Sexta-feira, 20 de Agosto de 2010

As Agoladas

O Açude da Agolada

O Sítio Classificado do Açude da Agolada foi criado pelo Decreto-Lei nº 197/80 de 24 de Junho, de acordo com a necessidade de implementação de medidas de protecção adequadas àquela área.

As potencialidades naturais e a localização da zona do açude determinam como objectivos fundamentais do Sítio Classificado os seguintes:


- A protecção e conservação dos valores naturais.


- A Educação Ambiental, informando e formando os visitantes para uma tomada de consciência pela preservação e protecção dos valores naturais.

 


- A criação de zonas de lazer.

 

 

 

 

O Sítio Classificado do Açude da Agolada, com área aproximada de 226 ha, situa-se na Freguesia e Concelho de Coruche, a uma distância desta vila de 2,5Km.

 


O nome desta área advém do facto de nela existir uma barragem de terra que origina a Albufeira com cerca de 1Km de comprimento.

 

 

 

O coberto arbóreo que domina na área é constituído essencialmente, por montado de sobro (Quercus suber), pinheiro manso (Pinus pinea) e Pinheiro bravo (Pinus pinaster).


No Açude da Agolada são o sobreiro (22% da área total) e o pinheiro manso (20% da área total) as espécies arbóreas dominantes.

Da fauna inventariada no Açude constam peixes, répteis, avs e mamíferos.
Sendo a carpa a espécie piscícola mais abundante, no caso dos répteis é a cobra d’água (Natrix natrix), a mais frequente.


Na avifauna podem-se observar ao longo do ano cerca de 45 espécies sendo as mais frequentes a marrequinha (Anas crecca), o guarda rios (Alcedo athis), o rouxinol pequeno dos caniços (Acrocephalus scir paceus), a cegonha branca (Ciconia-ciconia), Pato Real (Anas platyrhynchos), o chapim de popa (Parus-cristatus) e o mergulhão pequeno (Tachybaptus ruficollis).
Dos mamíferos podem encontrar-se a gineta, a lebre, o coelho, o morcego hortelão e o toirão.

 

A Herdade

 

 

 

A Agolada - nome como a Herdade é conhecida na região - esteve, desde sempre, na mesma família. A Casa Principal foi construída cerca do ínicio do século passado para dar apoio à casa agrícola e apoio, para os dias de caça. Na década de 60, a casa foi remodelada pelo pai do proprietário actual, D. António Maria Sommer de Mello, 6º Conde de Murça.

Com as mudanças nos campos, a propriedade que é predominantemente florestal, está agora adaptada para a realização de festas.

As casas que em tempos não muito distantes serviram de habitação a familias de trabalhadores que aqui nasceram, casaram e educaram os filhos, dão agora alojamento às pessoas que aqui se deslocam para as festas preferindo não viajar de noite.

A decoração das salas é marcada pela simplicidade das abódodas encimadas por lanternas apropriadas, a cal branca das paredes e a tijoleira centenária, que, durante muitos anos, abrigou os passos de quem muito trabalhou os azeites, os vinhos e outros produtos que cresciam naquelas terras.

 

A Familia proprietária

 

A Família Sommer
Família oriunda da Westfália, Alemanha, que até à época da reforma possui importantes bens no Spessart (Alta Francónia), pertencendo à nobreza daquela região.
No século XVI, aqueles bens foram divididos e a família emigrou para Inglaterra, Holanda, Palatinado e Boémia.
No último quartel do século XVIII, residia no ducado de Brunswick um ramo desta família à qual pertencia Henrique Francisco Luis von Sommer, tenente da guarda do duque de Burnswick que veio para Portugal alistado no exército liberal.
Henrique Francisco Luis von Sommer veio a ser um dos 7.500 "bravos do Mindelo", foi promovido a capitão e, depois do cerco do Porto, condecorado com a Ordem da Torre e Espada.
Naquela cidade casou com D. Rita Marcolina Fontes Garcez de Oliveira, de quem teve sete filhos que continuaram o apelido em Portugal.

A Família Falcão
Luis Adolfo Oliveira de Sommer, nasce em 1853. Casa com Adelaide da Costa Falcão depois de ter ficado viúvo da única irmã desta. Do casamento de Adelaide e Luis Adolfo nascem 2 filhas; Fernanda e Branca, e um único filho Luís.
Luis morre solteiro e sem descendentes, ficando herdeiras de toda a fortuna e património, as 2 irmãs.
Nos princípios do século XX, Luis Adolfo constroi a Casa Grande do Monte para dar apoio à casa agrícola e apoio, para os dias de caça.
A residência principal de Luis Adolfo e a sua mulher passará a ser o Palácio da Cardiga, que adquiriram em 1898. A Agolada torna-se com ele uma propriedade eminentemente florestal era principalmente e tinha então cerca de 5.500 hectares.
A casa que Luis Adolfo fez prosperar, permanence assim indivisa. Fernanda casa com Jorge de Mello, Conde de Murça e Branca com Rui Andrade. Grandes amigas e muito cúmplices ambas muito devotas, gerem em conjunto com os seus maridos, o património e vivem entre o Estoril, na Vila Sommer, e a Cardiga, na Golegã.

Chegados à década de 60, a Casa Agrícola é então dividida pelos dois primos, filhos e herdeiros das duas irmãs. A Agolada é dividida ao meio. A de Cima, para o lado norte da Estrada Nacional que as atravessa e a de Baixo, a Sul. A Agolada de Cima, Sommer de Mello e a Aglada de Baixo, Sommer de Andrade.
A casa é então remodelada pelo pai do proprietário actual, D. António Maria Sommer de Mello, 6º Conde de Murça.
Depois da morte de D. António Maria Sommer de Mello, em 1995, a Agolada de Cima é divida em três partes que ficam a pertencer a três dos seus 5 filhos.

 

A forte ligação com os cavalos

 

 

 

           O CAVALO D'ANDRADE

O Dr. Ruy D’Andrade, zoólogo, anatomista, criador de cavalos e paleontologista português, pai do Eng. Fernando Sommer D’Andrade, deu início no princípio do século XX a um vasto e importante trabalho de criação e selecção de cavalos, hoje reconhecido por todos quantos vivem e apreciam o Cavalo Lusitano.

Dedicou grande parte da sua vida às raças autóctones portuguesas, como o cavalo Lusitano, o cavalo Sorraia, o garrano e o burro, sobre os quais escreveu importantes estudos. Foi a quem o estado português entregou a criação da Coudelaria Nacional, e a tutela da Coudelaria de Alter. Assim como cuidou destas duas coudelarias, aplicou também todos os seus conhecimentos para seleccionar os cavalos com que fundou a sua coudelaria. Foi esse património genético que o seu filho, o Eng. Fernando Sommer D’Andrade, herdou e continuou sabiamente, e por isso obteve muitos prémios e distinções, e criou os grandes cavalos cujo sangue continua em muitas coudelarias.

"[…] partiu de uma base morfológica sólida, procurando em seguida fixar as qualidades mais subtis."
Baptista Coelho

"... são cavalos fortes, curtos, valentes com os touros, ardentes se provocados e calmos se não excitados, velozes na corrida e rápidos nas voltas e de bom passo, finos à espora, submissos de boa boca, infindáveis, resistentes a tudo..."
Dr. Ruy D’Andrade

 

Os Andrades, como são conhecidos os cavalos da coudelaria do Eng. Fernando Sommer D’Andrade, são assim fruto de muita dedicação e saber, seleccionados com critérios de excelência, apreciados pela sua estatura e andamentos, pelas suas formas, pelo seu temperamento e pelas suas múltiplas aptidões às diversas disciplinas de equitação, como o ensino, o toureio, os saltos, e mais recentemente a equitação de trabalho.

A Coudelaria D’Andrade é um símbolo e um marco na história da criação do Cavalo Lusitano.

Em 1991, após a morte do Eng. Fernando Sommer D’Andrade, a sua coudelaria é repartida pelos seus quatro filhos. Maria D’Andrade de Oliveira e Sousa, a mais nova dos quatro, mantém na sua exploração da Herdade da Agolada de Baixo, em Coruche, as éguas e os cavalos que lhe couberam, bem como a respectiva descendência, a qual, numa filosofia de manutenção da “pureza” dos Andrades, tem sido obtida com recurso a garanhões deste sangue, como o Curul, o Farsante, o Dayak e o Oboé, filho e netos do Martini, o Galan, filho do Dragão, o Faneca e o Marujo, filho e neto do Zamorim.

São cavalos fortes, resistentes, muito inteligentes e extremamente versáteis. São nobres no maneio e generosos no trabalho que lhes é pedido.

É uma coudelaria com uma forte raiz, que procura afirmar-se no presente com o valor do seu prestigiado passado.

 

 

Fontes:

 

Herdade da Agolada de Cima

 

Cavalos Lusitanos

 

Ecos do Ribatejo

 

Nature in Action

publicado por portuga-coruche às 07:00
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2 comentários:
De TP a 20 de Agosto de 2010 às 10:31
Excelente post.
De filomeno a 21 de Agosto de 2010 às 08:22
¿Encinas y pinos mediterráneos?

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