Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

O carvoeiro que se tornou empresário

António Nunes está ligado à produção de carvão em Santana do Mato, Coruche
O carvoeiro que se tornou empresário
 

foto

Actualmente possui 27 fornos para produção de carvão. Começou na actividade em 1994 quando montou dois fornos em terrenos seus.

 

 

 

António Nunes, de 42 anos, é natural de Montemor-o-Novo mas há 19 anos que está ligado a Santana do Mato, freguesia de Coruche, por duas razões: o casamento com a mulher e o trabalho na produção de carvão vegetal. Com 16 anos começou a trabalhar na apanha da cortiça e a cortar madeira de árvores, actividades típicas do concelho e da freguesia. Surgiu entretanto o cumprimento do serviço militar mas António Nunes regressou com ideias fixas. Em 1994 montou dois fornos de carvão em terrenos seus e começou a tirar rendimento deles. Estava dado o primeiro passo para se tornar empresário por conta própria.

Actualmente António Nunes possui 27 fornos para produção de carvão. Vinte fornos no lugar de Marco, a três quilómetros de sede de freguesia, e outros sete em Verdugos, na mesma freguesia. Aliás, Santana do Mato é terra com tradição na produção de carvão e no corte e comercialização de madeira. “Talvez ainda tenhamos 80 por cento da população ligada a estas actividades”, calcula o empresário. Quem passa pela Estrada Nacional 114 constata essa realidade pelo fumo que vai pairando no ar e pelo sempre presente cheiro a queimado.

A produção de carvão vegetal não tem nada de secreto. Diversos tipos de madeira são colocados e empilhados em fornos construídos em forma de “iglo” com tijolo, cimento e saibre. O forno começa a ser construído com apoio de um cordel preso no chão com uma estaca no meio do recinto. O cordel vai fazendo a forma arredondada da estrutura à medida que sobe e afunila e se vão colocando os tijolos, o cimento e o saibre. Alguns colocam barro. Outra das regras básicas é construir sempre o forno com parte da parede encostada a uma pequena barreira.

A porta por onde é colocada a matéria-prima é fechada com tijolos e saibre quando o forno está cheio. Pela janela criada na zona da barreira é lançada a chama para o interior e essa abertura é vedada com o mesmo sistema da porta. Um ou dois tubos funcionam como chaminés e são as únicas aberturas dos fornos.

Cada forno produz cerca de 3.200 a 3.300 quilos de carvão, fruto da transformação da madeira submetida a intenso calor ao longo de três a cinco dias. O carvão é retirado e partido com maços para sacos do 1,8, cinco, dez ou 19 quilos. Oitenta cêntimos é quanto custa a embalagem mais pequena.

Seguem-se oito dias de arrefecimento do forno até se poder meter nova fornada de madeira. A matéria-prima vem da região mas também de fora, como de Cuba, Alentejo. “Todos os meses preciso de 400 toneladas de madeira para responder aos meus clientes, o que mostra bem a quantidade de madeira que é necessário ter”, conta António Nunes.

Grande parte do carvão, cerca de 80 por cento, é exportado para França, para servir churrasqueiras. Em Portugal, o produto tem o mesmo destino, restaurantes e estabelecimentos que fazem grelhados.

O azinho é a melhor madeira para a produção de carvão. O sobro não fica muito atrás na qualidade e ambos os produtos aguentam-se mais tempo nas chamas. É ainda utilizada madeira de oliveira e de eucalipto. De Inverno, com mais frio e humidade no ar, diminui a quantidade de carvão produzida, que baixa para cerca de 2.800 quilos por forno.

António Nunes conta com 16 trabalhadores directos, mas gera outros postos de trabalho indirectos. A esposa trata do trabalho burocrático e da contabilidade. O empresário reconhece que se trata de um trabalho duro, especialmente pelo pó de carvão e fumo que paira na atmosfera mas também por se fazer essa actividade sob intenso calor. “Em miúdo trabalhei com animais. Saí da escola após o ensino obrigatório porque nunca gostei muito de estudar e sempre pensei em ganhar o meu dinheiro. Ser empresário faz com que não enfrente tanta dureza no trabalho de produção do carvão mas dá-me mais dores de cabeça em chegar ao fim do mês e ter de fazer pagamentos a tempo e horas”, conta António Nunes.

O ambiente de fumo que envolve os fornos e a própria localidade é dos problemas que o empresário enfrenta. Já recebeu algumas visitas das entidades inspectivas mas nunca foi alvo de decisões que o penalizassem muito. Reconhece que não existem grandes condições na zona para produção de carvão, por não existirem ali infra-estruturas básicas como abastecimento de água e energia.

“É certo que há algumas lacunas nesse aspecto mas temos os autarcas do concelho e da freguesia do nosso lado, sabendo a importância e o peso social e económico que esta actividade tem para as populações”, refere António Nunes. Com 42 anos o empresário não pensa mudar de ramo de actividade e quer prosseguir uma actividade que diz ter um lucro residual, que só é compensado pelo maior número de encomendas que se obtenha.

 

“Com 42 anos o empresário não pensa mudar de ramo de actividade e quer prosseguir uma actividade que diz ter um lucro residual, que só é compensado pelo maior número de encomendas que se obtenha”

 

in O Mirante

publicado por portuga-coruche às 17:04
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