizados em operações de vigilância na preparação de atentados terroristas e em seguida classifica o grau de ameaça.

 

Na prática, quem for apanhado nas câmeras de vigilância a tirar fotografias ou a medir distâncias fará disparar um alerta no sistema. A ideia de um sistema que "prevê" a atividade criminosa tem levantado grande debate nas últimas semanas na internet, como muita gente a duvidar da sua eficácia, entre muitas citações do filme "Relatório Minoritário". Segundo a revista Newsweek, a Stratfor também ganhou com este negócio, ao assinar com a Abraxas um acordo que lhe dá 8% das vendas que recomende à sua extensa e milionária base de dados de clientes. O negócio data de 2009 e a newsletter da Stratfor já gabou esta "revolução no mercado da vigilância" várias vezes desde então, sem nunca referir a sua fatia no negócio.

 



 

 

in Esquerda.net 

in Wikileaks Discussion Forum

publicado por portuga-coruche às 07:07
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Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

Esquerda Net "julga" o que desconhece

Países da UE divulgam quem ganha com a PAC

 

Multinacionais, lordes e milionários repartem o dinheiro dos contribuintes que a UE distribui em ajudas agrícolas. Foto Robert Crum/FlickrDesde que os países europeus são obrigados a publicar os nomes dos beneficiários dos 55 mil milhões de euros em ajudas da PAC, o escândalo regressa. São as grandes multinacionais, os milionários e a nobreza latifundiária que repartem entre si a maior fatia do bolo. Em Portugal há 38 entidades que receberam mais de um milhão em 2008. Mas o maior subsídio, de 10 milhões, tem como destino uma empresa espanhola.
 

 

A empresa espanhola Indústrias Lacteas Asturianas S.A foi o maior beneficiário das ajudas europeias à agricultura portuguesa, recebendo do Fundo Europeu Agrícola de Garantia (FEAGA) a quantia de 10.037.520,26 euros entre 16 Outubro de 2007 e 15 de Outubro de 2008. No pódium dos subsídios ao nosso país seguem-se a Sociedade Lusitana de Destilação, de Torres Novas, com 8.347.956 euros e a Torriba de Almeirim, que recebeu 7.393.904 euros no mesmo período. Acima dos 5 milhões de euros recebidos estão ainda a APAVE da Azambuja e a DAI, de Coruche, e com mais de 3 milhões pagos pelo FEAGA encontram-se a PROVAPE, com sede no Cartaxo, a Cooperativa de Produtores de Flores da Madeira, a Hortofrutícolas Campelos. Veja aqui a lista dos beneficiários portugueses da PAC nos últimos anos, preenchendo na pesquisa o valor da ajuda ou o nome da empresa a pesquisar.

A transparência na atribuição dos subsídios europeus à agricultura foi uma luta ganha, mas nem todos estão convencidos. Por exemplo, o governo alemão resiste ainda à divulgação dos nomes dos beneficiários às contestadas ajudas à agricultura e é por isso muito criticado pela oposição. E em vários outros países, a divulgação das listas é feita de forma parcial e quando chega à internet não é possível extrair um ficheiro com a lista completa dos beneficiários, obrigando a pesquisa mais complexa.

E quando o trabalho de pesquisa chega a resultados, poucos são os cidadãos que não se espantam com algumas das figuras que recebem ajudas dos dinheiros públicos da União Europeia. O valor de ajudas à agricultura representa pouco menos de metade do Orçamento global da UE e o seu destino não escapou à regra dos anos anteriores, com a maior parte a ser entregue às  grandes empresas da agro-indústria.

A multinacional Greencore sedeada na Irlanda está no topo da lista, com 83 milhões. Já o líder mundial da exportação da carne de aves, o grupo Doux, com sede em França, recebeu 63 milhões. França é o grande destino destas ajudas concentradas em poucas mãos, com outras seis entidades a receberem cada uma mais de 20 milhões de euros da PAC no ano passado.

Em Inglaterra, a maior parte dos subsídios foi para multinacional Czarnikow que domina o mercado do açúcar em todo o mundo. Na lista de grandes beneficiários encontram-se outras empresas de dimensão mundial no ramo alimentar, como a Nestlé e a Tate & Lyle, mas também a própria Raínha, o príncipe Carlos e muitos membros da nobreza receberam ajudas pagas pelos contribuintes da União Europeia, graças às suas quintas.

Também na Irlanda se descobriram alguns milionários a receber ajudas agrícolas. Segundo o jornal Times, um deles é o patrão da Ryanair, que curiosamente é um crítico reputado da intervenção da UE na regulação da indústria da aviação. Outro é Anthony O'Reilly, o tubarão dos media que tem o hobby da criação de gado. Outros empresários e políticos conhecidos no país também fazem parte desta lista que pode ser escrutinada por todos os cidadãos.

 

in Esquerda.net

 

No que refere à empresa de Coruche referida, a DAI, a "Esquerda.net" deveria informar-se melhor. Depressa chegaria à conclusão que esse valor tem decerto a ver com o fim da cultura de beterraba em Portugal por imposição da OMC. Falei com vários amigos que trabalham e/ou já trabalharam na DAI e a conclusão é categórica: A DAI teria preferido ter continuado com a beterraba e não ter recebido nada da PAC. Ainda segundo esses trabalhadores a PAC chegou mesmo a pôr em risco a empresa e os postos de trabalho.

Como poderão verificar esse "dinheiro" é um "presente imposto e envenenado".

 

Esta questão faz-me lembrar um provérbio Árabe:

Não diga tudo o que sabe, porque quem diz o que sabe muitas vezes diz o que não convém;
não faças tudo o que pode, porque quem faz tudo o que pode, muitas vezes faz o que não deve;
não acredite em tudo o que ouve, porque quem acredita em tudo o que ouve, muitas vezes julga o que não vê;
não gaste tudo o que tem, porque quem gasta tudo o que tem, muitas vezes gasta o que não pode.

 

 

publicado por portuga-coruche às 10:56
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