Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012

O que se diz sobre Portugal noutros países!

Reportagem da Al Jazeera (Canal Arabe com sede no Catar) define Portugal como um país cheio de corruptos e um dos mais pobres da Europa.

A reportagem destaca ainda uma cidade (Lisboa) como um exemplo de corrupção, e um português (José Sá Fernandes) como uma figura notável na luta contra a corrupção (destacando a sua acção no conhecido caso "Braga Parques")!

 

 

 

in Blog "Eles Pululam por aí"

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Sexta-feira, 22 de Julho de 2011

O país descobriu os "pobres"

 

 

 

 

 

Resta agora conseguir identificar quem é pobre pela força das circunstâncias e quem é pobre porque com os apoios que existem pode ter uma boa vida e não fazer nenhum........

 

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Quarta-feira, 24 de Novembro de 2010

Cantona propõe colapso dos bancos

Um vídeo de Eric Cantona está a agitar a Internet. O ex-futebolista francês  propõe que as pessoas retirem o dinheiro dos bancos para causar um colapso no sector. "Uma verdadeira revolução", diz. Veja o vídeo

"Não pegamos em armas para matar pessoas e começar uma revolução. Nos dias de hoje é muito fácil fazer uma revolução. O sistema assenta no poder dos bancos, por isso tem de ser destruído através dos bancos", disse Cantona, numa entrevista a um jornal local francês.

 

 

Temos de ir ao banco. Neste caso haveria uma verdadeira revolução. Não é complicado; em vez de irmos para as ruas, conduzir durante quilómetros, basta ir ao banco levantar o dinheiro. Se houver muita gente a fazer levantamentos o sistema colapsa. Sem armas, sem sangue", acrescentou.

A ideia surgiu quando Eric Cantona respondia a uma questão do "Press Océan", jornal local de Nantes, sobre o trabalho do ex-futebolista na fundação Abbé Pierre, uma das mais conhecidas do mundo na defesa dos pobres e sem-abrigo.

"Não é complicado e depois as pessoas vão ouvir-nos", argumentou Cantona. "Às vezes temos de sugerir umas ideias aos sindicatos", acrescentou.

Milhares já viram o vídeo, que se multiplica no Youtube, e um movimento francês, conhecido como StopBanque, já tomou a iniciativa de liderar a campanha para levar as pessoas a levantar o dinheiro no dia 7 de Dezembro.

 

 

in Jornal de Notícias

 

 

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Segunda-feira, 1 de Novembro de 2010

Para os pobres, mercado

 
por Atilio A. Boron (Politólogo)

 São muitas as provas que, actualmente, demonstram a inviabilidade do capitalismo como modo de organização da vida económica. Um dos seus máximos apologistas, o economista austríaco-americano Joseph Schumpeter, gostava de argumentar que o que o caracterizava era um processo contínuo de "destruição criadora": velhas formas de produção ou de organização da vida económica eram substituídas por outras num processo virtuoso e de ascensão ininterrupta para níveis de prosperidade e bem-estar crescentes. Contudo, as duras réplicas da história demonstram que se produziu um desequilíbrio cada vez mais acentuado na equação schumpeteriana, em resultado do qual os aspectos destrutivos tendem a prevalecer, cada vez com mais força, sobre os criativos: destruição cada vez mais acelerada do meio ambiente e do tecido social; dos Estado e instituições democráticas e, também, dos produtos da actividade económica mediante guerra, a obsolescência planificada de quase todas as mercadorias e o desperdício sistemático dos recursos produtivos.

Uma prova desta inviabilidade do capitalismo, não a longo mas sim a médio prazo, é a sua escandalosa incapacidade para resolver o problema da pobreza, temas agora se discute no âmbito da Assembleia-Geral da ONU. Apesar dos modestos objectivos colocados pelas chamadas "Metas do Milénio" para o ano 2015 – dentro os quais destaca-se a redução da população mundial a viver com menos de 1,25 dólar por dia –, o certo é que nem sequer êxitos tão austeros (para não dizer insignificantes) poderão ser garantidos. De facto, se a nível mundial se verificou uma relativa melhoria isto deve ser atribuído às políticas seguidas pela China e Índia, que se afastaram consideravelmente das recomendações emanadas do Consenso de Washington. Além disto, seria interessante que os tecnocratas do Banco Mundial e do FMI explicassem como poderia qualificar-se uma pessoa que tendo superado o fatídico limiar de 1,25 dólar por dia ganha, por exemplo, 1,50. Deixou de ser pobre? É por isso um "não pobre"? E que dizer da estabilidade dos seus misérrimos rendimentos num mundo onde aquelas instituições apregoam as virtudes da flexibilização do mercado laboral?

Esta incapacidade para enfrentar um problema que afecta mais de mil milhões de habitantes – número que cresceria extraordinariamente si, ainda a partir de uma visão economicista, situássemos a linha da pobreza nos 2 dólares diários – torna-se motivo de escândalo e abominação quando se recorda a celeridade y generosidade com que os governos do capitalismo avançado avançaram com centenas de milhares de milhões de dólares para o resgate dos grandes oligopólios, lançado pela borda fora todo o palavrório vazio do neoliberalismo. O resgate dos grandes oligopólios financeiros e industriais, segundo informa a Agência Bloomberg, de clara identificação com a "comunidade de negócios" norte-americana, até finais do ano passado custava "um total de 12,8 milhões de milhões de dólares, uma quantia que se aproxima muito do Produto Interno Bruto (PIB) do país". Em contrapartida, a "Ajuda Oficial ao Desenvolvimento" (AOD), que havia sido fixada pela ONU nuns irrisórios 0,7 por cento do PIB dos países desenvolvidos, é respeitada apenas pelos países escandinavos e a Holanda. Dados dos últimos anos revelam que, por exemplo, os Estados Unidos destinaram à AOD só uma fracção do acordado: 0,17 por cento do seu PIB, ao passo que a Espanha contribuía com 0,24 e a Itália com 0,15 por cento.

Os principais países da economia mundial, agrupados no G-7, dedicaram à cooperação internacional apenas 0,22 por cento do PIB. Ao contrário do que ocorreu com as grandes empresas oligopolistas, o "resgate" dos pobres fica nas mãos do mercado. Para os ricos há Estado, os pobres terão que desembrulhar-se com o mercado. E se aparece o Estado é para reprimir ou desorganizar o protesto social. Alguém disse uma vez que as crises ensinam. Tinha razão.

 

 
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Segunda-feira, 18 de Outubro de 2010

Há cada vez mais gente sem dinheiro para comer

Pobreza vai agravar-se com os cortes nos apoios e aumento dos impostos

POR: Helena Norte

 

 

Se 2010 não está a ser fácil, 2011 vai ser bem pior. Com os cortes nos apoios sociais, aumento dos impostos e crescimento do desemprego, a pobreza e as carências alimentares vão agravar-se. As instituições que trabalham no terreno traçam um cenário muito negro.

"Estamos no início de um ciclo muito negativo. Acredito que 2011 vai ser muito pior", considera Manuel Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas e antigo responsável da Comissão Nacional de Luta contra Pobreza.

"A pobreza em Portugal não é conjuntural. Há 20 anos, a taxa de pobreza já atingia 20% da população portuguesa. Entretanto, gastaram-se centenas de milhões de euros em nome dos pobres e o problema persiste", critica.

"As pessoas mais carenciadas vão passar um mau bocado, com os cortes nos apoios sociais e o aumento dos impostos em bens de primeira necessidade, como a alimentação. Veja-se o exemplo das conservas em que o IVA sobe de 13% para 23%", aponta a presidente da Federação Portuguesa de Bancos Alimentares, Isabel Jonet.

"A classe média baixa e os pobres são os mais penalizados pelas medidas de austeridade", considera o presidente Cáritas. Eugénio Fonseca diz não ter dúvidas de que "os tempos que aí vêm serão ainda mais difíceis" e acrescenta: "Ainda não sabemos que alterações o Orçamento de Estado poderá sofrer, mas não vão ser certamente para melhorar a vida de quem já está a sofrer as consequências do Programa de Estabilidade e Crescimento".

Crianças subalimentadas

"A fome em Portugal não é como em África ou outros países em desenvolvimento, mas existem graves carências alimentares. Há uma correlação entre crise económica e o aumento da obesidade porque os alimentos gordos, muito calóricos e pouco saudáveis são mais consumidos", explica João Fernandes, director executivo da Oikos.

O aumento dos défices alimentares da população são atestados por diversas fontes. A organização Empresários pela Inclusão Social concluiu, junto de um conjunto alunos que acompanha, que 12% vão para escola sem nada no estômago.

Incapacidade de gerir a vida

Manuel Lemos diz que, em muitas creches, já é habitual reforçar-se o lanche à sexta-feira e o almoço à segunda, porque durante o fim-de-semana há muitas crianças mal alimentadas. Eugénio Fonseca sublinha que "há um grande número de famílias dependente das instituições de solidariedade social para terem uma refeição diária em condições."

O problema da fome, ou da deficiente nutrição, radica não apenas na falta de recursos económicos para comprar alimentos de qualidade, mas também na dificuldade de "estabelecer prioridades", na opinião de Isabel Jonet. Manuel Lemos corrobora: "A pobreza é principalmente a incapacidade de gerir recursos".

 

in Jornal de Notícias

 

 

publicado por portuga-coruche às 07:30
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Quinta-feira, 24 de Junho de 2010

Mãe e filho habitam em condições desumanas numa casa sem água nem luz

 

 

 

Maria da Conceição Correia vive em condições desumanas na sua casa em Albergaria, localidade da freguesia de Almoster, concelho de Santarém. A casa, sem as mínimas condições de habitabilidade, não tem água nem luz e chove em todas as divisões da habitação. Maria da Conceição vive com o filho, Paulo, doente psiquiátrico, cujo quarto é um cubículo onde mal cabe a cama onde dorme. Um plástico preto sob o tecto que está a cair serve de protecção quando chove. As necessidades fisiológicas são feitas num balde colocado numa das divisões da casa que depois é despejado nas traseiras da habitação.

A reforma que a idosa recebe, de aproximadamente 300 euros mensais, mal chega para os cerca de duzentos euros que ambos gastam, mensalmente, em medicamentos. Mãe e filho vivem da caridade dos vizinhos que os ajudam no pagamento das despesas. A casa de Maria da Conceição tem muitos anos e com o tempo foi-se degradando e actualmente corre o risco de ruir.

Sensibilizados com a situação de Maria da Conceição e do filho, um grupo de moradores e amigos da idosa, com o apoio da Câmara de Santarém, estão a organizar uma Grande Noite de Fados que se realiza na sexta-feira, 26 de Junho, pelas 22h00, na Casa do Campino, em Santarém.

Quem quiser ajudar a Maria da Conceição e o filho, Paulo Correia, pode fazê-lo através de um depósito na conta com o NIB 0045 5440 4023 6616 291 45.

 

Notícia completa na edição semanal de O MIRANTE que sai à quinta-feira.

 

in O Mirante

 

 

 

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Terça-feira, 6 de Abril de 2010

(Re) Ver a Pobreza

Concurso de desenho, fotografia e texto
Prazo de entrega: 15 de Abril de 2010

 

 

in Site da Câmara Municipal de Coruche

publicado por portuga-coruche às 07:20
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Segunda-feira, 5 de Abril de 2010

“Há crianças que ainda são retiradas à família por pobreza”

Entrevista

 

Olga Fonseca, directora do Centro de Emergência Social da Fundação Cebi 

A pobreza separa muitos pais dos filhos, diz a directora do Centro de Emergência Social da Fundação Cebi, Olga Fonseca. Os casos de maus-tratos e abusos sexuais são uma realidade e nestas situações agir é a atitude mais correcta para a presidente da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em risco de Vila Franca de Xira. Para evitar que os meninos gastem a infância nos corredores das instituições Olga Fonseca defende a agilização do processo de adopção. Não ao ritmo das convicções de magistrados, mas no tempo da criança.

 

 

Quantas crianças acolhe o Centro de Emergência Social da Fundação Cebi?

Neste momento 31 crianças. Existe um acordo com a Segurança Social para 30, mas temos uma ou outra cama extra e sempre que há possibilidade de acolher mais alguém fazemo-lo. Não deixamos ninguém na rua.

 

As crianças que estão no Centro podem ser adoptadas?

Depende. As crianças trazem uma medida de acolhimento institucional. A lei prevê que sejam períodos de seis meses que podem ser repetidos três vezes. E durante este período de acolhimento é trabalhado o projecto de vida da criança. Pode ser o retorno à família biológica ou, no caso de não ser possível, a adopção. Há crianças que podem ser imediatamente adoptadas por consentimento dos pais. Há outras em que é durante o tempo do período do acolhimento institucional que se percebe que o projecto de vida tem que ser desenhado no sentido da adopção. Nessa altura, juntamente com as entidades competentes, faz-se a petição de confiança judicial ao tribunal para que se inicie o processo de adopção.

 

E esse tempo chega para resolver as situações?

Infelizmente aquilo que é habitual é que se excedam enormemente os prazos estabelecidos. Tenho cá crianças há dois, três anos. Quando o prazo dos 18 meses de aplicação de medida já foi excedido.

 

Os meninos que ficam mais tempo na instituição entram em processo de adopção?

Nem todos. No ano passado saíram 16 para a sua família biológica e oito para adopção. Consideramos que foi uma média boa. Há muitas crianças que têm processos de adopção a correr... Autênticas maratonas.

 

As crianças estão cá por que razões?

O que é mais frequente, não só no centro de emergência, mas ao nível da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em risco, são situações de negligência parental. Seja a nível físico ou emocional. Depois existem as situações de maus-tratos e incapacidade parental por questões socio-económicas.

 

De pobreza.

Diz-se que nenhuma criança deve ser afastada da sua família por motivos da dita pobreza, mas isto ainda é teoria. As crianças ainda são retiradas da família por pobreza e falta de condições.

 

Defende que assim seja?

Não, de todo. Retirar uma criança que não sofre maus-tratos ou negligência só porque os pais não têm condições socio-económicas é uma violência que se faz à criança e aos pais. O Estado tem a obrigação de ajudar as pessoas a ter condições mínimas para que as famílias não sejam separadas.

 

Aconteceu, como tem conhecimento, a retirada de três meninos em Foros de Salvaterra que entretanto já regressaram à família.

É uma situação complexa que não era da minha comissão. O que acontece hoje - sem querer particularizar sobre processos em que não participei - é que se as crianças estão numa situação de perigo e se intervém quem intervém é acusado de ter intervido por excesso. Se não intervém é acusado de não ter intervido e por isso a criança ficou em perigo. Retirar uma criança em situação de perigo é quase um acto de coragem. É pôr a cabeça no cepo. No entanto o que está em causa é o superior interesse da criança. Há que remar contra todas as marés. Se uma criança está em risco de ficar em perigo então há muitas entidades com a obrigação de ajudar as famílias.

 

É aceitável que crianças sejam retiradas durante a noite?

Não posso falar desse caso. O que lhe posso dizer é que já tive aqui no centro uma situação de uma criança cuja retirada teve que ser feita precisamente durante a noite com acompanhamento policial porque não havia forma de fazê-lo. No entanto a criança estava sempre com a mãe. É dos actos mais violentos que há para todas as pessoas envolvidas. Para a mãe, para o pai e para um técnico ou agente da autoridade. Por trás das fardas estão pessoas. O ideal não existe. É que não fosse necessário fazê-lo.

 

E a solução para os casos de pobreza?

É preciso discutir a pobreza. Por uma pessoa viver numa situação de pobreza não significa que não tenha condições para ter a criança. Posso entrar numa casa de uma pessoa riquíssima e achar que têm lá crianças em perigo. E depois entrar numa casa miserável e as crianças serem tratadas com todo o carinho. Não podemos aplicar a bitola daquilo que achamos que as famílias devem ter.

 

Mas alguns técnicos poderão ter dúvidas ao entrar numa casa pobre.

Os técnicos estão sobrecarregados. Sabe o que são 900 casos da comissão para oito pessoas? Ninguém melhor do que os técnicos tem noção de que é preciso cuidado. Estou a lembrar-me de um caso. Dois técnicos de entidades diferentes fazem uma visita domiciliária a uma casa na serra com tijolos e telhado em madeira onde vive um pai e uma filha. No único canto onde não chove está um colchão sobre tábuas. Esse pai não maltrata a criança, mas a criança deve ficar a morar ali? Se calhar não. Pai e filha deveriam ser dali retirados e integrados numa instituição para não ser separados. Se isso não for possível, e se o pai estiver de acordo, que se promova o acolhimento temporário da criança. Muitas vezes é a forma dos pais terem mais disponibilidade para procurar soluções para a sua vida.

 

 

O tempo da criança não é o tempo dos magistrados

 

São muitos os especialistas que defendem que é preciso que alguma coisa mude para que os processos de adopção sejam agilizados, reduzindo o tempo das crianças na instituições. O que defende concretamente?

Alguma coisa já foi mudando, mas os processos são lentos. Continua a haver um factor que é determinante na morosidade de alguns processos e que tem que ver com os decisores envolvidos. Pode ter que ver com técnicos que propõem tardiamente. Muitas vezes tem a ver com o magistrado que está à frente do processo. Se for um magistrado pró-adopção o processo será mais rápido, se for um magistrado pró-família biológica será mais complexo. Isto é delicado de se dizer, mas é a realidade. Há questões culturais que precisam de ir mudando em prol daquilo que é o superior interesse da criança. Na minha opinião muitas vezes continua a prevalecer o interesse dos pais e não o da criança. Compreendo que um não está necessariamente dissociado do outro. As crianças vão ficando à espera que os pais recuperem, que os pais mostrem que têm já capacidade, que venham relatórios daqui e dali provar que os pais afinal já podem tomar conta dos filhos. Há situações em que as crianças voltam para casa e meses estão cá novamente.

 

Quer dizer que dificilmente se consegue ultrapassar isso?

Não digo que isso é impossível porque não sei se há impossíveis. Mas muitas vezes é irrealista pensar-se que determinadas famílias com determinada história de vida vão conseguir reunir condições para ter a criança - pelo menos no tempo oportuno - que é o tempo da infância. Esse tempo passa. Por muito boa que seja uma instituição não é uma família. Não é justo que uma criança passe a infância numa instituição à espera que os pais mostrem que têm condições.

 

Na sua opinião isso deveria demorar quanto tempo?

Tudo o que seja mais de um ano para mim é muito tempo.

 

Um ano é suficiente para a família provar se tem condições ou não.

Há muitas situações em que os três meses de abandono ou desinteresse comprovado chegam. Porque é que uma criança que vem de uma maternidade em situação de perfeito abandono tem que ficar meses à espera numa instituição? Porque não vai logo para uma família? Não entendo.

 

Há a ideia de que os processos de adopção são muito morosos.

Uma coisa é o curso do processo de adopção em tribunal. Outra coisa é o tempo de espera de uma criança para ser adoptada. Imagine que um processo de adopção demorou dois anos. A criança já pode ser adoptada. Depois imagine que essa criança fica quatro à espera que apareça uma família.

 

Então não é no tribunal que está o principal problema?

São dois problemas principais. São dois volumes da mesma história. No tribunal ainda existem problemas. Depende da formação moral dos magistrados. E depois há a outra questão que é o tempo de espera por uma família.

 

E o que querem as famílias?

Querem crianças pequenas - muitas vezes de uma forma irrealista. Há famílias até com idades avançadas a dizer que querem crianças bebés ou até dois, três anos. As crianças não param no tempo. Crescem. Uma criança com cinco anos não é pior que uma criança com dois anos.

 

Como psicóloga pode explicar porque é que as pessoas têm essa preferência?

Não faço juízos de valor. Entendo perfeitamente que nas suas fantasias parentais queiram reproduzir o processo todo de maternidade ou paternidade que é ter um bebé e vê-lo crescer. Entendo isso, mas a adopção não é uma solução para os casais que não podem ter filhos, mas uma solução para as crianças que não podem ter pais. Também entendo que as pessoas têm uma fantasia acerca do que é ter uma criança. Pensam que uma criança pequena não traz vícios e memórias. Isto é um estereótipo.

 

Não corresponde à realidade?

Temos experiências de crianças adoptadas crescidas que são um sucesso. As crianças pedem para ser adoptadas. Pedem uma família. Perguntam: quando é que vêm uns pais para mim? A Segurança Social agora já faz formação aos candidatos a adopção. Esperemos que essa formação venha a modificar algumas expectativas dos candidatos à adopção que pensam que há instituições com prateleiras onde se vão escolher crianças.

 

Há tendência para procurar meninos brancos e saudáveis?

Se me perguntar sobre os requisitos que pedem as pessoas que se inscrevem para adopção digo-lhe que é muito raro encontrar alguém que diga que é indiferente a cor e a raça. A maior parte quer crianças brancas, pequenas e sem problemas de saúde.

 

E têm muitas crianças com problemas de saúde?

Tínhamos uma criança com problemas de saúde que ficou em situação de adopção. Ninguém queria a criança porque também era negra. Supostamente nunca iria falar ou andar. Entretanto uma das nossas famílias amigas apaixonou-se e aceitou ficar com a tutela. Ainda há dias a família vieram visitar-nos. Não calcula a emoção. Puxa pela perna das calças ao pai e chama-o. Diz como é que o gato faz. Corre tudo de um lado para o outro. Uma criança que supostamente nunca iria fazer nada disto. O que o amor faz. É um caso paradigmático.

 

Há casos de crianças retiradas a famílias adoptivas?

Existem algumas situações de devolução de crianças, o que é lamentável. Para mim todas essas situações deveriam ser consideradas situações de abandono. É o mesmo que abandonar um filho.

 

 

Quando o medo fica estampado nos olhos de uma criança

 

É presidente da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) do concelho de Vila Franca de Xira. Concorda com a autonomia das comissões?

As CPCJ's têm uma autonomia relativa. A retirada de uma criança é sempre em consonância com o Ministério Público. Só é aplicada uma medida de acolhimento institucional com o consentimento dos pais. Se os pais não dão consentimento para o acolhimento institucional a CPCJ encaminha o processo para o Ministério Público.

 

Mas a opinião da CPCJ tem muito peso.

A opinião da CPCJ tem peso porque avalia em várias vertentes e normalmente nunca sozinha, mas com outros parceiros.

 

E em caso de dúvida?

Na dúvida peque-se por excesso. Imagine que telefonam durante a noite. Há um bebé a chorar e ninguém em casa. Na dúvida leve-se para onde está em segurança.

 

Há muitos casos desses? Bebés deixados sozinhos em casa?

Há alguns. O que não quer dizer que depois não se possa trabalhar com a família no sentido educacional. Explicar que é perigoso. Por exemplo, no caso do abuso sexual (ultimamente é moda nos casos de litígios de divórcios os cônjuges acusarem-se um ao outro no âmbito do abuso sexual dos filhos, o que quanto a mim deveria ser criminalizado), havendo uma dúvida consistente há que agir. Defendo que tudo tem que ser feito de forma cirúrgica com pinça e bisturi porque estamos a tratar da vida de pessoas.

 

O que é que leva um pai ou mãe a deixar um bebé sozinho em casa?

Desespero. Imagine alguém que está numa situação socio-económica desesperante. Perde a consciência do que é manter a segurança dos filhos. Uma pessoa alcoólica pode sair e deixar uma criança em casa. Quase sempre envolve questões sociais delicadas. Patologias.

 

O abuso sexual é a situação que mexe mais consigo?

Sempre que vejo o medo estampado nos olhos de uma criança considero isso gravíssimo. Os maiores medos que já vi espelhados nos olhos das crianças foram situações de abuso sexual e violência por maus-tratos físicos. Violência violenta...

 

A que nível?

Queimaduras no corpo. Espancamento. Arrancar cabelos. Facas quentes encostadas no corpo. Cigarros. Ferro eléctrico.

 

 

A estudante de psicologia que foi mãe a tempo inteiro

 

Foi mãe aos 19 anos e acabou um curso superior já com um filho. Essa experiência ajuda-a na percepção de algumas situações?

As nossas experiências de vida ajudam-nos sempre se quisermos aproveitar alguma coisa delas. Mas não defendo que para se ter sensibilidade em relação a certas coisas seja preciso passar por dificuldades. Há pessoas que mesmo não sendo mães têm tanta ou mais sensibilidade para estes temas pela educação que tiveram. Tirei o meu curso todo já com o meu filho. Não foi fácil. Digamos que tinha a matéria para estudo em casa quando se tratava do desenvolvimento da criança (risos).

 

Como se defende da crueza das situações com que se depara?

Ando nisto há muitos anos e fui aprendendo a defender-me. É inevitável aprender a distinguir o lado pessoal e o lado profissional. Se nos envolvemos do ponto de vista emocional é difícil tomar decisões racionais mais sensatas.

 

Os meninos estão aqui 24 horas. Passa cá ao fim de semana?

Tenho uma equipa excelente a trabalhar comigo. Temos uma escala de serviço. As pessoas da minha equipa vêm cá ao fim de semana alternadamente. Venho raramente. Os meninos vêem-me mais como a directora, mas adoram mimos e vir para o colo.

 

Alguma vez pensou exercer a profissão numa instituição deste tipo?

O meu estágio curricular foi feito no Cebi. Mas ainda eu era miúda – o presidente da fundação lembra-se disso – e já tinha esta queda para andar a ajudar os outros. Ajudei a formar um grupo ecológico e depois um outro grupo de apoio às pessoas mais desfavorecidas na zona de Alverca.

 

De que forma faziam isso?

Fazíamos recolha de alimentos ou íamos a casa de pessoas que sabíamos que vivam muito mal e ajudávamos a fazer limpeza ou arranjos na casa. Foram experiências interessantes.

 

 

Politicamente incorrecta

 

Os dias de Olga Fonseca são pincelados regularmente em tons de cinza. As histórias dos meninos acolhidos no Centro de Emergência Social da Fundação Cebi, em Alverca, estão longe de ser cor-de-rosa, mas para contrastar a directora do centro de acolhimento temporário mantém um intocável azul-tranquilidade no olhar. É a pintura, escape de fins-de-semana, que permite manter um perfil que todos lhe reconhecem. Tem 46 anos, é psicóloga de profissão, presidente da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em risco do concelho de Vila Franca de Xira, ediadora familiar e ainda se desdobra como psicoterapeuta numa clínica privada.

Tem dois filhos. Um já formado em psicologia e outro, na área das artes, a caminho do ensino superior. Foi mãe aos 19 anos, mas conseguiu  conciliar os estudos com o apoio dos pais, sogros e do ex-marido, professor de educação física. Sempre que pode refugia-se perto do mar. Gosta de caminhadas, de pincéis, de estar sozinha. A escrita e a poesia são outros dos sítios secretos da autora de “A Cegonha Angustiada”, reflexão sobre as dificuldades que enfrenta no dia a dia. Os primeiros quatro anos de vida foram passados em Loulé, no Algarve, mas é natural de Alverca, onde vive.

Defende os afectos e por isso não é contra a adopção por parte dos casais homo sexuais. É pela capacidade de amar e recusa questões de género. Desassombrada, frontal e directa. Politicamente incorrecta. Capaz de criticar tudo e todos. Em nome do interesse superior da criança. Do tempo da criança. Que corre a um ritmo diferente do tempo dos homens que decidem.

 

in O Mirante

 

 

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Terça-feira, 23 de Março de 2010

Injustiças fiscais

■■■ “Não vale a pena trabalhar em Portugal.

De facto, quando se verifica a diferença de tratamento fiscal entre os rendimentos do trabalho e os de capitais, chega-se logo a essa evidência. Fiscalmente fomenta-se o ócio em vez do trabalho. Quem aplicar cinco milhões de euros num depósito à taxa de 1,5%, obterá um rendimento anual de 75 mil euros. Sobre este montante incidirá uma taxa de IRS de 20%. Por outro lado, se esses 75mil euros forem obtidos a trabalhar, a taxa já será de 42%! Se o mesmo montante for aplicado em produtos de capitalização bolsista, as mais-valias poderão ser taxadas em 10% ou até nem o serem. Quem tiver uns milhões de euros a render no banco, mas não tiver rendimentos de trabalho poderá, devido a essa condição, ser considerado como pobre e assim aceder a todos os apoios sociais previstos para o efeito, incluindo o rendimento mínimo.”

PAULO CONDE

 

In “Correio dos Leitores” do Global Notícias n.º 576 de 23 Março de 2010

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Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Rede Europeia Anti-Pobreza debate política de infância em Portugal

Convenção sobre os Direitos das Crianças
 
Está hoje a decorrer, na Universidade do Minho, o seminário ‘Pobreza Infantil’, promovido pela Rede Europeia Anti-Pobreza / Portugal (REAPN), no âmbito da comemoração dos 20 anos da Convenção Sobre os Direitos das Crianças
 

Na sociedade portuguesa verifica-se uma elevada taxa de pobreza infantil, de crianças maltratadas, negligenciadas e mal acolhidas nas escolas. A situação é uma consequência de factores como o desemprego, os baixos níveis de escolarização dos pais, os baixos salários, o trabalho precário, a elevada taxa de mulheres trabalhadoras a tempo inteiro, e o aumento das famílias monoparentais

 

No seminário, a Rede Europeia analisa esta realidade e apresenta os indicadores e a caracterização da situação de pobreza infantil, reflecte sobre os trajectos de vida de crianças nesta situação e debate as políticas sociais a definir. O evento permite ainda a troca de experiências e a análise conjunta das medidas de intervenção dos agentes sociais para potenciar a diminuição da pobreza infantil e melhorar as condições de vida das crianças.

 

O seminário inscreve-se dentro das actividades do Grupo de Trabalho da REAPN sobre ‘Pobreza Infantil’, que congrega representantes de instituições públicas e privadas de âmbito nacional e personalidades em nome individual do domínio académico.

 

 SOLcom agências

 
Pena que estas coisas não sirvam para mudar alguma coisa. Espero estar a cometer uma injustiça. Se assim for será bom para as crianças certamente.
Sei que é bom discutir, mas continuam a morrer e a ser maltratadas crianças todos os dias.
 
 
 
publicado por portuga-coruche às 12:12
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