Quinta-feira, 16 de Setembro de 2010

A genética vai revelar o mundo dos sacarrabos

 

por Nicolau Ferreira  

 

 

Ao pé de coelhos, raposas e javalis, vive um carnívoro que prolifera cada vez mais. Uma equipa de cientistas está a descobrir os segredos de um animal que tem uma cauda usada para fazer pincéis de óleo.

O jipe voltou a parar pela terceira vez, a poucos metros da armadilha. Apesar de estar vazia como as outras duas armadilhas que tínhamos visto, havia uma diferença, as portinholas laterais estavam fechadas, e não havia nem um pombo morto, nem um pedaço de toucinho pacientemente à espera de serem comidos.

Lá dentro, a prova do crime.

"Ó engenheiro, é pêlo de sacarrabos ou quê?"

"É, é. Nitidamente", disse Eduardo Oliveira e Sousa, dono da herdade de Agolada de Baixo, perto de Coruche, no Ribatejo, respondendo a Carlos Fonseca.

O investigador, que estava agachado junto à armadilha, e já nos tinha convidado a cheirar o odor deixado pelo mamífero carnívoro de nome específico Herpestes ichneumon, não descansou antes de abrir a portinhola, esticar o braço lá para dentro e retirar o tufo. Pêlos cinzentos-claros, castanhos-escuros, o esperado.


A atenção do cientista da Universidade de Aveiro desviou-se para as pegadas junto da armadilha. Carlos Fonseca tinha-nos falado da dificuldade em encontrar vestígios do animal: "Eu tenho um molde branco em gesso para as aulas que dou, porque no campo é muito difícil encontrar as pegadas."


Agora, desenhava no caderno uma das duas pegadas que se viam na terra. "A almofada [que o mamífero tem como têm os gatos] é maior, depois temos um, dois, três, quatro dedos afastados", explicou-nos. As pegadas eram a prova da fuga do sacarrabos.

Segundo a teoria proposta ali pelos dois homens, o mamífero tinha aproveitado a folga entre o chão desnivelado e a armadilha para meter a cabeça, empurrar a portinhola para cima e fugir. "Se ele passa a cabeça, passa o corpo todo", constatou Eduardo Oliveira e Sousa, que conhece bem o animal.


Semanas antes tínhamos visto outro indivíduo da espécie, numa gaiola noutro local da Agolada de Baixo. O mamífero, de focinho curto e corpo esguio e comprido, podia perfeitamente passar por um buraco assim.

O sacarrabos ganhou o dia. Senão, o destino deste indivíduo seria igual ao de tantos outros. A espécie é cinegética, todos os anos milhares de sacarrabos são caçados entre Setembro e Fevereiro ou capturados e mortos nos restantes meses, mesmo que não tragam grande benefício para o Homem. A carne não é apreciada e, da pele, o máximo que se pode aproveitar é o final da cauda que serve para fabricar pincéis de óleo.

O sacarrabos perdeu os predadores naturais como o lince-ibérico e o lobo, e mesmo com a pressão dos caçadores continua a expandir o seu território em Portugal, ajudado pelo avanço do mato nos terrenos que deixaram de ser utilizados para a agricultura. Há 20 anos, Castelo Branco seria o limite máximo da sua distribuição, hoje é avistado até em Vinhais, no Norte. Se não for controlado, pode pressionar demasiado as presas, como por exemplo o coelho.

Por esta expansão continuar a aumentar, por se conhecer tão pouco sobre a ecologia da espécie, a genética da população portuguesa, as ligações sociais e o estado sanitário, o grupo de Carlos Fonseca vai utilizar as carcaças recolhidas pelos caçadores de norte a sul do país para fazer análises genéticas aos indivíduos.

"Com a genética podemos determinar quais são as populações que se estão a expandir, se a reprodução é mais robusta nas fronteiras da expansão, como é que são as relações sociais entre os indivíduos", explicou ao P2 Carlos Fonseca. O cientista está à frente de um projecto que vai tirar uma fotografia à ecologia do sacarrabos através da genética. As conclusões podem alterar a forma como a gestão da espécie é feita e ter implicações no ordenamento do território e na conservação de outros animais como o lince-ibérico.

Ele é nosso

No terreno, as pegadas do carnívoro estão a poucos metros de uma das estradas de terra batida que percorre a herdade de 1500 hectares. Perto passa um curso de água que está escondido por silvas e um arbusto chamado sargaço. Em redor, os eucaliptos altos oferecem manchas de sombra ajudados por alguns pinheiros-mansos. "Este pedacinho de terra é um bom exemplo do que o sacarrabos gosta",disse Carlos Fonseca.

O curso de água proporciona anfíbios ao mamífero e no terreno preenchido por esconderijos podem encontrar-se coelhos, lebres e, provavelmente, ovos de aves.

O engenheiro diz já ter visto um indivíduo com o coelho na boca, mas, apesar do que possa vir na literatura científica, não se sabe ao certo como é o resto da sua alimentação e se existem variações regionais. O projecto da equipa do biólogo também quer responder a estas dúvidas.

O nome do sacarrabos deriva de um comportamento observado na espécie. "Quando se vê um grupo, as fêmeas com a ninhada seguem em fila indiana com a cara dos filhos a tocar na cauda do indivíduo que está à frente, por isso parece que estão a "sacar os rabos"", explicou o cientista. Esta figura também lhes deu o nome de cobra com pêlo, adianta Eduardo Oliveira e Sousa. Mangusto é outro nome comum desta espécie, que em Espanha se chama de meloncillo.

Até agora, pensava-se que este animal endémico de África tinha sido introduzido na Península Ibérica durante a ocupação dos árabes. Estudos recentes mostram que a única população que existe na Europa é mais antiga e passou para cá através do estreito de Gibraltar, durante o processo de glaciação.

"Estamos a publicar uma análise que demonstra que o sacarrabos já existe na Península Ibérica desde o Plistocénico, há cerca de 20 mil anos. É uma espécie que se expandiu, regrediu, expandiu, regrediu [no território ibérico]", explica Carlos Fonseca. O artigo ainda está por publicar, o primeiro autor é Philippe Gaubert, biólogo do Museu de História Natural de Paris, que também estará envolvido no projecto de Fonseca para ajudar à análise genética.

Os resultados, apesar de surpreendentes, podem explicar diferenças no comportamento entre as populações, como a actividade diurna que se vê em Portugal e Espanha, mas que é nocturna nas populações africanas. Durante os últimos milhares de anos, o comportamento dos nossos sacarrabos provavelmente modificou-se.

 

Safari português

De regresso ao jipe, o engenheiro levou-nos até ao local onde semanas antes tinha sido capturado o outro sacarrabos. Pela estrada, pode-se ver o milharal rasgado por clareiras feitas pelos javalis. Dos oito hectares de milho que se plantaram na herdade, Eduardo Oliveira e Sousa diz que só se aproveitam "três ou quatro".

De dia, os javalis escondem-se no eucaliptal, de noite fazem incursões no milho e nos campos de arroz, que também é o habitat da lontra, da garça-real, da cegonha e do lagostim-vermelho do Luisiana, que "felizmente" hoje faz parte da dieta das lontras.

No açude da Agolada, onde o engenheiro "não deixa dar um tiro", pode ver-se ainda um bando de patos-bravos, e do lado de lá um pinhal que é visitado por quem quiser. Perto do solar, há ainda um cercado onde estão gambos.


Depois, entra-se na zona dos sobreiros, que têm os troncos despidos de cortiça desde 2007. Uma das árvores, enorme, tem metade dos ramos secos e outra metade cheios de folhas. "Daqui a dois anos esta árvore está morta", especulou o caçador, que ainda não tem uma explicação para a morte súbita de vários sobreiros no terreno, um fenómeno que assola o país.

De repente, uma águia-de-asa-redonda solta-se de uma árvore e voa para outro ramo. É um dos poucos potenciais predadores do sacarrabos. A herdade tem ainda outros carnívoros como a doninha, o texugo, a raposa e o ginete.

Os coelhos são dos animais que mais se vêem pelo campo, mas o seu número já foi bem maior. "Este ano não se vai caçar coelhos, mas os caçadores não acreditam", disse Eduardo Oliveira e Sousa, que também é presidente da Associação Nacional de Proprietários e Produtores de Caça.


Desde 1991 que o terreno é utilizado para caça. "No início caçávamos cinco a seis mil coelhos por época, agora uma época boa são 500 ou 600", tinha-nos contado o caçador. A doença hemorrágica viral e a mixomatose, outra doença causada por um vírus, têm vindo a dizimá-los.

O jipe parou perto da armadilha que tinha capturado o sacarrabos. Estava novamente preparada para atrair outro indivíduo. No meio, um pombo morto pendurado serve de isco, se um indivíduo entra na gaiola e acciona o pedal que está por baixo do isco, as portinholas abertas dos dois lados caem imediatamente e prendem o sacarrabos.

O carnívoro que tínhamos visto era um macho castanho-escuro, tinha menos de um metro de comprimento e estava assustado pela visita. A carcaça do indivíduo vai ser estudada pela equipa. "Como a captura vai ser completamente aleatória,vai ser possível extrapolar a estrutura da população através da genética", adiantou Carlos Fonseca.

Os investigadores poderão compreender qual é a relação entre machos e fêmeas, quantas ninhadas existem por ano, com quantas crias. "Hoje caça-se e captura-se todo o tipo de sacarrabos por uma questão de controlo, não há uma selecção. Estes dados podem dizer se capturamos mais fêmeas ou indivíduos jovens machos para interferir na expansão."

As doenças deste carnívoro estão a ser analisadas pelo Laboratório Nacional de Investigação Veterinária, em Lisboa. Segundo o biólogo, o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade está interessado nesta informação para antecipar as doenças que o lince-ibérico pode estar susceptível nas zonas de reintrodução.

A própria evolução da cobertura vegetal vai ficar retratada. "Osacarrabos vai servir de matéria-prima para o estudo dos ecossistemas do país", concluiu Carlos Fonseca.

 

 

in Público Ecosfera

 

 

 

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Sexta-feira, 20 de Agosto de 2010

As Agoladas

O Açude da Agolada

O Sítio Classificado do Açude da Agolada foi criado pelo Decreto-Lei nº 197/80 de 24 de Junho, de acordo com a necessidade de implementação de medidas de protecção adequadas àquela área.

As potencialidades naturais e a localização da zona do açude determinam como objectivos fundamentais do Sítio Classificado os seguintes:


- A protecção e conservação dos valores naturais.


- A Educação Ambiental, informando e formando os visitantes para uma tomada de consciência pela preservação e protecção dos valores naturais.

 


- A criação de zonas de lazer.

 

 

 

 

O Sítio Classificado do Açude da Agolada, com área aproximada de 226 ha, situa-se na Freguesia e Concelho de Coruche, a uma distância desta vila de 2,5Km.

 


O nome desta área advém do facto de nela existir uma barragem de terra que origina a Albufeira com cerca de 1Km de comprimento.

 

 

 

O coberto arbóreo que domina na área é constituído essencialmente, por montado de sobro (Quercus suber), pinheiro manso (Pinus pinea) e Pinheiro bravo (Pinus pinaster).


No Açude da Agolada são o sobreiro (22% da área total) e o pinheiro manso (20% da área total) as espécies arbóreas dominantes.

Da fauna inventariada no Açude constam peixes, répteis, avs e mamíferos.
Sendo a carpa a espécie piscícola mais abundante, no caso dos répteis é a cobra d’água (Natrix natrix), a mais frequente.


Na avifauna podem-se observar ao longo do ano cerca de 45 espécies sendo as mais frequentes a marrequinha (Anas crecca), o guarda rios (Alcedo athis), o rouxinol pequeno dos caniços (Acrocephalus scir paceus), a cegonha branca (Ciconia-ciconia), Pato Real (Anas platyrhynchos), o chapim de popa (Parus-cristatus) e o mergulhão pequeno (Tachybaptus ruficollis).
Dos mamíferos podem encontrar-se a gineta, a lebre, o coelho, o morcego hortelão e o toirão.

 

A Herdade

 

 

 

A Agolada - nome como a Herdade é conhecida na região - esteve, desde sempre, na mesma família. A Casa Principal foi construída cerca do ínicio do século passado para dar apoio à casa agrícola e apoio, para os dias de caça. Na década de 60, a casa foi remodelada pelo pai do proprietário actual, D. António Maria Sommer de Mello, 6º Conde de Murça.

Com as mudanças nos campos, a propriedade que é predominantemente florestal, está agora adaptada para a realização de festas.

As casas que em tempos não muito distantes serviram de habitação a familias de trabalhadores que aqui nasceram, casaram e educaram os filhos, dão agora alojamento às pessoas que aqui se deslocam para as festas preferindo não viajar de noite.

A decoração das salas é marcada pela simplicidade das abódodas encimadas por lanternas apropriadas, a cal branca das paredes e a tijoleira centenária, que, durante muitos anos, abrigou os passos de quem muito trabalhou os azeites, os vinhos e outros produtos que cresciam naquelas terras.

 

A Familia proprietária

 

A Família Sommer
Família oriunda da Westfália, Alemanha, que até à época da reforma possui importantes bens no Spessart (Alta Francónia), pertencendo à nobreza daquela região.
No século XVI, aqueles bens foram divididos e a família emigrou para Inglaterra, Holanda, Palatinado e Boémia.
No último quartel do século XVIII, residia no ducado de Brunswick um ramo desta família à qual pertencia Henrique Francisco Luis von Sommer, tenente da guarda do duque de Burnswick que veio para Portugal alistado no exército liberal.
Henrique Francisco Luis von Sommer veio a ser um dos 7.500 "bravos do Mindelo", foi promovido a capitão e, depois do cerco do Porto, condecorado com a Ordem da Torre e Espada.
Naquela cidade casou com D. Rita Marcolina Fontes Garcez de Oliveira, de quem teve sete filhos que continuaram o apelido em Portugal.

A Família Falcão
Luis Adolfo Oliveira de Sommer, nasce em 1853. Casa com Adelaide da Costa Falcão depois de ter ficado viúvo da única irmã desta. Do casamento de Adelaide e Luis Adolfo nascem 2 filhas; Fernanda e Branca, e um único filho Luís.
Luis morre solteiro e sem descendentes, ficando herdeiras de toda a fortuna e património, as 2 irmãs.
Nos princípios do século XX, Luis Adolfo constroi a Casa Grande do Monte para dar apoio à casa agrícola e apoio, para os dias de caça.
A residência principal de Luis Adolfo e a sua mulher passará a ser o Palácio da Cardiga, que adquiriram em 1898. A Agolada torna-se com ele uma propriedade eminentemente florestal era principalmente e tinha então cerca de 5.500 hectares.
A casa que Luis Adolfo fez prosperar, permanence assim indivisa. Fernanda casa com Jorge de Mello, Conde de Murça e Branca com Rui Andrade. Grandes amigas e muito cúmplices ambas muito devotas, gerem em conjunto com os seus maridos, o património e vivem entre o Estoril, na Vila Sommer, e a Cardiga, na Golegã.

Chegados à década de 60, a Casa Agrícola é então dividida pelos dois primos, filhos e herdeiros das duas irmãs. A Agolada é dividida ao meio. A de Cima, para o lado norte da Estrada Nacional que as atravessa e a de Baixo, a Sul. A Agolada de Cima, Sommer de Mello e a Aglada de Baixo, Sommer de Andrade.
A casa é então remodelada pelo pai do proprietário actual, D. António Maria Sommer de Mello, 6º Conde de Murça.
Depois da morte de D. António Maria Sommer de Mello, em 1995, a Agolada de Cima é divida em três partes que ficam a pertencer a três dos seus 5 filhos.

 

A forte ligação com os cavalos

 

 

 

           O CAVALO D'ANDRADE

O Dr. Ruy D’Andrade, zoólogo, anatomista, criador de cavalos e paleontologista português, pai do Eng. Fernando Sommer D’Andrade, deu início no princípio do século XX a um vasto e importante trabalho de criação e selecção de cavalos, hoje reconhecido por todos quantos vivem e apreciam o Cavalo Lusitano.

Dedicou grande parte da sua vida às raças autóctones portuguesas, como o cavalo Lusitano, o cavalo Sorraia, o garrano e o burro, sobre os quais escreveu importantes estudos. Foi a quem o estado português entregou a criação da Coudelaria Nacional, e a tutela da Coudelaria de Alter. Assim como cuidou destas duas coudelarias, aplicou também todos os seus conhecimentos para seleccionar os cavalos com que fundou a sua coudelaria. Foi esse património genético que o seu filho, o Eng. Fernando Sommer D’Andrade, herdou e continuou sabiamente, e por isso obteve muitos prémios e distinções, e criou os grandes cavalos cujo sangue continua em muitas coudelarias.

"[…] partiu de uma base morfológica sólida, procurando em seguida fixar as qualidades mais subtis."
Baptista Coelho

"... são cavalos fortes, curtos, valentes com os touros, ardentes se provocados e calmos se não excitados, velozes na corrida e rápidos nas voltas e de bom passo, finos à espora, submissos de boa boca, infindáveis, resistentes a tudo..."
Dr. Ruy D’Andrade

 

Os Andrades, como são conhecidos os cavalos da coudelaria do Eng. Fernando Sommer D’Andrade, são assim fruto de muita dedicação e saber, seleccionados com critérios de excelência, apreciados pela sua estatura e andamentos, pelas suas formas, pelo seu temperamento e pelas suas múltiplas aptidões às diversas disciplinas de equitação, como o ensino, o toureio, os saltos, e mais recentemente a equitação de trabalho.

A Coudelaria D’Andrade é um símbolo e um marco na história da criação do Cavalo Lusitano.

Em 1991, após a morte do Eng. Fernando Sommer D’Andrade, a sua coudelaria é repartida pelos seus quatro filhos. Maria D’Andrade de Oliveira e Sousa, a mais nova dos quatro, mantém na sua exploração da Herdade da Agolada de Baixo, em Coruche, as éguas e os cavalos que lhe couberam, bem como a respectiva descendência, a qual, numa filosofia de manutenção da “pureza” dos Andrades, tem sido obtida com recurso a garanhões deste sangue, como o Curul, o Farsante, o Dayak e o Oboé, filho e netos do Martini, o Galan, filho do Dragão, o Faneca e o Marujo, filho e neto do Zamorim.

São cavalos fortes, resistentes, muito inteligentes e extremamente versáteis. São nobres no maneio e generosos no trabalho que lhes é pedido.

É uma coudelaria com uma forte raiz, que procura afirmar-se no presente com o valor do seu prestigiado passado.

 

 

Fontes:

 

Herdade da Agolada de Cima

 

Cavalos Lusitanos

 

Ecos do Ribatejo

 

Nature in Action

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Quarta-feira, 28 de Julho de 2010

Açudes da Agolada e do Monte da Barca com classificação de áreas protegidas

Os açudes da Agolada e do Monte da Barca, no concelho de Coruche, têm desde dia 23 de Julho a classificação de áreas protegidas de âmbito local, que vem substituir a de sítios classificados. A decisão da assembleia municipal ratifica a posição camarária e foi tomada por unanimidade.

 

Após recurso a uma empresa que estudou a melhor classificação para as duas áreas naturais do concelho, e sob acompanhamento do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), a autarquia decidiu-se pela nova classificação. “O ICNB tem um papel cada vez mais reduzido em relação a estas paisagens, cabendo ao município a responsabilidade de gestão dessas áreas naturais, ainda que em terrenos privados”, salientou o presidente da autarquia, Dionísio Mendes (PS).

 

Se no caso do açude da Agolada existe um acordo com o proprietário para a gestão, sobre regras mais apertadas, da frequência do espaço, no caso do açude do Monte da Barca o acesso continua condicionado devido à falta de acordo com os vários proprietários. Em Março de 2004 a área de lazer em torno do açude foi vandalizada, com árvores abatidas, mesas, bancos e fogareiros destruídos, caminhos de acesso bloqueados e danificados. Nunca foram identificados os responsáveis.

 

A bancada da CDU aprovou a reclassificação dos açudes mas não deixa de criticar o destino dado à Agolada e a permissividade com quem manda no Monte da Barca. Segundo Fernando Serafim, o caminho de acesso ao Monte de Barca está bloqueado e os visitantes avisados com um letreiro com normas do código civil. Para si, as águas são públicas e os açudes não são dos proprietários.

 

Para Armando Rodrigues, o acordo com o proprietário do açude da Agolada só traz vantagens para o próprio, enquanto a câmara arca com as responsabilidades. “Há que zelar pelos interesses da população e, quando se fala em gastar dinheiro, diga-se que o estudo encomendado pela câmara custou 15.400 euros”, revelou.

 

O presidente da Câmara de Coruche diz que, no caso da Agolada, existe a gestão possível de uma área que é privada. Dionísio Mendes defende que a câmara está a aproveitar o que a legislação permite para tentar chegar a acordo com os proprietários do Monte da Barca, sabendo que é difícil conciliar interesses entre as partes.

 

Sobre interesses, o deputado do MIC, Gonçalo Ferreira, considera que os espaços naturais são privados e que não se pode ter uma lógica de “ser público quando se quer usufruir e de ser privado quando há necessidade de fazer obras”.

 

Para o presidente da Câmara de Coruche a gestão dos açudes é a possível. “No caso da Agolada fizemos um acordo judicial com o advogado da câmara, na gestão CDU, Chumbita Nunes. No caso do Monte da Barca existe um acesso bloqueado mas outros dois disponíveis do lado do Rebocho e mais acima do que o que está fechado, na estrada para Santana do Mato”, afirmou o autarca. Acrescenta esperar que o açude do Monte da Barca venha a ter uma gestão semelhante à da Agolada.

 

in O Mirante

publicado por portuga-coruche às 07:05
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