Terça-feira, 4 de Maio de 2010

Discurso salazarista inflama Assembleia de Coruche

 No dia 30 de Abril, o "verniz estalou" na Assembleia Municipal de Coruche.

 

Observem o vídeo na Mirante TV:

 
O que motivou esta reacção ? Bem ... Consultado o site do MIC, temos acesso aos seguintes discursos (link para PDF) que transcrevo na integra:

Assembleia Municipal de Abril de 2010

 

Declarações dos deputados municipais do MIC, na Assembleia Municipal de Coruche no passado dia 30 de Abril de 2010, no período de antes da ordem do dia, a propósito de uma saudação cheia de inverdades.

Depois de ler as declarações, oiça o áudio das intervenções e tire a sua opinião sobre aqueles que se dizem "democratas" e que querem silenciar opiniões distintas das suas. Veja ainda como a comunicação social "imparcial", apresenta os acontecimentos.

 

Declaração de Abel Matos Santos

 

Ao ouvir a saudação ao 25/4, pelo deputado Salgado, quando afirma que “Abril é fazer estradas e regularizar as margens do rio, construir acessos”, lembrei-me logo das 7 pontes que o injustiçado Major Luís Alberto de Oliveira conseguiu para Coruche, e que pela primeira vez ligaram as margens do Sorraia até ao Monte da Barca, e que são as únicas que ainda temos.
Quanto ao Sr. Deputado Aldeano do PCP, ao ouvi-lo fazer a sua descritiva alocução, só me veio à mente, Cuba, Coreia do Norte e a União Soviética, onde o fascismo vermelho produziu os campos de morte, Gulags, e milhares de extermínios, como o de Kattin, só agora oficialmente revelado pela Rússia, onde milhares de polacos foram fuzilados.

Gostava de dizer o seguinte;

Não posso votar favoravelmente uma moção que apoia um golpe de Estado, que por incompetência e leviandade acabou numa revolução, onde quem fez o golpe não ficou com o poder e o poder caiu na rua, dando azo a todo o tipo de anormalidades, que só não se tornou numa ditadura comunista devido ao contra golpe do 25 de Novembro.
E depois quem ficou com o poder não defendeu os interesses nacionais, foram assumidas as razões dos nossos inimigos, dos inimigos de Portugal, daqueles que mataram os nossos soldados e as nossas populações
A questão é: Era preciso uma Revolução? O País crescia mais de 6 pontos % por ano, a guerra do Ultramar estava ganha, havia emprego e estabilidade, Portugal era reconhecido internacionalmente, tudo estava calmo! Agora sim, temos tudo para que exista uma revolução, com o povo na rua, a contestação, a falência do País no horizonte… enfim, a resposta está dada.
Mas esse golpe corporativo dos oficiais do quadro permanente, consubstanciado depois no MFA e na fraca democracia ou ditadura dos partidos, não evitou a destruição do Pais e colocou Portugal no caminho da falência, como se podem ver nestes 2 gráficos, apresentados recentemente na SIC por José Gomes Ferreira.
 

Como se pode constatar, a 1.ª Republica e o pós 25/4 são descritos com aumentos brutais da Dívida Pública (deficit) e diminuição extrema do saldo orçamental, enquanto durante a 2.ª Republica ou Estado Novo, existiram superavits que diminuíram a dívida a níveis nunca antes alcançados e os saldos orçamentais eram positivos.
 
 
E sem dinheiro da UE, todas as obras eram feitas com dinheiros nossos. As mais de duas mil Escolas que Sócrates fechou e as dezenas de Maternidades, já para não falar na Ponte Salazar e outras grandes obras feitas nessa época, são apenas alguns, poucos exemplos do que foi realizado.
Até a respeitabilidade internacional que tínhamos, fruto da honestidade e da verdade, é hoje uma miragem. Veja-se o exemplo, ainda há dias publicado na imprensa, quando em 1962 a Embaixada de Portugal em Washington recebeu pela mala diplomática um cheque de 3 milhões de dólares (em termos actuais algo parecido com 50 milhões de euros) com instruções para o encaminhar ao State Department para pagamento da primeira tranche do empréstimo feito pelos EUA a Portugal, ao abrigo do Plano Marshall.
Fomos o único Pais do mundo a pagar o empréstimo causando embaraço mundial, dado que mais nenhum país o fez. Que diferença para os dias de hoje!

Hoje em dia, fazem-se obras com dinheiros que não são nossos e estamos mais do que endividados, com assessores e lugares de nomeação política, que no plano autárquico representam por exemplo, mais de 2 mil administradores só em empresas municipais que para nada servem, a receber ordenados inconcebíveis, com lugares de nomeação dados aos membros dos partidos, com vencimentos chorudos, obscenos, com as implicações publicas que se sabem e nada se faz!

Portugal está a bater no fundo! A pouca vergonha e a corrupção, os favores, e a descredibilidade invadiram a Nação!
Foi isto que Abril nos trouxe! Nada mais do que isto! Um golpe de Estado, um acto duvidoso de uns quantos oficiais do quadro permanente, por questões corporativas e salariais, apoiados por desertores no exterior(imagine-se que um deles pretende hoje, ser Presidente da República), que nos quiseram trazer os famosos 3 D's - Descolonização, Democracia e Desenvolvimento.

A Descolonização “exemplar” tão propalada, foi a maior das vergonhas, tendo vitimado milhões de Portugueses de Timor, Angola, Moçambique e Guiné. Até Mário Soares, disse há dias numa conferência que, por exemplo, Cabo Verde não devia ter sido independente, que o povo não queria e ele também não, mas que nada pôde fazer. Hoje também ele percebe que foi um erro enorme!
A verdade chega aos poucos com os remorsos que atormentam o Fundador do Partido com maioria nesta sala e nunca sendo tarde para admitir erros é pena que só agora estas verdades venham a lume. A Verdade chega, tarde mas chega... mas ficamos a saber que afinal os Povos das nossas províncias de além-mar, queriam continuar a ser portugueses, não queriam ser abandonados à mercê dos caprichos das potências estrangeiras.
 
A Democracia, simplesmente não existe! Vivemos numa Ditadura dos partidos, dos apparatchiks. O Povo para nada conta, somente para ser manipulado e usado! Esta é a realidade aos olhos de todos!
 
O Desenvolvimento - Onde está? O interior do Pais deserto, as escolas fechadas, os correios, as maternidades, os centros de saúde, com os Portugueses fronteiriços a terem de ir a Espanha para serem tratados! Que VERGONHA, Crimes de Lesa Pátria! Somos hoje um Pais em subdesenvolvimento, mas enganem-se aqueles que acham que a situação não vai piorar ainda mais.

Portanto, de facto o que sobra são os 3 D’s, é DÍVIDA, DÉFICIT e DESEMPREGO, e acrescento um 4.º que é a DESAVERGONHICE.
 
Tenho dito!
 
 
Abel Matos Santos

 

 

 

 

 

Declaração de Gonçalo Ramos Ferreira

Devo dizer que aquilo que espero desta Assembleia Municipal, é que façamos sempre por construir um Concelho melhor para os nossos concidadãos, no entanto ouvi atentamente, ser feita aqui a defesa de uma suposta comemoração, que nada tem que ver com a resolução de problemas da nossa Terra e que é para a grande maioria do Povo Português, sinónimo de alheamento, desilusão e mentira.

Podia perguntar o que continuam a comemorar os Senhores? Mas não o perguntarei, até porque cresci à sombra de muita da propaganda mitificada, que aqui ouvi hoje, que visa por um lado colmatar a necessidade de recordar os melhores tempos de uma vida que já não volta, expurgar os sentimentos de remorso e por outro lado, legitimar um poder a todo o custo, mesmo que esse custo seja a perda da comunidade que dizem servir.

Mas tudo isso se vai esboroar, pois o que é falso não é sentido e quem mente, jamais conquista o coração de quem o ouve.

Para além do retrocesso social e económico provocado pelo Golpe dos Espinhos e pela posterior desordem que tomou o País, não PODEMOS esquecer que esta data marca o abandono, por Portugal, de milhões de pessoas, que foram simplesmente entregues à morte, pessoas essas que acreditavam e lutavam por uma ideia, que teve eco durante 500 anos da nossa história.
Mortes, prisões políticas, censura, corrupção, tortura, ausência de liberdade, tudo isto Abril nos trouxe, não me é possível portanto, comemorar uma data responsável por tamanha injustiça e derramamento de sangue.

Não foi uma revolta do Povo, como aprendemos nos bancos da escola, surgiu sim de motivos pessoais de alguns, que se serviram do socialismo de sofá, para legitimarem uma estória, cheia de ingredientes demasiado repetidos e demasiadamente mal contados.

Hoje vivemos numa sociedade profundamente materialista, que nega o espírito, a vida humana como valor supremo, para ser praticamente amoral. A sua tendência para a exploração das massas sem benefício palpável para o Povo, para o igualitarismo por baixo, levou-nos ao ódio das coisas Portuguesas e a tudo o que é superior pela inteligência, pela virtude e pela beleza.

Tempos houve em que foram criadas as condições para se ter esperança numa vida melhor e hoje essa esperança já não existe. Somos o País mais pobre da Europa Ocidental e estamos irremediavelmente à margem da História, num obscuro canto da Europa.

É difícil comparar algo tão complexo como a qualidade de vida, mas podemos comparar a evolução portuguesa com as economias mais desenvolvidas da Europa, e o facto é que Portugal foi o país da Europa com maior crescimento do PIB per capita até 1974, quintuplicando o valor inicial de 1926.
 

Hoje, e como nunca antes, assistimos ao abandono do País, pelos Portugueses em busca de melhores condições de vida, estando em curso uma substituição demográfica, que só nos leva a um caminho, a perda da nossa ancestral Identidade.

O nosso país abriu falência, e é hoje uma colónia de Bruxelas, que nos vai dando esmolas para conseguirmos sobreviver, pois os tais capitães de Abril, reduziram Portugal a uma «pobreza franciscana», onde só houve liberdade para se hipotecar as futuras gerações e nos entregarmos à agenda de sociedades secretas como a Maçonaria.

A entrada de Portugal na Europa, que data do século XIX e não da entrada aos trambolhões na CEE, nunca beneficiou a generalidade do Povo Português. Beneficiou, sim, os interessados no carreirismo político e aqueles que estavam cansados do controlo que fora em tempos exercido sobre os negócios e fortunas e que se viram assim sem contas a prestar, aos Portugueses.

Hoje, temos o nosso interior votado ao abandono, as nossas aldeias a desaparecer, os nossos campos sem cultivos, a Europa paga-nos para não produzirmos, bastando os camiões pararem três semanas para os Portugueses saberem o que é não terem comida para colocar na mesa, é impensável como nos deixamos chegar conscientemente a esta situação.

Se Portugal tivesse sido governado por um Estadista nos últimos quinze anos, há muito que ele teria sido deposto. Tinham-se-lhe exigido responsabilidades pela estagnação económica, o desemprego galopante, o estado das contas públicas. Porém, como o país foi governado pela maioria, pedem-se responsabilidades a quem? Ninguém. É impossível, uma maioria não é uma pessoa, é uma entidade impessoal, logo ninguém é responsável por nada.
 
 

Tempos houve em que o Estado prestava contas, era sério, sem nunca recorrer à partidarização do serviço público.

Hoje o dinheiro, as possibilidades de ascensão e o apossamento de lugares a todos premeia, desde que embarquem na imoralidade do carreirismo político e na venda de convicções a troco de benesses, fechando-se uma porta para uma realização profissional discreta e honesta, para uma vida de dedicação sincera a valores e a pessoas, mas onde se abre uma janela, para o exibicionismo, para o servilismo de mão estendida.

O legado do 25 de Abril não gerou portugueses mais inteligentes, nem mais cultos, nem criou o capital necessário para fazer hospitais e maternidades. Antes pelo contrário. Criou a ilusão, de que o desenvolvimento não requer nem esforço, nem trabalho, nem estudo, nem poupança, criou a ilusão de que o desenvolvimento é um direito que os governos atribuem por decreto.

Depois do fracasso do socialismo, o capitalismo e a lei de mercado não são a única via possível, devemos caminhar para uma sociedade em que  vivamos em harmonia com a natureza, abolindo a submissão à economia, evitando as seitas políticas, fazendo a defesa do nosso interior, das nossas famílias, dos trabalhadores, contra a desumana capacidade do capitalismo e contra a usura.

Nada garante que o curso da governação seja corrigido e reorientado para o bem comum, quem dirige a nossa política externa, não sabe tirar partido das vantagens que a nossa situação geográfica nos garante. Devemos retomar uma política, que vire Portugal para o Atlântico.

Só podemos ser absolutamente livres de servidões e de interesses e só temos um partido, Portugal.

Gonçalo Ramos Ferreira
 
 
                   
Vamos fazer o seguinte: Colorir a verde tudo aquilo que concordo e a azul aquilo que não concordo!
Comentarei assim que consiga recuperar (!) e tenha tempo. Faço questão de o fazer, dado o teor dos discursos e reacções.
Os meus comentários ficarão a verde de modo a se destacarem do azul.
Eis as "frases mais quentes":
Discurso de Abel Matos Santos
1 - "Não posso votar favoravelmente uma moção que apoia um golpe de Estado, que por incompetência e leviandade acabou numa revolução, onde quem fez o golpe não ficou com o poder e o poder caiu na rua, dando azo a todo o tipo de anormalidades...." Se os militares tivessem mantido o poder passaríamos para uma ditadura militar? Estamos a falar de pessoas cultas que sabiam a liberdade que gozava um francês ou inglês! Estamos a falar de pessoas que sabiam que o futuro de Portugal não passava pela exploração e imposição de ideias mas pela liberdade e evolução do nosso país num quadro democrático, que eram onde se encontravam os restantes países europeus ou para lá caminhavam, como era o caso da Espanha e Itália 
2 - "A questão é: Era preciso uma Revolução? O País crescia mais de 6 pontos % por ano, a guerra do Ultramar estava ganha, havia emprego e estabilidade, Portugal era reconhecido internacionalmente, tudo estava calmo! Agora sim, temos tudo para que exista uma revolução, com o povo na rua, a contestação, a falência do País no horizonte… enfim, a resposta está dada. " Opsss Espera aí! Estamos a falar de Portugal? A guerra estava ganha?! A guerra estava perdida! Em terra, no mar e até no ar. O apoio internacional de que beneficiavam os grupos armados permitia-lhes possuir armamento mais moderno e poderoso. O emprego que existia era precário e a calma era de medo.
3 - "Mas esse golpe corporativo dos oficiais do quadro permanente, consubstanciado depois no MFA e na fraca democracia ou ditadura dos partidos, não evitou a destruição do Pais e colocou Portugal no caminho da falência". A revolução era inevitável, dado que o estado novo insistia a todo o custo continuar a perder homens e material numa guerra perdida (para não me repetir, noutros pontos destaco outras razões). O facto de Portugal estar numa situação difícil terá mesmo a ver com o fim do regime e com o "25 de Abril"? O facto de Portugal ter ficado com 50 anos de atraso, relativamente a outros países não conta? As escolhas, ou as más escolhas do povo não tem também a ver com o atraso que o país tem?
4 - "... Ponte Salazar ..." Que eu saiba agora chama-se "Ponte 25 de Abril" Conheço apenas uma razão para se continuar a insistir que a ponte tem o antigo nome, pode ser que alguém apareça e me diga que para além da apologia do estado novo existem outras razões para insistir em chamar o antigo e não o novo nome.  
5 - "Até a respeitabilidade internacional que tínhamos, fruto da honestidade e da verdade, é hoje uma miragem" A respeitabilidade não existia! Portugal não tinha nenhuma credibilidade internacional! Todos, de uma maneira ou de outra pressionavam Portugal para resolver a questão colonial. A questão da ditadura política, nomeadamente a manutenção de presos políticos a perseguição ideológica eram temas diários a nível internacional. O atraso industrial e o analfabetismo do nosso povo também eram tema de preocupação internacional. A tortura e monopolização da opinião pública através da censura também não abonavam nada a nosso favor. Portugal era visto como um país atrasado em todas essas vertentes e mais algumas.
6 - "Foi isto que Abril nos trouxe! Nada mais do que isto! Um golpe de Estado, um acto duvidoso de uns quantos oficiais do quadro permanente, por questões corporativas e salariais, apoiados por desertores no exterior" Acham pouco? Tenha sido por qualquer razão. Uma ditadura repressiva que perseguia quem não se dobrava, que mantinha asquerosos bufos denunciadores, que asfixiava o pensamento. 
7 - "A Descolonização “exemplar” tão propalada, foi a maior das vergonhas, tendo vitimado milhões de Portugueses de Timor, Angola, Moçambique e Guiné." Não duvido! Tudo poderia ter sido feito de outra maneira. Acredito que se Salazar tivesse ouvido Spínola e aceite a sugestão de atempadamente negociar autonomias este problema não teria surgido. A persistência em continuar a remar contra a vontade internacional enfraqueceu o regime.
8 - "ficamos a saber que afinal os Povos das nossas províncias de além-mar, queriam continuar a ser portugueses, não queriam ser abandonados à mercê dos caprichos das potências estrangeiras.Nunca foram os "povos" a escolher! Havia uma guerra fria entre duas grandes potências (URSS e EUA) e os lideres revolucionários africanos foram doutrinados directa ou indirectamente por elas, ou sob a sua influência. Eram por isso também apoiados monetariamente, com armamento e treino. Em Abril de 74, exceptuando Cabinda que insistimos em incluir no "Pack Angola", quais eram as colónias que queriam continuar a pertencer a Portugal? Timor? NÂO; Guiné? NÂO; Angola?NÂO; Moçambique?NÂO; Cabo Verde ou S.Tomé? NÂO, o que é que resta!?
Discurso de Gonçalo Ramos Ferreira
1 - "ouvi atentamente, ser feita aqui a defesa de uma suposta comemoração, que nada tem que ver com a resolução de problemas da nossa Terra e que é para a grande maioria do Povo Português, sinónimo de alheamento, desilusão e mentira." Discordo, principalmente porque como está comprovado se continua a ignorar a realidade. O 25 de Abril é e deverá ser uma comemoração. É um dia em que se deveria expor o que foi o Estado Novo, falar-se das torturas e prisões, da censura e daqueles que morreram a lutar. Muitos foram também aqueles que voltaram inválidos ou com traumas de guerra. Muitos são aqueles que ficaram sem um pai, um irmão ou um tio ou ainda o seu grande amigo de infância.
2 - "cresci à sombra de muita da propaganda mitificada, que aqui ouvi hoje, que visa por um lado colmatar a necessidade de recordar os melhores tempos de uma vida que já não volta, expurgar os sentimentos de remorso e por outro lado, legitimar um poder a todo o custo, mesmo que esse custo seja a perda da comunidade que dizem servir." Os problemas actuais, sejam de segurança, sejam morais ou ainda políticos ou sociais, não são causados pela revolução de 25 de Abril de 1974! Estamos em 2010! Não percebi a referência aos "...melhores tempos de uma vida que já não volta..." seria aos tempos em que uma sardinha era comida por seis pessoas? Em que se era preso por discordar da guerra ou por outra razão qualquer? Eu ainda sou do tempo em via em Coruche pessoas descalças. Ou ainda dos tempos em a maioria dos portugueses nem a 4.ª classe acabavam porque tinham de ajudar a família a sobreviver, enquanto na restante Europa os jovens estudavam línguas e história e viajavam livremente. Quantos intelectuais se perderam com o analfabetismo? Quantos poetas e escritores? Políticos ou cientistas? Pessoas que podiam ter contribuído para o nosso país e que agora nem cultura geral sabem discutir. Vê-se idosos ingleses e alemães, japoneses e americanos, assim como franceses por todo o lado! Viajam e conhecem, falam várias línguas e estudam e depois que quisermos ver os nossos, basta ir a um Centro de Saúde. É o mais longe que eles vão. Isto porque nasceram sem nada num país inculto e rural.
3 - "o que é falso não é sentido e quem mente, jamais conquista o coração de quem o ouve." Também não concordo! Os políticos prometem o que não tem, a quem nunca pretendem beneficiar pelo poder que querem conquistar. As pessoas acreditam e votam neles e o resultado é aquele que todos sabemos!
4 - "Para além do retrocesso social e económico provocado pelo Golpe dos Espinhos e pela posterior desordem que tomou o País, não PODEMOS esquecer que esta data marca o abandono, por Portugal, de milhões de pessoas, que foram simplesmente entregues à morte, pessoas essas que acreditavam e lutavam por uma ideia, que teve eco durante 500 anos da nossa história.
Mortes, prisões políticas, censura, corrupção, tortura, ausência de liberdade, tudo isto Abril nos trouxe, não me é possível portanto, comemorar uma data responsável por tamanha injustiça e derramamento de sangue." Realmente ...... Gonçalo, tem sentido febre? Acha que pondo as coisas desta maneira não é ser salazarista nem fazer a apologia do Estado Novo? Nesse caso o que será? Não me cabe a mim defender a descolonização e o modo como foi feita, mas, como já referi nos comentários que fiz, a principal razão que levou a semelhante desfecho foi o arrastar da situação. Imaginem um autocarro em crescente velocidade a dirigir-se para um penhasco, quanto mais tarde sairmos mais nos magoamos e se continuarmos morremos.  Houve quem dissesse atempadamente para se parar, enquanto era possível parar, mas quem mandava achava que não .... o resultado já todos sabemos qual foi.
5 - "A entrada de Portugal na Europa, que data do século XIX e não da entrada aos trambolhões na CEE, nunca beneficiou a generalidade do Povo Português. Beneficiou, sim, os interessados no carreirismo político e aqueles que estavam cansados do controlo que fora em tempos exercido sobre os negócios e fortunas e que se viram assim sem contas a prestar, aos Portugueses." Continuo a discordar. A nossa entrada na CCE foi a nossa única saída. Não ocupamos a posição que desejamos, mas estariamos sem dúvida muito pior se estivessemos sozinhos nesta pontinha da Peninsula Ibérica e com o Escudo.
6 - "Se Portugal tivesse sido governado por um Estadista nos últimos quinze anos, há muito que ele teria sido deposto. Tinham-se-lhe exigido responsabilidades pela estagnação económica, o desemprego galopante, o estado das contas públicas. Porém, como o país foi governado pela maioria, pedem-se responsabilidades a quem? Ninguém. É impossível, uma maioria não é uma pessoa, é uma entidade impessoal, logo ninguém é responsável por nada." Será que tinha sido deposto ou teria eliminado qualquer oposição? A responsabilidade, independentemente se um político é eleito por maioria ou minoria existe sempre. A grande diferença é que mesmo que mesmo que um político seja eleito por maioria e seja um crápula, foi o povo que lá o meteu.
7 - "O legado do 25 de Abril não gerou portugueses mais inteligentes, nem mais cultos, nem criou o capital necessário para fazer hospitais e maternidades. Antes pelo contrário. Criou a ilusão, de que o desenvolvimento não requer nem esforço, nem trabalho, nem estudo, nem poupança, criou a ilusão de que o desenvolvimento é um direito que os governos atribuem por decreto. " Novamente discordo! O país está hoje muito mais evoluido em todos os aspectos. Infelizmente temos muitos anos de atraso e ainda por cima entre os políticos não apareceu ainda um visionário, alguém carismático que nos possa orientar de modo a que possamos sair da lama, tipo Charles de Gaulle.
Digam o que acham nos comentários a este post ou enviando um e-mail para estes Coruchenses do MIC
publicado por portuga-coruche às 08:00
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