Segunda-feira, 31 de Outubro de 2011

O descaramento dos políticos não tem limites!

As verdadeiras reformas de alguns políticos não são as que aparecem nos jornais

 

Andamos todos a falar das reformas vitalícias dos políticos. Assunto interessante e simbolicamente revelador da ausência de ética de uma parte (e não de toda) da nossa classe política. Mas, se me é permitido, acho que se falha no ponto. E que esta indignação compreensível pode acabar por servir como cortina de fumo para esconder o que realmente nos devia escandalizar. Não é no que os políticos recebem em reformas - medido em poucos milhares de euros - que encontramos o assalto feito ao Estado e aos seus recursos. É nas políticas que estes políticos impõem ao país. No preço que pagamos por elas. E na recompensa que os decisores recebem por desprezar de forma tão grosseira o interesse público.

 

Aconselho, por isso, a leitura de "Como os políticos enriquecem em Portugal", do jornalista António Sérgio Azenha e prefaciado por Henrique Neto. Pego aqui apenas nos números recolhidos junto do Tribunal Constitucional e reproduzidos neste trabalho de investigação. Deixo para um outro texto a análise mais pormenorizada do envolvimento destes ex-governantes em decisões concretas que podem explicar o interesse do sector privado por eles. Pego em apenas seis exemplos dos 15 analisados.

 

Joaquim Pina Moura ganhava, em 1994, 23 mil euros por ano. Entrou no governo e os seus rendimentos mais do que duplicaram. Natural, as suas responsabilidades também. Mas foi depois de sair da política que mudou de vida. Em 2003, um ano depois de sair do governo, ainda só recebia 172 mil euros por ano. Mas, em 2006, já como presidente da Iberdrola (depois de ter a pasta da economia, onde tomou decisões fundamentais para as empresas de energia), os seus rendimentos anuais eram de 700 mil euros por ano. Em doze anos aumentaram 2956%.

 

Jorge Coelho recebia 41 mil euros por ano, em 1994. Quando ocupou cargos executivos, passou a receber menos do dobro. Saiu em 2001 do governo. No início, a coisa não se sentiu muito. Só mais cinquenta mil euros por ano. Mas, passados uns anos, em 2009, já recebia 710 mil euros por ano, à frente da Mota-Engil. Isto, depois de ter sido ministro do Equipamento Social. O ministério que tratava dos negócios com as construtoras. Em 14 anos, o seu rendimento aumentou 1604%.

 

Armando Vara recebia 59 mil euros por ano em 1994. No governo, aumentou um pouco. Chegou aos cem mil euros em 2000. Saiu do governo e, inicialmente, ficou a perder. Mas só no primeiro ano. Subiu um pouco até 2004. Em 2007, já recebia 240 mil. Em 2009, 520 mil. E em 2010, como administrador do BCP - depois de estar, por nomeação política, na administração do banco do Estado -, 822 mil euros. Em 16 anos, os seus rendimentos aumentaram 1282%.

 

Não se sabe quanto recebia Dias Loureiro antes de ocupar cargos governativos. Não era, na altuea, obrigatória essa declaração. Mas sabe-se que estava muito longe de ser um homem abastado. Como ministro recebia, em 1994, 65 mil euros. Em 2001 já recebia 861 mil euros. Os seus rendimentos caíram depois. Já o que custou ao País, como se sabe, mede-se em muitos zeros à direita. Em sete anos, os seus rendimentos aumentaram 1225%.

 

Fernando Gomes recebia, como presidente da Câmara do Porto, 47 mil euros, em 1998. Como ministro, 78 mil euros. Foi em 2009, na GALP, que se deu uma súbita ascensão social: 515 mil euros anuais. E, no ano seguinte, 437 mil. Em 12 anos, o seu rendimento aumentou 975%.

 

António Vitorino recebia, antes de entrar no governo, 36 mil euros. Como ministro, 71 mil. Depois de sair do governo, 371 mil. Rendimentos que, com altos e baixos, foi mantendo: em 2005, recebia 383 mil euros. Em 11 anos, os seus rendimentos aumentaram 962%. Um caso de súbita competência na advocacia.

 

Aumentos desta amplitude só poderiam ser explicados por extraordinários casos de sorte ou por, como políticos, estes senhores terem revelado invulgares capacidades de gestão. Quando se repete um padrão torna-se difícil falar de sorte. Quanto à competência, cada um fará a avaliação que entender da maioria dos ministros que tivemos. Incluindo os casos referidos. E note-se que na maioria dos casos o currículo anterior à entrada num governo não chegaria sequer para ocupar um lugar de quadro intermédio nas empresas que acabam por dirigir.

 

A verdade é esta: em cargos governativos os ministros criam redes de contactos. Muitas delas alimentadas pelas decisões que tomaram e que lhes garantiram a simpatia de futuros empregadores. Fosse o contrário e dificilmente franqueariam as portas dos maiores grupos económicos.

 

Nunca devemos esquecer o caso de Joaquim Ferreira do Amaral que, depois de negociar a ruinosa parceria para a construção e exploração da ponte Vasco da Gama, foi dirigir a empresa concessionária, a Lusoponte. Em 15 anos, aumentou os seus rendimentos anuais em 328%. Ainda assim um número humilde, quando comparado com alguns dos seus colegas. Há casos como os de Armando Vara ou Fernando Gomes, em que é o seu partido a colocá-los diretamente nas empresas, sejam elas privadas, públicas ou com participação do Estado. Há outros em que se dedicam ao puro tráfico de influências. E outros em que recebem a recompensa do dinheiro que fizeram o Estado perder em favor de interesses privados.

 

Os nossos políticos não são nem mais nem menos honestos do que os de outros países. Como sempre, é a ocasião que faz o "ladrão". O problema é estrutural. E ele tem a ver com uma cultura de promiscuidade entre as empresas privadas e o Estado. Que tem dois sentidos. Um Estado permeável a todas as pressões - veja-se o tratamento de exceção fiscal que continua a ser dado à banca - e um sector empresarial pendurado no Estado. Se lermos os contratos das Parcerias Público-Privadas - recomendo mais uma vez a leitura de "Como o Estado gasta o nosso dinheiro", do juíz do Tribunal de Contas Carlos Moreno - e se analisarmos os processos de privatizações (sobretudo a de empresas que detêm monopólios naturais), percebemos como a nossa elite económica mantém a sua tradicional cultura rentista. Nunca quiseram menos Estado. E não é agora que o vão querer. Querem é o Estado fraco, permeável a pressões e anorético para os cidadãos.

 

Em tempo de vacas magras isto vai piorar. Se há menos para distribuir ficarão eles com tudo. Razão pela qual, mais do que estar atento às moralmente escandalosas - mas insignificantes para os valores de que falei neste texto - reformas dos políticos, devemos estar atentos às decisões que eles tomam. E não nos deixarmos perder com o acessório. O dinheiro que perdemos agora não será pago a quem nos rouba em reformas ou mordomias do Estado. Será pago com salários milionários em grupos empresariais privados para quem vende a nossa democracia em troca de carreiras interessantes. Os nomes destas pessoas interessam. Mas interessa mais saber o que torna isto possível.

 Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/-as-verdadeiras-reformas-de-alguns-politicos-nao-sao-as-que-aparecem-nos-jornais=f684379#ixzz1cNXxjvdm

 

 

Por: Daniel Oliveira (http://www.expresso.pt/)

 

in Expresso

 

 

publicado por portuga-coruche às 07:33
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Quinta-feira, 27 de Outubro de 2011

Dias Loureiro não tenciona prescindir da “pensão” vitalícia….

Há seres sem um pingo de vergonha! Este é um deles!

 
Dias Loureiro, o antigo ministro, conselheiro, amigo e protegido de Cavaco Silva, não tenciona prescindir da sua subvenção vitalícia a não ser que a lei o obrigue, considera que a sua solidariedade para com o País é paga através dos seus impostos e dos impostos das suas empresas !!!??
 
 
Mas quais impostos e quais empresas??????
 
Acusado que está de danos no BPN no valor de 41,16 milhões de euros, conjuntamente com o Oliveira e Costa via SLN, da qual eram ambos administradores (a tal sociedade que deu lucros espantosos e mágicos a Cavaco Silva), Dias Loureiro escapou ao arresto ou penhora aos seus bens, depois de os investigadores terem analisado detalhadamente o seu património.
As conclusões desta análise mostraram que os imóveis estão registados em nome de familiares ou pertencem a empresas sediadas em paraísos fiscais. Além disso, as contas bancárias que o antigo braço direito de Oliveira Costa no BPN tem em seu nome possuam saldos médios que não ultrapassam os cinco mil euros.
Isto só prova que Dias Loureiro tem algo a esconder em relação à origem da fortuna que “amealhou” em poucos anos, e que por isso, dada a possível e aparentemente obscura proveniência dos lucros dos seus negócios, optara intencionalmente por não ter rigorosamente nada em seu nome.
Só falta dizer que este é o homem que em 1981 ganhava menos de cinquenta contos por mês como Governador Civil de Coimbra e que duas décadas mais tarde declarou rendimentos superiores ao Belmiro de Azevedo….
Então onde é que estão os impostos e as empresas!!???

 

 

in Blog Reino da Vadiação

 

 

publicado por portuga-coruche às 07:40
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Sexta-feira, 30 de Setembro de 2011

O homem que via passar as vacas

Quando fui informado que o nosso Presidente ia aparecer na televisão pensei que Aníbal ia falar sobre o fim das touradas na Catalunha.
 
Quando fui informado que o nosso Presidente ia aparecer na televisão pensei que Aníbal ia falar sobre o fim das touradas na Catalunha. Tenho a opinião de que Cavaco devia largar o Facebook e passar a publicar as suas ideias no almanaque "Borda D'Água".

Quando ouvi a entrevista, percebi que o nosso Presidente, desta vez, ia fugir aos temas bucólicos e que considerava encerrado o dossiê sobre a poda do fruto da árvore graviola. Surpreendentemente, Aníbal vinha anunciar o Plano Cavaco para a Europa.

O que se passou é fácil explicar. Cavaco viu Passos Coelho na ONU, Durão no Estado da União e (ó ignomínia!!!) Portas aos beijos a Hillary Clinton, e não aguentou. Ele quer-nos fazer crer que é a rainha de Inglaterra mas não quer ser tratado como tal.

Cavaco deu esta entrevista porque precisava de um espaço para expor a sua teoria para a resolução da crise financeira europeia. Também queria os seus 15 minutos de fama. A TVI, e a Judite Sousa, foram o "Speaker's Corner" de Aníbal; até havia imenso barulho de fundo de trânsito e tudo.

Aníbal também tem um plano que põe o BCE a fazer mais do que já faz e outras coisas que poucos perceberam - Portugal tem um professor de economia e finanças como Presidente quando precisava de um padre. "Infelizmente", o discurso do estado da União Europeia e as propostas de Cavaco têm o mesmo impacto, e sucesso, na UE , que a nossa canção no eurofestival da canção.

Há pouco mais a acrescentar. Questionado sobre a Madeira, fugiu para Valpaços - é muito mais zen - uns falam de mais sobre a Madeira, outros de menos.

Quis, de certa forma, acalmar os portugueses em relação ao futuro do País. Mas como diz "desvio de dois biliões", em vez dos habituais dois mil milhões, as pessoas entram em pânico porque parece muito mais dinheiro.

Voltou a repetir que nos alertou, em escritos, desde em 2005, para o que ia acontecer com o País, mas acrescentou que ficou surpreendido com o desvio da Madeira; e só soube a quando do relatório do INE. Será que o "dedinho que adivinha tudo" de Cavaco só tem rede no continente?

Disse, também, que a troika talvez tenha ido longe demais nas exigências… aos pobres? à classe média? aos reformados? Errado (só tinham três tentativas). Cavaco acha que foram longe demais com as exigências à banca, essa classe tão desprotegida. Até foram capazes de, imagine-se, fazer exigências aos bancos portugueses que não fazem aos bancos de outros países… Os bancos na Alemanha têm a vida mais facilitada que os nossos, como é que é possível?! Eu, às vezes, pobre português reduzido a lixo, entro numa dependência do BCP só para ficar a cheirar a triple A.

A certa altura afirmou que demitiu o primeiro-ministro - é o que Angela Merkel chamaria um "Fehlleistung", ou lapso freudiano.

Terminou sossegando-nos a todos, com o anúncio que, dada a situação do País, vai convocar o Conselho de Estado para Outubro - que pena já lá não estar o Dias Loureiro, era dos poucos que sabia como arranjar dinheiro em pouco tempo.

Se fosse obrigado a destacar uma frase da entrevista do nosso presidente, escolhia - 2012 é um ano de resistência - aí, finalmente, é capaz de ter razão…



9 vacas magras

1.
Segundo a contagem do PSD, faz 100 dias de Governo e 93 que começou a crise europeia.
2. Estou a actualizar o meu humor: "estava um alemão, um francês e um portuguesinho …"
3. Suicidas não confiam na velocidade anunciada para o novo TGV.
4. O PSD tem discurso neutrino: regressam facilmente ao tempo de Sócrates, e daí para a situação actual, saltando o tempo de campanha eleitoral.
5. Estado corta 500 euros aos melhores alunos - PT paga a idiota que anda de skate na estrada para fazer anúncios. Espero que as empresas estejam atentas ao cancelamento da verba agora que o Estado promete 420 a quem empregar.
6. Espero que diminuam a TSU das empresas do empresário das orgias, porque ele arranja emprego a muita gente.
7. Para mim, o melhor membro do Governo, até agora, foi o Eduardo Bairrão.
8. A entrevista do "trader" da "City" Alessio Rastani à BBC deu que falar - é claramente um personagem inventado: o nó da gravata é uma tentativa falhada de um príncipe de Gales, que os "traders" dominam.
9. Cada vez que vejo uma estrela cadente desejo que o Rastani não sonhe com a recessão.
 
 
 
 
Por João Quadros
 
 
 
 
publicado por portuga-coruche às 07:00
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