Quinta-feira, 10 de Maio de 2012
Deputados não representam os eleitores

Deputados estão "domesticados" e obedecem a "diretórios políticos"

O constitucionalista Jorge Miranda, que foi deputado à Assembleia Constituinte, afirmou esta quinta-feira que os deputados estão hoje "totalmente domesticados" e obedecem aos "diretórios políticos".

 

foto Luís Manuel Neves/Global Imagens
 

"Eu nunca recebi nenhuma instrução, os grupos parlamentares funcionavam (na Assembleia Constituinte) com inteira liberdade. Ao contrário do que hoje acontece, em que os deputados estão sujeitos a ordens e instruções vindas dos diretórios políticos", afirmou.

 

Jorge Miranda intervinha como conferencista nas II Jornadas de Ciência Política do ISCTE-IUL, Lisboa, sobre a Assembleia Constituinte e a Constituição
da República Portuguesa.

 

"Na Assembleia Constituinte não havia nenhuma interferência da Comissão Política (do seu partido, PPD). Nós reuníamos durante o dia para decidir como íamos deliberar nas votações do dia seguinte", disse.

 

O antigo deputado afirmou que a "falta de liberdade" dos deputados "é um problema fundamental a considerar, muito preocupante" que coloca "o problema da democracia representativa".

 

"Os deputados são eleitos por milhões de cidadãos, os dirigentes partidários são eleitos por 10 mil ou 20 mil, 30 mil militantes do partido", assinalou.

Por outro lado, observou, "enquanto as eleições parlamentares dão todas as garantias e tem controlo jurisdicional, nas eleições dos partidos a  democraticidade nem sempre está totalmente assegurada".

 

"E depois são esses eleitos por sufrágio dos militantes que vão determinar o voto dos deputados", disse.

 

A tentativa dos diretórios políticos para condicionar as decisões dos grupos parlamentares, defendeu, "começou a verificar-se em 1976 na véspera da votação da Constituição de 1976" quando "o dr. Sá Carneiro (então líder do PPD) propôs ao grupo parlamentar que se abstivesse".

 

"Nós dissemos que íamos votar a favor", afirmou o antigo deputado.

 

Hoje, considerou, "os deputados agora estão totalmente domesticados, obedecem aos ditames dos diretórios partidários".

 

"Por vezes há declarações de voto que até vão em sentido contrário do que se votou, até não sei se esse voto não deveria ser anulado", sugeriu.

 

(Artigo parcial)

 

in Jornal Notícias

 

É por isso que muito do que existe em termos legais está feito para agradar a essa clientela que acabou por formatar o país à sua concepção.

Não é o povo que manda no país e por isso não é o povo que sai beneficiado com os programas e reformas do ensino, saúde, emprego, propriedade, comercial, etc...

Neste momento e constatando-se que a disciplina partidária é regra de todos os partidos, porque não se mantêm a assembleia com apenas um representante de cada partido e depois este votava de acordo com a percentagem conseguida de votos? Temos que manter toda uma cambada de carneiros clones da vontade dos seus partidos?

A lei dos partidos também é outra tentativa de limitar o acesso à assembleia e perpetuar os partidos que lá estão. Se é necessário cada vez mais assinaturas para o surgimento de um partido e depois ainda menos lugares na assembleia serão designados para as novas correntes de opinião e representatividade, vemos goradas as hipóteses de uma nova corrente, com novas ideias e novas direcções, surgir em Portugal. Cada um dos partidos chegou à conclusão que as suas ideias são as mais certas, não são necessárias outras, eles são os auto proclamados idiotas e o espaço que ocupam está mais que garantido!



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Quarta-feira, 9 de Maio de 2012
A CARTA DO CHEFE INDÍGENA SEATTLE - (1854)

 

Resposta do Cacique Seattle ao Governo dos Estados Unidos que tentava comprar as suas terras (1854):

 

Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los?

 

Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho.

 

Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas.


Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do corpo do potro, e o homem - todos pertencem à mesma família.

 

Portanto, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, pede muito de nós.

 

O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Mas isso não será fácil. Esta terra é sagrada para nós.

 

Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar as suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz de meus ancestrais. Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.

 

Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção da terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que possam ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.

 

Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda.

 

Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo. O ruído parece somente insultar os ouvidos.

 

E o que resta da vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros.

 

O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro - o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro. Mas se vendermos nossa terra ao homem branco, ele deve lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém. O vento que deu a nosso avô seu primeiro inspirar também recebe seu último suspiro. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa ir saborear o vento açucarado pelas flores dos prados.

 

Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos.

 

Sou um selvagem e não compreendo qualquer outra forma de agir. Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecer vivos.

 

O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo.

 

Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem as suas crianças o que ensinamos as nossas que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos.

 

Isto sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo.

 

O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.

 

Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos - e o homem branco poderá vir a descobrir um dia: nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar que O possuem, como desejam possuir nossa terra; mas não é possível. Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. A terra lhe é preciosa, e ferí-la é desprezar seu criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo que todas as outras tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos.

 

Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos da floresta densa impregnadas do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruída por fios que falam.

 

Onde está o arvoredo?

Desapareceu.

 

Onde está a águia?

Desapareceu

 

É o final da vida e o início da sobrevivência.



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Terça-feira, 8 de Maio de 2012
Camarate - A confissão de Farinha Simões
 
 
 

 

 A 8 de Abril de 2012, José Esteves foi visitar Fernando Farinha Simões no Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus e recebeu uma carta de 18 páginas com a confissão de Farinha Simões sobre o caso Camarate - que provocou a morte do primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro e ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa, a 4 de Dezembro de 1980. Farinha Simões deu depois o aval para que a carta fosse divulgada publicamente. José Esteves e Fernando Farinha Simões esperam agora que a Assembleia da República possa criar a X Comissão de Inquérito Parlamentar de Camarate e concluir assim o trabalho iniciado pela IX Comissão, interrompido pela convocação das eleições antecipadas de 2011. O actual primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, admitiu a criação da X Comissão durante a última evocação de Camarate, no passado dia 4 de Dezembro de 2011.

 

A ser verdade o que consta do documento, existe o envolvimento da CIA no atentado, curiosamente foi uma comissão americana que investigou os destroços e concluiu ter-se tratado de acidente e não atentado.

 

Curioso é também o facto de meterem um documento no youtube (!?!) e não num Blog ou outra coisa qualquer, como por exemplo o formato PDF, muito mais fácil de ler do que imagens soltas.... aguardo que o documento apareça e nessa altura meterei aqui o lik.

 

 

UPDATE ----> O Coruchense Abel Matos Santos enviou-me por email uma transcrição da carta, estou a tentar postar o ficheiro na net para quem quiser ler poder faze-lo (não está a ser fácil! Com tantos sites de ficheiros a serem fechados e limitados). Mais uma vez obrigado Abel. Pelos vistos não sou o único Coruchense interessado em que a verdade no caso Camarate seja de uma vez reposta. Temos como portugueses o direito de saber o que aconteceu e que os responsáveis sejam responsabilizados.



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Porque não dizem a verdade!?

Coruche: Desacatos em partida de futebol

Grupo espanca militar em jogo

O jogo de futebol entre o Coruchense e a União Desportiva Abrantina decorria anteontem em ambiente ameno, em Coruche, até ao momento em que dois jogadores foram expulsos. Da calma à confusão bastaram alguns segundos: após ameaças a um atleta, 30 adeptos invadiram o campo e tentaram agredir os três militares da GNR presentes. Um deles – ao proteger a arma que tinha caído no chão – acabou por ser pontapeado no rosto e foi ontem operado devido aos traumatismos.

 

Os três guardas, do posto de Coruche, encontravam--se a fazer o policiamento habitual neste tipo de jogos. Com as expulsões, os ânimos exaltaram-se e um jogador da equipa visitante foi ameaçado, já nos balneários. "Anda cá que eu desfaço-te", afirmou um dos adeptos.

Inicialmente, apenas dois homens invadiram o campo. Mas, ao serem imobilizados pelos militares, deu-se a invasão.

Rodeados por cerca de três dezenas de adeptos, um dos guardas acabou por perder o cinturão onde tinha a arma. Ao perceber que um dos agressores se preparava para a agarrar, atirou-se para o chão para o evitar. Foi nesse momento que o agrediram a pontapé, ficando a esvair-se em sangue. O grupo fugiu para parte incerta.

 

Por:Joana Domingos Sá

in Correio da Manhã

 

Porque não referem a etnia dos agressores? Esta agressão nada teve a ver com adeptos!

 

Eis o que refere o Jornal O Mirante (Link para a notícia):

 

"Segundo fonte que presenciou a cena, indivíduos de etnia cigana invadiram o terreno de jogo para agredirem um jogador da equipa visitante. No momento que os guardas presentes tentaram algemar um dos indivíduos, o militar foi agredido na cara tendo fracturado o nariz."

in O Mirante

 



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Sexta-feira, 4 de Maio de 2012
Uma evidente fraude
Esta semana fui ao Algarve. Numa autoestrada deserta e sem nada para fazer, fui olhando para os painéis informativos dos preços da gasolina. De Lisboa ao Algarve, as marcas variam mas os preços são exatamente iguais. Ao cêntimo.
Esta semana fui ao Algarve. Numa autoestrada deserta e sem nada para fazer, fui olhando para os painéis informativos dos preços da gasolina. De Lisboa ao Algarve, as marcas variam mas os preços são exatamente iguais. Ao cêntimo.

Não é preciso ser especialista da matéria para se perceber que o negócio das gasolinas em Portugal (e não só) é uma fraude. Nada, de técnico ou estrutural, justifica o alinhamento dos preços. A formação do preço da gasolina envolve muitas variáveis a montante e a jusante. Flutuações no mercado das matérias-primas, dimensão das empresas, encargos e situação financeira, existência ou não de grandes stocks, distâncias e transportes, margens, comissões, promoções e tanta coisa mais configuram o complexo cálculo. É, por isso, simplesmente impossível que duas marcas cheguem exatamente ao mesmo preço. Isto é básico.

Apesar desta evidência, a Autoridade da Concorrência tem-se esforçado por demonstrar que não existe cartelização. Atuando mais na defesa das petrolíferas do que na defesa dos consumidores, a AdC deve andar à procura de reuniões secretas, mensagens encriptadas ou encontros de gabardinas no Jardim do Príncipe Real. Mas qualquer pessoa menos influenciada por filmes de intriga e espionagem percebe que as petrolíferas que operam no mercado português simplesmente alinham os preços umas pelas outras. Quando uma sobe ou desce uns cêntimos, as restantes fazem-no na mesma exata medida.

A isto pode não se chamar cartelização. Mas que é uma fraude é. Os preços não são determinados pelo famoso mercado, mas por uma ação concertada que faz com que a gasolina em Portugal seja vendida a um preço muito superior ao que podia e devia ser praticado.

Daqui se constatam algumas coisas triviais. A regulação não funciona, o Estado também não, as organizações da sociedade civil ainda menos. Ninguém, em suma, defende os consumidores desta tão declarada ganância. A única arma, nesta guerra desigual, vai sendo o recurso ao não consumo para os que podem andar de bicicleta ou ficar em casa a ver televisão.

Mas devemos ir mais longe. O "caso" do preço da gasolina em Portugal demonstra que o mercado também não funciona. Recorde-se que o argumento sistemático para a privatização de tudo assenta invariavelmente na ideia de que isso beneficia os consumidores. Em tese, a concorrência entre vários operadores levaria a um acerto por baixo dos preços de serviços e produtos. Não é isso que acontece. Pelo contrário. As empresas de um mesmo setor tendem a constituir-se como uma espécie de super monopólio, o qual, ainda que disseminado, alinha os preços por cima em benefício dos vários intervenientes.

Sendo verdade que a economia de mercado é mais eficiente do que a economia planificada, o resultado para os consumidores não é substancialmente melhor. A lógica da oferta/procura, base do mecanismo de auto-organização do mercado capitalista, tem cada vez menos relevância. Os preços são determinados por componentes subjetivas, por exemplo, relevância das marcas, e por lógicas especulativas que visam o máximo lucro e não a concorrência. A isto acresce uma ativa cumplicidade por parte dos governos e dos organismos de regulação na defesa dos interesses das grandes empresas em prejuízo do cidadão. O desequilíbrio é óbvio. A desregulação clara. Deste modo, nem o mercado livre existe, nem aquilo que existe é um verdadeiro mercado no sentido de existirem várias opções. O consumidor vê-se obrigado a pagar e calar. Ou seja, o modelo mafioso é hoje predominante.

Ora as máfias só se combatem com justiça. É por isso que, mais do que manifestações, queixumes e protestos avulsos, o desvario e desregulação dos mercados devem ser enfrentados nos tribunais como casos de polícia que são. Os presidentes das empresas petrolíferas em Portugal não agem de forma menos perniciosa do que os especuladores financeiros que têm arruinado vidas, economias e países. A sociedade tem o direito e o dever de se defender destas novas formas de agiotagem e extorsão.

 

 

 

 

Por Leonel Moura -  leonel.moura@mail.telepac.pt

in Negócios On-Line

 

 



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Segunda-feira, 30 de Abril de 2012
O estranho mundo em que vivemos

Bebemos demais, fumamos demais, gastamos sem critérios, conduzimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos a televisão tempo demais e raramente rezamos.

 

Multiplicamos os nossos bens, mas reduzimos os nossos valores.

Falamos demais, amamos raramente, odiamos frequentemente.

 

Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos. Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho.

 

Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio.

 

Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores. Limpamos o ar,mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos.

 

Aprendemos a apressar-nos e não, a esperar.

 

Construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas comunicamo-nos menos. Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta; do homem grande de carácter pequeno; lucros acentuados e relações vazias.

 

Esta é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados. Esta é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas "mágicas". Um momento de muita coisa na montra e muito pouco na despensa. Uma era que leva esta mensagem até ao teu computador, e uma era que te permite dividir esta reflexão ou simplesmente clicar 'delete'.

 

Lembra-te de passar tempo com as pessoas que amas, pois elas não estarão por aqui para sempre. Lembra-te dar um abraço carinhoso num amigo, pois não te custa um cêntimo sequer. Lembra-te de dizer "amo-te" à tua companheira(o) e às pessoas que amas, mas, em primeiro lugar, ama... Ama muito.

 

Um beijo e um abraço curam a dor, quando vêm de lá de dentro. O segredo da vida não é ter tudo que você quer, mas AMAR tudo que se tem!

 

Por isso, valoriza o que tens e as pessoas que estão ao teu lado.

 

 

George Carlin

 

 



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Sábado, 28 de Abril de 2012
Multibanco explode no Monte da Barca

Madrugada deste sábado

Coruche: Ladrões explodem multibanco

 
Assalto ocorreu na zona industrial de Monte da Barca

Uma caixa multibanco instalada na zona industrial de Monte da Barca, Coruche, foi assaltada este sábado de madrugada com recurso a explosão de gás, revelou fonte da GNR.

 

A explosão foi registada às 03h10 na Zona Industrial de Monte da Barca, tendo os assaltantes "usado gás para fazer explodir a caixa multibanco", indicou a fonte, ao descrever a técnica de assalto.

A GNR desconhece o número de pessoas envolvidas no assalto, assim como o montante furtado.

 

in Correio da Manhã

 

 



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Sexta-feira, 27 de Abril de 2012
Portugal em 90 segundos


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Coruche em festa

 

 

 

 

 

 



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Segunda-feira, 23 de Abril de 2012
“A classe dominante nunca será capaz de resolver a crise. Ela é a crise!”

Rob Riemen. “A classe dominante nunca será capaz de resolver a crise. Ela é a crise!”

 

O filósofo holandês esteve em Lisboa à conversa com o i sobre o espírito de resistência e o “eterno retorno do fascismo”

 

 

 

Thomas Mann e Franklin Roosevelt são dois dos homens que mais inspiram Rob Riemen, que esteve em Lisboa na semana passada a convite de Mário Soares para falar sobre o direito à resistência e para apresentar o seu último livro, “Eterno Retorno do Fascismo”. A chegada da fotojornalista ao lobby do Ritz acabou por dar o mote à conversa com o i.

A Patrícia foi uma das fotojornalistas em trabalho agredida pela polícia na greve geral de há um mês em Portugal.
Pela polícia?!

Sim. O episódio parece remeter para o “Eterno Retorno do Fascismo”...
Sim, falo disso neste livro. Estamos a lidar com o pânico da classe dominante, que se habitua ao poder para controlar a sociedade. Isso que me contas é um acto de pânico. E o interessante é que a classe dominante só entra em pânico quando perde a autoridade moral. Sem a autoridade moral, só lhe resta o poder que se transforma em violência.

O fascismo continua latente?
A minha geração cresceu convencida de que o que os nossos pais viveram nunca voltaria a acontecer na Europa. Quando vocês se livraram do fascismo nos anos 70, nos anos 90 devem ter pensado que não mais o viveriam. Mas uma geração depois, já estamos a assistir a uma espécie de regime fascista na Hungria, na Holanda o meu governo foi sequestrado pelos fascistas, pelo sr. [Geert] Wilders [do Partido da Liberdade]... Com uma nota comum a todos que é o ódio à Europa. Para Wilders, o grande inimigo era o Islão e agora são os países de alho.

Países de alho?
É o que ele chama a países como o vosso, Espanha, Polónia... A Europa tornou--se uma ameaça. Com a II Guerra Mundial aprendemos a lição de que a única saída, depois de séculos de sangue derramado, era ter uma Europa unida e agora as forças contra [essa união] estão a ganhar controlo. É o primeiro ponto.

E o segundo?
A actual classe dominante nunca será capaz de resolver a crise, porque ela é a crise! E não falo apenas da classe política, mas da educacional, da que controla os media, da financeira, etc. Não vão resolver a crise porque a sua mentalidade é extremamente limitada e controlada por uma única coisa: os seus interesses. Os políticos existem para servir os seus interesses, não o país. Na educação, a mesma coisa: quem controla as universidades está ali para favorecer empresas e o Estado. Se algo não é bom para a economia, porquê investir dinheiro?

Nos media o mesmo.
Sim. No geral, os media já não são o espelho da sociedade nem informam de facto as pessoas do que se está a passar, existem sim para vender e vender e vender.

E as consequências estão à vista.
Pois, estamos a assistir à desintegração da sociedade. Tudo é baseado na premissa de que as pessoas devem ficar mais ricas e é daqui que vem a crise financeira, daqui e deste comportamento totalmente imoral e irresponsável de um pequeno grupo de pessoas que não podia importar-se menos [com a sociedade] e sem interesse em ser responsável. Quando uma sociedade está focada na economia, na economia, na economia e na economia, perde-se a noção do que nos dá qualidade de vida. E quando somos privados dessa noção, surge um vazio.

A sociedade kitsch que refere no livro?
Sim, em que a identidade das pessoas não depende do que elas são, mas do que têm. Quando se torna tão importante ter coisas, serves um mundo comercial, porque pensas que a tua identidade está relacionada com isso. Estamos a criar seres humanos vazios que querem consumir e ter coisas e que acabam por se vestir e falar todos da mesma forma e pensar as mesmas coisas. E a classe dominante está muito mais interessada em que as pessoas liguem a isso do que ao que importa.

A classe dominante teme que as pessoas comecem a questionar tudo?
Claro que sim! Frederico Fellini, o realizador italiano, disse um dia: “Eu sei o que é o fascismo, eu vivi-o, e posso dizer- -vos que a raiz do fascismo é a estupidez. Todos temos um lado estúpido, frustrado, provinciano. Para alterar o rumo político, temos de encontrar a estupidez em nós”. Mas se as pessoas fossem um bocadinho mais espertas, não iriam para universidades estúpidas, nem veriam programas estúpidos na TV. Existe uma elite comercial e política interessada em manter as pessoas estúpidas. E isso é vendido como democracia, porque as pessoas são livres de escolher e blá blá.

Quando não é assim.
Não, não, não, não! [Bento de] Espinoza – muito obrigado a Portugal por o terem mandado para a Holanda – explicou que a essência da democracia é a liberdade, mas que a essência da liberdade não é teres o que queres; é usares o cérebro para te tornares num ser humano bem pensante. Se não for assim, se não fores crítico perante a sociedade mas também perante ti próprio, nunca serás livre, serás sempre escravo. Daí que o que estamos a viver não tenha nada a ver com democracia.

Tem a ver com quê?
Vivemos numa democracia de massa, uma mentira que abre os portões a mentirosos, demagogos, charlatães e pessoas más, como vimos no séc. XX e como vemos agora.

O retorno do fascismo é inevitável?
Vamos fazer uma pausa (risos). Acho que não podemos entregar-nos ao pessimismo. Se acharmos que estamos condenados, que não há saída, que é inevitável, mais vale bebermos champanhe (risos). A razão pela qual publiquei esta dissertação e o meu outro livro, “Nobreza de Espírito”, e pela qual dou estas palestras e entrevistas é porque a primeira coisa de que precisamos é de pôr a verdade em cima da mesa.

E como podemos fazer isso?
Primeiro, admitindo que as coisas estão a correr mal e não apenas no nível económico. Relembremos uma grande verdade do poeta Octávio Paz: “Uma crise política é sempre uma crise moral.” Quando reconhecemos a verdade nisto, percebemos que a crise financeira é também ela uma crise moral. E aí devemos questionar de que tipo de valores universais estamos a precisar e o que é que devemos ter na sociedade para confrontar isto. Aí percebemos que há coisas erradas no sistema de educação.

Por causa de quem o controla?
Porque não está interessado na pessoa que tu és, mas no tipo de profissões de que a economia precisa. Se o preço é falta de qualidade, se o preço é falta de dignidade humana, é haver tanta gente jovem sem instrumentos para lidar com a vida e para descobrir por si própria o sentido da vida ou que significado pode dar à sua vida, então criamos o “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley. Aqui surge a sociedade kitsch. E a dada altura já é segunda-feira, a festa acabou, chegou a crise financeira e as pessoas já não conseguem pagar esta sociedade e surgem políticas de ressentimento, que é o que fazem os fascistas e é o que o sr. Wilders está a fazer de forma brilhante.

Que políticas são essas?
Em vez de tentar fazer algo positivo com as preocupações das pessoas e com os problemas que existem, explora-os.

De que forma?
Usando a velha técnica do bode expiatório. “Isto é por causa do Islão, por causa dos países de alho, por causa dos polacos. Nós somos as vítimas, vocês são o inimigo.” Ou “Isto é por causa da esquerda e das artes e da cultura, os hobbies da esquerda.” Este fulano [Wilders] é contra tudo o que pode alertar as pessoas para o facto de ele ser um dos maiores mentirosos de sempre.

Como as artes e a cultura que referiu?
Sim. O que temos de enfrentar é: se toda a gente vai à escola, se toda a gente sabe ler, se tanta gente tem educação superior, como é que continuam a acreditar nestas porcarias sem as questionar? E porque é que tanta gente continua a achar que quando X ou Y está na televisão é importante, ou quando X ou Y é uma estrela de cinema é importante, ou quando X ou Y é banqueiro e tem dinheiro é importante? A insanidade disto... [suspiro] Se tirarmos as posições e o dinheiro a estas pessoas, o que resta? Pessoas tacanhas e mesquinhas, totalmente desinteressantes. Mas mesmo assim vivemos encantados com a ideia de que X ou Y é importante porque tem poder. É a mesma lengalenga de sempre: é pelo que têm e não pelo que são, porque eles são nada. E a educação também é sobre o que podes vir a ter e não sobre quem podes vir a ser.

Reformar o ensino seria uma solução?
Eu não sou pedagogo e quero mesmo acreditar que existe uma variedade de formas de chegar ao que penso que é essencial: que as pessoas possam viver com dignidade, que aceitem responsabilidade pelas suas vidas e que reconheçam que o que têm em comum – quer sejam da China, Índia, África ou esquimós – é que somos todos seres humanos. Sim, há homens e mulheres, homossexuais e heterossexuais, pessoas de várias cores, mas somos todos seres humanos. Não podemos aceitar fundamentalismos e ideologias e sistemas económicos como o capitalismo, mais interessados em dividir as pessoas do que em uni-las.

E de onde pode vir a união?
Só pode ser baseada na aceitação de que existem valores universais. A Europa é um exemplo maravilhoso disso: há esta enorme riqueza de tradições e línguas e histórias, mas continuamos a conseguir estar abertos a novas culturas e é onde pessoas vindas de qualquer parte podem tornar-se europeias. Mas isto só acontece se valorizarmos e protegermos o espírito democrático. A democracia é o único modelo aberto e o seu espírito exige que percebamos que Espinoza estava certo, que o difícil é mais interessante que o fácil, que não devemos temer coisas difíceis porque só podemos evoluir se estivermos abertos ao difícil, porque a vida é difícil. Que para lá das habilidades de que precisamos para a profissão em que somos bons, todos precisamos de filosofia, todos precisamos da arte e da literatura para nos tornarmos seres humanos maduros, para perceber o que as nossas experiências internas encerram. É para isto que existem as artes, é por isso que vais ver um bom filme e ouves boa música e lês um poema.

É por isso que a cultura está sob ataque? Aqui em Portugal o actual governo eliminou o Ministério da Cultura.
E é isso que o partido fascista está a fazer na Holanda e é o que outros estão a fazer em todo o lado. Óbvio! Quem quer matar a cultura são as pessoas mais estúpidas e vazias do mundo. Claro que é horrível para eles olharem-se ao espelho e verem “Sou apenas um anão estúpido”.

Por isso querem livrar-se da cultura?
Por isso e porque ela ajuda as pessoas a entender o que realmente importa. O medo da elite comercial é que as pessoas comecem a pensar. Porque é que os regimes fascistas querem controlar o mundo da cultura ou livrar-se dele por completo? Porque o poeta é a pessoa mais perigosa que existe para eles. Provavelmente mais perigoso que o filósofo. Quando usam o argumento de que a cultura não é importante e de que a economia não precisa da cultura, é mentira! Isso são as tais políticas de ressentimento, um grande instrumento precisamente porque eles nos querem estúpidos.

E alimentam essa estupidez.
Claro. A geração mais jovem tem de questionar as elites de poder. Sim, vocês precisam de emprego, mas, acima de tudo, precisam de qualidade de vida. E essa qualidade está relacionada com várias coisas: com a qualidade da pessoa que amas e com a qualidade dos teus amigos, com o que podes fazer que é importante e significativo para ti. Quando vês que te estão a tirar isso, percebes que não estão no poder para te servir, querem é que a sociedade os sirva.

A democracia parece estar limitada a ir às urnas de x em x anos. O que é afinal uma verdadeira democracia?
Quando Sócrates foi levado a julgamento disse “Vocês já não estão interessados na verdade” e isso continua a ser assim. É por isso que chamei ao meu primeiro livro “Nobreza de Espírito”, porque para a teres não precisas de dinheiro, nem de graus académicos. Nobreza de espírito é a dignidade de vida a que todos podem ter acesso e é a essência da democracia. O espírito democrático é mais do que ir às urnas e se eles [políticos eleitos] não se baseiam nessa nobreza, os sistemas colapsam, como estão a colapsar. Foi Platão que disse que “a democracia pode cometer suicídio” e é assim que começo o “Eterno Retorno do Fascismo”. A grande surpresa para Ortega y Gasset foi que, livres do poder da Igreja e da tirania e aristocracia, finalmente havia democracia e o que fazemos? Estamos a matá-la! Isso aconteceu em Espanha, em Portugal, em Itália, na Alemanha, esteve perto de acontecer em França... Há um livro lindíssimo que Sinclair Lewis escreveu, “Não pode acontecer aqui”, mas a verdade é que pode facilmente acontecer nos EUA. O livro de Philip Roth, “A Conspiração contra a América”, prova-o.

Em 2009 escreveu uma carta a Obama, então presidente eleito. Quatro anos depois, que avaliação faz do mandato?
Na altura era a favor de Hillary Clinton.

Porquê?
Porque acho que ela tem instintos políticos muito melhores e mais experiência política que Obama. Estava na América no dia em que ele foi eleito, a 4 de Novembro de 2008, e foi um momento histórico, mas teria sido igualmente histórico se a América tivesse escolhido uma mulher. O problema com Obama é que não é um grande presidente. [risos]

Em que sentido?
Tornou-se demasiado vulnerável aos interesses infestados. Teve uma equipa económica com pessoas que vieram todas de Wall Street, como Larry Summers e Timothy Geithner. O poder do dinheiro no sistema político americano é assustador! E ele não conseguiu escapar a isso. E depois a política é uma arte e demasiados intelectuais pensam que, por terem lido sobre política, sabem de política. Não é verdade. A política tem a ver com pequenos passos, grandes passos são impossíveis numa democracia. Mas vamos esperar e rezar para que Obama seja reeleito. Senão vamos ter um problema, todos nós. E já agora, que no segundo mandato ele consiga fazer mais, tem esse dever.

Obama legalizou em Janeiro a detenção por tempo indefinido e sem julgamento de qualquer suspeito de ligação a redes terroristas. O que pensa disso?
Se lhe perguntasse sobre isso, ele dir-lhe--ia: “Aqui que ninguém nos ouve, não tive alternativa”. O problema sério com que estamos a lidar tem a ver com o poder dos media. Eles querem vender e só podem vender se tiverem notícias de última hora constantes. Têm de alimentar este monstro chamado público. Tudo tem de ser a curto prazo. Na política é o mesmo, é sobre o dia seguinte. Onde está a elite política que quer pensar à frente, a um ou dois anos? Onde estão os media que expliquem às pessoas a importância do longo prazo? Na economia é o mesmo. Tudo tem de ser agora. Perdemos a noção de tempo. No mundo político, as pessoas deviam poder dizer: “Não sei a resposta a essa questão. Dê-me uma semana e falarei consigo.” Mas se um político disser “Não sei”, é morto. Vivemos a política do instante, onde as questões estruturais são esquecidas. Veja, estou cá [em Lisboa] a convite de Mário Soares. O que quer que se pense sobre ele ou sobre Mitterrand, etc, essa geração viveu a guerra, experienciou a vida, leu livros. Cometeram erros? Claro que sim, mas é uma classe completamente diferente de tantos actuais políticos, jovens, sem experiência, que não sabem nada. Nada! Se lhes perguntarmos que livros leram, eles quase têm orgulho de não ler!

O que pensa dos movimentos como os Occupy ou o 15M de Espanha?
É extremamente esperançoso que estejamos a livrar-nos da passividade. Finalmente temos uma nesga de ar, mas precisamos de um próximo passo, protestar não basta. A História mostra-nos que as mudanças vêm sempre de um de três grupos: mulheres, jovens ou minorias. Acho que agora vai ter de vir dos jovens. Se isto continuar por mais três ou cinco anos, o seu futuro estará arruinado, não haverá emprego, casas, segurança social, nada. É tempo de reconhecer isto, de o dizer publicamente, de parar e depois avançar. Se os jovens pararem os jornais, os jornais acabam. Se os jovens decidirem que não vão à universidade, ela fecha.

Mas parece não haver união para isso.
É preciso solidariedade! Será que é preciso ir ver o Batman outra vez? Qual é o papel do Joker? É dividir as pessoas!

Os actuais políticos são Jokers?
No mínimo não estão a fazer o que deviam. Não estão a dizer a verdade. O perfeito disparate de que todas as nações europeias não podem ter um défice superior a 3% é pura estupidez económica. Temos de investir no futuro. Como? Investindo numa educação como deve ser, que garanta seres humanos bem pensantes e não apenas os interesses da economia. Investindo na qualidade dos media... O dinheiro que demos aos bancos é milhões de vezes superior ao que é preciso para as artes, a cultura, a educação...

A WikiLeaks revelou que a CIA espiou o 15M e que divulgou um documento onde diz ser preciso evitar que destes movimentos “surjam novas ideologias e líderes”.
Uau! Isso prova o que defendo! Não sabia disso mas é muito interessante. Veja, porque é que temos democracias? Porque percebemos que o poder é um animal estranho para todos os que o detêm e que ninguém é imune a ele. Se dermos poder às pessoas elas começam a comportar-se como pessoas poderosas. Philip Zimbardo levou a cabo esta experiência, o Efeito Lucifer, na qual uns fingiam ser prisioneiros e outros guardas. A experiência teve de ser parada, porque os “prisioneiros” começaram a perder a sua individualidade e a portar-se como escravos e os “guardas” tornaram-se violentos e sádicos. De repente percebemos: “Uau, é isto a natureza humana, é disto que somos capazes.” Lição aprendida: há que controlar o poder, venha ele de onde vier.

A sociedade é que pode controlá-lo?
Sim, todos têm de aceitar uma certa responsabilidade. Os intelectuais têm de se manter afastados do poder, porque só assim podem dizer a verdade. Os media também, porque sem sabermos os factos a democracia não sobrevive. Se esses mundos de poder não tiverem total controlo, as pessoas têm tentações. Quem tem dinheiro quer mais dinheiro, quem tem poder quer mais poder. E há que garantir a distribuição equilibrada destas coisas na sociedade.

Só quando soube que vinha entrevistá-lo é que li sobre o Instituut Nexus.
Está perdoada, não somos famosos. (risos)

Porque é que decidiu criá-lo?
Quando estava na universidade percebi que já não é o sítio onde podemos adquirir conhecimento e onde há conversas intelectuais, essenciais à evolução. Na altura conheci um judeu que dedicou tudo – tempo, energia, dinheiro – a resgatar o que Hitler queria destruir: a cultura europeia. Abriu uma editora, uma biblioteca, uma livraria. Tornou-se meu professor e começámos um jornal, o Nexus, e depois da primeira edição percebemos que tínhamos de levar a ideia a outro nível e criar uma infraestrutura aberta onde intelectuais de todo o mundo pudessem discordar uns dos outros e falar de tópicos importantes. Qualquer pessoa pode participar pagando 10 euros. Estamos sempre esgotados e temos pessoas a vir de todo o mundo.

Qual será a próxima conferência?
É a 2 de Dezembro, sobre “Como mudar o mundo”. O Slavoj Zizek vai lá estar, um deputado britânico conservador também, [o escritor] Alessandro Baricco. E no próximo ano vamos abrir um café com uma livraria europeia e um salão cultural, num antigo teatro de Amesterdão. Se tivesse dinheiro gastava-o a abrir um assim em cada cidade, arranjava orquestras... Temos de reconstruir as infraestruturas culturais, precisamos disso com urgência. E temos de ser nós porque as elites no poder não o vão fazer.

 

Por Joana Azevedo Viana

in iOnline

 

 



publicado por portuga-coruche às 07:15
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