Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

Para quando um "Cabaz da Horta" em Coruche ?

Foi com bastante entusiasmo que vi na segunda-feira à noite no Jornal da Sic a reportagem sobre o "Cabaz da Horta".

 

Um grupo de jovens, reuniu-se à volta de um projecto inovador.

 

Eis o artigo no site da SIC:

 

Cabaz da Horta

No início foi mal recebido nos lugares perdidos do interior alentejano, por vezes de caçadeira em punho, por gente que há muito deixou de acreditar. Mas o Cabaz da Horta acabou por conquistar os agricultores. O que aconteceu depois surpreendeu todos os protagonistas.

Anastácio André, nos montes de Corte Brique, arrependido de ter ficado.
Alice, no Café Paraíso, arrependida de ter voltado.

Eles, como os outros, perguntaram-se: o que pode um simples cabaz de produtos da horta contra o isolamento, o declínio da agricultura tradicional e a desertificação no maior concelho do país e da Europa?

O Cabaz da Horta foi o primeiro projecto da Taipa, Organização Cooperativa para o Desenvolvimento Integrado do Concelho de Odemira.

Atrás do Cabaz da Horta veio formação e alfabetização, vieram visitas de todo o mundo às hortas de Corte Brique.

Alice guiou indianos, africanos, norte-americanos e europeus curiosos pelos caminhos das favas e das bolotas.
Anastácio André foi a França, participar num colóquio de agricultura sustentável.

O interior e o litoral ficaram mais perto no concelho onde tudo é longe.
Onde Anastácio continua à espera da camioneta e da luz.
Onde o presidente da câmara não tem meios para travar o avanço do deserto, e confessa que muitas vezes pensou em desistir.
Onde associações como a Taipa ajudam a fixar gente à terra, mesmo quando são asfixiadas pelos atrasos do Governo.

O Cabaz da Horta é o tema da próxima Reportagem Especial. A não perder, segunda-feira, no Jornal da Noite.

Um trabalho de Miriam Alves, Pedro Cardoso e Andres Gutierrez .

A Reportagem poderá ser visualizada através do site da SIC

Gostei da ideia e da oferta, produtos frescos de grande variedade de pequenos produtores e  entregues na nossa casa.

Atenção que isto não são aqueles produtos concebidos em estufas tendo em mente o grande consumo que crescem em metade do tempo e de tão limpos parecem de plástico. São produtos frescos e tradicionais cultivados em hortas familiares quase sem curas e fertelizantes.

Contactei os responsáveis do projecto para saber se aqui em Coruche também teriamos semelhante oferta, respondeu-me Telma Guerreiro:

Em primeiro lugar gostaria de lhe agradecer o interesse pelo nosso trabalho.
Depois gostava de informar que o Cabaz da Horta de Odemira só tem distribuição em Odemira, pois isso faz parte do conceito de relação de proximidade entre produtores e consumidores que defendemos e por isso o objectivo neste momento é dissiminar esta ideia a outros territórios. Desta forma aproveito para o convidar e pedir que divulgue a entidades que entenda por pertinentes o encontro que vamos realizar nos proximos dias 16 e 17 de maio em Odemira (informação em anexo). Pode ser que nos ajude a criar um Cabaz da Horta de Coruche.
 
Para mais esclarecimentos esteja à vontade em nos contactar,
 
Saudações
Telma Guerreiro

Eis a documentação enviada:

Rede Nacional Re.Ci.Pro.Co.
 
No passado dia 22 de Janeiro de 2008 foi formada a Rede Nacional Re.Ci.Pro.Co. (Relações de Cidadania entre Produtores e Consumidores), na sede da Direcção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, em que estiveram presentes os representantes dos territórios com o sistema Re.Ci.Pro.Co. em implementação: Odemira, Palmela, Sesimbra e São Pedro do Sul. (Representantes: entidades facilitadoras – TAIPA, ADREPES, ADDLAP, consumidores e produtores dos respectivos territórios). Estiveram também presentes o Eng.º Rui Baptista (Chefe do Projecto LEADER +), Eng.ª Rosário Serafim (Técnica da Rede Portuguesa LEADER +) e o Eng.º Samuel Tirion (INDE). Nesta reunião, foi deliberado por unanimidade que o Território de Gestão da Rede Nacional nos próximos dois anos (2008/09) será o Território de Odemira.
 
O conceito Re.Ci.Pro.Co., inspira-se numa prática que teve inicio há 40 anos no Japão, generalizando-se a outros países do mundo, tais como, Alemanha/Suíça, nos anos 70, EUA nos anos 80, Canadá e Reino Unido, nos anos 90. Em 2004 existiam 1000 casos no Japão (Teikei), 1700 no EUA, através da Community Sustainable Agriculture (CSA), 100 no Canadá (ASC), 100 no Reino Unido, através da Community Sustainable Agriculture (CSA) e 150 em França, através da Association pour le Maintain d’une Agriculture Paysanne en France (AMAP).
 
Este tipo de intervenções tem por base a criação de contratos locais directos entre agricultores e consumidores das vilas e cidades próximas, acrescentando a esta ideia uma dimensão territorial, colectiva e social e tem tido um impacte bastante positivo, do ponto de vista social (com o estabelecimento de laços entre agricultores e consumidores), ambiental (com o desenvolvimento de uma agricultura sustentável, a redução dos transportes e do consumo de embalagens e a produção de outros desperdícios), de saúde (com o aumento do consumo de produtos frescos e de qualidade, com a administração reduzida de produtos de síntese), económico (com o aumento da segurança financeira para os agricultores, comercialização de produtos de qualidade a um preço acessível), patrimonial (com a revalorização das variedades locais) e pedagógico (com a sensibilização das populações para as questões dos desenvolvimento rural).
 
Para que estes contratos respondam aos objectivos procurados, devem ser baseados num comprometimento recíproco, ou seja, por um lado, o comprometimento dos consumidores em comprar os produtos dos agricultores e, por outro lado, o comprometimento dos agricultores em fornecer produtos de qualidade e aplicar objectivos definidos em comum com os consumidores, como por exemplo a manutenção de um certo tipo de paisagem, a preservação e valorização de variedades locais, a introdução de uma agricultura respeitadora do ambiente, etc. Esta ideia tem subjacente o princípio de que todos somos responsáveis pelos estragos e benefícios que fizermos e pela consciência e envolvimento activo na mudança de atitudes e comportamentos face ao planeta em que vivemos.
 
Nos mercados locais encontram-se, cada vez mais, produtos alimentares provenientes de regiões distantes e vendidos a preços competitivos, num processo directamente ligado à globalização dos mercados e ao avanço das técnicas de conservação de produtos. Os produtos alimentares percorrem, hoje em dia, uma média de 1500 km antes de chegarem ao consumidor e esta tendência, que se tem vindo a acentuar, tem consequências negativas para o tecido económico das regiões rurais, para a qualidade dos produtos vendidos e a para a própria saúde dos consumidores.
 
É também contraditório com os acordos de Quioto que prevêem uma redução de emissão de gás carbónico a nível mundial. Para os produtos alimentares da agricultura intensiva que, em média, percorreram 1500 km antes de chegar ao prato dos consumidores, a emissão de gás carbónico é superior 100 vezes mais a produtos locais de uma agricultura sustentável. Por outro lado, sendo a comercialização cada vez mais controlada pelos intermediários, que retêm a maior parte das mais-valias criadas e exercem uma forte pressão sobre as receitas dos agricultores, não se evidencia a necessária e prudente redução dos preços da alimentação aos consumidores (Re.Ci.Pro.Co. - Guia Conceptual e Metodológico).
 
Procurando quebrar esta lógica, cidadãos de diversas origens, desenvolveram novas formas de organização e consumo, que passam pela reconstrução de uma relação social mais próxima entre agricultores e consumidores. Para o efeito, constituíram-se parcerias locais e solidárias entre agricultores e consumidores, baseadas no compromisso mútuo, numa remuneração justa, e na partilha dos riscos e das vantagens
 
Este conceito foi introduzido em Portugal, em 2003, com a experiência piloto realizada na zona do Poceirão, tendo por base o quadro do projecto URGENTE (financiado pelo Interreg IIIB, implementado pela INDE) e em Odemira no âmbito da acção 8 do Agris, pela Taipa, Crl.
 
Dado o carácter inovador deste Projecto, a Rede Portuguesa LEADER+ considerou bastante relevante a sua realização em Portugal e, nesta conformidade, nasceu o projecto Re.Ci.Pro.Co. que teve como resultados: a sensibilização e organização dos consumidores, operacionalizada pela ProRegiões, garantindo a divulgação do projecto nos diferentes meios de comunicação; a generalização do sistema a outros territórios através do apoio técnico da INDE e da TAIPA, Crl; realização do Colóquio Internacional de 3 a 6 de Dezembro de 2005, realizado em Palmela com visita ao território de Odemira, contou com 166 participantes, dos quais 93 estrangeiros, vindos de 17 países diferentes (ver www.urgenci.net). Permitiu dar visibilidade ao Projecto Re.Ci.Pro.Co. e possibilitou a troca de experiências entre intervenções similares noutros países; elaboração de um Guia Conceptual e Metodológico ( www.leader.pt), sobre as diferentes práticas em Portugal; e a criação da Rede Nacional Re.Ci.Pro.Co.
 
A Rede tem como objectivos, disseminar a metodologia Re.Ci.Pro.Co. a outros territórios, criar canais regulares de comunicação e informação entre os Membros e actuar junto de estruturas públicas e privadas no sentido de influenciar políticas públicas coincidentes com os objectivos da rede e que contribuam para a manutenção de espaço rural vivo.
 
Acreditamos que esta Rede de relações é uma das formas de contrariar a tendência para o consumo de produtos massificados, a falta de ética alimentar, o desaparecimento das pequenas explorações e o abandono dos meios rurais, por isso é nosso entender que municípios, associações, agricultores, consumidores e potenciais consumidores, devem juntar-se a este movimento que diz respeito a todos para um desenvolvimento mais saudável das nossas gentes e para um desenvolvimento sustentável dos nossos territórios.
 
Telma Guerreiro
Contactos do Território de Gestão da Rede Nacional Re.Ci.Pro.Co.2008/09: 283320020/969861979
 
(Artigo Publicado – Jornal da Taipa 2008)

 

publicado por portuga-coruche às 16:08
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