Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

Debate entre cépticos e defensores dos perigos do clima aquece Copenhaga

Cimeira de Copenhaga

 

 

De um lado estão as dezenas de cientistas cujo trabalho tem integrado os relatórios do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), que alertam que a temperatura da Terra está a aumentar devido à acção humana, com consequências graves em algumas partes do globo devido às alterações climáticas. Do outro estão os cientistas que põem em causa esta teoria e questionam o peso da acção humana nas alterações do clima.
 
AnaLuísa Marques
anamarques@negocios.pt
Raquel Martins
raquelmartins@negocios.pt


 

De um lado estão as dezenas de cientistas cujo trabalho tem integrado os relatórios do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), que alertam que a temperatura da Terra está a aumentar devido à acção humana, com consequências graves em algumas partes do globo devido às alterações climáticas. Do outro estão os cientistas que põem em causa esta teoria e questionam o peso da acção humana nas alterações do clima.

O embate entre as duas facções vem de há muito, mas a Cimeira de Copenhaga e o escândalo em torno de alegadas manipulações de resultados que, apontando para um aquecimento exagerado da atmosfera - já conhecido como "clima gate" -, colocaram o debate ao rubro um pouco por todo o mundo.

Em Portugal, a clivagem também se faz sentir. O Negócios falou com Carlos Câmara, da Universidade de Lisboa, e com João Corte Real, da Universidade de Évora. O primeiro tem poucas dúvidas quando ao aumento da temperatura. O segundo duvida, e não é indiferente ao "climategate".

Os argumentos ambos os lados são muitos (ver caixas em baixo). E os defensores de um lado e do outro são de peso. Entre as figuras mais destacadas estão Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos, que em 2006 lançou uma alerta global sobre as alterações climáticas ("Uma verdade inconveniente"), e Bjorn Lomborg, o "ambientalista céptico".

Do alerta às soluções

Al Gore não dá importância nem aos que continuam a negar as alterações climáticas, nem aos que o acusam de no documentário "Uma verdade inconveniente" ter usados dados falsos. Aos cépticos, Gore diz: "As alterações que estão a ter lugar na Terra são a uma escala bíblica", leu-se numa entrevista recente concedida ao "New York Times". E, mesmo a tempo da Cimeira de Copenhaga, Gore lançou "A nossa escolha - um plano para resolver a crise climática", um livro sobre as "soluções" para o aquecimento global. "As soluções estão ao nosso dispor. Temos de tomar a decisão já", afirma.

Mas na memória de todos permanecem os alertas lançados há três anos no documentário "Uma verdade inconveniente", de que "a crise climática é, de facto, extremamente perigosa e uma verdadeira emergência planetária". Para Al Gore é necessário agir "corajosa e rapidamente" para evitar "terríveis catástrofes, incluindo mais tempestades, e mais fortes do que o furacão Katrina, tanto no Atlântico como no Pacífico".

Sensato ou provocador?

Bjorn Lomborg, director do Centro de Consenso de Copenhaga, um "think-tank" dedicado a temas ambientais, não nega que o aquecimento global é real e provocado pelo Homem, mas critica o "eco-fanatismo" e o "pânico alarmista causado por verdades inconvenientes como as de Gore, que nos fazem esquecer problemas mais importante como a fome, a pobreza e as doenças.

Lomborg reconhece que as suas posições irritam muitas pessoas: as que acreditam que as alterações climáticas vão conduzir a "catástrofes inimagináveis" e que a única solução é reduzir drasticamente as emissões de dióxido de carbono. Mas não se considera um provocador. "Se tenho essa fama, tal deve-se, simplesmente, ao facto de eu tentar ser equilibrado nas coisas que digo. Essa moderação é entendida como uma provocação, numa altura em que o debate sobre o ambiente está demasiado apaixonado e radicalizado", afirmou numa entrevista recente ao Negócios.

Numa entrevista à Bloomberg, afirmou que Copenhaga se prepara para repetir as "estratégias falhadas" da Cimeira do Rio e de Quioto: "Em 1992 prometeram cortar as emissões de CO2 e não fizeram nada. Em 1997 prometeram cortar ainda mais emissões de CO2 e voltaram a não fazer nada. Devíamos optar por algo politicamente viável e economicamente mais inteligente", defendeu. Para Lomborg, a solução passa por investir na investigação, de forma a que as "energias alternativas se tornem tão baratas que todos, incluindo a China e a Índia, vão querer usá-las".

No debate entre cépticos e não cépticos ninguém sai, por enquanto, vencedor ou derrotado. Só o tempo poderá dizer quem tem razão. Copenhaga será apenas uma batalha nessa guerra.

DEFENSORES

O aquecimento global é provocado pelo homem

Os resultados do último relatório do IPCC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas), realizado em 2007, revela que "é muito provável que as emissões de gases com efeito de estufa provocadas por acção do Homem sejam a principal causa do aumento global das temperaturas médias desde meados do século XX". Este estudo, o quarto relatório realizado pelo IPCC, antecipa que a temperatura do planeta poderá subir entre 1,8 e 4 graus até 2100, devendo o nível das marés subir até 58 centímetros, multiplicando secas e vagas de calor.

Terra suporta cada vez menos as actividades humanas

Um estudo realizado pela Global Footprint Network revela que a Terra suporta cada vez menos o impacto ecológico das actividades humanas, já que são necessários 18 meses ao planeta para regenerar os recursos que a humanidade consome num ano. Os dados recolhidos numa centena de países indicam que a humanidade consome recursos e produz CO2 a um ritmo 44% mais elevado do que a natureza pode produzir e absorver.

Concentração de gases poluentes atinge recorde

Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), a concentração de gases com efeito de estufa atingiu níveis-recorde e aproxima-se do "cenário pessimista" previsto pelos cientistas. "As novidades não são boas: a concentração dos gases com efeito de estufa continua a aumentar a um ritmo mais rápido", indica o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud. A concentração de CO2, o principal gás com efeito de estufa, aumentou 38% desde 1750, cem anos antes da Revolução Industrial, e contribuiu, desde então, para 63,5% do crescimento do efeito de estufa na atmosfera, segundo os dados da OMM. Este contributo passou mesmo para 86% nos últimos cinco anos. Esta situação "confirma a tendência para um aumento exponencial", afirmou o mesmo responsável, acrescentando: "estamos cada vez mais próximos de um cenário pessimista" apontado pelo Grupo Internacional de Peritos sobre as Alterações Climáticas.

Consequências desastrosas se a temperatura subir 4ºC

David e Ed Miliband, respectivamente, ministros britânicos dos Negócios Estrangeiros e da Energia e Alterações Climáticas, elaboraram um estudo onde se prevê, por exemplo, que vastas áreas da floresta da Amazónia poderão desaparecer devido ao stress sobre

a vegetação ou propagação incontrolável de incêndios num cenário com mais 4ºC. O trabalho mostra que a mortalidade relacionada com o calor e outros impactos nocivos para a saúde deverá aumentar consideravelmente, mesmo tendo em conta a climatização, a adaptação e o menor número de mortes relacionadas com o frio.

CÉPTICOS

As alterações climáticas são um fenómeno natural

Não há provas científicas que mostrem que o aumento dos níveis de dióxido de carbono são provocados pela actividade humana, refere um estudo realizado pela European Foundation. "Este estudo mostra quão ténues, impróprias e falsas são as declarações políticas e científicas de que o aquecimento global é provocado pelo Homem. Há muito poucas evidências que suportem esta teoria", afirmou o autor do estudo, Jim McConalogue.



Previsões de consequências desastrosas são exageradas

Mas, do lado dos cépticos, há quem defenda, como é o caso de Bjorn Lomborg, que o "aquecimento global é real e é provocado pelo Homem". No entanto, criticam o "eco-fanatismo" e o "pânico alarmista". "As declarações sobre as consequências graves, fatais e imediatas do aquecimento global são frequentemente muitíssimo exageradas", defende.

Subida do nível das águas do mar não é catastrófica

Os estudos realizados durante mais de 30 anos pelo professor sueco Nils-Axel Morner sugerem que não "há evidência de que o nível das águas do mar esteja a subir de forma catastrófica", mesmo nas Maldivas e no Bangladesh. Morner argumenta que o principal problema é a erosão costeira e que o nível das águas do mar pode subir 10 centímetros ao longo deste século.

Reduzir as emissões de CO2 não é solução

"Precisamos de soluções mais simples, mais inteligentes e mais eficientes contra o aquecimento global, em vez de esforços excessivos, ainda que bem intencionados", defende Bjorn Lomborg no seu livro "Cool it", onde acrescenta que "as amplas e extremamente caras reduções de dióxido de carbono feitas agora limitar-se-ão a ter um impacto bastante pequeno e insignificante no futuro longínquo".

Visão do IPCC é "claramente limitante"

João Corte-Real refere que a "acção humana tem perturbado o sistema climático, mas não apenas, nem principalmente, através do reforço do efeito de estufa em resultado directo da produção de energia. Não podemos esquecer a desflorestação, os incêndios florestais em grande escala, a supressão da precipitação pela poluição". "A visão do IPCC é claramente limitante, pela redução do problema ao carbono", diz.

Há questões mais importante que o aquecimento global

Do lado dos cépticos argumenta-se muitas vezes que há problemas mais importantes do que o aquecimento global, como a fome, a pobreza e as doenças. "Se os enfrentarmos, podemos ajudar mais pessoas, com menos custos e com muito mais hipóteses de sucesso do que com a implementação de políticas ambientais drásticas com custos de biliões de dólares", defende Lomborg.

 

in Jornal de Negócios On-line

publicado por portuga-coruche às 17:28
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Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

A grande farsa do "Aquecimento Global"

O Canal 4 britânico produziu um documentário devastador intitulado "A Grande Fraude do Aquecimento Global". Ele não foi, ao que parece, exibido por nenhuma das redes de televisão nos EUA. Mas, felizmente, ele está disponível na Internet.

 Vale a pena rever.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É de aproveitar para os ver agora, porque vão acabar por ser apagados como sempre tem sido desde que  o documentário saiu.

publicado por portuga-coruche às 14:08
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Assim se tratam na ONU os jornalistas que fazem perguntas inconvenientes

O Jornalista Phelim McAleer ('Mine Your Own Business', 'Not Evil Just Wrong') pergunta ao Prof Stephen Schneider da Universidade de Stanford uma pergunta inconveniente sobre os e-mails do 'Climategate'. McAleer é interrompido duas vezes pela assistente do Prof Schneider's  e pessoal das Nações Unidas, sendo-lhe depois  ordenado que parasse de filmar por um Segurança Armado da ONU.

 

 

 

 Um post no Youtube de Not Evil Just Wrong

publicado por portuga-coruche às 12:10
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Copenhaga, meu amor

Dias contados

por Alberto Gonçalves

Copenhaga, meu amor

 

 

É impossível registar as ocasiões aproveitadas pelo eng. Sócrates para nos informar de que colocou Portugal na vanguarda internacional

 

Copenhaga, meu amor

O maior indício de que a acção do homem não afecta o clima é a própria Cimeira de Copenhaga. Dado que as incontáveis viagens associadas ao evento são responsáveis pela emissão de dezenas de milhares de toneladas de dióxido de carbono, seria absurdo que os participantes causassem deliberadamente tamanho ferimento ao planeta que tanto estimam. Por pouca consideração em que se tenha a sensatez dos delegados, observadores e afins presentes na Cimeira, nenhum é obtuso a ponto de voar até à Dinamarca se acreditar que os aviões prejudicam o ambiente. Manifestamente, 20 mil (contas por baixo) não acreditam.

Significa isto que a Cimeira é inútil? Nem por sombras. Existem verbas desmesuradas a distribuir pelos investigadores, activistas e industriais do ramo, vantagens eleitorais a distribuir pelos políticos e sexo gratuito a distribuir pelos delegados. As duas primeiras benesses são connosco, a terceira é regalia exclusiva de uma associação de prostitutas de Copenhaga, que reagiu assim ao pedido da autarca local para que os ecológicos visitantes evitassem comprar escapadinhas sexuais. Graças à boa vontade da referida associação, a compra tornou-se desnecessária.

A má notícia é que a associação integra apenas 80 senhoras. A boa notícia é que 80 nórdicas devem chegar e sobrar para 20 mil indivíduos habituados a atingir o clímax com filmes de Al Gore e brincadeiras apocalípticas: como se demonstra nas convenções de Star Trek, Star Wars ou lá o que é, fãs de ficção científica e mulheres não combinam.

Terça-feira, 8 de Dezembro


Emissões e barulho

Aconteceu em Cacia. Durante o anúncio da construção de uma fábrica de baterias, o eng. Sócrates ergueu a mãozinha e juntou o polegar ao indicador para decretar: "Eu sou dos que acham que quando as cidades tiverem uma percentagem suficiente de carros eléctricos, sem emissões e sem barulho, já não vão querer andar para trás." Em seguida, explicou que Portugal será o primeiro país do mundo com uma rede nacional de abastecimento dos carros em questão. Por fim, conduziu, risonho, um exemplar dos ditos, com tamanho comparável a uma lata de atum e desempenho idem. Terminada a sessão, ficaram no ar clichés dispersos: "aposta", "investimento", "inovação", "ambição", "linha da frente", etc. Contas feitas, tratou-se de um espectáculo notável, mas quem não viu sabe exactamente o que perdeu.

Em quase cinco anos no poder, é impossível registar o número de ocasiões aproveitadas pelo eng. Sócrates para nos informar de que o Governo, o dele, colocou Portugal na vanguarda internacional de uma maravilha qualquer. Agora é o carro eléctrico. Das outras vezes foram chips de computadores, caixas de computadores, "aerogeradores", placas solares e por aí fora. Invariavelmente, cada maravilha suscita três ou quatro cerimónias de propaganda até se dissolver em falências, fracassos, trapalhadas judiciais ou nas meras intenções. E até perder a atenção do eng. Sócrates, capaz de abraçar a próxima maravilha com a candura de quem nunca se comprometeu com as anteriores.

Havia a anedota do sujeito que vendia bóias na praia enquanto o tsunami se aproximava: o eng. Sócrates continua a vendê-las após a devastação e, sobretudo, como se a devastação não tivesse ocorrido. Juro: não quero saber quanto do meu dinheiro reverte para essas duvidosas causas. Nem perguntar se não haverá um bom motivo para que nações de facto prósperas permitam a Portugal ser pioneiro no que quer que seja. Nem mesmo verificar a marca do computador que o primeiro-ministro usa, a origem da energia que consome ou o veículo em que, desde Cacia, se desloca.

O único ponto de interesse consiste em apurar se, depois de habituados às emissões e ao barulho que o PS produz, os portugueses algum dia vão querer seguir em frente. E, já agora, também conviria saber se em frente ainda haverá alguma coisa além do abismo.

Quinta-feira, 10 de Dezembro


Fitas

Sobretudo na respeitável área da "cultura", qualquer recém-nomeado para um cargo público lança os jornalistas na busca de opiniões de "personalidades" acerca do feliz contemplado. Por regra, não há surpresas: as opiniões são na maioria positivas, embora irrompam ocasionais manifestações de antipatia. Independentemente da sua orientação, porém, o teor "intimista" dos testemunhos revela o tamanho do meio, tão pequeno que não se encontra quem não tenha já roçado, metafórica ou literalmente, a criatura em questão.

Se a constatação da nossa dimensão paroquial deprime, pelo menos os argumentos das "personalidades" divertem. Esta semana, por exemplo, as reacções à designação de Maria João Seixas para directora da Cinemateca Nacional divertiram-me. Noto que, excepto por umas variedades televisivas, não conheço a senhora de lado nenhum, logo naturalmente não compreendo as razões da nomeação. O engraçado é que os que a conhecem também não parecem compreender, mas em nome da amizade elaboram imaginativas explicações.

O realizador João Botelho acha a dra. Maria João "culta, simpática e fora dos lóbis", duas razões etéreas e uma discutível. A realizadora Margarida Gil vê nela "uma pessoa do cinema", presumivelmente por ter sido casada com Fernando Lopes e recebido subsídios para publicitar fitas nacionais no estrangeiro. O produtor Paulo Branco elogia- -lhe, sem especificar, o "trabalho" e o "trajecto". E Medeiros Ferreira ganha de longe o prémio da justificação mais original: o antigo ministro e deputado louva a escolha porque num seu aniversário a dra. Maria João, cito, "convidou o plenário dos seus amigos para uma celebração natalícia na Cinemateca". Volto a citar o dr. Medeiros Ferreira: "Está tudo dito sobre o seu amor ao cinema."

Estará? Eu julgo que ainda falta aplaudir a devoção às aves de todos quantos festejam os anos em churrasqueiras. Falta esclarecer em que circunstâncias uma instituição pública se reserva para pândegas particulares. E falta certamente destacar a opinião de Nuno Artur Silva, dono das Produções Fictícias e o único a apresentar uma razão credível para a nomeação da dra. Maria João: o "traquejo político". Traduzido, isso significa que a novel directora foi assessora de António Guterres e mandatária em candidaturas de Jorge Sampaio, Mário Soares e Manuel Maria Carrilho. Agora sim, está tudo dito sobre o seu amor ao cinema.
 

Sexta-feira, 11 de Dezembro


É favor não contrariar

Desde o início que se assiste a uma luta entre o que Obama é e o que os seus devotos queriam que fosse. O discurso de aceitação do Nobel da Paz, que Obama dedicou à necessidade de determinadas guerras, é apenas o mais recente golpe numa ilusão que deu um trabalhão a criar. Aos poucos, a ilusão esvai-se e sobra aquilo que, dentro dos EUA, sempre se pressentiu: um homem, eleito por motivos válidos, absurdos e assim-assim ao mais influente cargo da Terra e cuja prestação convém avaliar em função dos factos e não de delírios.

Incrivelmente, fora dos EUA os delírios persistem. Se muitos, desanimados, desistiram de ver em Obama o ícone antiamericano com que sonharam, outros, por teimosia ou convicção real, mantêm a esperança. Alguns dos esperançados roçam o fanatismo. Alguns dos fanáticos roçam a paródia. São os que, em se tratando de Obama, "percebem" na oposição à erradicação das minas terrestres a forma de erradicar as minas terrestres, na manutenção do Patriotic Act o processo de acabar com o Patriotic Act, na detenção de terroristas em bases americanas o modo de condenar a detenção de terroristas em bases americanas e, em suma, na defesa da guerra o único caminho para a paz.

Há dias, um editorial do Público partilhava esta recusa da evidência em prol do seu reverso e exigia aos "cínicos" que se calassem. Enquanto "cínico", calo-me: certos estados mentais não devem ser contrariados. Já basta o próprio Obama contrariá-los diariamente, embora, como se nota, sem grandes resultados. 

 

A última oportunidade

Apesar das trafulhices em que a "ciência" do clima tem incorrido, o "consenso" dominante exige que se tomem à letra as respectivas especulações. As especulações variam (há quem aposte na espécie humana engolida por maremotos, tragada pelo chão ou simplesmente dedicada ao canibalismo), mas o Juízo Final é certo. Excepto, garantem-nos, se se passar imediatamente à "acção". A "acção", garantem-nos outra vez, é a única resposta possível ao "aquecimento global". Que o "aquecimento global" seja um risco por provar e, se calhar, literalmente improvável, é mero detalhe: o catastrofismo ambiental prefere a precaução excessiva aos lamentos posteriores, sob o pressuposto de que amanhã pode ser demasiado tarde. Tarde para quê? Na retórica oficiosa, para impedir eventuais tragédias climáticas. Na realidade, para aproveitar o frenesim ainda em vigor. Aqui e ali, sondagens mostram que a crença das populações no "aquecimento global" e sobretudo no papel do homem no dito tende a diminuir. Por este caminho, chegará o dia em que será difícil submeter os cidadãos dos países desenvolvidos ao retrocesso civilizacional que as pantominices do clima pretendem legitimar. Como por aí se diz, a Cimeira de Copenhaga é de facto a última oportunidade não de salvar o planeta mas de destruir o capitalismo, afinal o único objectivo de toda esta história.

 

Artigo de opinião de Alberto Gonçalves

in DN

 

publicado por portuga-coruche às 11:57
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