Terça-feira, 18 de Setembro de 2012

Gylfi Zoega: Portugal deve investigar quem do Governo e banca está na origem do alto endividamento

O membro do Banco Central da Islândia Gylfi Zoega considera que Portugal deve investigar quem está na origem do elevado endividamento do Estado e bancos, e porque o fez, e que "foi uma bênção" Portugal estar no euro.

“Temos de ir aos incentivos. Quem ganhou com isto? No meu país eu sei quem puxou os cordelinhos, porque o fizeram e o que fizeram, e Portugal precisa de fazer o mesmo. De analisar porque alguém teve esse incentivo, no Governo e nos bancos, para pedirem tanto emprestado e como se pode solucionar esse problema no futuro”, diz o responsável.

O economista, que também participou no documentário premiado com um Óscar “Inside Job – A verdade sobre a crise”, disse em entrevista à Agência Lusa que Portugal beneficiou muito de estar no euro nesta altura, porque para além do apoio dos seus parceiros da união monetária, terá de resolver os seus problemas estruturais ao invés de recorrer, como muitas vezes no passado, à desvalorização da moeda.

“Talvez para Portugal estar no euro nesta altura seja uma bênção, porque apesar de não conseguir sair do problema de forma tão fácil como antes, através da depreciação [da moeda], vocês têm de lidar com os problemas estruturais que têm”, disse.

A Islândia, na sequência da grave crise económica que sofre desde 2008, derivada do colapso do seu sistema financeiro (que chegou a ser 10 vezes maior que a economia islandesa), também teve de recorrer ao Fundo Monetário Internacional para resolver os seus problemas de financiamento, mas neste caso a experiência não é nada mal vista.

“Penso que o FMI é útil neste sentido, porque é uma instituição que pode ajudar a coordenar as acções. Existem coisas impopulares que têm de ser feitas, e pode ser utilizada como um bode expiatório para essas medidas impopulares, que teriam de ser aplicadas de qualquer forma. Ajuda os políticos locais a justificar aquilo que podiam não conseguir fazer por eles próprios”, diz.

O responsável diz mesmo que a experiência do seu país tem sido “muito boa” e que a instituição tem feito um grande esforço de coordenação para garantir que as medidas têm os efeitos desejados.

“A experiência com o FMI acabou por ser muito boa, porque actualmente têm uma tendência para serem muito pragmáticos, para encontrar soluções que funcionem. Tiveram algumas medidas pouco ortodoxas, como os controlos de capital e outras para reduzir o défice, e ajudaram a garantir que o programa estava no caminho certo, visitando todos os ministérios, o banco central. Tem sido um esforço em grande cooperação”, explica.

No entanto, recorrer a ajuda externa tem as suas consequências e a principal tem sido a falta de confiança dos mercados, explica ainda Gylfi Zoega, acrescentando que ainda não existe previsão para quando ou se a Islândia vai conseguir voltar a financiar-se nos mercados.

“[A Islândia] Não tem qualquer acesso aos mercados de capitais actualmente, e é uma questão em aberto. Quanto tempo demorará? Se os mercados ficarão completamente fechados? Se olham para isto como um problema isolado que podem perdoar ou se olham e pensam nisto como algo mais crónico. Portanto, nós não sabemos como vai ser o nosso acesso ao mercado no futuro”, afirma.
por LUSA
publicado por portuga-coruche às 07:20
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2011

O Sonho Americano

 

 

 

 

 

Dica de Pedro Ribeiro

 

 

 

publicado por portuga-coruche às 07:10
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Terça-feira, 22 de Novembro de 2011

Inside Job / Trabalho Interno (2010) Legendado PT

 

publicado por portuga-coruche às 07:10
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 31 de Outubro de 2011

O descaramento dos políticos não tem limites!

As verdadeiras reformas de alguns políticos não são as que aparecem nos jornais

 

Andamos todos a falar das reformas vitalícias dos políticos. Assunto interessante e simbolicamente revelador da ausência de ética de uma parte (e não de toda) da nossa classe política. Mas, se me é permitido, acho que se falha no ponto. E que esta indignação compreensível pode acabar por servir como cortina de fumo para esconder o que realmente nos devia escandalizar. Não é no que os políticos recebem em reformas - medido em poucos milhares de euros - que encontramos o assalto feito ao Estado e aos seus recursos. É nas políticas que estes políticos impõem ao país. No preço que pagamos por elas. E na recompensa que os decisores recebem por desprezar de forma tão grosseira o interesse público.

 

Aconselho, por isso, a leitura de "Como os políticos enriquecem em Portugal", do jornalista António Sérgio Azenha e prefaciado por Henrique Neto. Pego aqui apenas nos números recolhidos junto do Tribunal Constitucional e reproduzidos neste trabalho de investigação. Deixo para um outro texto a análise mais pormenorizada do envolvimento destes ex-governantes em decisões concretas que podem explicar o interesse do sector privado por eles. Pego em apenas seis exemplos dos 15 analisados.

 

Joaquim Pina Moura ganhava, em 1994, 23 mil euros por ano. Entrou no governo e os seus rendimentos mais do que duplicaram. Natural, as suas responsabilidades também. Mas foi depois de sair da política que mudou de vida. Em 2003, um ano depois de sair do governo, ainda só recebia 172 mil euros por ano. Mas, em 2006, já como presidente da Iberdrola (depois de ter a pasta da economia, onde tomou decisões fundamentais para as empresas de energia), os seus rendimentos anuais eram de 700 mil euros por ano. Em doze anos aumentaram 2956%.

 

Jorge Coelho recebia 41 mil euros por ano, em 1994. Quando ocupou cargos executivos, passou a receber menos do dobro. Saiu em 2001 do governo. No início, a coisa não se sentiu muito. Só mais cinquenta mil euros por ano. Mas, passados uns anos, em 2009, já recebia 710 mil euros por ano, à frente da Mota-Engil. Isto, depois de ter sido ministro do Equipamento Social. O ministério que tratava dos negócios com as construtoras. Em 14 anos, o seu rendimento aumentou 1604%.

 

Armando Vara recebia 59 mil euros por ano em 1994. No governo, aumentou um pouco. Chegou aos cem mil euros em 2000. Saiu do governo e, inicialmente, ficou a perder. Mas só no primeiro ano. Subiu um pouco até 2004. Em 2007, já recebia 240 mil. Em 2009, 520 mil. E em 2010, como administrador do BCP - depois de estar, por nomeação política, na administração do banco do Estado -, 822 mil euros. Em 16 anos, os seus rendimentos aumentaram 1282%.

 

Não se sabe quanto recebia Dias Loureiro antes de ocupar cargos governativos. Não era, na altuea, obrigatória essa declaração. Mas sabe-se que estava muito longe de ser um homem abastado. Como ministro recebia, em 1994, 65 mil euros. Em 2001 já recebia 861 mil euros. Os seus rendimentos caíram depois. Já o que custou ao País, como se sabe, mede-se em muitos zeros à direita. Em sete anos, os seus rendimentos aumentaram 1225%.

 

Fernando Gomes recebia, como presidente da Câmara do Porto, 47 mil euros, em 1998. Como ministro, 78 mil euros. Foi em 2009, na GALP, que se deu uma súbita ascensão social: 515 mil euros anuais. E, no ano seguinte, 437 mil. Em 12 anos, o seu rendimento aumentou 975%.

 

António Vitorino recebia, antes de entrar no governo, 36 mil euros. Como ministro, 71 mil. Depois de sair do governo, 371 mil. Rendimentos que, com altos e baixos, foi mantendo: em 2005, recebia 383 mil euros. Em 11 anos, os seus rendimentos aumentaram 962%. Um caso de súbita competência na advocacia.

 

Aumentos desta amplitude só poderiam ser explicados por extraordinários casos de sorte ou por, como políticos, estes senhores terem revelado invulgares capacidades de gestão. Quando se repete um padrão torna-se difícil falar de sorte. Quanto à competência, cada um fará a avaliação que entender da maioria dos ministros que tivemos. Incluindo os casos referidos. E note-se que na maioria dos casos o currículo anterior à entrada num governo não chegaria sequer para ocupar um lugar de quadro intermédio nas empresas que acabam por dirigir.

 

A verdade é esta: em cargos governativos os ministros criam redes de contactos. Muitas delas alimentadas pelas decisões que tomaram e que lhes garantiram a simpatia de futuros empregadores. Fosse o contrário e dificilmente franqueariam as portas dos maiores grupos económicos.

 

Nunca devemos esquecer o caso de Joaquim Ferreira do Amaral que, depois de negociar a ruinosa parceria para a construção e exploração da ponte Vasco da Gama, foi dirigir a empresa concessionária, a Lusoponte. Em 15 anos, aumentou os seus rendimentos anuais em 328%. Ainda assim um número humilde, quando comparado com alguns dos seus colegas. Há casos como os de Armando Vara ou Fernando Gomes, em que é o seu partido a colocá-los diretamente nas empresas, sejam elas privadas, públicas ou com participação do Estado. Há outros em que se dedicam ao puro tráfico de influências. E outros em que recebem a recompensa do dinheiro que fizeram o Estado perder em favor de interesses privados.

 

Os nossos políticos não são nem mais nem menos honestos do que os de outros países. Como sempre, é a ocasião que faz o "ladrão". O problema é estrutural. E ele tem a ver com uma cultura de promiscuidade entre as empresas privadas e o Estado. Que tem dois sentidos. Um Estado permeável a todas as pressões - veja-se o tratamento de exceção fiscal que continua a ser dado à banca - e um sector empresarial pendurado no Estado. Se lermos os contratos das Parcerias Público-Privadas - recomendo mais uma vez a leitura de "Como o Estado gasta o nosso dinheiro", do juíz do Tribunal de Contas Carlos Moreno - e se analisarmos os processos de privatizações (sobretudo a de empresas que detêm monopólios naturais), percebemos como a nossa elite económica mantém a sua tradicional cultura rentista. Nunca quiseram menos Estado. E não é agora que o vão querer. Querem é o Estado fraco, permeável a pressões e anorético para os cidadãos.

 

Em tempo de vacas magras isto vai piorar. Se há menos para distribuir ficarão eles com tudo. Razão pela qual, mais do que estar atento às moralmente escandalosas - mas insignificantes para os valores de que falei neste texto - reformas dos políticos, devemos estar atentos às decisões que eles tomam. E não nos deixarmos perder com o acessório. O dinheiro que perdemos agora não será pago a quem nos rouba em reformas ou mordomias do Estado. Será pago com salários milionários em grupos empresariais privados para quem vende a nossa democracia em troca de carreiras interessantes. Os nomes destas pessoas interessam. Mas interessa mais saber o que torna isto possível.

 Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/-as-verdadeiras-reformas-de-alguns-politicos-nao-sao-as-que-aparecem-nos-jornais=f684379#ixzz1cNXxjvdm

 

 

Por: Daniel Oliveira (http://www.expresso.pt/)

 

in Expresso

 

 

publicado por portuga-coruche às 07:33
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Segunda-feira, 8 de Agosto de 2011

Há alternativas a esta Europa austeritária?

 

O documento tem um título provocatório: “Manifesto dos Economistas Aterrados, crise e dívida na Europa, 10 falsas evidências para sair do impasse” (Actual Editora, 2011). Apresenta-se como um antídoto crítico face ao discurso prevalecente dos economistas convencionais, isto é, daqueles que repetem até à exaustão não haver alternativas à austeridade e por isso recomendam a erosão dos serviços públicos, a redução das prestações sociais e dos salários e uma maior indiferença pelos direitos laborais. É o manifesto em que se contesta esta centralidade do capitalismo financeiro nas economias e que levou à aliança entre accionistas e gestores de topo à custa de maiores sacrifícios para a generalidade dos trabalhadores. Escrevem as prefaciadoras: “Colocar os problemas da economia portuguesa no contexto de uma integração europeia disfuncional e de uma economia financeirizada é uma forma de indicar a urgência de abandonar o comportamento de bom aluno e de recusar as imposições do sistema financeiro e do governo alemão e a política de austeridade que lhe está associada. Uma auditoria à dívida pública do país seria um primeiro passo para saber quem detém os títulos nacionais e em que condições. Só assim se poderá saber quem está a ganhar com o processo de transferência de rendimentos das classes populares para o sistema financeiro”.

Vejamos com algum pormenor a contra-argumentação e as desmontagens das falácias destes “economistas aterrados”.

 

Primeiro, os mercados financeiros não são eficientes, muito ao contrário do que diz o G20. A crise encarregou-se de demonstrar a sua ineficiência. A teoria da eficiência assenta na ideia de que os investidores procuram (e encontram a informação mais fiável, a partir daí a concorrência estabelece preços justos. Na verdade, a concorrência financeira é muitas vezes desestabilizadora e conduz a evoluções de preços excessivas e irracionais. Sendo pois estes mercados ineficientes e instáveis, há que os enquadrar, proibir os bancos de especular por conta própria, limitar as transacções financeiras às necessidades da economia real.

 

Segundo, está longe de ser verdade que os mercados financeiros favorecem o crescimento económico. Assistimos a um poder desmesurado dos accionistas que impõem uma nova concepção da empresa e da sua gestão. Os dirigentes das empresas cotadas em Bolsa passaram a ter como missão primordial satisfazer o desejo de enriquecimento dos accionistas. O manifesto avança com medidas para superar os efeitos negativos que os mercados financeiros exercem sobre a actividade económica: por exemplo, aumentar fortemente os impostos sobre salários muito elevados, de modo a dissuadir a corrida a rendimentos insustentáveis.

 

Terceiro, está longe de ser verdade que as agências de notação financeira avaliem objectivamente as finanças públicas. Como escrevem os “economistas aterrados”, um título financeiro é um direito sobre rendimentos futuros: para o avaliar é necessário prever o que será o futuro. Nas salas de mercado, as coisas são o que os operadores imaginam o que venha a ser. O preço de um activo financeiro resulta de uma avaliação, nada assegura que a avaliação dos mercados tenha alguma espécie de superioridade sobre outras formas de avaliação”. Para contrariar este autoritarismo, as agências de notação financeira não devem estar autorizadas a influenciar, de forma arbitrária, as taxas de juro dos mercados de dívida pública.

 

Quarto, a subida das dívidas públicas não é só resultado de um excesso de despesas, depende da quebra das receitas públicas e esta decorre da falta de crescimento económico: com a contra-revolução fiscal iremos sempre de recessão em recessão. Importa instaurar um debate público, pelo que se propõe efectuar uma auditoria das dívidas soberanas, de modo a determinar a sua origem.

 

Quinto, é duvidoso que a redução das despesas diminua, por si só, a dívida pública. A dinâmica da dívida depende de vários factores como seja a diferença entre a taxa de juro e a taxa de crescimento nominal da economia. E para evitar que o reequilibro das finanças públicas provoque um desastre social e político, são propostas medidas de protecção social e de aumento do esforço orçamental em matéria de educação e até de investimento na reconversão ecológica e ambiental.

 

Sexto, é falacioso dizer-se que a dívida pública transfere o custo dos nossos excessos para as gerações futuras. O aumento da dívida pública na Europa é o resultado de uma política que favorece as camadas sociais privilegiadas. Para corrigir de forma equitativa as finanças públicas, propõe-se, entre outras medidas, que se atribua de novo um carácter fortemente redistributivo à fiscalidade directa sobre os rendimentos.

 

Sétimo, não é a estabilidade dos mercados financeiros que vai garantir o financiamento da dívida pública. O sector financeiro aumentou substancialmente a sua influência sobre a economia: as grandes empresas recorrem cada vez menos ao crédito bancário e cada vez mais aos mercados financeiros. Os bancos centrais já não podem financiar directamente os estados, devem encontrar quem lhes conceda empréstimos nos mercados financeiro. Para resolver o problema da dívida pública, os autores do manifesto sugerem que se autorize o Banco Central Europeu a financiar directamente os Estados e que se restruture a dívida pública, limitando, por exemplo, o seu peso a determinado valor percentual do PIB.

 

Oitavo, a União Europeia não tem primado pela defesa de um modelo social. A visão hoje dominante em Bruxelas é de uma Europa liberal assente na desregulação da economia e com mais concorrência nos mercados de bens e serviços e diminuição da importância dos serviços públicos. Por isso é sugerido como medida que se substitua a política de concorrência por uma política de “harmonização e prosperidade”, fundamentada em grandes orientações de política social.

 

Nono, é uma falsa evidência que o Euro seja um permanente escudo de protecção contra a crise. Depois da crise financeira que começou nos Estados Unidos, a Europa não soube empenhar-se numa política suficientemente reactiva. A Comissão Europeia aprovou procedimentos contra os países em défice excessivo, obrigando os Estados a regressarem, até 2013 e 2014, a valores percentuais de défice inferior a 3 %. A manterem-se políticas salariais restritivas, regressão sistemática dos sistemas públicos (com destaque para a saúde e educação) corre-se o risco da Europa mergulhar na depressão e ao agravamento de tensões entre os diferentes países. A medida que pode obviar esta situação passa por assegurar uma verdadeira coordenação das políticas macroeconómicas e à redução concertada dos desequilíbrios comerciais entre os países europeus.

 

Décimo, está por provar que a crise grega permita avançar para um governo económico de uma verdadeira solidariedade europeia. Acima de tudo, a crise grega ajudou a erguer uma cortina de fumo sobre as origens de crise financeira. Estamos a assistir a um endurecimento do PEC (pacto de estabilidade e crescimento), esta estratégia de choque traz imediatamente proveito aos apologistas da agenda neoliberal. Porém a diminuição das despesas públicas vai comprometer o esforço necessário para assegurar despesas futuras indispensáveis, como é o caso da investigação na economia verde. A medida mais consentânea será de desenvolver uma verdadeira fiscalidade europeia e um verdadeiro orçamento europeu.

 

É isto o que propõem os economistas aterrados, políticas económicas alternativas e uma refundação da construção europeia. Vamos ver até que ponto estas propostas serão tidas em conta para sairmos da recessão e do impasse actuais. Para já, vale a pena conhecer na íntegra este manifesto e discuti-lo em sede própria.

 

Por: Beja Santos

in O Ribatejo

publicado por portuga-coruche às 07:15
link do post | comentar | favorito

João Duque: "A Europa vai-se desmoronar!"

Europeísta convicto, o presidente do ISEG não acredita na Europa com este modelo e com estes líderes

 

 

A entrevista foi concedida a meio das férias, entre a chegada do Norte de França e a partida próxima para a Europa Central, agora com as suas três filhas, num itinerário ainda a definir de acordo com as milhas acumuladas no cartão TAP. Os ténis brancos e a écharpe denunciam a chegada directa do aeroporto da Portela, com uma breve escala no ACP das Amoreiras, onde foi renovar a carta de condução. Mas o ar blasé de João Duque, professor de Finanças e presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), contrasta com as palavras duras sobre uma Europa à beira do colapso e sem gente capaz de a segurar.

O mundo não se compadece com férias e está em convulsão. Como olha para a Europa e para os seus líderes?

Com esta gente não tínhamos feito o euro. E com esta gente arriscamo-nos a desfazer o euro!

Voltamos para trás?

Ah, isso seria complicadíssimo. Isto vai ser um trinta e um. Sair do euro, sozinhos, nunca. Isso, para mim, seria um disparate, sair de livre vontade, não. Portugal não tem condições nenhumas, não tem crescimento económico, não tem equilíbrio na balança comercial, não tem meios de financiamento alternativos... Não tem nada! Por outro lado, se sair toda a gente, nós não somos o foco, não somos a ovelha ronhosa... Isto é como uma manada em andamento, de vez em quando larga uns que estão mais debilitados para os chacais. Já estamos cá atrás da manada, se nos largam, morremos!

De quem é a culpa?

Há aqui uma potência muito poderosa, que lidera, e que lidera mal. Lidera mal uma Europa... Lidera lá uns interesses, uma visão de interesses pessoais, que, se calhar, também estão um bocadinho errados. Se não, vamos lá a ver: a maior parte das exportações alemãs são para a Europa, para a União Europeia. E, portanto, se eles contam resolver o problema deles deixando os outros numa situação muito debilitada, isso significa que não estão a resolver nada. E deixa-se a Europa à mercê do abutre de maior dimensão.

A Europa seria diferente sem a chanceler alemã, Angela Merkel?

Sim, claro. Sem Merkel, sem Sarkozy... Podia e devia ser diferente! Eles têm que dar um passo à frente em termos de construção da Europa. A Europa deu passos significativos e o último grande passo foi a criação do euro. Depois disso, não se fez praticamente nada. E os passos que agora se estão a dar são passos que não vão no sentido da criação de uma Europa.

Em que sentido vão?

É engraçado. Há 20 anos, olhava-se para a criação da Europa e aquilo que se criticava era o esbatimento da noção de nação, de fronteiras, de identidade. E o que se está a fazer hoje é vincar fronteiras, diferenças, nações.

O que estes políticos estão a fazer é voltar a delinear uma linha grossa, dentro do envelope da Europa, a traço menos grosso mas marcado. Estão a marcar o que estava a ser esbatido.

O esbatimento maior foi quando se perderam as moedas. E atrás da moeda podia vir a dívida e os impostos associados à dívida, porque não há ninguém que vá comprar a dívida de alguém que não tem um poder directo sobre os activos, sejam existentes ou futuros, para entregar em colateral. Isso não existe.

Há o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira...

Mas o que temos neste momento é uma coisa vaga. Há uma emissão de dívida, para salvar uns quantos, mas não há o reconhecimento claro de que há activos por parte do fundo para agir de forma directa, sem passar por 27 parlamentos a aprovar não se sabe o quê. E se for só pelos parlamentos, boa! Porque pode ser ainda mais complicado, quando dos 27 dez ainda têm passar por referendos para permitir que determinado tipo de bens possam servir para pagar dívidas! Mas alguém vai pagar uma dívida destas?! Só se for louco! Portanto, o problema não está nada resolvido. Atamancaram aqui uma solução, não resolveram nada, e isso nota-se! Qualquer coisinha, lá vai o Sarkozy falar com a Merkel ao fim do dia, porque os mercados estão a tremer. É evidente que estão a tremer, os líderes são os primeiros a tremer!

Se falasse com Merkel, hoje, o que tinha vontade de lhe dizer?

Eu tinha vontade de fazer uma pergunta que acaba por ser comum a todos os outros, que é: como é que a senhora quer ficar conhecida para a História? Por aquela que destruiu ou por aquela que construiu a Europa?

Que passo devia ser dado agora, na construção da Europa?

Se querem construir uma Europa, têm que construir um governo europeu, com políticas económicas europeias e políticas de financiamento público europeias. Coisa que nunca houve.

E o que é que impede a constituição desse governo europeu?

Eu compreendo que seja preciso dar passos. Ninguém aceitaria a Europa se um dia se chegasse e dissesse: vamos aqui construir uma coisa e perdemos todos a identidade, perdemos os governos, faz--se um governo único que é quem vai mandar... Ninguém aceitaria isso. Para o aceitarem, as pessoas teriam de perceber que há passos que não nos levam a um terreno forte, que garanta um nível suficiente. O problema é que se esbarrou contra uma parede. Até aqui, houve a sorte de a Europa ter tido em determinada altura dois ou três líderes que tiveram essa visão e que deram um passo. Imagine a coragem e o poder do ex-chanceler alemão, Helmut Kohl, ao dizer à Alemanha: vamos acabar com o marco para aceitar uma coisa que é uma misturada de moedas...

Hoje não temos líderes, é isso?

Pois não temos! Não temos. A Merkel não tem visão, o Sarkozy não tem visão, não é com Berlusconi que vamos contar... Os próprios responsáveis pela manutenção dos sistemas não são capazes de os manter, estão a deixar colapsar a Europa. Isso, para mim, é muito perigoso.

E vê algum líder a caminho?

Pois não, não se vê nenhum a caminho. E isto é perigoso, do ponto de vista político.

Em que sentido?

No sentido que pode dar azo a oportunismos de movimentos de natureza duvidosa, de gente mal-intencionada que, depois, pode vir a liderar o descontentamento. E há muita gente que até está contente, porque, apesar de tudo, o sistema da Europa é um sistema que se baseia numa democracia em cima de uma economia de mercado. E há muita gente que acha que a economia de mercado é a pior coisa que pode haver e que gostaria de ver tudo isto implodir.

Fala de quem, concretamente?

Dos extremistas islâmicos, por exemplo, ou dos comunistas, que ainda os há.

No final da semana passada o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, veio pressionar os Estados- -membros para actuarem com maior rapidez...

O drama não é Durão Barroso fazer pressão. O drama é ele ser imediatamente desautorizado. Soube-se logo que a proposta não era aceite por todos, que não era bem-vinda... É a tal coisa, por uma triste conjugação de planetas, não temos estrelas!

Que atitude devia tomar Durão Barroso?

Nunca vi Durão Barroso como líder. Ele foi escolhido por características que são tudo menos aquilo que se pede a um líder europeu. Tem uma paciência infinita e uma grande capacidade de diplomacia, é um pacificador. E estava entre aqueles que não incomodavam.

Deitamos fora os líderes ou deitamos fora o modelo de Europa?

O que eu vejo é que esta gente é incapaz de manter o que lhes deram, quanto mais andar para a frente. Mas o modelo tem que ser outro.

É preciso reinventar a Europa?

Isto aconteceu em todas as fases da História: períodos bons e sucessores que não foram capazes de os aguentar e as coisas desmoronaram-se. E depois são maus!

E o que é que têm que ser capazes de fazer?

O que tem que haver é políticos candidatos à Europa. A organização política tem que ser diferente. Tem que haver eleições europeias. É preciso dar o salto.

Têm que dar passos significativos em frente. Têm que criar um governo europeu, têm que criar políticas europeias, têm que financiar a Europa do ponto de vista das finanças públicas de uma forma federal, têm que libertar para a Europa o poder de tributar e fazer uma política económica mais europeia.

E o que estão a fazer não é nada disso! Estão a dizer que o responsável de cada dívida é ele próprio, criam mecanismos de ajuda a uma região, mas a dívida é deles, eles é que têm que a pagar... Quanto muito, vá umas ajudazinhas, uma taxa um bocadito mais favorável... Mas atenção, isto não é um por todos e todos por um, é cada um por si!!!

E o aumento do fundo de resgate é mais uma medida avulsa?

É. Não resolve o problema de fundo e deixa mais a nu a necessidade de se darem passos significativos, porque, como se vê, isto não é suficiente para fazer coisa nenhuma. Mais, deixa de fora, por exemplo, dois que já estão a abanar, a Espanha e a Itália. Se o fundo já não chega, com estes então...

Os políticos europeus deviam perceber que, para salvar o sistema, têm que abdicar de algumas coisas e têm que ser corajosos. Mas estão sempre a jogar à defesa. A Europa, neste momento, parece um governo de Sócrates: sempre atrasado nas medidas, sempre a inventar desculpas e a fazer uma série de trapalhadas. Em vez de estar a liderar, a antecipar e a ir para a frente, está sempre a reagir.

Qual teria que ser o valor do fundo para ser considerado suficiente?

De, pelo menos, 60% do PIB europeu. E provavelmente não chegaria.

A solução não passa por aí?

Pois não. Isto é uma coisa que poderia resolver, em determinada altura, o problema de um ou dois... pequeninos. Mas não é a resolução do problema da Europa. Das duas uma: ou querem conceber a Europa ou não querem conceber a Europa. Eu entendia que algumas fases tivessem prazos e fossem necessários passos mais curtos para fazer as coisas. Aliás, deram-nos um calendário para aplicar milhões de medidas. À escala europeia, as medidas vão-se tomando com uma cadência trimestral, semestral, anual. Desde o momento em que se implementou o euro, passou uma década e não se fez mais nada. Isto não são calendários europeus. Já deviam estar com uma agenda muito mais europeísta, focada no problema de fundo.

E qual é o problema de fundo?

O problema é a Europa. É preciso esquecer os problemas nacionais e pensar na Europa. Neste momento, já se percebeu que com os habitantes, com os agentes, com os decisores económicos que temos hoje, ninguém acredita nesta solução. A partir daqui, é simples: isto vai-se desmoronar! Estas pessoas não são capazes de manter o sistema.

Porquê?

Porque não percebem que há mudanças que levam a que só para se manter o sistema seja preciso mudar esse mesmo sistema. E aquilo que se está a mudar não é suficiente para acompanhar as mudanças. E não há ninguém na Europa capaz de o fazer.

As pessoas estão na vida activa entre os 25 e os 65 anos, são quarenta anos. Em dez anos, um quarto das pessoas que estão activas a tomar decisões desapareceu e entraram novos. Nos últimos 20 anos, metade dos decisores já são completamente diferentes, aqueles que estavam no topo da pirâmide desapareceram todos.

Isso significa que não estamos a ser capazes de formar líderes?

Isso não se forma. Por muito que se lhes dê. Há os genes... Isto foi sempre assim ao longo da História.

O seu cenário é de colapso...

A Europa, assim, vai desaparecer. Fica a Europa geográfica, desde que os países não continuem a deriva das placas tectónicas.

Tem que se resolver o problema maior antes de todos os outros...

Claro. Churchill, quando estava a delinear o desembarque, não estava preocupado se os soldadinhos iam para aqui ou para acoli. Não! A questão é: onde vai ser o desembarque e porquê? Isso é que é decisivo, o resto são problemazinhos. E a Europa dos últimos 60 a 70 anos é o resultado daquela decisão, da influência que ele teve naquela decisão. Mais nada. O resto é conversa!

E hoje, não há essa visão?

Não, nem há quem tenha o poder para. A questão, é que na política internacional sentavam-se três ou quatro pessoas para tomar café ao fim da tarde e todos percebiam que tinham que abdicar de coisas para a construção de um projecto. Toda a gente tem que abdicar. O que está a acontecer é que os estadistas não estão a querer abdicar para construir. Estão a vincar fronteiras para definir limites de responsabilidade. Bom, e se é isto que os cidadãos querem, tudo bem. Agora, meus amigos, tenham cuidado...

Os alemães vão ficar orgulhosamente sós?

Os alemães qualquer dia não saem da Alemanha. Eles, que gostavam tanto de ir passar férias à Grécia, era só descer um bocadinho, já não podem lá pôr os pés. Arriscam a chegar lá e nada funcionar. Imagine que têm um azar, vão parar a um hospital e depois lhes dizem que não há soro - e nem dizem em alemão, que não sabem, dizem em inglês; olhe, soro, não há! O hospital não tem dinheiro para comprar soro. O senhor, trouxe soro de casa, da Alemanha? Não?! Azar. Vá lá mandar comprar. Depois, a seguir, já não vêm a Portugal, depois já não vão a Itália, nem a Espanha... Ficam a fazer férias debaixo do capacete. Se os cidadãos querem isso, é isso que vamos ter.

E voltamos ao mesmo, ninguém dá um murro na mesa...

Esta gente não tem força, não tem coragem. Eles podiam arriscar, mas não arriscam.

Não conseguimos continuar com esta Europa, não podemos sair do euro... Que solução?

Pois, isto é entre escolher morrer ou ficar sem pernas e sem braços.

Mas é aí mesmo que estamos.

É, estamos nessa fase. Portugal sem euro é de tal maneira dramático, que não sei.

Temos as dívidas em euros, mas só algumas, como é que se escolhe? Depois disso, alguém vai financiar Portugal? Portugal vai conseguir importar alguma coisa? Só em valores da balança comercial alimentar, nós exportamos 6 mil milhões de euros por ano e importamos 9 mil milhões de euros. Só aqui, o défice é de mais de 3 mil milhões de euros. Ou seja, vai haver fome. É demasiado grave. E energia? Que combustível é que se compra?

Dentro de Portugal há regiões mais fortes e mais fracas. Se partir e se disser aos fracos agora governem-se, percebe-se logo que estão condenados. Agora, imagine o que é dizer: vocês ficam com a lira transmontana... Quem é que aceita essa moeda?

Portanto, significa fome, mal-estar, doença, morte. É um cenário apocalíptico. E, se olharmos para a História, temos períodos de grande perda, de grande calamidade.

Agora, acho que é um disparate ter-se construído o que se construiu, do ponto de vista socioeconómico, e depois não se ser capaz de manter os sistemas a funcionar. Isto é ruinoso.

Sobre as dívidas soberanas e os Estados Unidos...

Os Estados Unidos estão na mesma jigajoga. Há aqui um fenómeno muito interessante, que é o crescimento do crédito, a nível internacional. O crédito permite uma coisa extraordinária, que é antecipar consumo. É muito saboroso, mas fica a dívida, que já não sabe tão bem. Estou convencido que o Homem é o único animal que concede crédito. Ora hoje, os agentes económicos sabem a mesma coisa ao mesmo tempo - que é no telemóvel - reagem todos da mesma maneira. Isto cria volatilidade nos mercados. Imagine o que é começar a gritar fogo só por causa do fumo de um cigarro.

Neste caso, acenderam os cigarros todos ao mesmo tempo...

Tudo mudava se, de um dia para o outro, disséssemos: o quê, mas isto só tem um endividamento de 100% do PIB, mas isso não é nada. Porque o standard é 200%, toda a gente leu nos livros que até 200% não há problema nenhum. E pronto, vamos crescer em dívida. Deixava da haver problema, tremores, sustos. As bolsas acalmavam, os estados desatavam a emitir dívida, toda a gente a comprar...

Era um pulinho até aos 200%...

Sim, mas acabava o problema agora. As leis económicas de valor e de percepção de valor estão dentro da cabeça das pessoas. A partir daí, nós estamos assustadas com aquilo que criámos. Como é que isso se resolve, como é que desinchamos o balão do crédito que deixámos crescer? Eu não estou a ver forma de o fazer sem perda de bem estar. Vamos ter que penar.

É cumprir os mandamentos da Troika, no caso português?

Sim. Em Portugal, só temos uma coisa a fazer: cumprir aquilo que se acordou com a Troika. Mais nada. Fazer aquilo e ainda melhor que aquilo, em qualidade de decisão e em tempo.

E acredita que vamos ser capazes?

Eu tenho até ficado surpreendido com este governo e com as decisões que tem vindo a tomar. A privatização do BPN, por exemplo.

E isso vai salvar Portugal?

Não, não vai. O problema é que depois tem que haver a alteração do paradigma económico. E essa alteração não vai estar nas mãos do governo, vai estar nas mãos do portugueses. O infante podia dizer vamos com as naus, podia até construir as naus. Mas quem entra nas naus tem que entrar de livre vontade. Nós, ou bem que estamos numa economia de mercado ou não estamos numa economia de mercado. O que o governo tem que fazer é ser o agente facilitador.

A nossa economia ainda está muito estatizada...

É preciso tirar esse peso, que é muito fácil ser burocratizante, à economia. Porque a administração pública, o Estado, não tem por função desenvolver a maioria das actividades económicas que por aí faz. Não tem. O Estado não deve ter aquilo que deve pertencer à iniciativa privada. E falta iniciativa privada, dos cidadãos. Ainda temos esta cultura, de achar que o Estado é que tem que resolver tudo. E depois, acham que dá segurança estar no Estado. Isto tem que se alterar. Não dá segurança nenhuma estar no Estado, o que dá segurança é estar numa actividade que é bem sucedida.

Portanto, acho que se deve repensar o poder do Estado e os deveres do Estado para depois desobrigar os cidadãos e dar-lhes mais possibilidade de escolha: façam o que entenderem.

Então não aprova o reforço orçamental de 12 mil milhões para a banca...

O sistema bancário ou é privado ou é público. Aquilo que se diz é o orçamento passa a prever a possibilidade de, de alguma forma, vir a suportar a solvabilidade dos bancos. Como é que o vai fazer? Se o capital for remunerado, não vejo problema nenhum. Se o Estado for accionista como os outros, entrando através de um aumento de capital, e tiver participação nos lucros, acho bem. Passado um tempo, pode vender a sua posição, de preferência por mais dinheiro do que a comprou.

Mas é importante sublinhar que deve jogar sempre pelas mesmas regras, ou não deve?

Isso leva-me a outra questão. A Europa, tal como está também não se safa, por outros motivos. Tem uma população envelhecida e um problema de concorrência com os asiáticos, que dificilmente supera... Para pôr as coisas no sítio certo, a Europa tem que passar a exigir um comportamento da contraparte com quem se relaciona semelhante àquele que tem com os seus. Não pode estar a competir no mercado com regras diferentes. Não podemos negociar com quem não pratica internamente o mesmo tipo de regras que nós praticamos. Caso contrário, está a haver competição desleal. Não é justo estar a fechar fábricas e punir os portugueses que têm a trabalhar miúdos com doze anos, quando os outros países fazem isso.

E como é que isso se garante?

Têm que ter vistos. Carimbos de qualidade, se não, não entram. Tem selo de compliance entra, não tem fica fora. Isto disciplina a contraparte. Não pode importar coisas que danificam a estrutura produtiva interna à custa de um liberalismo total. Isto é ridículo. A concorrência interna não se pode beliscar e depois é queimada pela concorrência externa. E depois, há dois indivíduos a digladiarem-se no tribunal europeu, porque este fez aqui e o outro fez não sei o quê. E vem um de fora da Europa e os dois de dentro ficam insolventes... Mas que ridículo é este? O que quero é que o que vem jogue com as mesmas regras dos de dentro. E isso, é o Estado que tem que impor.

Falou em terrorismo. O terrorismo, hoje, não precisa fazer sangue...

Os mercados financeiros permitem conquistar território financeiro sem invasão. Compra um activo, tem a influência, o poder. Hoje não se espicha sangue, mas podem fazer-se muitas maldades dentro da lei. São outras invasões.

E adivinha-se já quem vai ganhar esta guerra?

Não tenho assim uma visão estruturante. Mas há grupos económicos que conseguem entrar em Portugal, ganhar posição, ter imenso poder, e que estão claramente a ganhar. Têm poder aquisitivo. Eu vejo isso com bons olhos. São essas as regras que estão estabelecidas, não tem problema, pelo contrário. Sinto-me mais próximo de decisores angolanos do que decisores chineses, até do ponto de vista cultural.

E que é que está no início e no fim da "cadeia alimentar"?

Os EUA são a baleia ferida. Muita força, mas muito ferida. Por outro lado, tem um animal extraordinário que é a China, mas que precisa da baleia para alimentar essa pujança. O curioso é que criou uma interdependência no Mundo que desagrada a todos. E é por isso que o equilíbrio está agora em risco.

Estamos a tomar consciência dos limites da democracia?

Sim. Mas isso não é mau, é até bom. Apercebemo-nos de que há coisas que, em determinadas fases, não podem ser votadas.

Como é que vê o próximo ano?

Pior que este. Isto é como o parafuso, aperta sempre para o mesmo lado e, em cima de um aperto, é preciso outro e mais outro. Montámos, agora temos que pagar as contas! Mas sabe, tenho feito imensas palestras, imensas conferências e, quando acabo, fico um bocado desanimado, porque a expectativa é sempre muito negra. Eu tenho a expectativa de acabar a minha carreira já não em Portugal, mas a fazer conferências internacionais a explicar como é que Portugal foi capaz de sair desta situação. Ainda não sei bem a história que vou contar...

 

por Isabel Tavares

in iOnline

 

 

 

publicado por portuga-coruche às 07:10
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 27 de Junho de 2011

"Soberania popular" na Islândia

AS ICELAND'S GREAT REBELLION!: PORTUGAL,THEN IRELAND & GREECE PEOPLE WILL NOT PAY SOVEREIGN DEBT!

ICELANDIC ANTICAPITALIST CHAIN REACTION, CONTRA-CARTELIST PROTEST UNDER TOTAL MEDIA BLACKOUT!WHY?

 

We must withdrawal our support for the financial system. Everyday it exploits our debts, our savings, and our paychecks—to fund speculation, predatory lending, environmental destruction, and corporate expansion. This will be an indefinite strike which will not end until people’s debt is cancelled just as Wall Street has been bailed out. It won’t finish until the current international financial system is abolished and alternatives are created that cover people’s needs and not those of speculators."
Revolutionary Defeatism is a concept made most prominent by Vladimir Lenin in World War I. It is based on the Marxist idea of class struggle. Arguing that the proletariat could not win or gain in a capitalist war, Lenin declared its true enemy is the imperialist leaders who sent their lower classes into battle. Workers would gain more from their own nations’ defeats, he argued, if the war could be turned into civil war and then international revolution.


O parlamento islandês decidiu julgar, num tribunal especial, o ex-primeiro-ministro, que estava em funções quando o país faliu. Segundo a agência «France Press», Geir Haarde será acusado de «negligência» no processo que culminou com o crash... do sistema financeiro do país em Outubro de 2008.

A decisão foi alvo de votação e aprovada por uma curta margem de 33 votos a favor e 30 contra.

Geir Haarde, de 59 anos, tinha chegado ao poder em 2006 e foi reeleito em 2007. Renunciou em Janeiro de 2009, por sofrer de um cancro.

Segundo várias sondagens, a maioria dos islandeses defende que Geir Haarde e vários ex-ministros sejam julgados pelo seu papel na crise que assolou o país, nomeadamente por nacionalizarem «de urgência» os principais bancos do país que tinham falido.
Contudo, a natureza dos acontecimentos em curso na Islândia é espantosa: um povo que corre com a direita do poder sitiando pacificamente o palácio presidencial, uma "esquerda" liberal de substituição igualmente dispensada de "responsabilidades" porque se propunha pôr em prática a mesma política que a direita, um referendo imposto pelo Povo para determinar se se devia reembolsar ou não os bancos capitalistas que, pela sua irresponsabilidade, mergulharam o país na crise, uma vitória de 93% que impôs o não reembolso dos bancos, uma nacionalização dos bancos e, cereja em cima do bolo deste processo a vários títulos "revolucionário": a eleição de uma assembleia constituinte a 27 de Novembro de 2010, incumbida de redigir as novas leis fundamentais que traduzirão doravante a cólera popular contra o capitalismo e as aspirações do povo por outra sociedade. Soberania popular é a doutrina pela qual o Estado é criado e sujeito à vontade das pessoas, que são a fonte de todo o poder político. Está intimamente associada aos filósofos contratualistas, dentre eles Thomas Hobbes, John Locke,Jean-Jacques Rousseau,Voltaire e Barão de Montesquieu.

 

 

 

Alguns comentários:

 

 

PEOPLES OF EUROPE JOIN TOGETHER AGAINS ACTUAL EUROPEAN LEADRES BECAUSE THEY ARE NOT SERVING THE PEOPLES OF EUROPEAN UNION, NOR SOCIAL JUSTICE, BUT THEY ARE SERVENTS OF AMERICAN AND EUROPEAN BANKERS, THAT ARE DESTROYING EURO AND EU WITH THE APPROVAL OF DURÃO BARROSO (PRESIDENT OF THE EUROPEAN COMMISSION, SERVING THE INTERESTS OF THE AMERICANS, AS HE DID IN THE INVASION OF IRAQ, BY GIVING PERMISSION TO THE AMERICANS TO FLY FROM FROM THE MILITARY BASE OF LAGES, AZORES, PORTUGAL) AND ALL THE OTHER COMISSIONERS!!! LET US SEND THEM OUT OF BRUSSELS! LET US SUPPORT NEW EUROPEAN LEADERS THAT HAVE A NEW VISION OF EUROPE! UNION MAKE US STRONG! LET US MAKE A GREAT MANIFESTATION IN BRUSSELS! LET US MAKE A GREAT EUROPEAN MOVEMENT!

Options

Manuel Bernardo Coimbra

 

 

 

It is now time to stop using the acronym P.I.G.S as a form of identification of these 3 countries: Portugal , Ireland and Greece as we all know words are powerful, and people that are leading others should have much more consideration and taste as doing so you have named millions of people pigs as if you think you are treated like pigs and you name yourselves as pigs you will be treated as pigs as thought and words are quintenssential to become manifest in the world. The world is what it is because we chose to think and speak as we do or you think that is only by marching and doing revolutions that you will change the world? The world is what we all are. Think , act, and it will become manifest. Do not only blame or take sides as we are all human beings and we all must treat each other with the most perfect respect. Do to others what you would like others to do to you. Doing so you will meet a new world every minute of your day. Love & Blessings

Options

Graciete De Gil

 

 

 

We are not pigs!

We are the ones that were sold by the original pigs (our governments, our leaders, etc.) the one's that haven’t done any popular referendum just to check if citizens allow the entrance of more loans from the called Troika or Triumvirate (agreement between governments + European Central Bank + International Monetary Fund) or rather if we (the citizens) prefer other measures to be taken instead, for example:
it would be great if justice start doing their job and if human rights organizations wake up perhaps together they can make efforts to begin with such as blaming, condemning the pigs, I mean the one’s that spent improperly for decades up now (since our joining into the euro currency) the amounts that were supposed to be used as structural funds, and to help the development of our countries and to European cohesion as well.

So, as the bad administration and management of the funds has been causing large damages to lots of families and to society in general, we must lay up claim the returning of the money that was not spent for the purposes for which it was intended to, and blame the one’s that must give back the money that never belonged to them, pay with interest, heavy fines and jail if necessary, like that our countries can start once for all paying the real loans and interest to the IMF and ECB.

Francisca Palma

 

In Causes

 

 Alguns links para os interessados* nesta temática:

 

 

http://www.truthcontrol.com/articles/how-crown-rules-world

 

http://www.sustainablemontreal.ca/2010/12/28/holographic-power-structures/

 

http://globalguerrillas.typepad.com/globalguerrillas/

 

 

* A minha dica é para guardarem no HDD ou imprimirem aquilo que achem interessante uma vez que estes sites dentro de algum tempo poderão já não existir.

 

 

 

 

 

publicado por portuga-coruche às 07:20
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 2 de Junho de 2011

A lição islandesa

” (…) O segundo caso é mais recente e mais próximo de nós. É o caso da Islândia onde está a ocorrer uma revolução até há pouco silenciada pelos media europeus. Em 2009 faliram os principais bancos privados islandeses, todos altamente envolvidos na especulação financeira. Como o Estado não assumiu a dívida, os países dos principais credores, Inglaterra e Holanda, pagaram um montante de 3.9 mil milhões de euros aos credores e pediram reembolso à Islândia. O parlamento, dominado por sociais -democratas, acedeu pagar mas o presidente vetou a lei. Entretanto, os cidadãos, inconformados com o sequestro da democracia e a pilhagem do país por parte do capital financeiro, tomaram a iniciativa de organizar um referendo. 93% dos cidadãos votaram contra o pagamento da dívida, ou seja, contra a transformação da dívida de bancos privados em dívida soberana (o que aconteceu entre nós com o escandaloso resgate do BPN). Exigiram também a convocação de uma Assembleia Constituinte para dar ao país uma nova Constituição provida de instrumentos que defendam os cidadãos do aventureirismo e da pilhagem financeira nacional e internacional O parlamento procurou retomar a iniciativa política, adoçando as condições de pagamento (os juros baixaram de 5.5% para 3% e o prazo de pagamento passou de 8 para 30 anos) mas os cidadãos resolveram voltar a organizar novo referendo. Para forçar os islandeses a desistir da recusa em pagar a dívida dos bancos privados, as agências de rating usaram contra eles as mesmas técnicas de terror que têm usado contra os portugueses. Em 9 de Abril voltaram a recusar o pagamento por uma maioria de 60%. Graças à vontade organizada dos islandeses e a uma sábia articulação entre vias institucionais e vias extra-institucionais, a lógica de ferro do capital financeiro – a sua capacidade de impor soluções e as transformar em consensuais por serem supostamente únicas – foi abalada. Segue-se agora o longo caminho dos tribunais e das arbitragens internacionais, e, enquanto o pau vai e vem, folgam as costas dos islandeses.”

 

Boaventura de  Sousa Santos, Ensaio Contra a Autoflagelação.

 

por Bruno Sena Martins

 

Retirado do Arrastão.

 

Os Islandeses são realmente um grande povo! Em contraste, os portugueses vão novamente ou eleger o Passos ou o Socrates.O que é o mesmo que dizer: Vão entregar novamente o poder às máquinas partidárias e clientelas que levaram o país ao abismo em que estamos. Que depois de "secar" o país tem a lata de dizer que não somos produtivos e que temos de fazer ainda mais sacrifícios para pagar a dívida que eles fizerem com os seus "boys".

publicado por portuga-coruche às 07:00
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 6 de Outubro de 2010

Banca estrangeira relança guerra dos 'spreads' baixos

Crédito à habitação

por PAULA CORDEIRO

 

 

Margens de 0,4 e 0,6 pontos têm exigências difíceis de contratar.

Num quadro de escassez de crédito, os bancos estrangeiros a operar em Portugal aproveitam a sua melhor capacidade de obtenção de financiamento para promover os seus empréstimos. E o crédito à habitação é o produto de eleição para captar clientes.

Os cinco bancos estrangeiros a operar no retalho português oferecem actualmente os spreads mais baixos para novos empréstimos. Quatro deles - Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA), Deutsche Bank, Banco Popular e Caixa Galicia - anunciam margens entre os 0,4 e os 0,6 pontos percentuais, valores há muito abandonados pela banca nacional. O Barclays Bank, apesar do seu spread mínimo ser de 1,2 pontos (mesmo assim abaixo dos mínimos praticados pelos grandes bancos portugueses), promove actualmente um produto de taxa a dois anos, com um valor promocional de 2,25%. É a transposição para o mercado português, em alguns casos, de campanhas agressivas desenvolvidas nos seus países de origem, com os mesmos protagonistas, como o caso dos espanhóis.

Estas são as melhores ofertas actualmente existentes, algumas delas apoiadas em fortes campanhas de marketing, como a do BBVA. No entanto, o acesso a estes spreads obedece ao um 'caderno de encargos' de tal forma exigente e complexo que deixa de fora a maioria dos clientes portugueses que actualmente procuram contratar um novo empréstimo .

Em primeiro lugar (e talvez a condição mais difícil de preencher), a relação financiamento/ garantia, ou seja, o valor a conceder sobre a avaliação da casa: em três destes bancos, o crédito a conceder não pode exceder entre 50% a 60% do valor da casa, o que pressupõe a existência de um autofinanciamento improvável para a maioria dos consumidores.

Por outro lado, os candidatos ao crédito não podem ter mais de 30 anos e, entre vários produtos a subscrever no banco em causa, são obrigados a possuir, seguros e aplicações de poupança. No caso do BBVA, para se obter o spread de 0,4 pontos, é ainda necessário efectuar um plano poupança reforma (PPR) com entregas anuais de 600 euros.

 

in DN - Diário de Notícias

 

 

publicado por portuga-coruche às 07:07
link do post | comentar | favorito
Domingo, 4 de Julho de 2010

Acabou o crédito fácil e barato em Portugal

Banca: Líder dos banqueiros afirma que o mercado estava distorcido

António de Sousa tem dado poucas entrevistas. Surge agora a afastar um cenário de dificuldades da Banca

 

O líder da Associação Portuguesa de Bancos (APB), António de Sousa, veio ontem repetir o que a maior parte dos banqueiros portugueses já deixou claro: "As empresas vão ter de se habituar... Acabou o crédito fácil e barato".

 

Por:Diana Ramos

 

Habitualmente parco em palavras, António de Sousa afirmou, em entrevista à Lusa, que 'não fazem sentido spreads de 0,25% ou 0,35%', um cenário que nos últimos anos só foi possível porque o mercado estava 'distorcido'. O líder dos banqueiros não tem dúvidas de que 'essa situação de crédito fácil e barato vai desaparecer', sublinhando que 'as empresas vão ter de voltar àquilo que sempre existiu', ou seja, ao panorama que existia antes de o mercado se ter tornado 'irracional'.

No entender do presidente da APB, perante o cenário de dificuldades que se avizinha, as empresas portuguesas deverão aumentar os capitais próprios, porque têm 'os níveis de capitalização mais baixos em todo o panorama europeu'.

Sobre a solidez da Banca portuguesa, António de Sousa fez questão de sublinhar que o sector 'está de boa saúde' e desvalorizou a necessidade de financiamento das instituições financeiras do País junto do Banco Central Europeu.

'Fala-se muito de Portugal, mas isso não é, neste momento, uma situação específica de Portugal. O montante que Portugal está a ir buscar ao BCE, em percentagem do PIB, é inferior aos de vários outros países. É uma situação que não é desejável, mas não é muito extraordinária', garantiu.

PORMENORES

RENTABILIDADE

António de Sousa está preocupado com a baixa rentabilidade dos bancos portugueses, que torna mais fáceis cenários de consolidação.

PRIVATIZAÇÃO

Para o líder da APB, 'vai ser difícil, neste momento, com os mercados como estão' voltar a privatizar o BPN. O processo deverá, assim, sofrer atrasos.

BASILEIA III

O líder dos banqueiros está ainda apreensivo com a nova directiva europeia de requisitos de capital, Basileia III, que trará dificuldades à Banca.

 

in Correio da Manhã

 

 Os bancos são gulosos! Os bancos vão ficar às moscas e os bancários desempregados....

 

publicado por portuga-coruche às 19:40
link do post | comentar | favorito

.Citações Diárias

.Janeiro 2016

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. Gylfi Zoega: Portugal dev...

. O Sonho Americano

. Inside Job / Trabalho Int...

. O descaramento dos políti...

. Há alternativas a esta Eu...

. João Duque: "A Europa vai...

. "Soberania popular" na Is...

. A lição islandesa

. Banca estrangeira relança...

. Acabou o crédito fácil e ...

.últ. comentários

Sr José Sá, já confirmou a sua tese? Obrigado
Eu uso os produtos da HerbaLife há anos e são fant...
Tudo é muito aberta e muito clara explicação de qu...
Ė e nāo e pouco....
Subscrevo, já cá temos miséria que nos baste, e ge...
Por ser nutricionista e' que fala assim...
http://www.publico.pt/economia/noticia/herbalife-i...
essa empresa foi vendida a eden , que pelo visto a...
Estou para comprar um carro usado num stand de Sal...
VAI SE FERRAR. .INGERI OS COMPRIMIDOS DE MULTIVITA...

.arquivos

. Janeiro 2016

. Setembro 2015

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

.tags

. abel matos santos

. acidente

. água

. águas do ribatejo

. almeirim

. apanhados

. aquecimento global

. assalto

. autarquia

. benavente

. biscainho

. blogosfera

. bombeiros

. burla

. câmara municipal de coruche

. carina

. cdu

. china

. ciência

. cigana

. ciganos

. clima

. climategate

. cobre

. comboio

. copenhaga

. cortiça

. coruche

. couço

. cp

. crianças

. crime

. criminalidade

. crise

. dai

. david megre

. desaparecida

. desaparecidos

. desemprego

. desporto

. dionísio mendes

. dívida

. douro

. droga

. economia

. edp

. educação

. emigração

. emprego

. energia

. ensino

. escola

. espanha

. etnia

. fajarda

. faleceu

. fascismo

. festas

. finanças

. fmi

. fome

. gnr

. humor

. imperialismo

. impostos

. insólito

. internet

. ipcc

. justiça

. ladrões

. lamarosa

. meteorologia

. mic

. miccoruche

. morte

. música

. phil jones

. pobreza

. política

. pontes

. procura-se

. racismo

. roubo

. santarém

. saúde

. segurança

. sociedade

. sub

. tempo

. ticmais

. toiros

. tourada

. touros

. trabalho

. tráfico

. tribunais

. video

. videos

. violência

. xenofobia

. todas as tags

.links

.Enviem Notícias e Comentários

CONTACTO

greenbit@sapo.pt

.pesquisar

 
blogs SAPO

.subscrever feeds